Archive for the 'leveza do ser' Category

Medo?

O suor escorre mesmo nessa baixa temperatura. Como se a febre consumisse tudo o que vai em mim. As drogas consentidas que rolam no meu sangue. Sangue inócuo, apagado, frágil. A mulher atravessa a rua e eu observo apesar da neve. Bela e fugidia. A neve não me incomoda mais. A mulher segue em frente num passo apressado de quem não quer se molhar, de quem tem frio, de quem tem medo. Medo. Medo. Minha gente tem medo, minha gente corre com medo mesmo sem saber exatamente de quê ou exatamente porque acredita saber em quê.

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K.rocodilo

Mítiga noite. Eu e você e a história misteriosa da parada no tempo. Não sei bem como acabou por acontecer, mas aconteceu. Duas paredes. Dois quadros iguais em duas paredes diferentes de localidades diferentes. Como pode? Claro que não sei. Os calendários até mudam, mas nós estamos no mesmo lugar, no mesmo ponto de um nada tão profundo e tão cheio de “tudos” e, ainda assim, eu não me espanto.

Verdade que minha caverna ficou mais escura ou mais profunda (questão de ponto de vista), mas a xícara está ali. Meu liquidificador ficou mais silencioso, mas continua “liquidificando“. A vida vai passando como esse rio magro, com essa água ora barrenta, ora límpida. Como o crocodilo, posso estar submerso, com olhos na tona. Olhos sempre voltados para dentro porque é em mim que tudo está guardado. Como um caracol de Java. Um caracol marcado à ferro e fogo pelas noites de sedução dessa menina. Esse cativar infindo, essa certeza absoluta. Olha que me dar certeza absoluta não é mole não.

Pensando bem, não são dois quadros iguais. São dois quadros que se completam porque assim foi e assim será. E ainda assim é a Incompletude***, esse estado pleno, que transborda, que chove, que perdura para nos esvairmos como uma veia da américa latina.

Porque o tempo passa e nada muda. Jamais.

Pensando alto

O conhecido me pergunta porque deixei o blog de lado. Por um momento pensei em contar-lhe a verdade, mas deu para me conter à tempo e fazer cara de árvore. Finalmente (nessa terceira idade) aprendi a me conter, controlar minha língua em muitas situações (o que me dá uma sobrevida (linda palavra) menos conturbada). Angústia é o que me passa, o que se passa e os motivos são igualmente variados e únicos. De brincadeira fala-se de uma certa excentricidade, mas é só mesmo brincadeira. Muitas vezes percebo que a coisa é muito mais séria (outro problema se apresenta: não tenho mais nenhuma paciência com problemas, com situações difíceis, etc, etc).

Os livros estão ali, naquela quina de parede vermelha. É uma pilha razoável de autores interessantes. Falta tempo, falta o hoje, falta a capacidade desses olhos cansados buscarem luz e lentes para decifrar letras, umas colocadas atrás das outras, nessa esperança de recriar o universo, de recriar você, de recriar-me, por fim.  Ou somos a criação do que está ali, naquela pilha? Sei que tudo pode ou tudo “dá”, mas falta algo, alguma coisa parecida com a ânima universal ou coisa parecida. Tem a necessidade de produzir alguma coisa rapidamente já que o tempo entrou em desabalada correria no enfraquecimento da emoção. E me desfaço, me assusto e me refaço outro, diferente, incomparável com o ontem… com os sonhos e as letras desse mistério,  principalmente esse ‘ontem mais distante’…

Tempo, tempo, tempo, tempo…

Não. Que eu saiba não morri ainda. Ando mesmo enrolado com determinados estudos que resolvi fazer mais à fundo. Diante disso, deixei muitas e muitas coisas de lado e uma dessas coisas mais caras a mim é esse convívio aqui com meus três leitores. Mas é a tal coisa: eu até me acho o Super Homem, mas a verdade é que não sou (e nem de longe). Ou seja, me viro para um lado e fico, momentaneamente, de costas para o outro. Onde estou enfiado? Ainda é cedo para dizer (aliás acho mesmo que não direi nunca). Afinal, todos nós temos nossas particularidades e para isso existem os cadernos e blocos manuscritos, não é? Mas não sumi, não morri, não evaporei nem caí em desgraça (imagino eu rsrs). É o tal do bendito tempo, tempo esse que me irrita e eu o irrito questionando-o sempre. Me lembra uma noveleta que escrevi para a televisão em 1985 sobre um determinado homem que, ao entrar numa cidade causava o estrago (ou a virtude!): TODOS OS RELÓGIOS  deixavam de funcionar. Não sei como terminei essa trama. Talvez Flávio Migliaccio ainda se lembre – se é que ainda se lembra de mim. Vou em frente.

Eternamente abril

Entre idas e vindas e o ar fino iniando a esfriar abril começo a me debater entre isso e aquilo, possibilidade X ou Y, vontade e volúpia entre folhas secas e amarelas que já começam a cair para gáudio dos garis. Alegria também dos velhos, dos muito jovens, dos apaixonados… de todos. A percepção de ar fino, aprendi com Vinícius. Estar vivo é continuar a ter sensações, impressões, sentimentos e náusea, mas também de alegria, felicidade…. é, acredito, ser e estar pleno. E claro que nem sempre estamos assim. O que resta é caminhar à tardinha pela Lapa ou o Leblon, mesmo com uma chuvinha fraca, mesmo com a ignara à espreita, dentes negros e vampirescos, com seus eternos golpelhos à sorrelfa. Enquanto isso…

As Cores De Abril

Composição: Vinicius de Moraes / Toquinho

As cores de abril
Os ares de anil
O mundo se abriu em flor
E pássaros mil
Nas flores de abril
Voando e fazendo amor

O canto gentil
De quem bem te viu
Num pranto desolador
Não chora, me ouviu
Que as cores de abril
Não querem saber de dor

Olha quanta beleza
Tudo é pura visão
E a natureza transforma a vida em canção

Sou eu, o poeta, quem diz
Vai e canta, meu irmão
Ser feliz é viver morto de paixão

As coisas que escrevemos para nós – Virgínia Wolf

Não sei se Paul Auster escreve seus romances à mão, manuscritos. Creio que sim. Josué Montello faziea igual para não acordar a esposa de madrugada (Josué não dormia e por isso tem mais de 150 romances). Também não sei se li essa história do Paul Auster contada por um dos seus personagens ( que escrevia em papel quadriculado) – Afinal, Paul Auster é a maior mistério dos séculos XX e XXI.

Isso é apenas mais ou menos uma explicação da minha passagem breve por esse sítio. Ao longo da História, homens e mulheres fizeram suas narrativas manuscritas (em forma de diários e etc,) Conheci os blogs em 2000 ou 2001, apresentado por uma grande amiga. E resolvi fazer. Evidente que o conteúdo de cada post é igualmente manuscrito com um texto mais “politicamente incorreto” e MAIS VERDADEIRO colocando as coisas em seus devidos lugares. E criou-se o hábito de me responderem por e.mails e não na parte destinada a comentários. Por que? Porque há poucos anos descobri uma mulher baderneira que fez horrores (até mesmo espalhando na net que ela havia morrido). Não pretendo de maneira nenhuma ser crítico, agressivo ou mentiroso. Simplesmente quero deixar “a vida me levar”

Flores ou Asfalto

Vez ou outra acabo esbarrando com alguém na rua que se apressa em me perguntar o que estou fazendo. Essas perguntas trazem, misturadas, curiosidade e, eventualmente, um tico de saudade (ou de prazer em me ver longe). Isso não importa muito nessa altura dos acontecimentos. Pessoas, tais como baterias pouco recarregáveis, têm um tempo para cada coisa (mesmo que em alguns momentos fiquem sem tempo para dar conta de tudo). Certo ou errado, acredito que chega uma hora em que a gente tem que parar, ver o que acontece em volta, que rumo as coisas estão tomando, como estamos de saúde, como estão os nossos, assim como lembrar dos que se foram.

Ao final de dezenas e dezenas de anos dedicados quase que  exclusivamente ao trabalho, é o momento de nos perguntarmos se queremos isso indefinidamente, se como bons atores, desejamos morrer num palco ou se não é oportuno cuidar das feridas, ler uma coisa ou outra, velejar em mares diferentes, etc. Acho que sim, que é isso. Claro, o mais importante é tratarmos as feridas, as doenças, os achaques da velhice e depois permitirmos-nos um pouco de paz e de apreciação do belo. Eis a chave de tudo: a alma em paz com as missões cumpridas e dar oportunidade ao belo. Quem morre sem conhecer a beleza da vida, não viveu. Quem, no final das contas, guarda ódio se afogará na bílis (ou bile, se preferir). Eu prefiro caminhar à beira mar, perceber as flores, as corujas… prefiro que me esqueçam.

 


Ela…

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"A descoberta do Prozac criou um universo de eunucos felizes"

"É-nos impossível saber com segurança se Deus existe ou não existe. Por isso, só nos resta apostar. Se apostarmos que Deus não existe e ele existir, adeus vida eterna, Alô, danação! Se apostarmos que Deus existe e ele não existir, não faz a menor diferença, ficamos num zero a zero metafísico" Albert Camus

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""Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos."
Nelson Rodrigues

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