Do que não aconteceu

buscar as possibilidades da longevidade (e esse conceito de longevidade é tão fugaz…) ===> falamos com pessoas, procuramos entender todas as coisas disponíveis e as indisponíveis. faço-me entender mais pelo não dito do que pelo explicado minuciosamente. a chuva cai eternamente, não parando um segundo. imagino então a chuva caindo no meio do mar, durante a noite. água sobre água, nenhuma visão, apenas uma sensação de desconforto do próprio planeta, alguma coisa indistinta para os que não optaram por serem marujos. o marujo é um ser mítico, meio homem meio peixe, meio valente, meio suicida.

olho o mar aberto quando olho para dentro de mim, quando estou nesse estado de contemplação não do que é a vida e sim do que sou eu na vida, nas possibilidades que criei e nas que afastei, na explosão do momento cego, na virtude que não é, na percepção fragilmente humana, na dor da saudade antes da hora, saudade de antemão. e surpreendo-me ao ver que essa saudade não é exclusivamente minha, que é uma saudade de um todo humano, que a humanidade já sente falta do que ainda não deixou de acontecer, de estar presente. alguma coisa como a angústia não por despertar, mas pelo que poderia ter sido um sonho.

está em tudo e em todos uma percepção das coisas que poderiam ter sido – e não foram, impressão que seria igualmente percebida ainda que tudo fosse o contrário do que é/foi. os ônibus avançam bravamente sobre as poças d’água e fico admirando o tamanho das rodas dos veículos coletivos, como se elas fossem capazes de explicar um pouco a questão do paradoxo da supremacia.

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"É-nos impossível saber com segurança se Deus existe ou não existe. Por isso, só nos resta apostar. Se apostarmos que Deus não existe e ele existir, adeus vida eterna, Alô, danação! Se apostarmos que Deus existe e ele não existir, não faz a menor diferença, ficamos num zero a zero metafísico" Albert Camus

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""Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos."
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