Archive for the 'dos cadernos' Category

ilusões perdidas

QUANTO MAIS eu caminho pela vida, em muitos momentos, parece que minha experiência é menor por acreditar ainda em duendes. Passoas duendes não deveriam mais estar no meu rol, mas acabam entrando inclusive com a minha facilitação. São os mendigos, as moças bonitas que passeiam nas avenidas ao entardecer, são as pessoas que falam de uma determinada experiência qualquer ou de toda a experiência de toda a sua vida. Os meios, as aparências e as histórias variam, mas estão todos lá cumprindo seus papéis de atores fracassados e eu, de espectador mais fracassado ainda, que BATO PALMA PRA MALUCO DANÇAR. Solução? Não há nenhuma dúvida que a solução deve estar em mim e não no outro, no parceiro. Insistindo na teoria que a vida imita a arte, estou certo que a resposta pode estar na literatura, que certamente está lá, mas é quase impossível acharmos o livro certo para ler. Livros certos são aqueles que escrevemos, aqueles em qua ditamos regras e pontos finais a personagens. Mesmo que não vendam nenhum exemplar.

Anúncios

hoje

Por um tempo entendemos as coisas equivocadamente. Esse tempo não é mensurável (na verdade, é) porque tratamos de tempos em descompasso, o que anda para o fim da vida e o que corre para trás, o da morte. Nesse hiato coloco-me sem ter certeza do epílogo, embora perceba as probabilidades. Eu percebo, diria, muito mais do que dou a entender, muito mais do que permito que vejam. Não porque eu seja diferente, mas porque a humanidade é cega.

Gide na saleta

O encontro tardio com Gide se dá de maneira tumultuada, quando eu ainda estou sob o estado de choque pela tardia leitura de Beckett. Tardia, tardia, tardia. Sou uma pessoa tardia. Busquei as coisas de forma atabalhoada (?) e agora pago o preço… vil, indigesto, símbolo de fracasso. Símbolos, símbolos, quantos símbolos eu vejo e me mostram minha inoperância (fraqueza mesmo!) diante deles! O mundo é um símbolo (ou vários) e a vida é um símbolo. Sim, reconheço que ainda estou assustado, sob a marca do espanto do elemental que é despejado sobre minha fronte com raros cabelos brancos. Cada instante é um momento sujeito ao espanto, à loucura que se instala, mas não se assume. São as vozes que falam, mas não mostram seus rostos (nem embrulhados em véus). Minha veia aberta esguicha um sangue estranho, como se não fosse o meu. Aliás o sangue não deve mesmo ser unicamente meu??… deve haver uma miscigenação violenta, mas aí já é assunto para os antropólogos. Hoje é o instante, é o momento, é o grito contido, a lâmina que corda o ar, a água que não apaga o fogo, fogo que vence. Fausto. Pena de Fausto. Gide, esse homem que se apresenta a mim, que senta na poltrona em frente à mim. Esse contador de histórias que eu tanto necessito…

Deleuze ….. ?

Imagino que talvez um dos maiores pensadores atuais seja Deleuze. Talvez não seja em relação a… mas pra mim é. Claro, ler filosofia sem um orientador é uma situação árdua. E muito provavelmente eu aproveite 80 ou 50% do que leio. Não importa nesse momento. A leitura importa em todos os momentos, mesmo nos mais deprimidos. Absolutamente não é querer auto-elogio. Bobagem isso. Já disse que ainda estou de chupeta e fraldas descartáveis. Estou apenas caminhando, apenas buscando as pessoas que sabem para que eu possa entender um pouquinho nas relações ou, somente, às minhas relações. E o que são minhas relações? Um emaranhado de mim. Em muitos momentos, tal como um esquizofrênico espiritual, eu me afasto do pensamento do outro, não por não aceitar, mas por não compreender. A Filosofia, nesse aspecto, é uma leitura simplesmente subjetiva, apenas uma espécie de óleo para a engrenagem dos relacionamentos.

Não acho totalmente interessante estar nessa torre olhando o horizonte. Não me cabe bem esse mutismo existencial (que às vezes parece esnobe e não é). A excentricidade é uma condição colocada pelo outro e não por mim mesmo. É uma visão dos outros, que corre de boca em boca e me rotula de alguma coisa que, na maioria das vezes, não sou de fato.

O que me parece ocorrer é que as pessoas esperam de nós uma certa normalidade (da normalidade tal como ELES o entendem). A filosofia pra mim é ferramenta….ferramenta que não sei utilizar corretamente, não sei. Fico nos filósofos mais compreensíveis, um pouco mais palatáveis como para que “falem para mim”. Enfim, falo de Deleuze porque estou lendo “Deleuze, a Arte e a Filosofia” de Roberto Machado. Um PHD que teve o próprio Deleuze como orientador. Muito bem, eu tento um pouco mesmo assim. Mas estou muito distante dos filósofos. Estou muito mais presente (ou ela em mim) na literatura. Necessito de história, muitas histórias para que eu possa continuar no meu projeto “sísifico” de me reescrever. Agora sigo adiante (sempre mais ou menos descontroladamente. Por isso vêm aqui apenas alguns poucos amigos de muito boa vontade. No fundo, eu quero dar continuidade à leitura de Gide, de Beckett, de Camus (seu lado literário e não filosófico) porque não quero me meter nessa história da briga de Camus com Sartre. Sartre, de esquerda, recusava-se a perceber os erros da esquerda, só metia o pau na direita e esse fato irritou Camus. Enfim… não é o propósito desse post e agora, no final, percebo que ele é inútil. Escrevi e não disse nada. Viva Josué Montello.

Parangolé de mim

A relação com seres humanos é nociva até para seus iguais e só vence mesmo a barata. Tento me reenquadrar socialmente e o que acontece é o caos, é um misto de anti-apocalipse ou implosão de apocalipse como se a Terra fosse engolida pelo seu próprio buraco negro. Me assusta essa antropofagia de terror cibernético e me refugio numa espécie de plataforma virtual onde tenho a possibilidade de jogar o game ancestral assim como deus joga dados. Fujo da merda jogada por catapultas mediavais e subitamente me torno um templário do terceiro milênio, um soldado ferido que ficou para trás na Segunda Guerra e encontrou uma enfermeira que cuida de suas feridas aparentes sem ver o interior minado, doente, podre.

Caminho errante um um Portugal cheio de armadilhas intelectuais e bejo,  um feliz Fernando Pessoa de barro. Tudo é felicidade no vinho, na música, no colorido das roupas da moça de aldeia, no gentil cavalheiro de chapéu de palha vistoso. Não tenho muito para onde me movimentar e percebo que enfim a terra é um tabuleiro de jogo antigo, a Terra transborda porque não é mesmo redonda, porque não existe Rotação e exitem figuras sem cor – cinza sobre cinzxa respeitando apenas tonalidades diferentes da não cor. Folheio Josué Montello e choro pelo tempo que não vai voltar, pelo que fui e pelo que não sou. Caminho perdido entre enormes peças de xadrez como num labirinto mental, numa idiossincrasia própria a mim e a mais ninguém. Decepciono-me um pouco mais com homens que conheci e levaram meu cavalho malhado, deixando-me de pé nessa chuva torrencial.

Torrencial é o espaço-vida em que me aventuro mesmo sabendo o resultado, o Fim de Jogo de Becket, mesmo sabendo a cor dos que saem de dentro da mina de carvão, mesmo sabendo que o céu, o sol e a chuva são tão somente efeitos das artes produzidas em videografismo, brincadeiras de um pintor pós-moderno. O sol vai se apagar e talvez seja a hora de lentamente, retirar minha roupa de dândi tropical (afinal os parangolés pegaram fogo e os homens erraram de novo a meu respeito).

Esparsos

Do caderno 17 C 2:

“,,, depois a noite e o silêncio. Unicamente essas expectativas para esse futuro incerto. Futuro de lutador que abandonou a luta há muito tempo, que abandonou o sorriso farto e solto, de ser que conhece a realidade e, de certa forma, desceu aos infernos e voltou. (…) verdade que não reafirma quem é como não reafirma “verdades” dessa vida brejeira, vida ordinária que corre tranquila como uma riacho virgem. Não ter nada e não lamentar. …. porque esse lamento é o do crente, do que espera respostas como um  Sísifo às avessas. Não existem respostas. …. exclusivamente o tempo a correr frente a frente, de forma livre, independente e liberta de ações. Não ser, portanto, mais um jogador. Não tentar interferir no movimento da Terra ou no dos astros. Basta a Estrela Guia. Movimentem-se pois à revelia, já que à  revelia tudo se deu: nascimento e morte. Força e fraqueza. Fim das esperanças pueris. (…) Desconhecer céus e terra, seus símbolos e lendas contadas de forma oblíqua deixados em documentos esparsos através dos tempos em que se acreditava nas empreitadas (…)


Ela…

Ela...

Trocas

e-mail



Mini blog



"A descoberta do Prozac criou um universo de eunucos felizes"

"É-nos impossível saber com segurança se Deus existe ou não existe. Por isso, só nos resta apostar. Se apostarmos que Deus não existe e ele existir, adeus vida eterna, Alô, danação! Se apostarmos que Deus existe e ele não existir, não faz a menor diferença, ficamos num zero a zero metafísico" Albert Camus

Visite:
wwwgeraldoiglesias.blogspot.com

""Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos."
Nelson Rodrigues

Do que se gosta?

  • Nenhum

Tempo…

dezembro 2017
S T Q Q S S D
« jan    
 123
45678910
11121314151617
18192021222324
25262728293031