Archive for the 'Mundo Tropical' Category

Revista Brasil

Falta ao brasileiro o conceito, a sensação de brasilidade. Ser brasileiro, de certa forma, é ser especial, melhor em umas coisas, pior em outras, mas a média é excelente. O que não existe ainda é um meio de comunicação que integre os “Brasis”, que mostre a realidade, o lado ‘abandonado’ pela mídia, um monte de gente, de agrupamentos, de associações que fazem muito, às vezes até mais que os governos. Nada disso é mostrado. Pois é nessa mistura cadenciada, nessa miscigenação belíssima (e malemolente) que estou envolvido para o próximo produto da TV Brasil, A Revista Brasil. Nós queremos gente do país inteiro escrevendo, mandando idéias, gravando com aparelhos celulares ou o que for… podem ser cartas mandadas pelo Correio, podem ser comentários num blog que em breve estará no ar… Queremos o seringueiro, o pescador e sua jangada, o herói dos Pampas, o homem da britadeira, o cientista e o intelectual… TODOS envolvidos num projeto ousado, numa Revista não recheada de efeitos especiais, mas num canal público de informação franca e de interatividade absoluta.

Se menor deveria ser cult

Em duas caixas de sapatos, guardei ontem toda a papelada que venho juntando há anos. Ou melhor: toda não, mas as coisas que me interessavam. Surpreso, entendi que minha vida se resume a duas caixas e meu corpo cremado se resumirá a uma pequena urna. Isso absolutamente – jamais! – me deprimiu, ao contrário, percebi que podemos fazer muito em pouquíssimo espaço. Por essa visão a humanidade é perfeita porque só é “espaçosa” se assim desejarem egos enormes. Muita coisa pode estar num rolo de filme, num livro, numa fita de vídeo tape, numa pequena escultura. Células e átomos nos demonstram isso diariamente e não nos damos conta. Mas é isso. O mundo é pequeno, as pessoas são pequenas (ou deveriam) ser e, se houvesse realmente vontade política dos governantes, não existiria tamanha distância entre as classes. Os homens é que são naturalmente cruéis.

Miscelânias novamente (talvez eternamente)

Dia desses me perguntaram por que “Pós Sobretudo de Lona”, se eu era outro depois de “um outro” Sobretudo de Lona. NÃO. Sou eu mesmo. Creio que o Sobretudo nasceu em 2000 ou 2001, não tenho certeza. Quando não estava trabalhando, eu vagava pelas madrugadas urbanas (ou não) com uma enorme motocicleta negra. Nesse período vi e vivi muitas coisas. Procurei narrar tudo ou quase tudo. O tempo passou e mudou. Eu fui envelhecendo e, igualmente, mudando. Experimentei fazer uns outros blogs com nomes diversos (alguns estão ativos) e, apesar de me reescrever e me redesenhar acabei percebendo que algumas coisas ficam, são atávicas e não deixei o espírito do Sobretudo. Por isso, sete anos depois (uma vida!) percebi que, se por um lado eu não era mais aquele, por outro, era. Então eu sou um pós eu. E como o tempo (e a vida) mudam mais rapidamente agora, quem sabe uma hora eu não serei o Pós-Pós Sobretudo? Não sei e não quero nem pensar nisso por enquanto. Bom, aí está a resposta – espero que tenha sido clara.

Por outro lado, sei que não tenho escrito legal, que as coisas vêm meio como desabafo, de forma não linear e as pessoas não entendem muito o que estou ou do que estou falando. SEI DISSO. Talvez uma hora eu tenha tempo de contar essas histórias que estou vivenciando de forma compreensível. Talvez também não tenha esse tempo. Dia desses um amigo comentou neste espaço que os textos de K são fluidos, dão para ler enquanto os meus são densos e exigem muita concentração do leitor. Sinceramente não creio que seja isso, simplesmente Kastor escreve melhor do que eu. Quando sento aqui e escrevo, não tenho a capacidade de narrar, de ser linear, de ser uma leitura agradável. Minha cabeça pula de um lado para o outro, os pensamentos e sentimentos se misturam, os espíritos guerreiam e a vida – como já disse – não é uma só… Ainda talvez o embasamento filosófico (se existe algum) se embaralhe porque eu me embaralho comigo, tenho, muitas vezes, a impressão de que sou um monstro com um corpo e várias cabeças que, evidentemente, não se entendem. Lógico. Juro que tento ordenar as coisas, mas confesso minha incapacidade (quem sabe, momentânea). Igualmente ocorre com minhas incursões na literatura e, quando me dou contra, estou lendo quatro livros ao mesmo tempo e seus conteúdos também me invadem já misturados. Não tenho pastas nem gavetas na alma, tudo me cai num enorme saco de gatos ou num poço sem fim (que eu perceba). Coisas da vida, coisas de quem, irracionalmente, inventou de ter, simultaneamente, muitas vidas, muitos eus. Portanto, meus amigos não devem se preocupar com o conteúdo, devo ser leitura breve e barata. Almanaque vagabundo de farmácia de cidade do interior (para quem ainda lembra que existiam esses almanaques).

Ainda não contei, mas adoro livros policiais, de mistérios e etc. Adoro literatura barata, quando não tenho que prestar muita atenção nem me concentrar demais. Adoro igualmente não fazer nada, olhar para tetos e paredes e deixar que as coisas me venham e, se não vierem, que eu possa inventar uma história qualquer, uma coisa rascunhada em guardanapo de bar enquanto tomo uma cerveja. Adoro saber que meus amigos e queridos estão bem e aos meus inimigos, as batatas. Me satisfaço igualmente jogando conversa fora no MSN ou revendo aquelas séries antigas como Os Monstros e tal. Sabe? Já repeti que sou espartano, que adoro miojo, que me interessam os azulejos do chão da minha casa, que observo as janelas do hotel em frente e fico pensando no que estará acontecendo naqueles apartamentos, que pessoas estarão por trás das cortinas, porquê se hospedaram ali e tal. Sorrio das pessoas não saberem o que sou, quem sou nem como tudo levou à esse personagem de si mesmo (que muda constantemente) que vos fala.

Queria saber escrever sonetos – isso me frustra um pouco, mas faz parte do jogo de sonhos versus realizações. Acho que é isso…

Vai passar

Surpresas

Observo o céu. Curiosamente, vejo dois fiapos de nuvens que correm certas e retas de um lado ao outro. Paralelos. Como se tivessem passado dois aviões da esquadrilha da fumaça. Aliás, nem os tais aviões e suas fumaças teriam sido tão perfeitamente milimétricos. A natureza apronta cada uma…

Omissão no blog

É muito curiosa a relação entre a vinda de pessoas ao nossos espaços e a dos estados que passamos ali. Uma pessoa, por exemplo, vem aqui lê, lê e lê. Dessa leitura ela apreende alguma coisa, tira conclusões e acaba por me traçar um perfil. Certo? Errado. Escrevemos de duas maneiras: pensando em publicar e com a certeza de que não vamos publicar. Se não mudamos de idéia, aquilo que escrevemos para não ser publicado não corre o menor risco (ou quase nenhum) de ser lido por outras pessoas e, portanto, interpretado.

Já o que escrevemos pretendendo publicar – por mais que não tenhamos essa idéia no ato – sofre uma espécie de auto censura. Só escrevemos o que temos argumentação para discussão (por mais tola que seja). Então na verdade, não escremos sinceramente nos sites nem nos blogues. Escrevemos aquilo que achamos conveniente os outros lerem. E o que achamos conveniente dar a saber ao outro, muito poucas vezes é totalmente verdadeiro. Então essa escrita aqui que eu chamo de mais ou menos memorialista pode não perder esse apelido, mas não é despojada de qualquer falta de sinceridade, isso não. E somos todos assim? Todos. É bem verdade que existe gente que além de omitir, inventa coisas, títulos, cursos, inventa que já morreu, inventa que é um galã de cinema e tudo o mais. Aqui as pessoas inventam tudo porque dão asas às suas fantasias, porque precisam de avatares, precisam criar personalidades sonhadas e jamais alcançadas (e que jamais serão). Por que, afinal, quem é poeta ou escritor nesse grupo? Quem publicou um livro ou dois, desses de editores medíocres que a gente paga para editar? Isso é ser escritor. Tem um blogues que eu entro e a primeira coisa que encontro no topo da página é com o livro do autor. Ora, ora, minha senhora.

Terapias, Afrodites, Megs e províncias

A insônia matutina não me incomoda. Gosto de acordar cedo porque é justamente durante a manhã que consigo tornar meu dia mais produtivo. Acho que a noite me oprime um pouco, eu fico meio sem ação. Despertar antes do dia clarear me deixa bem disposto, sinto mais vontade de ler e escrever, por exemplo. E isso é bom na minha vida que de ordeira e rotineira não tem nada. Porque, muitas vezes, não nos damos conta que cada dia é uma vida diferente, é pontual na medida em que acordamos e vamos dormir. É isso. Quando vou dormir é exatamente como se estivesse morrendo, quando as coisas se encerram, quando saio de mim. Quando acordo é como estar nascendo adulto e um mundo de coisas, oportunidades e opções me são oferecidos. É durante o dia que temos que lidar com os outros e, muitas vezes, perceber mais uma vez que a vida imita a arte que não escrevo sobre o comportamento das pessoas, por exemplo, e sim que as pessoas se comportam da maneira que escrevo. Muito engraçado isso, né? Quer dizer: eu descrevo situações muitas vezes irreais ou utópicas e algumas pessoas passam a vivenciar daquela maneira (e o louco sou eu! rs) Essa e outras, são coisas que observo durante os dias. Idéias (realizáveis ou não) me ocorrem muito mais durante o dia e lembranças também. Lembro por exemplo que recebi um convite para participar de uma espécie de oficina, aula (ou coisa do gênero), promovido por dois ou três blogs. A proposta era você escrever determinadas coisas e aquilo entrar numa espécie de ciranda que seria revista, receberia opiniões, algo tipo aulas e alguma análise. Isso feito por pessoas sem a menor formação nem a menor capacitação profissional para tanto – e você ainda tinha que pagar um bom dinheiro pelo “curso”. Claro que eu não caí nessa arapuca e ainda avisei por e.mail a todos os meus amigos que não entrassem, que era furada, golpe, mas, ainda assim alguns entraram e quebraram a cara. Essas coisas são rapidamente esquecidas na vida e as pessoas continuam circulando por aí, impunes, como se não tivessem feito nada, como se fossem apenas “amigas” da turma. Ah, ah! Que turma, cara pálida? São resquícios, filhotes da Meg (lembram que ela morreu e agora tá aí, escrevendo tranqüilamente? Pois é, tá aí cheia de fanzocas idiotas que “esqueceram” que ela um dia disse que morreu. No meio dos blogues, parece que as pessoas têm uma memória mais curta, que não lembram do passado recente. E olhe que estou falando de três blogues chinfrins, jekinhas, desses que não valem nada, que não merecem que a gente perca dez segundos lendo umas linhas. Mas não, as pessoas estão lá. Fico só esperando para ver qual vai ser a próxima arapuca que vão inventar. Porque a picaretagem deixa um gostinho de ‘quero mais’ na boca.

Tudo isso acontece de dia porque, por suas características escuras, meio secretas e estranhas, a net precisa do dia, é invisível à noite. Precisa da interatividade, das pessoas acordadas, ela, em si, já é um sonho sonhado de olhos abertos, o monitor é uma caixa preta caleidoscópica, viciante como o ópio (cujas casas funcionam de dia). Sei que tem gente que deseja ardentemente que eu morra ou qualquer outra coisa assim, desde que meu blog desapareça e a esses eu recomendo calma porque uma hora, como tudo, evidentemente, meu blog irá desaparecer. Por outro lado, não deviam dar atenção ao que escrevo aqui, Para quê? Bobagem! Quem sabe não é tudo fantasia minha? Quem sabe nunca aconteceu da Meg dizer que morreu e nunca houve o conluio de dois blogues para dar um golpe nos desatentos? Pode muito bem ser tudo fantasia minha. Pode ser que as pessoas não mudem de comportamento e ajam como eu falo aqui, pode ser tudo um enorme e delicioso delírio. Uma coisa é certa: embora todas, no fundo tenham restrições a todas, tratam-se como amigas e, se lerem estas linhas, os MSNs vão fumegar, vão perder preciosos minutos de suas vidinhas vazias metendo o malho nesse humilde escriba. Até quem pagou e caiu no golpe das ‘senhoras de respeito’ ficará com raiva de mim porque estou dizendo que caíram numa arapuca. Eu, como o personagem de Lima Barreto, pretendo dar aulas de javanês via internet. Aguardem abrirem as inscrições.


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"A descoberta do Prozac criou um universo de eunucos felizes"

"É-nos impossível saber com segurança se Deus existe ou não existe. Por isso, só nos resta apostar. Se apostarmos que Deus não existe e ele existir, adeus vida eterna, Alô, danação! Se apostarmos que Deus existe e ele não existir, não faz a menor diferença, ficamos num zero a zero metafísico" Albert Camus

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""Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos."
Nelson Rodrigues

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