Meu gari

Ela me pergunta o que resta. Restam essas cartas, todas abertas, todas fora dos seus envelopes, todas queimando minha mão inconsciente. Passeio aqui nessa madrugada onde só meus companheiros lixeiros – ou garis ? – fazem seu trabalho esteticamente perfeito. Muitas vezes tenho vontade de deixar o livro um pouco de lado e descer, conversar com os meus garis. Olho as palmas das mãos (minhas) e pergunto-me quem mexe mais no lixo. Claro que eu sei a óbvia resposta.

Procuro o caminho novo ou a palavra exata e frustro-me por não encontrá-los, sequer saber se existem e eu, distraído, não os vi. Sei que a madrugada é a hora do recreio da alma e penso em “Faze-mes falta”. Quantos portugueses! Eu devia estar em Portugal e não aqui. Devia estar ali ou deveria estar acolá. Aqui o tempo engana, parece faltar. Tolice. Pois eu mesmo sou prisioneiro desse meu tempo! Quantas garrafas de vinho? Quantos bules de café? Quantos cinzeiros abarrotados? Meu espírito, minha pele, meus ossos. Minha expectativa… quanta!

A hora se vai. Esvai. Um mundo de secretárias eletrônicas, de cafeteiras, de micro e macro-ondas, bandas e sinapses largas (que não são). Meu tempo é a morosidade. Nunca cheguei a acompanhar meu pensamento (insano?). Por onde anda Mr. Almost?, Por onde andam minhas pessoas? Eu mesmo (o que fui), por onde ando? Em que encruzilhada tomei o caminho do labirinto e hoje dou voltas inúteis? E por quê essa caneta, esse bloco, esse livro? Para quê?? De longe, a Terra lembra o núcleo de um espermatozóide e isso me agrada. Tem lógica. Rompante de idéia logo afogada pela quantidade do borbulhante…

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2 Responses to “Meu gari”


  1. 1 Joplin 11/03/2010 às 9:42

    … Tudo !
    Encontrei o alimento para minha alma, suas voltas entre esquinas vezias la estou sozinha perdida num recreio cheio e vezio. pois o que eu procuro ja não esta , nunca esteve e como é dificil um caminho … queria não precisar de um caminho e ser como o falcão (Livro de Augusto Cury – O Futuro da Humanidade ) LIVRE!
    E quem entenderia ? Os pensamentos ? De tudo e Nada ? Um porre ou um café !

    Um abraço

  2. 2 Mr. Almost 10/03/2010 às 11:07

    Geraldo,

    Eu tenho andado a tomar conta da casa da Ka. São apenas cinquenta e cinco metros quadrados, mas dão imenso que cuidar.

    Você devia estar aqui?… Ah, sim! Ia se dar bem, sim! E aqui tem bom vinho, ô-ô, se tem! Mas aguarda: essa terra ainda vai cumprir seu ideal:

    Abraço!


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""Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos."
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