Archive for the 'Os dias…' Category

cigarro…

Não é apenas ficção, não é apenas o que eu colho nas resenhas de livros nem em livros ou entrevistas. É importante estar à margem das atividades comezinhas, estar “em seu lugar” sem dar satisfações nem falar. Assim como o escritor verdadeiro, eu não tenho nada a dizer sobre nada, não quero aparecer, não quero nada. Quero a quietude, o negror da noite eterna iluminada por minha luz, minha vela, minha lâmpada. O que escrevi não foi nada, portanto não sou nada, não tenho nada e, muito menos, quero nada. Sou um curioso de mim mesmo, é o que interessa. Olho-me no espelho e nada vejo. Olho então com os olhos voltados para dentro. Um velho  claudicando e só. Percebo pela janela que um sol frio aparece,  desses que nos dizem que a chuva está vindo, que a tempestade se aproxima. Estou absolutamente só com minha xícara de café e meu cigarro.                                        

Invernal

Existem alguns momentos em que as pessoas não reconhecem sinais, signos. Atitude perigosa. Não sei quais são as boas atitudes, mas sei que são necessárias embora, nesse momento, eu esteja com dificuldade de tomá-las. O de sempre, pra bom entendedor. A cana de açúcar, o sorvete, o chocolate. Liguei pra Raquel, minha livreira predileta. Mais Pierre Michon; na veia!!! Aliás alguns escritores são isso mesmo, ‘na veia’. Dizem o que a gente não sabe dizer (ou sabe?). Não sei se eu sei. Nunca tentei. Meus caderninhos são guardados à sete chaves. Leio uma crônica do José Castelo sobre Ana C. Não encontro em nenhum sebo o livro do Moriconi, o texto sobre ela. Essa mulher é um enigma e minha amiga querida fez mestrado sobre ela. Não li ainda. Alô, Anne ! Por fim, não sei para onde me viro.

Mas não é toda a verdade. No fundo sempre fui assim e agora escrevo como se fosse novidade. É porque não quero falar das mazelas da minha cidade, do meu Estado. Prefiro enfiar a cabeça na terra e não ver. Prefiro ler João do Rio, por exemplo. Se sou um covarde? Avalie você! Não penso nas pessoas (e nem em mim) como bravas ou covardes. Pessoas são o que são, são pessoas com seus mundinhos, uns mais, uns menos medíocres. Não estou chamando ninguém de medíocre, pelo amor de deus ! Digo que a vida é que é banal e ordinária. E tem gente que leva a vida à sério. Não, não é pra ficar feito um pateta rindo de tudo. É apenas para entender de uma vez por todas que tudo isso não vale à pena.

Chove. Sempre chove e alô alô depressão! Não dá pra ninguém escapar. Fica esse ar taciturno, esse olhar irreal para coisas (que são) irreais também. Penso às vezes que não vivo propriamente, mas que sou eu mesmo um resto de monotonia que ficou como o último trago amargo de um garrafão já sem a rolha. Se eu sou o fim? Talvez, talvez… Outras pessoas podem falar melhor. Não era nada disso. Tudo isso é porque vem mais um volume de um autor interessante. Pelo menos penso que sim. Chove mesmo. Parece que nunca mais verei um céu azul e um sol daqueles. Quando está calor demais eu também reclamo. Por outra: eu sou um chato.

Essas observações invernais, no fundo, pretendem mais esconder do que revelar a personalidade. É um jogo de espelhos falsos, uma brincadeira de mau gosto.

Infecções virtuais

Não, ainda não morri. Muito menos sumi. Tenho andado com coisas a resolver, atitudes a tomar e, principalmente, a idéias a colocar no lugar (nos cadernos manuscritos). Se estou dando um tempo aqui? Não é exatamente, mas não deixa de ser. Agradeço os e.mails dos meus três leitores que se preocupam. Não há nada de mais. Resta saber o tamanho da contaminação.

E as redes de proteção? 2009 e o tempo

Ok, parece que a vida venceu, o tempo passou e termina 2008. Não creio que tenha sido um ano muito bom para mim (se é que devo insistir em considerar o ano, essa medida de tempo tão idiota quanto o relógio). Primeiro pensei em fazer uma pequena retrospectiva, falando de bons e maus momentos, mas parece besteira, não deve interessar a ninguém – e nem a mim mesmo! Passagem de ano é parecido com data de aniversário, um momento irrelevante, uma festa tolinha, jeka e inútil. Não posso me furtar a voltar ao assunto: minha mãe fez aniversário no dia 10 e morreu no dia 17… sete dias após. E qual a diferença em falar que ela morreu com a idade (que vivenciou sete dias) ou com a anterior? nenhuma. Se eu morresse em 2008 ou em 2009, igualmente será irrelevante.

Meus três leitores sabem muito bem a implicância que eu tenho com o tempo, com as marcações do tempo e tudo o mais. Acho tudo isso uma babaquice ímpar. Nunca fiquei bebendo qualquer coisa à zero hora. Nunca dei pulinhos nas ondas nem acendi velas nem joguei flores no mar. O custo dessas flores, por exemplo, paga um prato de comida para um pobre esfomeado… Fé é um nome esnobe para crendices populares. Por que deve-se adorar mais a deus do que a um duende? Alguém já viu qualquer um dos dois? Bom, se viu não se trata de milagre e sim um claro sinal que a dose de Haldol ainda está muito baixa.

Mas não quero agredir ninguém, respeito a crendice das pessoas. Se elas necessitam, ótimo, façam bom proveito. Igualmente para quem estuda o alinhamentos dos astros, os búzios, etc. etc. A única diferença clara que percebo é que terei de grafar 2009 ao invés de 2008 no preenchimento de cheques. Só isso já é uma chatice, porque estamos acostumados com um número de ano e trocá-lo sempre faz confusão e, invariavelmente, erramos. E perdemos dinheiro já que cada folha de cheque é paga.

Por outro lado, acontece o nascimento de várias crianças e a morte de outras tantas (crianças, jovens e idosos). Mais ou menos como se a vida fosse um elevador num prédio de 40 andares. À cada parada saltam uns e entram outros. Simples assim. E quando esse elevador chega ao último andar “muda o ano” para continuar tudo mais ou menos igual. Muito mais interessante seria comer um acarajé preparado por ela. Ou uma moqueca, quem sabe…. Ou oferecer uma pinga a um mendigo que precise porque dessa vida não se leva nada (muito menos o fígado). E, se leva, eu serei exceção e não levarei nada.

Contam-se os dias das férias e quando acabam retorna-se a um trabalho chato, inútil… E fazemos isso em troca de um dinheiro ‘meia boca’ que nos garante uns pacotinhos de miojo, uma eventual cerveja e tranquilizantes que nos mantém “normais”. Ser normal, independente da data e do tempo é estar sempre dizendo sim ou um não ameno, estar entrando e saindo de lugares, batendo cartão de ponto, sempre vestido razoavelmente e de banho tomado. É isso que o mundo exige de nós. Mais nada. O mundo, a vida e o tal do tempo não sabem nada de nós, de verdade, como, igualmente, não sabemos nada de ninguém. É um espetáculo, um show (brega, verdade)… somos os palhaços de um cirquinho mambembe, de lona furada e sem redes de proteção.

Atrás dos Panos ou Meus Óculos Escuros

O dia custa a amanhecer. Acordo frequentemente no meio da noite sem mais um pingo de sono – independente da quantidade de soníferos que tomei. Na verdade, não gosto de ficar acordado nas madrugadas. Não tenho paciência… prefiro infinitamente os dias… Se me considero uma pessoa solar? Igualmente não. Nem lua nem sol, talvez sombras onde eu possa perambular de óculos escuros, observando, mas não sendo observado. E olha que observar é uma coisa e xeretar a vida dos outros é completamente diferente. Na literatura de um ou dois séculos atrás sempre havia a personagem que vivia atrás de cortinas tomando conta da vida de todos. E me surpreendo hoje vendo pessoas que agem exatamente assim na vida real (e nesse ponto a arte imita a vida). Se me incomodo com esse comportamento? Certamente que sim. E me decepciono também. Na verdade, me irrito, não tenho saco e chego a ter um certo desprezo.

Hoje eu me lembro de cada uma das palavras que minha mãe dizia, que eu não acreditava, que eu achava serem exagero ou implicância dela. Não eram. Minha mãe com 79 anos, absolutamente lúcida me avisava, abria meus olhos e eu não via. Agora sinto um imenso remorso por ter duvidado dos alertas que ela insistia em me mandar. Tarde demais.

Meus óculos escuros: suavizam o excesso de luz que vem em minha direção… protegem meu espírito (não metafísico) – não que o mal deixe de existir, mas amenizo sua percepção. Gostaria de, com eles, não ser reconhecido como Clark Kent e seus óculos comuns, mas não se pode viver a fantasia das histórias em quadrinhos. Esses óculos escuros, enfiam, criam uma persona, um avatar e libertam meus sentidos e sentimentos. Por fim, disfarçam toda a tristeza que meus olhos carregam. Demonstram muito pouco toda a angústia que a ignara ululante insiste em me expor.

Sem assunto…

Para me livrar da peregrinação nas filas de bancos no início do ano, resolvi adiantar hoje o que era possível. Até porque dia 1° é feriado e imagino a sanha desesperada dos “sacadores” e “pagadores” de contas, títulos e não sei mais o quê. E uma coisa que eu tenho pavor na vida (além de ir ao dentista) é enfrentar tumulto e fila em banco. Se eu pudesse ter uma só mordomia na vida gostaria de ter um boy que cuidasse dessas coisas de papéis, documentos, bancos e o diabo. Isso aqui é o país da “Firma Reconhecida”, da Estampilhas e toda essa burocracia insuportável. Soube que, não sei como, meu pai ia herdar um cartório o que acabou não acontecendo. Pena.. hoje eu seria riquíssimo…rs

Está chegando o dia da virada para um novo ano e o serviço de meteorologia prevê chuvas torrenciais no sudeste. Eu não me importo porque não saio de casa mesmo, mas tenho pena dos dois milhões de pessoas que acompanham a queima de fogos em Copacabana, por exemplo.

Aliás meus poucos amigos e conhecidos, nessa época do ano sumiram completamente. Não encontro ninguém. Até os acessos ao blog diminuíram consideravelmente. Mas nada disso me importa muito. Estou mais preocupado porque está sendo um processo complicado me desfazer do apartamento que mamãe ocupava (tem gente demais palpitando!), mas falta pouco. Quando isso acontecer, posso considerar este ciclo encerrado na minha vida. Não sei explicar muito bem o porquê, mas sinto muita necessidade de ver tudo isso terminado.

Tá…. a verdade é que não tenho nenhum assunto interessante, eu reconheço. Posso acrescentar que estou lendo dois livros: “As Mulheres do Meu Pai” do angolano José Eduardo Agualusa e, ao mesmo tempo, “Cidadezinhas” do John Updike. Na fila para posterior leitura tenho:; “Três Vidas” de G. Stein e “Gomorra” de Roberto Saviano. Não creio que durem até o final de Janeiro de 2009, mas já é alguma coisa. No mais… Passem bem!

Tempo

Nesse momento, minha única preocupação é o tempo. O tempo para chegar a crise final. Olho seus olhos opacos, sua tez acinzentada, seus cabelos muito ralos e de uma cor indescritível. Olho as coisas ao seu redor e me pergunto como resolverei tudo. Não, não serei eu, serão os outros que vão ter que dar um jeito nas coisas. Seu olhar demonstra insegurança, medo e, ao mesmo tempo, resignação. Fala de um futuro em que não acredita. De uma vida que sabe distante. Procuro aparentar naturalidade e sei que não consigo. Está preocupada com os papéis para a cremação e contraponho que é momento para pensarmos em vida, em cura, jamais em morte. Mas sei que ela está certa e eu, falso. Fica me olhando e rindo por dentro de todas as esperanças mentirosas que escapam pela minha boca envergonhada. Língua envergonhada. Vergonha da minha impotência, da impotência de tudo e todos, inclusive de um deus que desejaram me fazer crer sem nenhum sucesso. Agora mais ainda. Os minutos se arrastam, não tenho o que dizer. Sinto a necessidade de estar dopado de alguma coisa, qualquer coisa porque acho a realidade dura demais. A realidade que todos passam, uns com mais firmeza, outros com menos. A realidade estúpida por deixar de ser. Como reconhecer com estoicismo a realidade do “não ser”? Imprecisão. Tempo. Quanto? Como será? Lenta ou breve? Suave ou doída? Se doída, por que? Já não bastam as dores de uma vida? Vou lá fora fumar um cigarro. Depois outro. E outro. Coca Cola (a cachaça fica para outra hora). Olhamos um para o outro e sorrimos internamente das nossas tristes mentiras. Da nossa incapacidade de falar. De nos abraçarmos. De chorarmos. Não. Falamos sobre bobagens, sobre eleições, sobre o calor que faz lá fora. Falamos do que não é. Do irrelevante. Os minutos se arrastam e três horas depois preciso sair, não suporto mais, preciso da minha sovina e covarde solidão. O tempo.


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"É-nos impossível saber com segurança se Deus existe ou não existe. Por isso, só nos resta apostar. Se apostarmos que Deus não existe e ele existir, adeus vida eterna, Alô, danação! Se apostarmos que Deus existe e ele não existir, não faz a menor diferença, ficamos num zero a zero metafísico" Albert Camus

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""Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos."
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