Archive for the 'O pânico' Category

… do Olimpo

Cavernas existem para serem exploradas. Morcegos existem para serem enfrentados. Não agimos assim na vida. Deixamos os buracos escuros em pedra para os mais valentes – que não aparecem nunca. E daí a imortalidade milenar das cavernas. Pois dessas cavernas existe muito em nós, bem naquele cantinho que fingimos desconhecer, aquela reentrância quase secreta (nada é secreto) que carregamos como se, de fato, não existisse. O atavismo da caverna remonta ao atavismo do homem bruto que existe em cada um de nós. Esse universo pré-histórico que temos mais ou menos visível. Como um plácido camponês aproxima-se de nós uma besta fera – que muitas vezes nos devora e só tomamos conhecimento quando já fazemos parte das suas entranhas. Nos debatemos então num mar de suco gástrico que corroi nosso discernimento, nossa visão mais romântica da vida. Habitamos então o gigante verde de um só olho e não nos debatemos diante da carnificina que virá em seguida. O humanismo é deixado de lado pelo próprio humano (ou ilusão do humano que temos). Às vezes penso que somente Dom Quixote foi realmente plenamente humano. Mas tudo não passa de sonhos, bem sei. O sonho é a realidade que tenho em mim, o sonho me livra do inferno, da danação. Assim consigo me manter junto aos meus “iguais” porque eles também sabem o que são e, igualmente, se utilizam dos sonhos, se utilizam das artes para amortecer o que queima tanto por dentro. E temendo a autofagia que mora em nós, distraio-me com plantas e flores, automóveis ou metralhadoras, qualquer coisa que tire a mira que tenho em mim mesmo, solerte que sou. Acabamos alçando vôo e aí aparecem nossas asas negras de fuligem, nossas  verdades não aceitas e o desejo de todos de chegar ao Olimpo.

Como era de esperar, as caminhadas não estão me fazendo nenhum bem. Talvez do ponto de vista teórico de uma medicina fracassada seja excelente, mas a prática…. putz. Aliás, como não ligo para orientações médicas, a caminhada aqui citada é resultado de uma ansiedade renitente, de um desconforto (que esfria a barriga e nos joga como se fôssemos um feto na cama) que nada aplaca. Verdade que doses cavalares de soporíferos talvez melhorassem bastante a coisa, mas, igualmente, não estaria resolvendo nada. Quando penetramos no universo escuro e denso do estupor, muito poucas atitudes nos permitem passar “para o lado de cá”. Aliás, essa é a questão que se coloca: o que é exatamente o lado de cá e o lado de lá…

Bem, por motivos que não devo revelar nesse instante, continuarei esse assunto no meu caderno azul n° B- 9

Do que eu ia dizer, mas desisti

“Eu preciso dizer que eu te amo….. te amar ou perder”… Esses fragmentos de músicas, de poesias passam pelo cérebro, na maioria das vezes muito velozes, dessa maneira estranha de ver coisas, de vivenciar aquilo que não é exatamente meu, mas que também não consigo desprezar, como um cúmplice por acaso, do acaso absoluto, sem culpa como o gato emparedado de Poe que termina colocando tudo a perder. Mas ou menos isso, o cúmplice idiota, que entrou num jogo sem saber e acaba sempre estragando os planos arquitetados pelos outros, uma espécie de “inconveniência do acaso”. Somos todos estranhos no ninho, somos todos esperanças vãs, relicários desses onde guardamos uns restinhos das cinzas (que afanamos durante as cerimonias com a natureza).  Contraditório é alguma coisa maior do que parece, alguma coisa mais sofrida e, ao mesmo tempo, incompreendida pelas maiorias, essas hordas ignaras que se arrastam num mundo de trevas e faíscas.

A favor de Israel

Definitivamente eu não entendo essa comoção, essa “peninha” dos palestinos, pena que se espalha pelo mundo. Ora, se eles estão constantemente jogando foguetes destruidores contra Israel, o que se poderia esperar??? Óbvio que Israel deve responder com uma ataque dobrado, como esse de agora e não importa a morte de civis. Guerra é guerra! Os palestinos deveriam pensar nisso antes. Tenho dito.

GEAP – UM PERIGO À VISTA – PREVINA-SE

Transcrevo meu último e.mail à GEAP – PLANO DE SAÚDE:

Apesar dos meus inúmeros e.mails, inúmeras ligações solicitando suporte DIGNO para mim mãe com câncer pulmonar, contra todas as orientações de TODOS MÉDICOS da GEAP em relação à paciente Alair Nazareth Cantanheda (n° 657 942 1006 )  aconteceu o irreversível óbito da minha mãe em meio a um sofrimento indigno de qualquer ser humano, com dores lancinantes porque:
– A GEAP negou-se dar qualquer tipo de suporte em casa, não para salvar a vida da paciente, mas para proporcionar o óbvio, um falecimento sem sofrimento.
 
– Durante esse período, quando houveram pequenas crises, solicitei o serviço de emergência desse “plano de saúde” e os médicos que compareceram (CREIO QUE TERCEIRIZADOS), mostraram-se profissionais competentes e humanos. Vieram e prescreveram medicação adequada concordando TODOS com os pneumologistas e oncologistas que atenderam a paciente em consultório: MANTER A PACIENTE EM CASA, junto ao carinho da família cuidando sempre para que não houvesse dor.
 
– Por volta de 23, 25 h. do fatídico dia 17 de dezembro de 2008 novamente a emergência da GEAP foi chamada e a família e, principalmente, a paciente tiveram a profunda infelicidade, o profundo azar de ser atendida por uma equipe do DOUTOR ELY VELOSO – COM CRM N° 3209O76 – 0 – QUE, AO ENTRAR EM MINHA CASA, ME INFORMOU QUE ELE TINHA MUITA PRÁTICA COM A GEAP E QUE, DIFÍCILMENTE CONSEGUIRIA UMA INTERNAÇÃO NESSE HORÁRIO – SIM, PORQUE ATÉ PARA UM LEIGO ESTAVA CLARO QUE ESSA CRISE MERECIA INTERNAÇÃO ! O DOUTOR ELY VELOSO PROCEDEU AO EXAME DE ROTINA NA PACIENTE ME INFORMOU TEXTUALMENTE O SEGUINTE: “… SOMOS UM SERVIÇOS DE EMERGÊNCIA, REMOVEMOS PACIENTES QUANDO EXISTEM SINAIS CLAROS DE EMERGÊNCIA E, NESSE CASO, A PACIENTE ENCONTRA-SE COM TODOS OS SINAIS VITAIS PRESERVADOS. NÃO HÁ EMERGÊNCIA. NÃO EXISTE EXPECTATIVA DE MORTE IMINENTE…”
 
– DURANTE TODO ESSE TEMPO A PACIENTE GEMIA, DELIRAVA, GEMIA DE UMA FORMA COMO EU NUNCA VI.
 
– EM SEGUIDA, O DOUTOR SENTOU-SE NUM  SOFÁ E A ENFERMEIRA SENTOU-SE AO LADO DELE E DORMIU TRANQÜILA.
 
– O DOUTOR “PARA COLABORAR COMIGO” PASSOU UM RÁDIO PARA A COORDENAÇÃO MÉDICA E SOLICITOU AVERIGUAREM SE HAVIA ALGUMA VAGA EM ALGUM HOSPITAL CONVENIADO.
 
– EU PEDI E INSISTI, QUASE IMPLOREI QUE ELE APLICASSE UMA MEDICAÇÃO NA PACIENTE (MINHA MÃE) NÃO PARA SALVAR SUA VIDA, MAS PARA AMENIZAR A DOR, PARA DAR DIGNIDADE AO DOENTE.
 
– ELE ME EXPLICOU QUE ERA UM DOUTOR MUITO EXPERIENTE E QUE A MEDICAÇÃO DE ROTINA DA MINHA MÃE ERA MAIS DO QUE SUFICIENTE. EU INSISTI INÚMERAS VEZES DIZENDO E MOSTRANDO COMO ELA GEMIA, COMO A MEDICAÇÃO ROTINEIRA NÃO ESTAVA FAZENDO EFEITO E ELE ME INFORMOU TEXTUALMENTE: “…ELA ESTÁ GEMENDO PORQUE ESTÁ HÁ ALGUM TEMPO NO LEITO… “
 
– EU EXPLIQUEI E REPETI QUE NÃO ERA FATO! QUE A DOR ERA DO CÂNCER NO PULMÃO! E QUE O ONCOLOGISTA E O PNEUMOLOGISTA (CREDENCIADOS DA GEAP E EXCELENTES MÉDICOS) – TODOS DE COMUM ACORDO – HAVIAM ME INFORMADO QUE POSSÍVELMENTE MINHA MÃE JÁ DEVIA TER METÁSTASES NOS OSSOS E NO CÉREBRO, QUE ERA IRREVERSÍVEL E IRRELEVANTE SABER SE SIM OU NÃO. IMPORTANTE ERA DAR CARINHO, ATENÇÃO, CONFORTO E, ACIMA DE TUDO, IMPEDIR SOFRIMENTO, DOR. MESMO CONDENADA UMA PACIENTE MERECE TER SOBREVIDA COM DIGNIDADE E IR AO ÓBITO COM DIGNIDADE!
 
– O DOUTOR ELY VELOSO ME REPETIU QUE ERA MUITO EXPERIENTE (REALMENTE É VELHO) E QUE ANTES, DEVERIA HAVER UMA INVESTIGAÇÃO COM EXAMES ESPECÍFICOS QUE COMPROVASSEM A METÁSTASE OU NÃO.
 
– DURANTE TODA A FARSA A ENFERMEIRA DORMITAVA NO SOFÁ É O EXPERIENTE DOUTOR ELY CONVERSOU COMIGO SOBRE SUA “LONGA EXPERIÊNCIA”…. QUE FAMÍLIAS NÃO “ENTENDEM” OS PROCEDIMENTOS MÉDICOS, QUE ELE (VEJAM QUE ABSURDO!) MESMO JÁ SOFREU UM ANO DE PROCESSO IMPETRADO PELO CRM…. MAIS…. QUE DE OUTRA FEITA, UM FAMILIAR, VENDO O TRATAMENTO QUE DISPENSAVA À PACIENTE AMEAÇOU MATÁ-LO….. AH, FAMÍLIAS E FAMILIARES….
 
– DURANTE TODO ESSE TEMPO EU O OUVI E ENTREMEEI COM O PEDIDO DE QUE ELE AMENIZASSE A DOR DA MINHA MÃE (UMA SIMPLES PACIENTE) E ELE INSISTIU QUE OS GEMIDOS ERAM NORMAIS NUM PACIENTE ACAMADO, QUE A DOR ERA POR “ESTAR NA CAMA”……. POR FIM, NÃO HAVENDO VAGA NOS HOSPITAIS DE “PLANO DE SAÚDE”, ELE ME DISSE QUE NÃO HAVIA MAIS NADA A SER FEITO, QUE OS SINAIS VITAIS ESTAVAM PRESERVADOS, QUE NÃO ERA UMA EMERGÊNCIA E QUE EU, NO DIA SEGUINTE PROCURASSE A GEAP PARA PROVIDÊNCIAS CABÍVEIS DE INTERNAÇÃO. E, SEM NADA FAZER, ABANDONOU A PACIENTE (MINHA MÃE) E SE FOI COM SUA SONOLENTA ENFERMEIRA. (NÃO DEVERIA TER FICADO ATÉ QUE UMA SOLUÇÃO FOSSE ENCONTRADA???? NÃO!!!!! NÃO HAVIA RISCO DE MORTE EMINENTE !!!!!
 
– VINTE MINUTOS DEPOIS A PACIENTE “QUE ESTAVA BEM, COM SINAIS VITAIS ABSOLUTAMENTE DENTRO DA NORMALIDADE”, ENTROU EM SOFRIMENTO.
POR SORTE O MÉDICO DA CENTRAL ME INFORMOU QUE SÓ TINHA O NOSSO DOUTOR ELY DE PLANTÃO. EU EXPLIQUEI A SITUAÇÃO E O DR. DIOGO DA CENTRAL COMEÇOU A BUSCAR E, POR FIM ENCONTROU, OUTRA AMBULÂNCIA. A PACIENTE EVOLUI PARA SOFRIMENTO, SOFRIMENTO EXTREMO, ESTERTORES, OLHOS ABERTOS E PARADOS E FOI NESSE SOFRIMENTO QUE A PACIENTE DO “PLANO” FALECEU. O DR. DIOGO DA CENTRAL QUE, ESTE SIM, É UM PROFISSIONAL DIGNO DESSE NOME FICOU NO TELEFONE COMIGO… ORIENTANDO MASSAGENS CARDÍACAS, ORIENTANDO GIRAR A CABEÇA DA PACIENTE (QUE COMEÇOU A COLOCAR SANGUE E DEPOIS MUITO SANGUE PELA BOCA). O DR. DIOGO ME MANTEVE ATENTO, AVISOU A GRAVIDADE DO CASO À AMBULÂNCIA E O MÉDICO VEIO RÁPIDO E CIENTE DA GRAVIDADE DO CASO, DESSA VEZ UM PROFISSIONAL!
 
ME AFASTOU, ENTROU NO CIRCUITO, FEZ AS MASSAGENS POSSÍVEIS, MAS JÁ  CHEGOU AQUI COM A PACIENTE MORTA. O DR DIOGO DA CENTRAL E ESSE SEGUNDO MÉDICO TIVERAM UM PROCEDIMENTO PROFISSIONAL, DIGNO, CORRETO, EFICIENTE E PROFUNDAMENTE HUMANOS.
 
– COMO É ÓBVIO JÁ ESTOU TOMANDO AS MEDIDAS LEGAIS EM RELAÇÃO À GEAP ENQUANTO PLANO E AO DOUTOR ELY EM PARTICULAR JUNTO AO CRM.
– COMO PROFISSIONAL DE MÍDIA, COMO CIDADÃO ULTRAJADO E VILIPENDIADO ESTOU TOMANDO AS MEDIDAS NECESSÁRIAS PARA A AMPLA DIVULGAÇÃO DESSES FATOS EM TODOS OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO PARA ALERTAR A POPULAÇÃO O QUE ACONTECE COM PROFISSIONAIS TERCEIRIZADOS COMO, CREIO, DEVA SER O CASO DO NOSSO ‘EXPERIENTE DOUTOR ELY VELOSO”
 
DEFINITIVAMENTE UMA LÁSTIMA QUE DEVEMOS, TODOS OS CIDADÃOS, LUTAR PARA EXTERMINAR DO CONVÍVIO DE TANTOS OUTROS BONS PROFISSIONAIS. GANHARÁ A POPULAÇÃO, O CRM E QUEM SABE OS “PLANOS DE SAÚDE”
 
 
GERALDO LUIS IGLESIAS
(FILHO DA PACIENTE)

O crime dos planos de “saúde”

É um absurdo o que os planos de saúde fazem com os sócios que os sustentam! A pessoa paga anos e anos (na maioria das vezes usando muito pouco ou nada). No final da vida, uma senhora de 81 descobre um câncer. O médico prescreve a quimioterapia que poderá salvá-la (pouco provável), mas que dará um mínimo de qualidade na sobrevida. Tratando de um medicamento de alto custo, o plano de “saúde” não autoriza o tratamento e, questionado cria um inferno kafkaniano onde os parentes são jogados para lá e para cá, de setor em setor, de estado em estado. As explicações são as mais absurdas (“o código X não bateu” – “a culpa é da clínica” – “precisamos analisar com calma”) e outras quinhentas boçalidades. Enquanto isso a paciente piora de forma galopante perdendo peso, sofrendo dores atrozes e o familiar fica desesperado, correndo atrás do seu direito, a pessoa perde a cabeça, não se concentra mais em nada, acaba prejudicando o trabalho, acaba fazendo e dizendo coisas que não devia.

Tudo vai se tornando um círculo vicioso, uma coisa puxa a outra que puxa a outra. Sofre o familiar – impotente, mas sofre muito mais a paciente que além das dores (e muitos outros efeitos colaterais) fica observando a morte se aproximar a passos largos.

É um absurdo, um crime!

a falta de um professor

vários romances tratam das fases terminais. lembro de um filme que um escritor (Sean Connery), condenado, passa todos os ensinamentos para seu aluno. este, tem loucura por esse professor/escritor que, percebendo que está definitivamente terminal, estimula o jovem a escrever um romance. o professor é um erudito renomado, sem avisar, escreve o prefácio para a obra do aluno, não avisa e some durante um mês. ao fim desse tempo o aluno recebe o prefácio do mestre junto com o anúncio do seu falecimento. o rapaz entra em desespero (sequer sabia que o mestre estava doente – ele vivia apenas bebendo!). o filme não é sentimentalóide nem babaca. o professor esculhambou o aluno enquanto pôde, fez todas as críticas possíveis para que o jovem escrevesse direito. repito: ele some. ninguém vê, ninguém sofre, ninguém tem pena de ninguém.

outras obras, como o último romance de Philip Roth mostram detalhadamente os últimos dias de seu personagem predileto, seu alter-ego. detalha todos os sofrimentos e angústias, dores, dúvidas.

Pergunto-me qual a maneira correta de agir. O que se faz nessas horas? Minha tendência, contrária à do doente, é me esconder. me embriagar (muito e sempre) e me esconder. covardia? talvez. e o que é a covardia? quem pode dizer? o julgamento eu mesmo faço e sou o promotor, jamais o advogado de defesa! nuvens negras em frente à minha janela… nuvens nigérrimas.


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"É-nos impossível saber com segurança se Deus existe ou não existe. Por isso, só nos resta apostar. Se apostarmos que Deus não existe e ele existir, adeus vida eterna, Alô, danação! Se apostarmos que Deus existe e ele não existir, não faz a menor diferença, ficamos num zero a zero metafísico" Albert Camus

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""Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos."
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