Archive for the 'escrever é preciso' Category

… determinadas ilusões

O rosa do amanhecer me lembra a boneca de pano da minha avó, a boneca de pano que somos todos, fantoches de ilusões ilusórias. Entendo melhor avatares do que pessoas, bonecas do que avós, soldados de chumbo do que empreendimentos. Não fui empreendedor nesse sentido comezinho da palavra. Deixei cantar o rouxinol, dei ouvidos às corujas, me destemi diante de crânios já descarnados e javalis prontos para o abate. Não me adaptei à solidão do campo, não vi sinceridade em todas as lágrimas e, talvez por isso, não tenho lágrimas em meus olhos mesmo nas adversidades. Os motivos para as lágrimas são os mesmos dos suicídios e o querosene é inflamável e veloz porque assim convencionei.

Hoje percebo que, se ofereci pouco no passado, ofereço muito menos hoje, hoje sou efêmera folha de papel virtual, sou uma possibilidade que está no espaço (de zeros e uns) e só é percebida por nós. (Uma árvore enorme que cai numa floresta totalmente deserta faz algum barulho?) O que não percebo não é. E se o outro não me percebe é simplesmente porque não sou e não poderia ser de outra maneira ===> outra maneira seria minha negação, seria minha eterna diáspora que não reencontra porto seguro, não vê continente nem luz (nem a das estrelas) e se vou em frente, da mesma maneira não é por valentia ou espírito desbravador e sim pela dúvida entre o profano e o sagrado

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Susan

“As idéias perturbam a regularidade da vida….

E o que é ser jovem durante anos e de repente despertar para a angústia, a premência da vida?

É ser alcançado, um dia, pelas reverberações daqueles que não acompanham, escapar da selva aos trambolhões e cair num abismo.

É, então, ser cego aos erros dos rebeldes, ter ânsias dolorosas, completas depois de todos os opostos da existência da infância. É o ímpeto, o entusiasmos frenético, imediatamente submerso numa enxurrada de autodepreciação. É a consciência cruel da própria presunção… (…)

É a retratação do sentimento pela própria família e por todos os ídolos da infância. É mentir…. e o ressentimento… e depois o ódio… (…)”

Sontag

Pesadelos

Não venho sumido assim como me dizem alguns companheiros via e.mail. Bem verdade que não tenho postado aqui diariamente e a lista de motivos é tão longa que nem vale à pena começar. E ando afastado dos meus livros comuns tamanho está o meu envolvimento com o estudo de uma determinada filosofia. E como a minha movimentação pela cidade anda pequena… resulta então uma falta de assunto que possa interessar a alguém daqui. Antes de ontem coloquei um ponto final no conto que venho  escrevendo há quase um mês. O tema, comum, é sobre uma mulher e seu amante que, subitamente passam a perceberem o outro numa epécie de dimensão extraordinária, a visão apenas dos IDs de cada um. Até o suporte  profissional/psicólogico não funciona porque ninguém dessa área está acostumado a tratar de personas assim, já expostas (como um cirurgião não está acostumado a operar pessoas sem as devidas ‘carnes’ a serem invadidas pelo bisturi).  Acho todo o produto simples, quase banal, mas alguns amigos e conhecidos que leram disseram que gostaram muito (o que pode ser unicamente ‘bondade de amigos’)… Eu tenho pesadelos à noite.

Bom dia, Vietnã

Dia desses uma “peça rara” me “xingou” dizendo que ninguém vinha aqui, nesse meu espaço. Não sei no quê ele imaginou estar me aborrecendo. Existem sites que milhares de pessoas visitam para ouvir os desabafos dos blogueiros, outros não. O meu está entre esses. Oscila em retorno dos 120 visitantes/dia. Mas isso realmente é um problema? Se vierem 40/ dia… Deveria de fato de chatear com isso? Talvez se eu gostasse de me “pavonear” como alguns (nem todos). Mas eu? Praticamente converso via e.mail ou MSN com todos os que aparecem por aqui. É uma turma legal, descolada, não agressiva e, de certa forma, meio espartana como eu. Pois bem. Escrevo para eles, eles respondem para mim, conversamos e debatemos assuntos. Tudo muito simples, muito tranquilo. Meu espaço não foi idealizado para ser denuncista, “patrulhador” dos atos e ações dos outros. Não me interessa o que fazem deputados nem senadores, me incomoda muito mais o presidente Lula e seus aloprados. O resto é o resto. (continua)

Frenesi (Hornby) Polissilábico

Puxa…. Na Páscoa ninguém quase passa por aqui…. Recebi uma dezena de e.mais, bem verdade, a maioria dos meus três leitores. Mas realmente num evento da magnitude de uma sexta feira santa e uma Páscoa, isso parece mesmo normal: NINGUÉM TÁ NEM AÍ PRA NADA, apenas para o feriadão, para as viagens, farra e bebedeiras… rs.. Orações? Ninguém nem lembrou (no que fazem muito bem).

Bom, dia desses eu falei por aqui que estava na área um novo Nicky Hornby (esse autor inglês com seus romances simplesmente d-e-l-i-c-i-o-s-o-s!) Dessa feita, no recém lançado “FRENESI POLISSILÁBICO”, Hornby nos leva ao universo de suas crônicas literárias para uma revista inglesa. E não se trata de sucessão de resenhas. Ele? Mas é claro que não! Ele relaciona, mês a mês quantos livros comprou, quantos ganhou e quantos efetivamente leu e o porquê. E o que tem isso de interessante? E em quantos momentos a gente se identifica com essa história de não ler o que comprou ou de ler quatro vezes um mesmo livro ou…ou… Nesse volume, Hornby nos transporta para um mundo de títulos que deixa a gente suando frio de inveja

Depende exatamente do que cada um dos latininhos aqui conhecem de Hornby. A maioria nem conhece esse cara. Um outro grupo (muito erudito eh eh eh) considera-o um autor menor, de menos importância porque “seus romances seriam demasiadamente leves” ou “incapazes de penetrar num mundo de de seriedade).

Sim, tem gente mesmo que pensa isso.  Muita gente que me disse exatamente isso. Porque o brasileiro, claudicante ferrenho, de visão de mundo ou percepção do que é legal ou com o eterno problema de cognição dividi-se em 3 categorias: Quem só lê Paulo Coelho (eu gosto do Paulo Coelho e o que dizem da literatura dele é apenas despeito), quem só lê clássicos ou famosos e…….. os comunistas viúvos de Stálin que buscam nos títulos latinos algum resquício de ideologia.

Hornby não é nada disso. Nem uma coisa nem outra, muito pelo contrário. Ele é um camarada , culto e descolado… uma cara normal, mas um cara que gosta de ler e de escrever, um ser humano de bem com a vida. O pessoal daqui, “no lado de baixo do Equador” não gosta disso. Ou gosta? Eu sei de uma pessoa que ama, Marina W.

E vocês?

As ruas… e os que “desabaram”

Recebo e.mail de leitora reclamando que estou escrevendo muito pouco. Verdade, ela tem razão. Sei e não sei o porquê. Muitas vezes, passando por momentos angustiantes escrevemos muito. Tenho pilhas de cadernos manuscritos compulsivamente como se aquela escrita, de certa forma, estivesse lavando minha alma. Em outros momentos, há uma retração. Melhor não dizer nada para não ficar falando besteira nem relatando os eternos draminhas. Afinal, trabalhar (muito), tomar um chope e dormir não é matéria de muito interesse, não é verdade? Histórias chatas e repetitivas também não interessam a ninguém.

Mas, de uma forma geral, acho que vou bem, as coisas estão caminhando, estou conseguindo passar por adversidades sem morrer por isso. Vagarosamente estou lendo um livro interessante, A Cordilheira. Semanalmente tenho visitado minha mãe e a grande coisa é que consegui colocar uma “meio” empregada, meio acompanhante para ela. Já é alguma coisa. No mais, é deixar o tempo fazer sua parte. Observar. Olhar pessoas na rua sabendo que elas têm seus problemas e continuam perseverando (algumas, né?) À pouco tempo fiz uma matéria sobre a população de rua e vi todos os “caídos”, todos os que não resistiram. É assim: existem pessoas e pessoas.

Sobre mim

não a revolução como era de se esperar ou seria mais palatável, mas cerca-me uma impressão de morte, de podre, de fim. morte de plantas, de pedras, de areias, de prédios, de pessoas, de mim… vou e volto, de poltrona em poltrona, de livro em livro, de pensamento em pensamento como quem busca alguma coisa mais etérea, alguma coisa que ri, que sorri, que acalanta, talvez menos vívida e real… as realidades cansam como as lutas armadas, como os protestos, como a esperança num mundo mais justo ou demasiadamente justo… essa maneira angelical de perceber a vida, fechando os olhos para as cicatrizes que trazemos no rosto e no fundo do cérebro. toda essa coisa cansa, é tediosa como o dia chuvoso, como nuvens que predispõem ao suicídio. jamais existiu ou existirá um suicida que tenha a impressão putrefata da morte. esta é para os viventes, para os que têm planos, para os que amam ou odeiam, para os que olham trens que partem e sentem inveja dos viajantes

O viajante é aquela pessoa feliz que não tem consciência da sua alegria nem da felicidade que irradia.

por isso sempre senti mal cheiro nos relógios, nos marcadores de tempo mais variados, nos contadores de frames* que determinam se uma imagem na televisão pisca ou não*. esse realismo exacerbado que pretendem de nós como se de fato pudéssemos ser realistas diante da filosofia barata que herdamos de todos os filósofos que já ousaram… filósofos ousam, filósofos cometem filosofias e inventam palavras de forma a nos impedir de responder imediatamente, de destruir suas teses.

Perceber o mundo com o olhar da filosofia ou da psicologia é tão idiota quanto entrar nos templos de seitas e acreditar sequer numa palavra.

invadir o mundo com palavras e atitudes é o caminho para sobreviver. não palavras novas nem atitudes “revolucionárias” porque essa premissa revolucionária terminou, esgotou-se por si mesma, os homens entenderam, por fim, que existe apenas a revolução interior, a mudança, a aceitação do podre, do escatológico, do que parece, mas não é, nunca foi ou será. necessário é entender a velha que, vestida de negro, xale na cabeça, entra na igreja com uma vela acesa na mão com pedidos impossíveis para um ser superior que, igualmente, não se encontra naquele templo nem em lugar nenhum…

Verdadeiro será aperceber-se que o mundo é o mesmo e que sendo o mesmo ainda assim o desejamos e adoramos e não queremos que nossos entes queridos partam.

claro que não acontece assim porque nunca aconteceu, porque a explosão que fez o universo surgir como tal não bastou para um entendimento mínimo da ”imutabilidade” de todas as coisas no céu e na terra. existe uma razão neurológica para que sonhemos dormindo e acordados, para que possamos ter uma oportunidade de pedir, de orar, de nos ajoelharmos (porque não suportaríamos uma vida inteira estando permanentemente de pé), porque jamais a raça deveria estar de pé, deveria locomover-se como os gorilas – que, de fato – continuamos sendo. não sei exatamente da fragilidade humana porque sabê-la implicaria numa condição superior de analisá-la, numa cátedra que não existe verdadeiramente, que é ilusão do homem, de todos nós, para conseguirmos nos olhar, para acreditarmos numa (falsa) compreensão do outro – e de tudo (continua)


Ela…

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"A descoberta do Prozac criou um universo de eunucos felizes"

"É-nos impossível saber com segurança se Deus existe ou não existe. Por isso, só nos resta apostar. Se apostarmos que Deus não existe e ele existir, adeus vida eterna, Alô, danação! Se apostarmos que Deus existe e ele não existir, não faz a menor diferença, ficamos num zero a zero metafísico" Albert Camus

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""Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos."
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