Archive for the 'Idéias e ideais' Category

fragmento

 “Cada bebedeira era para mim como um ensaio geral, uma retomada das formas decaídas da Graça; pois a Escrita, pensava eu, viria em sua hora assim, exógena e prodigiosa, indubitável e transubstancial, transformando meu corpo em palavras como a embriaguez o transformava em puro amor de si, sem que segurar a pena me custasse mais do que levantar o cotovelo; o prazer da primeira página me seria como o arrepio ligeiro do primeiro copo; a amplidão sinfônica da obra acabada ressoaria como os cobres e os címbalos da embriaguez maciça, quando copos e páginas são inumeráveis. Arcaico meio, grosseiro subterfúgio de um xamã camponês!”

Pierre Michon

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..substantivo…..

substantivo feminino

1

Rubrica: clínica médica.meio e modo de se examinar um doente, esp. de se verificarem os sinais e sintomas; propedêutica, semiótica, sintomatologia

2

(sXX) Rubrica: semiologia.para Ferdinand de Saussure (1857-1913), ciência geral que tem como objeto todos os sistemas de signos (incluindo os ritos e costumes) e todos os sistemas de comunicação vigentes na sociedade, sendo a lingüística científica o seu ramo mais proeminente

3

Rubrica: semiologia.para L. J. Prieto, estudo de todos os sistemas de representação que têm a comunicação como função, privilegiando o funcionamento dos sistemas de signos não lingüísticos (numeração de ruas, de quartos em hotéis, códigos navais etc.)

4

Rubrica: semiologia.para Roland Barthes (1915-1980), estudo das significações que podem ser atribuídas aos fatos da vida social concebidos como sistemas de significação: imagens, gestos, sons melódicos, elementos rituais, protocolos, sistemas de parentesco, mitos etc.

5

Rubrica: semiologia.nas artes, estudo de fatos literários, teatrais, cinematográficos, artísticos, vistos sob o prisma de sistemas de signos

Deleuze ….. ?

Imagino que talvez um dos maiores pensadores atuais seja Deleuze. Talvez não seja em relação a… mas pra mim é. Claro, ler filosofia sem um orientador é uma situação árdua. E muito provavelmente eu aproveite 80 ou 50% do que leio. Não importa nesse momento. A leitura importa em todos os momentos, mesmo nos mais deprimidos. Absolutamente não é querer auto-elogio. Bobagem isso. Já disse que ainda estou de chupeta e fraldas descartáveis. Estou apenas caminhando, apenas buscando as pessoas que sabem para que eu possa entender um pouquinho nas relações ou, somente, às minhas relações. E o que são minhas relações? Um emaranhado de mim. Em muitos momentos, tal como um esquizofrênico espiritual, eu me afasto do pensamento do outro, não por não aceitar, mas por não compreender. A Filosofia, nesse aspecto, é uma leitura simplesmente subjetiva, apenas uma espécie de óleo para a engrenagem dos relacionamentos.

Não acho totalmente interessante estar nessa torre olhando o horizonte. Não me cabe bem esse mutismo existencial (que às vezes parece esnobe e não é). A excentricidade é uma condição colocada pelo outro e não por mim mesmo. É uma visão dos outros, que corre de boca em boca e me rotula de alguma coisa que, na maioria das vezes, não sou de fato.

O que me parece ocorrer é que as pessoas esperam de nós uma certa normalidade (da normalidade tal como ELES o entendem). A filosofia pra mim é ferramenta….ferramenta que não sei utilizar corretamente, não sei. Fico nos filósofos mais compreensíveis, um pouco mais palatáveis como para que “falem para mim”. Enfim, falo de Deleuze porque estou lendo “Deleuze, a Arte e a Filosofia” de Roberto Machado. Um PHD que teve o próprio Deleuze como orientador. Muito bem, eu tento um pouco mesmo assim. Mas estou muito distante dos filósofos. Estou muito mais presente (ou ela em mim) na literatura. Necessito de história, muitas histórias para que eu possa continuar no meu projeto “sísifico” de me reescrever. Agora sigo adiante (sempre mais ou menos descontroladamente. Por isso vêm aqui apenas alguns poucos amigos de muito boa vontade. No fundo, eu quero dar continuidade à leitura de Gide, de Beckett, de Camus (seu lado literário e não filosófico) porque não quero me meter nessa história da briga de Camus com Sartre. Sartre, de esquerda, recusava-se a perceber os erros da esquerda, só metia o pau na direita e esse fato irritou Camus. Enfim… não é o propósito desse post e agora, no final, percebo que ele é inútil. Escrevi e não disse nada. Viva Josué Montello.

sobre as coisas

Lendo, lendo e lendo. Coisas boas e más… O queridinho da hora é Martim Page, o modernoso de livros curtos e simples. Francês. Li todos. São livros bastante leves e até engraçados. Não os levaria para uma ilha deserta simplesmente porque precido de Trama e DRAMA. É um equívoco: viver só (e evitar pessoas) não é só neurastnia. A Excentricidade muitas vezes advém do existencialismo e não, necessáriamente, do niilismo – como as vezes é confundido. A referência que tenho mais forte é a solidão no líquido amniótico. Lá pode e aqui não? Por que? Por quê “lá” é normal e aqui neurose? Parece que é simples: o ser humano não consegue assumir todas as responsabilidades pelo que faz e diz e, quando em grupo, dissolve esse “peso”, essa “cruz”… Isso é traduzido em vários signos e símbolos, como o casamento, os amigos do peito, os simplesmente amigos e os colegas. Grupo. Homem: ser essencialmente social. E se você não quer fazer parte dessa tribo meu irmão… você é doente e excêntrico. Se afastam (o que não é ruim) de você e, um tempo depois, você é deletado do inconsciente pessoal e coletivo. Você não existe. O mesmo com o ateísmo. Parece que você chegou aqui para incomodar os outros. E não nego. Mas incomodar não é a palavra certa.

Se eu espermatozóide venci a corrida, tenho o direito de criar a minha vida, vivenciar meus momentos da maneira que mais me agradar e ser -MUITO  responsável por mim mesmo. O Existencialismo bate nessa tecla: você é responsável totalmente pelo que faz. E se a vida é o jardim (feio ou bonito) da minha casa/vida, planto então o que quero e bem entendo. Imagino que seja bastante chato conviver com pessoas assim. Chato não: conveniente ( por isso Borges, Calvino, etc.). Em nome do “social” os homens “camkinham” vagarosamente aceitando tudo que a vida e deus acham certo. Como gado indo feliz para o abatedouro. Não pertencer a essa fila é como ser um marciano (obviamente verde). A irrelevância das coisas comezinhas da vida não são levadas em consideração. O homem comum não se apercebe da impossibilidade da “normalidade”. Normal? Normal é gado? É a crucificação de quem “se atreve” a pensar com seus próprios neurônios (sejam poucos ou muitos). Daí toda a filosofia e antropologia do filme MATRIX, por exemplo (pena que deram continuidade fazendo o 2 e o 3 duas belas porcarias).

São flores roxas em jardins etéreos, verdadeiras holografias de um mundo que se reparte um milhão de vezes e mantêm sua unidade, o seu todo. Ou seja: sou o todo repartido um milhão de vezes. Os milhões ou bilhões de pessoas que optam por essa alternativa, já que a vida é única e finita, não são  astronautas catatônicos nem elfos ou pirilampos de uma amazônia nórdica. Somos a realidade que, como a areia fina, escorre entre nossos dedos. – ...e junta-se mais adiante….

P.S. Não esquecer do livro de Philip Roth em que ele conversa com Primo Levi, Isaac B. Singer, Milan Kundera, Saul Below – saudade ! – e muitos outros.

Alternativas fatais

Tempo que passa, tempo parado, dúvidas sobre o tempo tempo, essa opção pouco séria da existência. Quando o jipe de rodas enormes rodou pelas areias ferventes do imaginário de outra dimensão, me dei conta de que não estava mais aqui pelo simples motivo de que sentía-me vitimado: a perda de contato com minhas três pessoas, aquelas que entendiam um pouco melhor o processo em que ingressei no raiar dos tempos e até hoje é pouco compreendido. No dia em que decidi não explicar mais nada nessa terra malemolente (demais, às vezes) para as mesmas pessoas que reiteradamente insistem em não perceber esse meu óbvio que escorre daqui e dali, dessa gosma-vida refrigerada que empurra os ponteiros dos meu relógio desordenadamenete, sistólicamente, digamos. E nada mais aconteceu. Minha opção pelo silêncio ou pela filosofia do silêncio encontrou os ecos nos ouvidos moucos que partiram para outras plagas. Se me importo? Sim e não.

Se ou não ser

Existe uma forma de pensamento (com fumaças de cartesiano) que pode nos enviar para caminhos muitas vezes obscuros. Mas por quê? Isso aplicado à Teologia e à religião de uma forma geral ocasiona determinados “engarrafamentos emntais”, via de regra quando a dicussão cai para a crença metafísica ( se podemos chamar assim ) e um certo ateísmo atávico do ser humano (embora em 99% dos casos esteja presente de uma forma totalmente inconsciente). Freud escreveu muito sobre o seu ateísmo e Jung escreveu outro tanto pela sua fé inabalável em Deus. Diante dessa herança miscigenada apareceram mundo a fora várias concepções “filosóficas” – uns puxando para cá e outros, para lá. A solução individual é simplesmente uma profunda auto-análise e o livre arbítreo de cada um.

Sempre Hannah ou Simone?

Entre 4 Paredes” e “A Náusea” são (peça e livro) o lado light de Jean Paul Sartre. Você só perde o chão e todos os referenciais e percebe-se  olhando sua própria imagem num espelho rachado de rodoviária do interior… quando encara os tijolaços “O Ser e o Nada” e “Crítica da Razão Dialética” livros básicos da construção do conceitos filosóficos do Existencialismo. Me falam coisas sobre Camus que eu discordo diametralmente e repilo como verdades absolutas… até porque o mundo não possui verdades absolutas e, muito menos, verdades. Quem lê o Mito de Sísifo de Camus e acha que está lendo filosofia pura é burro, não está entendendo. Existe um conceito linear, uma trama que chegaria ao novelesco não fosse a carga pesada de simbolismo contextualizada no livro.

Nesse aspecto acho que Hannah Arendt foi mais coerente e, por outro lado, menos abrangente no ato de escrever algum filosofia à luz da literatura. Não acho que exista nenhum ‘pecado do lado de cima do Equador’ (rs). A questão é outra, é apenas se desejamos entender ou não o nosso próprio eu, nosso racionalismo que nem sempre é tão barato como parece ao desatento doidivanas, ao leitor que não vau além da literatura sul americana. Tenho a impressão que só conseguimos pensar e agir “racionalmente” exatamente quando ultrapassamos nossas barreiras e nos debruçamos na proposta do outro. Como fez Simone de Beauvoir, por exemplo.


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"A descoberta do Prozac criou um universo de eunucos felizes"

"É-nos impossível saber com segurança se Deus existe ou não existe. Por isso, só nos resta apostar. Se apostarmos que Deus não existe e ele existir, adeus vida eterna, Alô, danação! Se apostarmos que Deus existe e ele não existir, não faz a menor diferença, ficamos num zero a zero metafísico" Albert Camus

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""Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos."
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