Archive for the 'livros & livros' Category

Eco

Meu primeiro contato com o italiano Umberto Eco foi através do romance O NOME DA ROSA. Naquela época eu não sabia que aquele homem era um intelectual vigoroso, grande em seu estudo da semiótica, das artes, da história da Idade Média. Não sabia nada, portanto. Depois, pouco a pouco, vim tomando conhecimento de ensaios, textos, palestras, etc. do autor. Ele não era mais aquele homem que me escrevera um livro policial autêntico passado em plena Idade Média. Tratava-se, eu ia vendo, de um intelectual raro, fino, verdadeiro. Desses semi-deuses que raramente chegamos perto fisicamente (academicamente nem se fala!). E foi lendo dezenas de livros de Eco que comecei a entender o que era tudo aquilo, quem eu lia e porquê eu lia, bem como percebia cada vez mais a fineza do livro O NOME DA ROSA. As coisas iam-se  juntando e eu compreendendo um pouco mais de cada vez. Não é fácil ler Umberto Eco, não é fácil compreendê-lo e sinto muitas vezes enorme falta de uma preparação acadêmica para que eu o alcance em toda a sua plenitude. Agora é tarde e devo apenas me esforçar e entender um pouco mais e outro pouco aqui e acolá. Compreender esse intelectual com certeza nos ajuda um pouco (não, muito !) a entender a vida.

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Palavras…

Palavra e Sombra” é um livrinho raquítico que pode passar desapercebido pelo leitor. Não passou desapercebido a José Castelo que fez sua resenha semanal sobre ele. Confio muito na resenha de Castelo e comprei o livro  É de Arthur Nestrovsky, um livro em que ele reúne magistralmente crônicas a livros brasileiros e estrageiros com acuidade, com erudição e com uma maneira de escrever agrável. A maioria dos livros que Arthur resenha eu já li e, como uma explosão um tanto utópica, me pergunto se eu percebi “tudo aquilo” em cada livro ou se é melhor reler. Porque os livros que eu leio (já que estou tão atrasado em tantas e tantas leituras) vêm de notas, comentários, resenhas, etc. Agora estou um pouco mais aliviado – com minha volta aos sebos (ainda que virtualmente). Bem, se eu pudesse esse seria um livrinho que eu recomendaria – embora ainda não tenha lido “Professor Catavento” de Henrique Vila-Matas….Penso a Literatura como a busca incerta da palavra certa numa vida outro tanto incerta.

Escrever…

Cai essa chuvinha ‘xuxu” (com X mesmo), coisa de paulista, coisa meio assim. Não me sinto no Rio. Mas estou. Estou abrigado de todo esse mau tempo, de toda essa patacoada que rola por aí. Estou como sempre sozinho e, como sempre, não sendo entendido (já desisti). E a questão sexual? Nossa Senhora, Virgem Maria me proteja, sou amaldiçoado à cada esquina, à cada pixel. Ontem li numa só tacada a biagrafia de Antônio Maria. Não gosto do Joaquim Ferreira dos Santos, das suas crônicas, mas a biografia é bacana. Bom, do Antônio Maria, né?

 

O que mais dizer? Dizer que me desdobro em atenção aos meus livros (hoje morreu o José Mindlin, um homem que amou os livros de forma arrebatadora). Acho que meu sonho de consumo era ser um centésimo do que foi Mindlin. Mas não faz mal. A gente cultua mesmo nossos ídolos. Tem gente que prefere o talentoso Zeca Bagodinho. Uns pra lá, outros pra cá.

Não quero mais escrever

O rato que peida

No princípio achei que era apenas uma posição errada do carregador. Depois que ele me entregou os livros percebi que não; era corcunda. Aliás um estranho tipo de corcunda, dessas que parecem crescer diariamente como um morro em suas costas. Difícil explicar. Ele recebeu e saiu deixando-me um cartão da loja.

Abri os volumes. Eram três livros em péssimo estado para uso considerando-se que a obra foi há pouco tempo editada pela milésima vez.O preço não era justo. Telefonei então para o livreiro e disse que não estava satisfeito com a compra e desejava desfazê-la; O homem não reclamou. Depois da consulta com meu velho alquimista, fui ao livreiro e desfiz a compra sem problemas. Quando saía, percebi uma enciclopédia (edição bem antiga – de 40 anos, no mínimo) exposta no próprio chão da loja. De imediato me lembrei do conto de Borges (ou Bioy Casares?) e abri logo o volume correspondente. Ali estava o verbete que eu sempre estivera buscando sem sucesso. Perguntei ao livreiro se havia outro exemplar completo da mesma enciclopédia e ele me disse aliviado que sim, tinha e apanhou-a para mim. Como no conto, peguei o mesmo volume e, ávido, abri. Sim, o verbete não estava lá. – Nesse caso não é importante qual o verbete e sim o fato da existência do verbete numa edição da enciclopédia e a falta do mesmo numa edição mais recente (Ok, uma cidade peruana, antiga, que não existe mais – Pelo menos nos mapas – ).

Claro. De imediato comprei a enciclopédia mais antiga, a que continha o tal verbete e exigi que me entregassem a compra ainda no mesmo dia. Acompanhei o processo de pegarem a enciclopédia e amarrerem com groso cordão. Em casa, após espanar rapidamente a poeira que veio com os livros, busquei o volume com o verbete e, assustado, vi que o verbete não estava lá. Mas eu tinha certeza de têlo visto NAQUELA enciclopédia! Telefonei mais uma vez ao livreiro e perguntei se, numa distração minha, algum volume havia sido trocado por engano. O homem estranhou e me afirmou, como eu mesmo tinha acompanhado, que a enciclopédia era aquela, a que eu escolhera. Apesar do velho não ter lá muitos bons bofes, pedi encarecidamente que ele procurasse o verbete na enciclopédia que ficara na loja. Ele procurou (com enfado, imagino) e me informou que não, não havia tal verbete. Fiz uma nova busca e nada: o verbete desaparecera.

Leitor, não imagine que eu esteja sendo original. Li essa mesma avenura num conto de Borges (ou Casares, não lembro). Mas ali era ficção, um conto, e aqui falo realidade. Sentei e tomei um litro do meu refrigerante predileto. Eu suava muito e parecia que o ventilador de teto esquentava mais o ambiente do que refrescava. Procurei o verbete na internet e ele não existia. Enfim…. existira para mim no livreiro e desaparecera por completo depois? Não é possível uma coisa dessas, precisamos de lógica. Adoro, amo a lógica, muito embora eu me reconheça , na maioria das vezes, bastante ilógico.

Para hoje, aguardo a visita de uma  mulher mística (conhecedora da obra de Casares e de Borges). Por telefone, um tanto exasperado (apesar de haver ingerido potes debarbitúricos), falei com a mulher, Srta. F que me socorra em mais esse delírio que me acomete (como o do rato branco que peidava alto).

Talese

Hoje mais ou menos entusiasmado com os livros de Gay Talese como em priscas eras me entusiasmei com outros jornalistas (começando por Capote, claro). Verdade quando dizem que me entusiasmo ora por esse, ora por aquele, que sou dado a “paixonites” literárias independente do calibre dos escritores. Sim, tudo verdade. Sou assim desde muito jovem, desde os primeiros livrinhos de aventuras escritas pobremente e, depois por Meigret. Coisas do tempo, coisas que todos nós temos (ou tivemos) bem antes de entrarmos no modernismo. Coisas de antes de Euclydes, de antes, muito antes… Por falar em jornalistas, não esqueçamos Wolf... Mas não importa: agora é Talese. É bom conhecer um pouco do submundo que habitam esses homens que transformam fatos às vezes corriqueiros em grandes histórias.

Crítica Literária

Editado em 1961, só agora me chega as mãos esse precioso volume de “UM EXPERIMENTO NA CRÍTICA LITERÁRIA” de C.S. Lewis. Ainda nas primeiras páginas, percebo um livro interessante e importante…. principalmente para certas pessoas. (continua)

Livros, corações e mentes

Lendo ” Outro” de Bernhard Schlink. Best seller? Dizem que sim e daí? Desde quando um livro que agrada multidões, tem enormes tiragens e vira filme é necessariamente ruim? Boabagens. Criancices. Essa literatura que nos cativa, prende, que minusturamos à nossa própria existência… que recoloca mais uma vez que vida e a literatura se entrelaçam, que num momento dominamos o livro e, em seguida, somos nós, antes personagens que o autor deixou de nos escrever.

O estudo da filosofia continua, não é nada simples (embora o seja). De qualquer forma, por preservação, deve manter-se guardada em mim. Acredito que o anonimato seja importante. Muito importante pelo menos num primeiro momento. No mais, é sorrir quando for possível


Ela…

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"A descoberta do Prozac criou um universo de eunucos felizes"

"É-nos impossível saber com segurança se Deus existe ou não existe. Por isso, só nos resta apostar. Se apostarmos que Deus não existe e ele existir, adeus vida eterna, Alô, danação! Se apostarmos que Deus existe e ele não existir, não faz a menor diferença, ficamos num zero a zero metafísico" Albert Camus

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""Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos."
Nelson Rodrigues

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