Elevador

Não existe propriamente um movimento no ar. Parece que tudo parou, embora o elevador se mova. A mulher loura traz muito dinheiro em sua bolsa e o travesti está a seu lado, olhando, como que tomando conta. O rapaz franzino mantém-se num canto, pensando na masturbação recente e sua impotência com mulheres. Olha os companheiros naquele espaço e sente-se pequeno sufocado e vil. O travesti não pára de exibir-se como é da índole dos travestis e a mulher loura sente um suor pegajoso nas palmas das mãos. Subitamente as luzes se apagam e o elevador pára. A mulher coloca a bolsa com o dinheiro de encontro ao peito e aperta. O homenzinho (rato) fecha as mãos e aperta o nada, seu nada. O travesti pensa no porquê optou em ser travesti. Pra quê? Ele pensa que ali está acompanhado de um homem e uma mulher de verdade. Ele é uma fantasia. A mulher, igualmente, acha-se uma fantasia de ladra e o homenzinho, uma fantasia de homem. A luz retorna e o elevador parte.

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"A descoberta do Prozac criou um universo de eunucos felizes"

"É-nos impossível saber com segurança se Deus existe ou não existe. Por isso, só nos resta apostar. Se apostarmos que Deus não existe e ele existir, adeus vida eterna, Alô, danação! Se apostarmos que Deus existe e ele não existir, não faz a menor diferença, ficamos num zero a zero metafísico" Albert Camus

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""Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos."
Nelson Rodrigues

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