Archive for the 'libidinosamente' Category

K.rocodilo

Mítiga noite. Eu e você e a história misteriosa da parada no tempo. Não sei bem como acabou por acontecer, mas aconteceu. Duas paredes. Dois quadros iguais em duas paredes diferentes de localidades diferentes. Como pode? Claro que não sei. Os calendários até mudam, mas nós estamos no mesmo lugar, no mesmo ponto de um nada tão profundo e tão cheio de “tudos” e, ainda assim, eu não me espanto.

Verdade que minha caverna ficou mais escura ou mais profunda (questão de ponto de vista), mas a xícara está ali. Meu liquidificador ficou mais silencioso, mas continua “liquidificando“. A vida vai passando como esse rio magro, com essa água ora barrenta, ora límpida. Como o crocodilo, posso estar submerso, com olhos na tona. Olhos sempre voltados para dentro porque é em mim que tudo está guardado. Como um caracol de Java. Um caracol marcado à ferro e fogo pelas noites de sedução dessa menina. Esse cativar infindo, essa certeza absoluta. Olha que me dar certeza absoluta não é mole não.

Pensando bem, não são dois quadros iguais. São dois quadros que se completam porque assim foi e assim será. E ainda assim é a Incompletude***, esse estado pleno, que transborda, que chove, que perdura para nos esvairmos como uma veia da américa latina.

Porque o tempo passa e nada muda. Jamais.

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Updike (de novo) Sexo e História

Terminei o último livro do Updike. Até poderia fazer algumas considerações, mas não, melhor não. Dia desses eu falei por aqui na vantagem de ler esse autor. Ele capta, como Phillip Roth, a essência da alma nos EUA. Ler romances desses autores é também aprender história da América. Agora volto ao Francis concordando com ele: Upidike é juquinha. Praticamente em todos os seus livros o foco da ação é sempre a vida sexual dos personagens. À cada personagem que vai aparecendo na trama, você diz: “E?” E lá vem. Uma vez descrito mais ou menos – deixando de lado a composição psicológica e filosófica – vamos diretos para a sexualidade: quem trepa com quem, em que posições, quantas vezes por semana, etc, etc.

Tá, você pode me perguntar se eu não acho isso relevante e é claro que acho sim. Não falar da sexualidade é abortar um lado fundamental do ser humano (e personagem). Mas acho sim que essa abordagem deve ser feita ao lado de uma composição mais completa do personagem (qualquer um deles – e não apenas do principal).

Aparecem mulheres junto ao personagem central que entram apenas para trepar em situações tais e tais, com frequência (saudade do trema) tal e por aí vai… se é no capim, no motel, no muro ao lado da casa da moça etc. Mas se eu sei tão pouco da moça! De qualquer forma a literatura tem isso de bom também: faz a gente criar personagens juntamente com o autor (talvez nossa construção seja até mais elaborada!), Chega a dar calafrio pensar que nenhum personagem de nenhum autor é absolutamente percebido pelo leitor com a mesma intensidade (pode ser maior). Igualmente nenhum personagem é nem física nem moralmente como imaginou o seu criador. E nas artes, só a literatura é tão livre, só a literatura é refeita por cada leitor (imaginem quando vira filme: o que os diretores não fazem com as personagens dos livros..rs.

Afora isso, Updike é realmente um craque. Repito: um dos mestres da literatura do século XX.

Prazer e orgasmo no trabalho

Apesar da chuva fina, vou andando pela rua em busca de um lugar para comer (evidentemente que num raio de cem metros de onde me encontro). Penso em tomar uma cerveja, mas não, melhor não. Sento para comer e mastigo rapidamente, quero ir embora dali. Existem lugares que nos atraem, nos aconchegam e outros que são explícitos no baixo astral, essas coisas que derrubam a gente. E considerando a brevidade da vida, o melhor mesmo é fazer o que dá prazer. Esse prazer se traduz de inúmeras formas que vão do trabalho até a vida afetiva. Eu acho o trabalho um local que pode – e deve – gerar muito prazer porque trabalhar é legal, a vida sem trabalho é monótona. O trabalho dá uma certa dignidade interior à cada um, independente do que o outro ache. Nada desse papo de que “o trabalho dignifica o homem”. Isso é uma retórica idiotinha, jequinha demais para meu gosto. Pouco importa se nos acham dignos ou não, essa dignidade, se vamos chamar assim, deve  ser percebida em nós e não, necessariamente, na comunidade. Exatamente por ser trabalho é que nossa ocupação e relacionamento deve ser fonte de prazer (um prazer quase eufórico). O trabalho deveria ter alguma relação com o prazer do orgasmo

A passarinha de Balza K.

As meninas quando fazem trinta anos deveriam estar comprando o primeiro sutiã ou o primeiro salto alto ou abandonando a última mousse de chocolate… Meninas são estranhas porque se assustam rapidamente (hormônios, hormônios….)… Essas moças de hoje (que não andaram no bonde da Praça Tiradentes e só conheceram a Av. Atlântica com duas pistas), que adoram nosso glorioso Noll, mas não têm paciência para ler “O Paraíso Perdido”, de Milton, não têm paciência para se casarem e menos ainda para filhos… Sampa. Meninas independentes, olheiras profundas por excesso de trabalho, de emoção pelo que foi, pelo que vem e pelo que virá, estressadas pelo que viveram e pelo que viverão, o que é e o que será… São Francisquinho de Assis, deixa um pouco de lado os passarinhos e olha para tudo aquilo que brota no meu solo varonil ou melhor, meu puro santinho…: Olha apenas para ela, se não todos, pelo menos para a passarinha (a ave, meu santinho) que revoa hoje nessa agitação de seus trinta aninhos como quem goza o nascimento de mais uma mulher plena, dessas que, cansadinhas de serem meninas brincando de senhoras, serão agora mulheres que sabem ser meninas para sempre. Existe umazinha apenas que inverteu, reverteu, reinverteu tudo e agora não sabe mais onde está. É hora de mostrar, definitivamente, a cidade iluminada, mesmo com fumaça, mas antes, acena e mostra pra ela primeiro São Salvador e, lá não ficando, acena ainda com o calçadão de Copacabana, a Lagoa e, igualmente, a Lapa dos malandros de antes e dos, igualmente, de agora. É hora de amansar essa passarinha (a ave, meu santinho, pô!) não para o cativeiro. Ao contrário: para a vida, longa vida . . . (vida longa, vida breve, né? .. yéh! rs)

De novo, a jovem K.

O blog mais sério e mais bem escrito que eu conheço é o Incompletudes, ainda que a autora, a misteriosa e surpreendente K.(astor), tenha toda a suvidade do mundo, escreva quase como uma dolescente prodígio. Não é ainda uma erudita, mas está a caminho de tornar-se. Porque a vida é assim…. para quem pode, é claro… a gente vai, passa a passo, perseverando e conhecendo o mundo (amplamente).

Esse prefácio meloso não é o motivo deste post. Há pouco tempo, a doce donzela fez um “ensaio” sobre a insônia (que eu, particularmente, chamei de ensaio sobre a loucura). Não a loucura dela, mas a que provocou em seus inúmeros leitores. A Dona K. sabe exatamente o domínio que exerce sobre tudo e todos e faz bom uso do que conhece da espécie humana. Recebi uma correspondência inclusive dizendo que, após esse ensaio, o missivista não deitava mais na cama, domia (e babava) em frente ao monitor mesmo sabendo que dona das fotos deveria estar dormindo à sono solto. Ou seja, ela consegue transferir a insônia dela para os outros. Coisas de K. Mas não foi somente essa correspondência que recebi, vieram outras e mais outras. Antes, eu havia prometido a mim mesmo que não tocaria no assunto, mas, cheio de e.mails, resolvi falar: embora seja a pessoa mais sincera que eu conheço, K. é, igualmente, a mais maluca. Uma (das) Helenas pós moderna, incendeia São Paulo com citações, narrações eróticas (ou não|), comentários sobre livros, sobre histórias, lendas e o que mais for aparecendo. Se o ensaio me causou furor? Não. Acho que ela deveria fazer um (ensaio) por dia para tornar São Paulo, definitivamente, insone. Até porque, ainda que, telepaticamente em nossas insônias, fiquemos tomando vinho, discutindo a existência verdadeira de Homero ou não e se Vinícius poderia ter musicado “O Paraíso Perdido” de Milton ou não. Tudo: ou não… Dia desses o sol nasceu (no Rio, é claro porque o astro não conhece São Paulo) por causa de uma frase de Sêneca. Eu dizia que Borges a havia plagiado e ela insistia que não, que fora Bioy Casares. Ou seja, se K. não quer me deixar dormir, quer me enlouquecer com a insônia dela (já não basta a minha??), acho que todos os seus leitores devem participar. Pois é. São esses os delírios o que provocam os ensaios da jovem K.(astor)

Maracatú atômico

Ontem encontrei um espaço fantástico e uma pessoa mais ainda. E ainda me surpreendo quando acontecem as explosões dos encontros. São coisas que ultrapassam o previsto e destroem o conceito de destino. São situações de BIG BANG, flores que despontam no jardim (e já aparecem abertas e com néctar). E eu tenho muito a falar sobre essa história (que já me surpreende – sim, eu me surpreendo sempre!). Mas é nada disso o mais importante. Como sempre digo sou um amador muito sujeito à explosões de paixão por coisas e pessoas. Essas coisas nos mantém vivos, não fosse isso, haveria um suicídio coletivo. E também vivo das coisas que descubro e mantenho segredo, coisas que, por um período de maturação, são exclusivamente minhas. Se sou possessivo? De certa forma sim… e quem não é? Até Sartre era! Portanto, permito-me silenciar de certa forma. Porque o prazer do encontro, da descoberta e da “descoberta do encontro” merece um pouco de gozo do segredo (na minha opinião). Pessoas, pessoas, pessoas… quantas pessoas existem para cada pessoa? Uma, duas, dez, mil?

Mas é claro que se existem comentários nada é escondido… o ato de esconder é um exercício meu – por mais que esteja divulgado… coisas de um neurótico existencial..rs… Há muito há dizer, muito a sentir, muito o que explicar (para mim mesmo), muito o que exercitar no encontro de átomos… não se deve invadir os domínios da natureza, li em algum lugar

Betty Blue… delírios do Ricardo

Dessa vez em não agüentei e roubei descaradamente essa foto de Beatriice Dalle do blog do Ricardo. Quem aí não delirou com Betty Blue?


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"A descoberta do Prozac criou um universo de eunucos felizes"

"É-nos impossível saber com segurança se Deus existe ou não existe. Por isso, só nos resta apostar. Se apostarmos que Deus não existe e ele existir, adeus vida eterna, Alô, danação! Se apostarmos que Deus existe e ele não existir, não faz a menor diferença, ficamos num zero a zero metafísico" Albert Camus

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""Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos."
Nelson Rodrigues

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