Archive for the 'Mulher' Category

Medo?

O suor escorre mesmo nessa baixa temperatura. Como se a febre consumisse tudo o que vai em mim. As drogas consentidas que rolam no meu sangue. Sangue inócuo, apagado, frágil. A mulher atravessa a rua e eu observo apesar da neve. Bela e fugidia. A neve não me incomoda mais. A mulher segue em frente num passo apressado de quem não quer se molhar, de quem tem frio, de quem tem medo. Medo. Medo. Minha gente tem medo, minha gente corre com medo mesmo sem saber exatamente de quê ou exatamente porque acredita saber em quê.

A passarinha de Balza K.

As meninas quando fazem trinta anos deveriam estar comprando o primeiro sutiã ou o primeiro salto alto ou abandonando a última mousse de chocolate… Meninas são estranhas porque se assustam rapidamente (hormônios, hormônios….)… Essas moças de hoje (que não andaram no bonde da Praça Tiradentes e só conheceram a Av. Atlântica com duas pistas), que adoram nosso glorioso Noll, mas não têm paciência para ler “O Paraíso Perdido”, de Milton, não têm paciência para se casarem e menos ainda para filhos… Sampa. Meninas independentes, olheiras profundas por excesso de trabalho, de emoção pelo que foi, pelo que vem e pelo que virá, estressadas pelo que viveram e pelo que viverão, o que é e o que será… São Francisquinho de Assis, deixa um pouco de lado os passarinhos e olha para tudo aquilo que brota no meu solo varonil ou melhor, meu puro santinho…: Olha apenas para ela, se não todos, pelo menos para a passarinha (a ave, meu santinho) que revoa hoje nessa agitação de seus trinta aninhos como quem goza o nascimento de mais uma mulher plena, dessas que, cansadinhas de serem meninas brincando de senhoras, serão agora mulheres que sabem ser meninas para sempre. Existe umazinha apenas que inverteu, reverteu, reinverteu tudo e agora não sabe mais onde está. É hora de mostrar, definitivamente, a cidade iluminada, mesmo com fumaça, mas antes, acena e mostra pra ela primeiro São Salvador e, lá não ficando, acena ainda com o calçadão de Copacabana, a Lagoa e, igualmente, a Lapa dos malandros de antes e dos, igualmente, de agora. É hora de amansar essa passarinha (a ave, meu santinho, pô!) não para o cativeiro. Ao contrário: para a vida, longa vida . . . (vida longa, vida breve, né? .. yéh! rs)

Quando

O dia enfarruscado faz-me lembrar de ti, do campo de pasto ao gado, das nuvens muito baixas ao amanhecer, dos cães brincando pelos quintais, do orvalho ainda presente em todas as flores. Na roseira com as rosas abrindo-se e (para meu espanto), enormes. Tudo era novo para mim naquela época em que acreditei ser possível mudar, alterar tudo, rever todos os conceitos até ali. O dinheiro não era farto (nunca foi), mas não me faltava e comíamos um queijo tipo Minas feito na fazendola ao lado. Achei que tudo era possível.

O mundo tinha outro cheiro e outra cor, os achaques da cidade tinham me abandonado todos, como encanto, a telefonia e as antenas eram um luxo que não me faziam falta porque meu mundo era outro, havia a lareira, o crepitar da madeira queimando nas noites frias onde preferíamos dormir na sala bem perto ao fogo. Nunca pensei se tudo era possível ou não porque o presente me bastava de sobra e eu buscava não olhar o futuro como se, não olhando, ele não chegasse.

Não, não havia má fé, em nenhum momento pensei em ser mais ou menos esperto em nada e tratava de cumprir com minhas obrigações de maneira firme, mas extremamente calma. No lugar de álcool, preferia o chocolate quente que preparavas para mim e que tomávamos rindo com a brincadeira dos gatos que se tornaram tão amigos. Não podia mesmo haver amanhã. Esse amanhã era apenas um novo céu vermelho e minha contemplação silenciosa de como dormias nos cobertores.

Quando chegou o dia em que me levantei (bem cedo, como de costume) e lá estavas sentada na varanda, quase escuro ainda, a névoa ainda longe de dissipar-se e teus cigarros ansiosos (que acendias um no outro), me dei conta de que havia chegado o momento que eu sabia que viria, mas que sempre guardei numa gaveta do inconsciente.

Foi nesse momento, após essa conversa, que algo partiu-se em mim, algo tão violento e profundo que, na hora, não me dei conta. Mas sim, foi à partir daquele momento, à partir daquele fim de sonho que acordei definitivamente para o que chamam limbo. Verdade que, assustado, demorei a me dar conta de tudo o que estava acontecendo e das conseqüências futuras que foram um eterno mergulho numa noite estranha, sem sonhos nem esperanças – simplesmente expectativa do pânico.

 

Fazes-me Falta

“Não importa o que se ama. Importa a matéria desse amor. As sucessivas camadas de vida que se atiram para dentro desse amor. As palavras são só um princípio – nem sequer o princípio. Porque no amor os princípios, os meios, os fins são apenas fragmentos de uma história que continua para lá dela, antes e depois do sangue de uma vida. Tudo serve a essa obsessão de verdade a que chamamos amor. O sujo, a luz, o áspero, o macio, a falha, a persistência”

Inês Pedrosa, em FAZES-ME FALTA

a eterna descoberta

Um sentimento que não damos nome – não tem – por essa possibilidade de conhecer a intimidade de cada uma das pessoas, essa coisa de cada pessoa ser única, nem que seja por um ‘bilionésimo’ da outra. surpreendo-me encontrando gente – mesmo quando não procuro – gente que chega e diz coisas, gente que disse coisas, gente que se relaciona com quem nos relacionamos e, no entanto, nunca nos falamos. algo muito parecido com o que diz Milan Kundera em ‘a insustentável leveza do ser’ (livro que deve ser relido sempre). a angústia existencial de provar o néctar de cada flor exatamente por isso… todas tem néctar, todas são flores, mas existe uma coisa diferente em cada uma, uma surpresa, uma diferença mínima. e necessito então pousar sobre cada flor com igual suavidade mesmo sabendo que não viverei o tempo bastante para provar todas, mesma angústia do erudito que não conseguirá ler todos os livros. mas, antes, ser consciente da diferença da possibilidade e impossibilidade que se entrelaçam no que seria uma dança macabra não fosse deliciosa. igualmente vejo o amanhecer e reconheço que nenhum é igual a outro, que os tons coloridos que se mostram aos primeiros raios de sol sempre tem algo diferente, sempre sorriem porque as colorações são infinitas. pessoas são infinitas. possibilidades também. e a consciência da finitude da vida, ao contrário do que parece, é estímulo para nossa busca sem fim – mesmo sabendo que não encontraremos tudo e isso é um paradoxo porque ‘não descobrir tudo’ é a vantagem, o desejo de não parar…

Maracatú atômico

Ontem encontrei um espaço fantástico e uma pessoa mais ainda. E ainda me surpreendo quando acontecem as explosões dos encontros. São coisas que ultrapassam o previsto e destroem o conceito de destino. São situações de BIG BANG, flores que despontam no jardim (e já aparecem abertas e com néctar). E eu tenho muito a falar sobre essa história (que já me surpreende – sim, eu me surpreendo sempre!). Mas é nada disso o mais importante. Como sempre digo sou um amador muito sujeito à explosões de paixão por coisas e pessoas. Essas coisas nos mantém vivos, não fosse isso, haveria um suicídio coletivo. E também vivo das coisas que descubro e mantenho segredo, coisas que, por um período de maturação, são exclusivamente minhas. Se sou possessivo? De certa forma sim… e quem não é? Até Sartre era! Portanto, permito-me silenciar de certa forma. Porque o prazer do encontro, da descoberta e da “descoberta do encontro” merece um pouco de gozo do segredo (na minha opinião). Pessoas, pessoas, pessoas… quantas pessoas existem para cada pessoa? Uma, duas, dez, mil?

Mas é claro que se existem comentários nada é escondido… o ato de esconder é um exercício meu – por mais que esteja divulgado… coisas de um neurótico existencial..rs… Há muito há dizer, muito a sentir, muito o que explicar (para mim mesmo), muito o que exercitar no encontro de átomos… não se deve invadir os domínios da natureza, li em algum lugar

Betty Blue… delírios do Ricardo

Dessa vez em não agüentei e roubei descaradamente essa foto de Beatriice Dalle do blog do Ricardo. Quem aí não delirou com Betty Blue?


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"A descoberta do Prozac criou um universo de eunucos felizes"

"É-nos impossível saber com segurança se Deus existe ou não existe. Por isso, só nos resta apostar. Se apostarmos que Deus não existe e ele existir, adeus vida eterna, Alô, danação! Se apostarmos que Deus existe e ele não existir, não faz a menor diferença, ficamos num zero a zero metafísico" Albert Camus

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""Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos."
Nelson Rodrigues

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