Archive for the 'liberdade' Category

Meu gari

Ela me pergunta o que resta. Restam essas cartas, todas abertas, todas fora dos seus envelopes, todas queimando minha mão inconsciente. Passeio aqui nessa madrugada onde só meus companheiros lixeiros – ou garis ? – fazem seu trabalho esteticamente perfeito. Muitas vezes tenho vontade de deixar o livro um pouco de lado e descer, conversar com os meus garis. Olho as palmas das mãos (minhas) e pergunto-me quem mexe mais no lixo. Claro que eu sei a óbvia resposta.

Procuro o caminho novo ou a palavra exata e frustro-me por não encontrá-los, sequer saber se existem e eu, distraído, não os vi. Sei que a madrugada é a hora do recreio da alma e penso em “Faze-mes falta”. Quantos portugueses! Eu devia estar em Portugal e não aqui. Devia estar ali ou deveria estar acolá. Aqui o tempo engana, parece faltar. Tolice. Pois eu mesmo sou prisioneiro desse meu tempo! Quantas garrafas de vinho? Quantos bules de café? Quantos cinzeiros abarrotados? Meu espírito, minha pele, meus ossos. Minha expectativa… quanta!

A hora se vai. Esvai. Um mundo de secretárias eletrônicas, de cafeteiras, de micro e macro-ondas, bandas e sinapses largas (que não são). Meu tempo é a morosidade. Nunca cheguei a acompanhar meu pensamento (insano?). Por onde anda Mr. Almost?, Por onde andam minhas pessoas? Eu mesmo (o que fui), por onde ando? Em que encruzilhada tomei o caminho do labirinto e hoje dou voltas inúteis? E por quê essa caneta, esse bloco, esse livro? Para quê?? De longe, a Terra lembra o núcleo de um espermatozóide e isso me agrada. Tem lógica. Rompante de idéia logo afogada pela quantidade do borbulhante…

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BBB, Ópera bufa, mas Ópera

É preciso cautela e discernimento para tratar de alguns assuntos. O “reality” BBB é um deles. Trata-se uma experiência com a interação e a curiosidade de uma população enorme em torno de um grupo que faz um jogo – que começa com esse grupo e, pela curiosidade alheia, se espraia de forma enlouquecida tornando um país inteiro participante desse jogo. A curiosidade em relação ao outro, uma curiosidade atávica e com forte teor psicológico porque deixa-se de olhar para si para olhar pessoas normais que participam de uma brincadeira por um prêmio, uma espécie de gincana…. Uma proposta impensável há trinta anos atrás.

Pode-se dizer que o jogo em si é tolo, que não possui nenhuma espécie de conteúdo (e nem era para ter), que não acrescenta nada a quem assiste (e por que julgar que a maioria é  “burra’?)

Mas não foi essa maioria burra que elegeu vereadores, deputados e presidente da república??? A população que rala, que sua em troca de tão pouco dinheiro, que não se encosta nos poderosos da hora, que paga os maiores impostos do mundo e não têm retorno algum do Estado não pode se distrair?

Agora os intelectualóides de orelha de livros, a turma que vive patrulhando o outro, vive criticando sem olhar seu próprio rabo vem dizer que o BBB é um absurdo?! Por quê? Ora, essa brincadeira com a curiosidade humana, essa interação com o desconhecido, essa torcida (por falar em torcida…. o que nos acrescenta intelectualmente assistir a um jogo de futebol?) O modelo do BBB é usado em todo o mundo, nos países mais adiantados, mais ricos, paises que nem têm “O CARA” como chefe do estado, etc, etc. Existe uma fricção antropológica reconhecida por quem realmente entende de meios de comunicação de massa, de mídias, de jogos, de psicologia… Mas são incapazes (falta de cognição?) de perceber. Enquanto a população se diverte, a máquina funciona, enquanto o dinheiro aparece, o Ibope aumenta e tudo o mais, as viúvas dessa cultura mentirosa, os incapazes de realizar (que fingem que não ter audiência é o máximo, que audiência é um cancro que tudo corrói ficam falando mal e toda essa ignara de crítica. Ufa! Saco!

As coisas que escrevemos para nós – Virgínia Wolf

Não sei se Paul Auster escreve seus romances à mão, manuscritos. Creio que sim. Josué Montello faziea igual para não acordar a esposa de madrugada (Josué não dormia e por isso tem mais de 150 romances). Também não sei se li essa história do Paul Auster contada por um dos seus personagens ( que escrevia em papel quadriculado) – Afinal, Paul Auster é a maior mistério dos séculos XX e XXI.

Isso é apenas mais ou menos uma explicação da minha passagem breve por esse sítio. Ao longo da História, homens e mulheres fizeram suas narrativas manuscritas (em forma de diários e etc,) Conheci os blogs em 2000 ou 2001, apresentado por uma grande amiga. E resolvi fazer. Evidente que o conteúdo de cada post é igualmente manuscrito com um texto mais “politicamente incorreto” e MAIS VERDADEIRO colocando as coisas em seus devidos lugares. E criou-se o hábito de me responderem por e.mails e não na parte destinada a comentários. Por que? Porque há poucos anos descobri uma mulher baderneira que fez horrores (até mesmo espalhando na net que ela havia morrido). Não pretendo de maneira nenhuma ser crítico, agressivo ou mentiroso. Simplesmente quero deixar “a vida me levar”

Estranhas lendas

A insônia, na maioria das vezes, é mal interpretada. Durante a anamnése o xamã determina que o sono não chega por causa de um motivo X. É um equívoco. A insônia pode ter vários motivos separadamente ou um grupo de motivos (ou todos os motivos). Para solucionar existem terapias, medicamentos, e a Escola do sono que reeduca as pessoas vítimas desse sono em fuga. Embora não seja comum, eu invariavelmente sofria de insônia até o dia que encontrei um motorista de táxi extremamente bizarro com seus longos cabelos e caudalosa barba branca amarelada. Era desses que gostam de conversar com o passageiro. Durante o trajeto excêntrico o motorista – após falar de 3 ou 4 assuntos – disse que dirigia à noite porque sofria de insônia e, se estava trabalhando, não sofria de nada. Estranho sim, mas aquele raciocínio tinha lógica e muito mais quando ele concluiu que dormia durante o dia o sono dos justos, tranquilo como um passarinho. Ele percebeu por fim que não tinha insônia, que, na verdade, não gostava de dormir à noite e sim durante o dia.

Posteriormente encontrei esse mesmo homem (inconfundível) vestido de padre à porta de uma igreja quando a noite, brandamente, começava a chegar. Eu o reconheci e ele também me reconheceu. Confessou que era padre por ofício, mas que os párocos queriam missas durante o dia, negavam-se a frequentar uma igreja  de madrugada. Ele então acordava às 16 h, rezava apenas uma missa às 18 e, quando suas ovelhas retornavam para casa, ele pegava o táxi e ia realmente “trabalhar”.

Esse texto sem pé nem cabeça (aparentemente) baseia-se numa história que me contaram numa taberna nos tempos em que eu tinha paz.

Conversa fiada

Dia desses me perguntaram se eu tinha hábitos diurnos ou noturnos. Não consegui responder. Como vou saber uma coisa dessas. Existem momentos noturnos e períodos diurnos. Se eu for a um cinema, por exemplo, prefiro a tarde do que a noite. Se for brindar alguma coisa com amigos, prefiro a noite. Para escrever e ler, prefiro a manhã. Enfim, não sei mesmo se sou da noite ou do dia, mas acho que sou muito mais “diurno”. Durante o dia as coisas me parecem mais palpáveis – não exactamente pela iluminação do sol, mas por questões mais  ou menos psicológicas (essas “coisas psicológicas” são tactéis, não se iludam).

Tudo se desintegra no ar, todas as coisas são tão efêmeras que estão contidas, encapsuladas no “ACIDENTE VIDA”. Se aconteceu com você, quem ri por último é o espermatozóide que perdeu a corrida.

Durante a conversa (tolinha, reconheço) falei que durmo de dia e durmo pouco à noite. à noite também como mais, fumo muito mais, faço quase tudo demais!

Porque ser vivo é tornar-se imediatamente Sísifo para a eternidade. A diferença com o passar desse tal tempo é que as pedras vão tornando-se mais e mais pesadas.

E, como não poderia faltar, ele me pergunta sobre o suicídio. Qualquer conversa um pouquinho diferente termina sempre no bendito suicídio.  Ele me pergunta se eu tenho vontade de me suicidar. CLARO QUE NÃO! O suicídio é um cartucho final numa guerra onde todas as batalhas foram perdidas. Me despeço desse conhecido e vou para casa ler “Figuras e Coisas do Carnaval Carioca” dessa pessoa deliciosa que foi Jota Efegê.

Perseguindo Francis

Escrever é uma forma de ler às avessas, Portanto, quando estamos lendo pouco, obviamente escrevemos pouco. Isso porque recebi um e.mail amável reclamando que eu escrevia em média três posts por dia e hoje mal escrevo um por semana. É uma observação verdadeira (pelo menos para as 3 pessoas que frequentam este sítio). Entretanto, tenho escrito mais nos cadernos, que é completamente diferente. Não sei se acontece com alguém, mas em determinados momentos da vida tudo o que se tem a dizer é secretíssimo (rs). São coisas que, publicadas, trarão muita dificuldade, muito transtorno – político inclusive. E se pensam que estou com medo de publicar, eu respondo: sim e não. E é a velha história: o medo não é por quaisquer prejuízos políticos, trabalhistas ou ainda de relacionamento, de amizade… Não, não é nada disso. Mas sempre lembro Paulo Francis falando sobre uma crônica escrita há muito tempo atrás. Essa crônica, publicada num jornal em um momento errado, sem pensar, fez com que Francis perdesse dois grandes amigos, por exemplo. Dizia ele:

“Se o editor do jornal fosse sensível, não publicaria aquilo imediatamente. No dia seguinte me perguntaria se era mesmo aquilo que eu desejava publicar. E à partir de então não entreguei mais um crônica no mesmo dia em que escrevi.”

Hoje em dia tudo mudou… quem publica é a pessoa que escreveu. Toda a responsabilidade é dessa pessoa. Então, diante dessa qustão do ‘SIM’ e do ‘NÃO”, dessa responsabilidade vou avaliando o que é para publicar – tornar público – e o que é muito particular. Por outro lado, a publicação das coisas é meio viciante… na verdade, o que escrevo em particular também está publicado em outros sítios, lugares que não divulgo e muito menos dou o endereço. Tenho certeza de que alguém, encontrando os escritos, imediatamente saberá quem é o autor.

O que passa na cabeça de uma  pessoa é infinitamente maior do que o espaço em seu blog.

Atrás dos Panos ou Meus Óculos Escuros

O dia custa a amanhecer. Acordo frequentemente no meio da noite sem mais um pingo de sono – independente da quantidade de soníferos que tomei. Na verdade, não gosto de ficar acordado nas madrugadas. Não tenho paciência… prefiro infinitamente os dias… Se me considero uma pessoa solar? Igualmente não. Nem lua nem sol, talvez sombras onde eu possa perambular de óculos escuros, observando, mas não sendo observado. E olha que observar é uma coisa e xeretar a vida dos outros é completamente diferente. Na literatura de um ou dois séculos atrás sempre havia a personagem que vivia atrás de cortinas tomando conta da vida de todos. E me surpreendo hoje vendo pessoas que agem exatamente assim na vida real (e nesse ponto a arte imita a vida). Se me incomodo com esse comportamento? Certamente que sim. E me decepciono também. Na verdade, me irrito, não tenho saco e chego a ter um certo desprezo.

Hoje eu me lembro de cada uma das palavras que minha mãe dizia, que eu não acreditava, que eu achava serem exagero ou implicância dela. Não eram. Minha mãe com 79 anos, absolutamente lúcida me avisava, abria meus olhos e eu não via. Agora sinto um imenso remorso por ter duvidado dos alertas que ela insistia em me mandar. Tarde demais.

Meus óculos escuros: suavizam o excesso de luz que vem em minha direção… protegem meu espírito (não metafísico) – não que o mal deixe de existir, mas amenizo sua percepção. Gostaria de, com eles, não ser reconhecido como Clark Kent e seus óculos comuns, mas não se pode viver a fantasia das histórias em quadrinhos. Esses óculos escuros, enfiam, criam uma persona, um avatar e libertam meus sentidos e sentimentos. Por fim, disfarçam toda a tristeza que meus olhos carregam. Demonstram muito pouco toda a angústia que a ignara ululante insiste em me expor.


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"A descoberta do Prozac criou um universo de eunucos felizes"

"É-nos impossível saber com segurança se Deus existe ou não existe. Por isso, só nos resta apostar. Se apostarmos que Deus não existe e ele existir, adeus vida eterna, Alô, danação! Se apostarmos que Deus existe e ele não existir, não faz a menor diferença, ficamos num zero a zero metafísico" Albert Camus

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""Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos."
Nelson Rodrigues

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