Archive for the 'Lenda Urbana' Category

ilusões perdidas

QUANTO MAIS eu caminho pela vida, em muitos momentos, parece que minha experiência é menor por acreditar ainda em duendes. Passoas duendes não deveriam mais estar no meu rol, mas acabam entrando inclusive com a minha facilitação. São os mendigos, as moças bonitas que passeiam nas avenidas ao entardecer, são as pessoas que falam de uma determinada experiência qualquer ou de toda a experiência de toda a sua vida. Os meios, as aparências e as histórias variam, mas estão todos lá cumprindo seus papéis de atores fracassados e eu, de espectador mais fracassado ainda, que BATO PALMA PRA MALUCO DANÇAR. Solução? Não há nenhuma dúvida que a solução deve estar em mim e não no outro, no parceiro. Insistindo na teoria que a vida imita a arte, estou certo que a resposta pode estar na literatura, que certamente está lá, mas é quase impossível acharmos o livro certo para ler. Livros certos são aqueles que escrevemos, aqueles em qua ditamos regras e pontos finais a personagens. Mesmo que não vendam nenhum exemplar.

revigorando o rio

A Lapa está está crescendo horizontalmente. Há quatro anos atrás eu morava numa rua, distante o suficiente do “agito” para viver no silêncio mesmo nas madrugadas de sábado. Em muito poucos anos a coisa vem mudando. Próximo aos Arcos não há mais espaço para os novos bares que vêm vindo mais para cá, em minha direção. E com eles o som das músicas, o barulho. Bem verdade que ainda é distante, baixo, mas já ouço. Nesse ritmo, em mais dois anos terei uma casa de shows na minha esquina !

de Garfield

Essa história toda corre demais, estressa demais, goza demais e, por fim, mata demais. Não dá tempo de estar atento à todas as coisas e falar e escrever sobre elas. Eu, pelo menos, não consigo. Bem verdade que (infelizmente) já uso filtros naturais que me afastam do que não é importante (será?)

= = = = = = = =>> A levar em consideração mínima razoável todas as coisas que me chegam, eu seria obrigado a, pelo menos, parar com os livros e com o blog. Depois, se ainda assim, o tempo não for compatível…  cortar essa ou aquela coisa das poucas que (já) faço. A televisão, por exemplo, não é mais um meio de educação ou lazer. Nenhum canal trás nada de útil ou novo (nenhuma delas! Mesmo as que têm obrigação de produzir). Televisão só presta pra gente ver filme, nada mais.

Revistas como a Rolling Stone se apresentam como “jovens”, o que torna a publicação ridícula, “apatetada”. A revista Piauí sem dúvida é a melhor, mas erra na mão, exagera numa cultura exacerbada que parece mais almanaque de farmácia.

Enquanto isso ficamos em casa com medo das ruas podres, dos tiroteios, dos assaltos e (até) dos proxenetas. Com isso somos rotulados de excêntricos ou de loucos (depende da conta bancária de cada um..). Isso aumenta o consumo da memória do computador e a quantidade de resmas ou cadernos que manuscrevemos. Sim, porque, de uma maneira ou de outra, sempre damos vazão à angustia de Garfield, a angústia existencial

Book Crossing

Ontem novamente encontrei o mendigo-intelectual que aparece sempre na rua com um caudaloso livro e escrevendo ele mesmo sobre o que está impresso. Sei de muitas pessoas que fazem anotações no rodapé ou nos espaços laterais respeitando sempre o que o autor publicou. Esse homem (cada dia ele me diz um nome) é muito mais ousado (e, acredito, muito mais criativo). Ele reescreve os livros, “dá uma força para o autor“. Sentei-me a seu lado e procurei ler o que ele escrevia e, para minha surpresa, era uma redação lógica – ainda que louca – mas que poderia estar impressa igualmente. Diz ele que não concorda com alguns livros – que eu saiba, não concorda com nenhum – e, pacientemente, vai reescrevendo-o em partes ou no todo. Não pede dinheiro nem anda embriagado, sua droga é esse tipo de literatura que ele absorve e, simultaneamente, produz. Verdade que ele não fala muito, absorto em seu trabalho. O que me pergunto sempre é como (ele) escreve tanto e os jovens – grande parte deles – não conseguem fazer uma mísera e simples redação escolar!

Vez por outra esse homem me conta histórias, diz que não é do Rio de Janeiro (e outras vezes diz que não é do Brasil) e não gosta muito de conversar, mas que sente simpatia por mim, pela minha atenção com seu “trabalho”. Já perguntei porque ele não escreve num caderno com folhas em branco onde poderia criar o que bem entendesse, mas ele argumenta que não, que sua missão é corrigir informações imprecisas ou “sem criatividade” já impressas anteriormente. Para maior surpresa ainda, revela que, ao terminar suas anotações, deixa o livro em qualquer lugar para que outros o encontrem e leiam o que ele escreveu. Ou seja, diante dessa aparente loucura, ele participa do Book Crossing – movimento internacional em que pessoas deixam livros em locais públicos para que outros encontrem e a cultura e informação circulem mais democraticamente!

E isso acontece aqui, no Centro do Rio, próximo à Lapa. Ou seja, creio que a sociedade deveria dar mais voz à população das ruas, aos que vivem à margem, porque muitos deles (a maioria) cria métodos de sobrevivência e de ocupação de seu tempo que não seja, necessariamente, esmolar.

Encontros

Eu o reconheci ontem na porta de um bar de esquina. Estava muito mais velho do que me lembrava dele – mais mal vestido também. Não me pareceu drogado. Tinha um olhar distante, apagado. Me aproximei e puxei algum assunto relembrando o tempo que trabalhamos juntos. Ele sorriu um sorriso triste, sombrio como se não se lembrasse de nada ou, pior, lembrasse mas nada importasse. Troquei algumas vezes de assunto, mas ele não reagia. Perguntei porque estava assim, triste e solitário e ele não me respondeu. Pessoas que se apagam em vida, que morrem sem deitar, que perdem a identidade a força, a coragem de continuar lutando. Seria uma doença fatal? Um grande desgosto amoroso? Um baque financeiro? Não me disse. Ao fim de alguns minutos percebi que ele realmente não diria uma só palavra, não diria nada a mim nem a ninguém porque estava numa espécie de outra dimensão. E trata-se de uma pessoa pública. Comprei, por fim, meu cigarro e voltei para casa, vazio, sem nem me despedir.

As explicações

Não sei se foram os derrames de Sartre ou seu alcoolismo o que mais me impressionaram. Creio que foram os derrames. Essa doença que chega de repente e nos joga no chão da vida parece-me uma prova contundente da não existência de Deus. A menos, como me disse D., não seja razoável que, existindo, Deus seja bom. Sim, pode até existir Deus, mas ele nem é bom nem justo. Mas ora! Seres humanos não são bons nem justos. De que serve então um Deus igualmente insano? Melhor lidar com as insanidades terrenas. Ou não é nada disso? Se não é nada disso, devemos deixar de lado um pouco Deus (que ouve oito bilhões de súplicas – atendendo aqui e ali) e partirmos para uma fé um pouco mais rasa, essa que apregoa que, à princípio, somos todos culpados e pecadores e o que nos acontece é apenas o castigo pelo que fizemos. E se não fizemos nada? Bom, pelo que fizemos em outra vida e não lembramos. Ou seja: de uma maneira ou de outra estamos condenados ao sofrimento, à dor, à desgraça terrena em nome de uma justiça divina. E é com isso que querem me convencer… (continua)

Velhos equilibristas

Tempos silenciosos. Tempos em que não nos comunicamos, preferimos não dizer, não questionar nem afirmar. E já não sei se esse tempo é bom ou ruim. Mas há silêncio, sem dúvida. Estamos demasiadamente envolvidos conosco, observando nossos pensamentos (sempre escusos). Porque, na verdade, existem outros eus, uma outra personalidade que habita meu corpo, o seu, o dela. E conversamos – e damos ouvidos – a essa outra personalidade. Virgínia Wolf escutou tantas e tantas vozes que preferiu o fundo do rio. Nós não escutamos vozes. Nós criamos vozes, personagens que somos de nós mesmos e que se rebelam provocando nossas discussões internas e, portanto, nossos silêncios externos. Não existe esse homem só que Camus pretendeu. Existe o homem como grupo. Interno e externo. Existe sim a possibilidade da paixão devoradora ou do ócio emocional. Uma ponte arcaica de madeiras e cipós que atravessamos pé ante pé, atentos a que o desequilíbrio pode ser fatal. Gal Fatal. Buscamos horizontes além das nuvens não porque necessitemos sonhar, mas, antes, porque AQUI não basta. Não me basta esse aqui, nem aquele ali. Preciso (precisamos) de mais, de muito mais, de mochila nas costas da alma para viagens longas, para terras e pessoas desconhecidas. Nossos passos são de anos-luz. Nossa curiosidade não finda com o ponto último do romance. Seria simplista demais. Ontem vi um homem velho e, aparentemente, embriagado equilibrando-se no meio da rua à noite, numa encruzilhada com os carros passando à sua volta, passando pertinho e fiquei ali olhando, sem conseguir me mexer, esperando um carro atingir mortalmente o velho. Por que não fui salvá-lo? Por quê? Mas a vida independe de mim e o homem chegou à calçada salvo como um justo, mais salvo do que eu. Vi um velho em perigo, pronto para morrer e fiquei paralisado. E ele me mostrou que, sim, a vida independe das minhas ações e talvez hoje ele esteja novamente cambaleando numa encruzilhada e vá morrer apenas quando chegar à calçada, morrer de morte morrida, dessas sem história para contar, sem colorido vermelho. Na verdade estamos todos nas encruzilhadas da vida e da morte, estamos todos nos equilibrando em qualquer coisa, todos sendo observados, todos definitivamente sós.


Ela…

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"A descoberta do Prozac criou um universo de eunucos felizes"

"É-nos impossível saber com segurança se Deus existe ou não existe. Por isso, só nos resta apostar. Se apostarmos que Deus não existe e ele existir, adeus vida eterna, Alô, danação! Se apostarmos que Deus existe e ele não existir, não faz a menor diferença, ficamos num zero a zero metafísico" Albert Camus

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""Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos."
Nelson Rodrigues

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