Archive for the 'Alegria' Category

Se der, filhos e netos e nada mais

De vez em quando sou tomado por uma bobeira. De vez em quando por duas. De vez em quando sou tomado por QUATRO bobeiras. Porque existem várias maneiras da gente se comunicar com as pessoas e o telefone é uma delas (talvez não a mais importante) e o telefone é um meio e não uma pessoa.E por que escrevo isso assim, tão de repente num meio de sábado ensolalarado? Porque eu tenho merda na cabeça é a resposta mais objetiva e verdadeira que me vem, mas tem outras.

Meu filho mais novo,a essa hora está em plena enseada de botafogo, num veleiro com o velho marujo, vendo a disputa de aviões. Meus filho mais velho está com sua mulher nas colinas de Minas Gerais preparando-se para fazer contato comigo via internet. Os dois estão por aqui, pertinho e eles, somente eles, me importam dessa forma total que só os filhos nos importam.

“Filhos? Melhor não tê-los… mas se não os temos, como sabê-los?”

Ter filhos, ter a coragem e a capacidade de ter filhos é uma das coisas mais maneiras do mundo. Eu seria, sem dúvida, outra pessoa, se não tivesse esses dois caras que eu tenho, que me enchem a vida de novidades, que povoam minha cabeça de idéias novas, de pensamentos que, sozinho, eu não teria.

Às vezes fico pensando que uma pessoa sem filhos não pode ser igual a uma pessoa com filhos.

Na verdade eu tava falando de companhia, pensando em companhia. Tem horas que eu não quero, que detesto companhia,tem horas que eu quero companhia Vá entender ! Me entender? Desista, eu já desisti há muito tempo.

Mas o que importa é que, se eu não morrer logo, vou ter netos e aí eu enlouqueço de alegria de vez. Não é todo mundo que chega aos 55 anos. Penso nisso quando estou dando uma volta no quarteirão, por exemplo. Quando tem um explosão de sons e luzes na minha cabeça. Ou quando eu piro. Quem não pira? Existem várias maneiras, né?

Porque você pode pirar com educação, pode pirar de uma maneira agradável…  pode pirar até com uma baita sorriso no rosto, não é mesmo?  Pois aí está lançada a campanha: Dê uma pirada, mas seja normalzinho ! Ah Ah Ah

 

P.S.  K. já sei que a senhorita é do contra, tem esses dois milhões de motivos para não, mas trate de colocar essa mãozinha alva na consciência.

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Eternamente abril

Entre idas e vindas e o ar fino iniando a esfriar abril começo a me debater entre isso e aquilo, possibilidade X ou Y, vontade e volúpia entre folhas secas e amarelas que já começam a cair para gáudio dos garis. Alegria também dos velhos, dos muito jovens, dos apaixonados… de todos. A percepção de ar fino, aprendi com Vinícius. Estar vivo é continuar a ter sensações, impressões, sentimentos e náusea, mas também de alegria, felicidade…. é, acredito, ser e estar pleno. E claro que nem sempre estamos assim. O que resta é caminhar à tardinha pela Lapa ou o Leblon, mesmo com uma chuvinha fraca, mesmo com a ignara à espreita, dentes negros e vampirescos, com seus eternos golpelhos à sorrelfa. Enquanto isso…

As Cores De Abril

Composição: Vinicius de Moraes / Toquinho

As cores de abril
Os ares de anil
O mundo se abriu em flor
E pássaros mil
Nas flores de abril
Voando e fazendo amor

O canto gentil
De quem bem te viu
Num pranto desolador
Não chora, me ouviu
Que as cores de abril
Não querem saber de dor

Olha quanta beleza
Tudo é pura visão
E a natureza transforma a vida em canção

Sou eu, o poeta, quem diz
Vai e canta, meu irmão
Ser feliz é viver morto de paixão

No princípio, era a Roda

Nessses períodos de feriados (mesmo nessa bobagem de sexta feira santa) as pessoas querem mesmo é meter o pé na estrada ou ir à praia ou ainda não fazer rigorosamente nada – uma cervejinha, talvez. A própria internet perde um pouco da efervescência, um pano abafa o furor de uns e outros servindo-nos todos de outras coisas – aparentemente mais urgentes ou exatamente o contrário: impossíveis de não serem feitas porque são propícias aos bons modos de um feriadão. Hoje é quinta feira e na segunda os jornais publicarão intermináveis números e listas de mortos e acidentados nas estradas e por aí.

Eu, monolito de plantão, não vejo nenhuma alteração em nada e, para ficar num patamar de “quem fez alguma coisa diferente” mando pintar algumas paredes da minha choupana. Uma parede de azul e outra de vermelho. Algo assim como uma cerveja Antártica no Corpo de Bombeiros (podem surgir outros exemplos). Pronto minha folia está completa. Está? Mentira, não está coisa nenhuma porque tenho uma certa impressão indiferente à todas as coisas (ou quase todas) e fico inquieto como ….uma cuíca.

Pronto! Encontrada a solução, ou o final do enredo (ou ainda, o início). Estava aplicadamente relendo “Todas as cosmicômicas”, desse inquieto Ítalo Calvino e percebo que alguma coisa ‘está fora da ordem mundial’. Estava interessadíssimo no conto “O Tio Aquático” quando, sem saber muito bem o porquê, meus olhos vagam pela minguada estante e pousam sobre o volume de “No Princípio, era a Roda” do inesquecível amigo Roberto Mour, aplicado intelectual, estudioso atento de várias formas de cultura embora o samba tenha sido uma paixão alucinante. Roberto troca seu mestrado na ECO, de Mozart pelo flautista, sambista, cantor, compositor e tudo de bom… Camunguelo. Não conhecem? Pois é. A vida, meninos e meninas, não é feita de “clássicos” e “os da moda” somente. Não senhor. A vida é também e, antes, mais importante, se viajada pelo universo encantado que Roberto nos proporciona nesse livro delicioso contando histórias mais apetitosas ainda! Eruditos, uni-vos em torno das rodas de samba, da Praça Onze, da Saúde, desse nosso Rio de Janeiro encantado, desencantado, com todas as estrepolias que se permite a um canto do mundo. Roberto Moura nos deixou há pouquíssimo tempo, vítima de uma “picada de carrapato” (PODE?).

Nessa véspera de Sexta Feira Santa, eu, ateu graças a deus, me enfeito com as contas de Iemanjá e mando um Axé  pra todo mundo  e hoje, em especial para o Incrível Mr. Almost. Axé!

Fragmentos de bate-papo

Tudo bom?

Tuto diz:

rudo e vc

 Geraldo diz:

Faltam 19!!!!!!!!!! (dias)

Tuto diz:

hahaha

verdade

Geraldo diz:

o que v vai fazer no seu aniversário?

Tuto diz:

vou pra uma boate lá em búzios

Geraldo diz:

isso mesmo!… mas pega leve, viu? nada de beber demais nem drogas… outra coisa… cuidado porque empurram ecstsy pra cima da gente e “algumas tribos” empurram bebida misturada com calmantes (Boa noite Cinderela” que te fazer dormir 12 h…… ah ah ah fala pai chatola! rs

  Tuto diz:

HAHAHAHAH

relaxa

Geraldo diz:

Dou a maior força para você ir…. quando eu fiz 18 também fui eh eh eh

–  – – – – – – – – – – – –  – – – – – – – — – – — – – – – – — – – – – – – – — – – – – – – –

P.S. Pra gente ver o quanto um pai pode ser mala!!!atgaaab9hndcmi84qz5zv2flupguc5lxgfs13gv6zjolhg4107evku4b9ibzbciu8vdp-qcakqgft01-xm2y0d-5jsgrajtu9vdhr0gtzzmlpjzy5hjhwspje3kmrw11

Fase “Não ler”

Eu já contei inúmeras essa característica, mas não custa repetir tendo em vista a falta de uma boa técnica nos templates dos blogs. Quem me mostrou a fascinação da leitura foi minha tia mais velha (que, aliás, me mostrou as enormes belezas da vida – principalmente seu amor infindo por Copacabana. Essa tia era anormalmente viciada em livros. Às vezes eu tinha a impressão que não escapava um. E mesmo nas fases da maior falta de dinheiro, ela ia pra livraria, comprava dez, quinze livros em crediários imensos e voltava pra casa feliz da vida mesmo quando faltava o pão.

Diante dessa coisa arrebatadora eu comecei a fazer a mesma coisa. Pegava os livros todos dela e ia lendo. Cada vez mais rápido. Vez ou outra ela me dava uma bronca dizendo que tal livro não era para a minha idade ainda. Ah ah.. Esse era o código para que, em sua ausência, eu me agarrasse aos livros “proibidos” – que eram bobagens, descrição suave de cenas de sexo. Bons tempos. Como eu estava sempre com ela, minha tia e eu trocávamos milhões de idéias e impressões sobre cada um dos livros. E depois de ler uma parte significativa dos clássicos ela se apaixonou por biografias, romances, livros policiais e coisas como livros-reportagem sobre a máfia, sobre os primórdios do Brasil, etc. Eu… sempre fazendo o mesmo (muita coisa tive que reler depois de mais adulto porque não entendi bem no início da adolescência).

Mas aconteciam coisas interessantes: de repente, sem nenhuma explicação ou causa aparente, eu parava de ler e ficava meses assim. Como se nunca mais eu fosse ler na vida. Puxa, aquilo me deixava mesmo desesperado! E mais uma vez minha tia me salvava: “É assim mesmo. Existem pessoas que têm a sua fase ‘LER‘ e outra fase, a ‘NÃO LER’. Quando estamos na fase NÃO LER, não adianta forçar, é usar a cabeça para se ocupar de outras coisas.” Assim dito, assim feito: ela buscou outras ocupações e, além da sua ocupação principal, tornou-se – pouquíssima gente sabe – uma das maiores tapeceiras do Brasil.

E, de fato, constatei que essa “fases” existiam mesmo. E não adianta você forçar a barra para ler porque não prestará atenção em nada, não perceberá lhufas e ainda vai se frustrar. É parar e aguardar que a fase LER apareça novamente.

Digo tudo isso para explicar porque não cheguei ao fim de “O Livro Negro” de Orhan Pamuk. Não vou me forçar. Logo, logo tudo volta ao normal.

As músicas

A última (ou uma das últimas) músicas que ouvimos os dois aqui em casa…. Ela gostava dele por amor a mim…. porque eu gosto dele… Nossa, quanto amor….

A passarinha de Balza K.

As meninas quando fazem trinta anos deveriam estar comprando o primeiro sutiã ou o primeiro salto alto ou abandonando a última mousse de chocolate… Meninas são estranhas porque se assustam rapidamente (hormônios, hormônios….)… Essas moças de hoje (que não andaram no bonde da Praça Tiradentes e só conheceram a Av. Atlântica com duas pistas), que adoram nosso glorioso Noll, mas não têm paciência para ler “O Paraíso Perdido”, de Milton, não têm paciência para se casarem e menos ainda para filhos… Sampa. Meninas independentes, olheiras profundas por excesso de trabalho, de emoção pelo que foi, pelo que vem e pelo que virá, estressadas pelo que viveram e pelo que viverão, o que é e o que será… São Francisquinho de Assis, deixa um pouco de lado os passarinhos e olha para tudo aquilo que brota no meu solo varonil ou melhor, meu puro santinho…: Olha apenas para ela, se não todos, pelo menos para a passarinha (a ave, meu santinho) que revoa hoje nessa agitação de seus trinta aninhos como quem goza o nascimento de mais uma mulher plena, dessas que, cansadinhas de serem meninas brincando de senhoras, serão agora mulheres que sabem ser meninas para sempre. Existe umazinha apenas que inverteu, reverteu, reinverteu tudo e agora não sabe mais onde está. É hora de mostrar, definitivamente, a cidade iluminada, mesmo com fumaça, mas antes, acena e mostra pra ela primeiro São Salvador e, lá não ficando, acena ainda com o calçadão de Copacabana, a Lagoa e, igualmente, a Lapa dos malandros de antes e dos, igualmente, de agora. É hora de amansar essa passarinha (a ave, meu santinho, pô!) não para o cativeiro. Ao contrário: para a vida, longa vida . . . (vida longa, vida breve, né? .. yéh! rs)


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"É-nos impossível saber com segurança se Deus existe ou não existe. Por isso, só nos resta apostar. Se apostarmos que Deus não existe e ele existir, adeus vida eterna, Alô, danação! Se apostarmos que Deus existe e ele não existir, não faz a menor diferença, ficamos num zero a zero metafísico" Albert Camus

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""Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos."
Nelson Rodrigues

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