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Nossos processos

2001 e 2002 foram os anos em que eu mais produzi nos blogs. Parece que o negócio ainda estava começando por aqui e a vontade era grande. Depois a nossa vida vai se enquadrando e a gente vê quanta coisa já contou… E agora? Contar o quê? Os achaques da velhice? Os livros que estou lendo e os muitos que não consigo ler? Uma das coisas mais tristes de relatar é a perda da capacidade intelectual, a perda de assimilação do que se conhece, do que se lê. A confusão mental e a falta de memória sobre aquilo que se conhece ou o que se lê. Mas não é drama. Acontece mesmo. E aí vêm os remédios que, se por um lado melhoram algumas coisas, por outro acabam de destruir outras. Tudo passa a ser relativo…..a relatividade do conhecimento, do lazer, da capacidade de ter sentimentos, etc etc.

Começamos a padecer desses males que antes, bem antes, víamos como algo infindavelmente distante de nós. Eram os males dos “velhos” – dizíamos muitas veses sorrindo. Mas o tempo passa e aqui não vai um pensamendo depreciativo nem deprecivo. Nada disso. São as mudanças invernais que a vida vai nos mostrando e a nós submetendo, como um Sísifo. Essa vidinha que corre aplica suas regras a todos, indistintamente. Em 2010 produzo menos e, portanto, escrevo menos que em 2002. Coisas da vida.

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revigorando o rio

A Lapa está está crescendo horizontalmente. Há quatro anos atrás eu morava numa rua, distante o suficiente do “agito” para viver no silêncio mesmo nas madrugadas de sábado. Em muito poucos anos a coisa vem mudando. Próximo aos Arcos não há mais espaço para os novos bares que vêm vindo mais para cá, em minha direção. E com eles o som das músicas, o barulho. Bem verdade que ainda é distante, baixo, mas já ouço. Nesse ritmo, em mais dois anos terei uma casa de shows na minha esquina !

Itararé

“De onde não se espera nada… é de lá que não sai nada mesmo”

K.rocodilo

Mítiga noite. Eu e você e a história misteriosa da parada no tempo. Não sei bem como acabou por acontecer, mas aconteceu. Duas paredes. Dois quadros iguais em duas paredes diferentes de localidades diferentes. Como pode? Claro que não sei. Os calendários até mudam, mas nós estamos no mesmo lugar, no mesmo ponto de um nada tão profundo e tão cheio de “tudos” e, ainda assim, eu não me espanto.

Verdade que minha caverna ficou mais escura ou mais profunda (questão de ponto de vista), mas a xícara está ali. Meu liquidificador ficou mais silencioso, mas continua “liquidificando“. A vida vai passando como esse rio magro, com essa água ora barrenta, ora límpida. Como o crocodilo, posso estar submerso, com olhos na tona. Olhos sempre voltados para dentro porque é em mim que tudo está guardado. Como um caracol de Java. Um caracol marcado à ferro e fogo pelas noites de sedução dessa menina. Esse cativar infindo, essa certeza absoluta. Olha que me dar certeza absoluta não é mole não.

Pensando bem, não são dois quadros iguais. São dois quadros que se completam porque assim foi e assim será. E ainda assim é a Incompletude***, esse estado pleno, que transborda, que chove, que perdura para nos esvairmos como uma veia da américa latina.

Porque o tempo passa e nada muda. Jamais.

cigarro…

Não é apenas ficção, não é apenas o que eu colho nas resenhas de livros nem em livros ou entrevistas. É importante estar à margem das atividades comezinhas, estar “em seu lugar” sem dar satisfações nem falar. Assim como o escritor verdadeiro, eu não tenho nada a dizer sobre nada, não quero aparecer, não quero nada. Quero a quietude, o negror da noite eterna iluminada por minha luz, minha vela, minha lâmpada. O que escrevi não foi nada, portanto não sou nada, não tenho nada e, muito menos, quero nada. Sou um curioso de mim mesmo, é o que interessa. Olho-me no espelho e nada vejo. Olho então com os olhos voltados para dentro. Um velho  claudicando e só. Percebo pela janela que um sol frio aparece,  desses que nos dizem que a chuva está vindo, que a tempestade se aproxima. Estou absolutamente só com minha xícara de café e meu cigarro.                                        

Invernal

Existem alguns momentos em que as pessoas não reconhecem sinais, signos. Atitude perigosa. Não sei quais são as boas atitudes, mas sei que são necessárias embora, nesse momento, eu esteja com dificuldade de tomá-las. O de sempre, pra bom entendedor. A cana de açúcar, o sorvete, o chocolate. Liguei pra Raquel, minha livreira predileta. Mais Pierre Michon; na veia!!! Aliás alguns escritores são isso mesmo, ‘na veia’. Dizem o que a gente não sabe dizer (ou sabe?). Não sei se eu sei. Nunca tentei. Meus caderninhos são guardados à sete chaves. Leio uma crônica do José Castelo sobre Ana C. Não encontro em nenhum sebo o livro do Moriconi, o texto sobre ela. Essa mulher é um enigma e minha amiga querida fez mestrado sobre ela. Não li ainda. Alô, Anne ! Por fim, não sei para onde me viro.

Mas não é toda a verdade. No fundo sempre fui assim e agora escrevo como se fosse novidade. É porque não quero falar das mazelas da minha cidade, do meu Estado. Prefiro enfiar a cabeça na terra e não ver. Prefiro ler João do Rio, por exemplo. Se sou um covarde? Avalie você! Não penso nas pessoas (e nem em mim) como bravas ou covardes. Pessoas são o que são, são pessoas com seus mundinhos, uns mais, uns menos medíocres. Não estou chamando ninguém de medíocre, pelo amor de deus ! Digo que a vida é que é banal e ordinária. E tem gente que leva a vida à sério. Não, não é pra ficar feito um pateta rindo de tudo. É apenas para entender de uma vez por todas que tudo isso não vale à pena.

Chove. Sempre chove e alô alô depressão! Não dá pra ninguém escapar. Fica esse ar taciturno, esse olhar irreal para coisas (que são) irreais também. Penso às vezes que não vivo propriamente, mas que sou eu mesmo um resto de monotonia que ficou como o último trago amargo de um garrafão já sem a rolha. Se eu sou o fim? Talvez, talvez… Outras pessoas podem falar melhor. Não era nada disso. Tudo isso é porque vem mais um volume de um autor interessante. Pelo menos penso que sim. Chove mesmo. Parece que nunca mais verei um céu azul e um sol daqueles. Quando está calor demais eu também reclamo. Por outra: eu sou um chato.

Essas observações invernais, no fundo, pretendem mais esconder do que revelar a personalidade. É um jogo de espelhos falsos, uma brincadeira de mau gosto.

hoje

Por um tempo entendemos as coisas equivocadamente. Esse tempo não é mensurável (na verdade, é) porque tratamos de tempos em descompasso, o que anda para o fim da vida e o que corre para trás, o da morte. Nesse hiato coloco-me sem ter certeza do epílogo, embora perceba as probabilidades. Eu percebo, diria, muito mais do que dou a entender, muito mais do que permito que vejam. Não porque eu seja diferente, mas porque a humanidade é cega.


Ela…

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"A descoberta do Prozac criou um universo de eunucos felizes"

"É-nos impossível saber com segurança se Deus existe ou não existe. Por isso, só nos resta apostar. Se apostarmos que Deus não existe e ele existir, adeus vida eterna, Alô, danação! Se apostarmos que Deus existe e ele não existir, não faz a menor diferença, ficamos num zero a zero metafísico" Albert Camus

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""Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos."
Nelson Rodrigues

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