dor de dente

Não sei através de que reveses na vida ou o uso continuado de substâncias, drogas lícitas, cheguei ao ponto de perder-me em meu ínfimo escritório. O fato é que aconteceu. Tentei pedir ajuda pelo telefone (é para isso que ele serve – eu achava) e não consegui porque atendiam-me sempre de uma livraria, um sebo desses do centro da cidade). Verdade verdadeira que os livros que andei lendo ultimamente contribuíram um bocado para esse estado de pseudo (?)-loucura em que me encontro. Porque a verdade verdadeira é que trato-me com um alquimista que está muito preocupado com seus experimentos gasosos.

Três telefones celulares, duas agendas, quatro livros confusos, o computador, uma calculadora de camelô, dois cinzeiros abarrotados, maços de cigarros amassados, cédulas de pequena monta, potes de medicamentos de manipulação, um microfone fálico, um copo vazio e uma taça com sorvetes de chocolate amontoam-se como se quisessem me engolir – e tenho a impressão de que falta mesmo pouco. E tudo isso por quê? Porque sim. Porque procuramos o nosso botão, nossa manivela própria para desconectar e o primeiro sinal é quando a caneta tinteiro começa a vazar.

Claro que as estantes me ameaçam da mesma forma como eu ameaço (e cumpro!) castigar os volumes que insistem em esconderem-se de mim.. Quando termino por encontrá-los vão direto para uma pequena estante, algo como uma “solitária” que todos já conhecem e não gostam nada. Ficam ali, em destaque… dias… de castigo. Esse texto, aliás, foi proposto pelo jovem que veio aqui e se espantou da maneira que eu conseguia sobreviver nesse monta de papéis –  lixos uns, preciosidades outros… – tudo ali misturado como a engolfar-me ou me levar aos abismos que somente  Borges proporia… Calvino? Não sei

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