Parangolé de mim

A relação com seres humanos é nociva até para seus iguais e só vence mesmo a barata. Tento me reenquadrar socialmente e o que acontece é o caos, é um misto de anti-apocalipse ou implosão de apocalipse como se a Terra fosse engolida pelo seu próprio buraco negro. Me assusta essa antropofagia de terror cibernético e me refugio numa espécie de plataforma virtual onde tenho a possibilidade de jogar o game ancestral assim como deus joga dados. Fujo da merda jogada por catapultas mediavais e subitamente me torno um templário do terceiro milênio, um soldado ferido que ficou para trás na Segunda Guerra e encontrou uma enfermeira que cuida de suas feridas aparentes sem ver o interior minado, doente, podre.

Caminho errante um um Portugal cheio de armadilhas intelectuais e bejo,  um feliz Fernando Pessoa de barro. Tudo é felicidade no vinho, na música, no colorido das roupas da moça de aldeia, no gentil cavalheiro de chapéu de palha vistoso. Não tenho muito para onde me movimentar e percebo que enfim a terra é um tabuleiro de jogo antigo, a Terra transborda porque não é mesmo redonda, porque não existe Rotação e exitem figuras sem cor – cinza sobre cinzxa respeitando apenas tonalidades diferentes da não cor. Folheio Josué Montello e choro pelo tempo que não vai voltar, pelo que fui e pelo que não sou. Caminho perdido entre enormes peças de xadrez como num labirinto mental, numa idiossincrasia própria a mim e a mais ninguém. Decepciono-me um pouco mais com homens que conheci e levaram meu cavalho malhado, deixando-me de pé nessa chuva torrencial.

Torrencial é o espaço-vida em que me aventuro mesmo sabendo o resultado, o Fim de Jogo de Becket, mesmo sabendo a cor dos que saem de dentro da mina de carvão, mesmo sabendo que o céu, o sol e a chuva são tão somente efeitos das artes produzidas em videografismo, brincadeiras de um pintor pós-moderno. O sol vai se apagar e talvez seja a hora de lentamente, retirar minha roupa de dândi tropical (afinal os parangolés pegaram fogo e os homens erraram de novo a meu respeito).

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1 Response to “Parangolé de mim”


  1. 1 Mr. Almost 31/10/2009 às 20:56

    Geraldo,

    Deixa esse espírito pessimista e sse discurso derrotista. As peças do xadrez não são enormes: todas, à excepão de uma, sempre são derrubadas, independentemente do seu tamanho.

    Alegre-se com vida. Diz «I’m alive!» Estou aqui, vivo, observando vocês a partir do meu pantaleão, vestido com a minha indumentária tropical.

    Geraldo: wake up, son! Ataca a vida! Não desiste!

    Diz: I’m a winner, irei ao vossos funerais com coroas de flores nas mãos.


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