Orham Pamuk

A dona da livraria Leonardo da Vinci é uma dessas estrangeiras que fez fortuna no Brasil ao longo de muitos anos e nem se preocupou em perder o sotaque (sabe-se lá de onde veio a mulher). Essa livraria, fundada 1952, no centro do Rio, sempre foi uma referência literária, sempre foi o único lugar onde se encontravam livros mais raros, etc. etc. E sendo assim, tornou-se ponto de encontro de intelectuais de todas as cores, principalmente literatos. Autores famosos desfilaram (e trocaram um dedinho de prosa) por aquelas bandas. E, a dona da livraria – sem dúvida – participava de tudo isso, orgulhosa de si mesma e com toda a razão. Os anos se passaram, os intelectuais morreram ou se enclausuraram e, mais na frente, encontraram outros lugares maiores e melhores – Saraiva (para livros comuns), Travessa e Fnac para livros especializados, raros e importados. A velha “Leonardo” tornou-se frequentada apenas por quem está no centro da cidade e passa por ali. Mais: vamos e venhamos… os intelectuais moram fora do Rio ou em Ipanema/Leblon.

Já umas duas ou três vezes liguei para essa livraria Leonardo e fui muito mal atendido pela tal senhora de sotaque. Ela atende e fala com uma aspereza incomum. A impressão que eu tenho é que ela se irrita quando alguém não pede um livro estrangeiro esgotado no mundo todo. Como se comprar um livro atual ou bastante vendido fosse um pecado, próprio de leitores ignorantes e boçais.

Dia desses ela atendeu e eu perguntei se havia “O Livro Negro”. Nem acabei de falar e fui interrompido: Como o livro negro? Você não sabe que existe o livro negro do comunismo, o livro negro do capitalismo, o livro negro de são Cypriano????

 

Quando consegui falar, expliquei que não era nenhum desses e sim “O Livro Negro” romance de Orhan Pamuk…E tudo isso por quê? Porque eu estava interessado nesse livro que saiu agora, de um autor magistral (o mesmo de NEVE e de MEU NOME É VERMELHO, por exemplo), um autor que já ganhou o Nobel de Literatura. E o que é que tem isso? O fato do autor ser agraciado com o Nobel nem sempre me chama demais a atenção. O que tem Nobel chato por aí… sai de baixo! É o terceiro livro que eu leio desse cara (nascido em Istambul), um autor mais que recomendado. Apesar dos livros caudalosos –  quase sempre ntre 500 e 600 páginas –  encontramos perfeita descrição de locais e personagens. Aliás personagens com uma complexidade psicológica e intelectual que tiram nosso fôlego. Tudo isso para dizer que, em um dos livros de maior sucesso – NEVE – é justamente John Updike quem faz as honras da casa, quem avaliza Orhan Pamuk. Então, daí – apesar da minha crítica pontual – Updike – falecido anteontem foi e será eternamente uma referência literária (e sem Nobel!)

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