As Culturas… e a falta de cultura

Porque esse texto aí embaixo, não é tudo, é o início de uma miscelânea contintinental, uma confusão atávica provocada pelos primeiros colonizadores. Vejam que até o Artur da Távola (Paulo Alberto) quando foi Secretário de Cultura mudou o nome da pasta para Secretaria das Culturas. Essa discussão já rolou várias vezes aqui. Fica essa coisinha tola, de intelectualzinho (adorava o Paulo Alberto, mas preciso discordar, coisa que fiz pessoalmente) querendo rever tudo como se cada coisa fosse uma cultura. Jongo é uma cultura, ópera é outra cultura, maxixe, outra e por aí vai. Isso é mais ou menos perdoar é tentar abafar a falta de cultura de cada um, de cada coisa. Claro que antes fui ao Houaiss ver se estou falando besteira e, segundo o Filólogo, sim, tá errado, sou uma besta. Não me interessa. Me interessa um raciocínio lógico e não ficar apaniguando a estupidez da raça. Portanto, é uma briga somente minha, aquelas coisas quixotescas que, eventualmente acontecem.

Então temos a cultura oriental, a cultura ocidental e dentro, temos ainda: a cultura do Brasil, a cultura da Venezuela, a cultura da África e dentro da África temos a cultura de Angola e assim por diante.

A literatura clássica, por exemplo fica perdida nessa pataquada porque ali (seguindo o raciocínio) não é uma cultura, mas cultura do país de cada escritor…

ler Dostoiévski não é cultura, é cultura russa, ler O Paraíso Perdido igualmente não é cultura, é cultura inglesa. Ou seja, uma pessoa medianamente informada, lida e viajada não pode ser chamada de culta e sim de um catalizador de culturas (e será sempre um fracote porque não conhece, por exemplo, a cultura javanesa). E, ao mesmo tempo, uma pessoa que seja criada e viva toda a vida entre os índios será um ser com imensa cultura aborígene.

De uma outra forma: uma família de posses quer educar seu filho. Para isso paga viagens, intercâmbios, preceptores, etc. O infeliz vive 3 meses em cada cidade do mundo, lê e ouve todos os clássicos, se empanturra de poetas, filósofos e o diabo a quatro, mas… veja: ele desconhece a cultura do Congo e, portanto, não é culto (no sentido amplo da palavra). Ou seja: não existem seres humanos absolutamente cultos, existem pessoas que conhecem “alguma coisa”.  A pluralidade humana impede o saber, especializa pessoas mas, em momento algum, garante que todo o estudo, toda a pesquisa credite uma pessoa a ser (razoavelmente) bem informada e culta.

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