Sobre minha barba e o Natal

Para mim, o Natal sempre foi uma festa chata, uma comemoração meio sem sentido. Quando minhas tias eram vivas, sempre rolava um almoço (delicioso) na casa da minha tia Lourdes Mayer e era o momento da família toda se ver, aquelas coisas… Depois, sem ela e eu mais velho, fui me afastando dessas coisas. Afinal, nunca fui mesmo de confraternizações, entrega de presentes, etc. Minha mãe ficava preocupada por eu passar esse período sozinho e, para amenizar preocupações, eu sempre inventava grandes festas, churrascos em sítios de amigos e passada a data, descrevia essas comemorações nos mínimos detalhes. Com isso, acalmava todo mundo e mantinha minha privacidade.

Portanto seria uma mentira ridícula, dizer que passei o Natal sozinho por encontrar-me de luto. Não. Fiquei sozinho como sempre, como eu gosto. Mantenho o costume de quase todo o dia de comer um miojo, um ovo cozido ou uma sardinha em lata. Pode parecer estranho a alguns, mas para mim é normal. Como presente natalino, telefonei para a livraria e me mandaram três livros (que ainda não abri).

Artur, meu gato, é uma companhia e tanto! Claro que não desprezo a companhia de ninguém (minto, de algumas pessoas desprezo sim, mas são muito poucas). Nem sei bem porquê, depois da juventude comecei a me afastar de comemorações oficiais, de todas elas como Natal, Ano Novo, Carnaval (e outras). Realmente acho tudo isso muuuuuito chato! E a verdade é que as pessoas me acham no mínimo, excêntrico, mas a grande maioria me acha doido de pedra mesmo, antipático e arrogante. Vá lá… que seja!

Prefiro muito mais fazer uma caminhada no entorno da minha casa, falar um pouco com os miseráveis, com os donos de botecos de quinta categoria (o que é um boteco de primeira categoria??? rs), pagar uma pinga para um mendigo, desejar felicidades aos porteiros e seguir chutando pedrinhas e essa coisas desimportantes que faço sempre. Dou também um telefonema ou mando um e.mail para os conhecidos e amigos que me lembro, mas certamente esqueço gente e acabo sendo injusto. Não fico triste porque essa história de ser ou não injusto é muito subjetiva.

Sim, tomo minhas pingas e cervejas, penso em muita coisa e rasgo papéis velhos que deixo acumular durante o ano. Não cultivo nenhuma expectativa de melhora ou piora para o novo ano que está chegando. Calendário não deixa de ser uma coisificação do tempo que, a meu ver, como sabem, eu não acredito. Como, igualmente, não creio em destino nem em nada metafísico. Existem inúmeras pesquisas apontando pessoas solitárias e descrentes muito mais infelizes e passíveis de doenças. Talvez seja verdade, talvez não. Não me interessa também.

Em suma, a verdade é que estou bem, estou igual, como sempre fui… Para variar, tirei a barba (certamente por pouco tempo). Tem pessoas que me preferem de barba, outras sem barba. O que acabo achando engraçado.

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