Quando eu renasço na longa jornada de mim

Curiosas as coisas da vida. Minha mãe me esperou durante 9 meses (ou 7..  rs) e, após um processo doloroso, eu nasci. A vida passou. A minha e a dela. Verdade que tivemos inúmeros atritos, aborrecimentos e desacordos, mas sempre fomos o referencial um do outro. Mesmo discordando e brigando (rs) seguimos a vida e não nos perdemos de vista em nenhum momento. Mas a história de existir e não existir é realmente estranha, misteriosa em suas reviravoltas…. Se como, acertadamente, Cazuza nos falou tanto dessa “vida louca, vida breve”, eu percebo igualmente outros movimentos como uma certa longevidade excessiva da vida. São dois lados da mesma moeda.

Da mesma forma que minha mãe me esperou e cuidou para que eu viesse bem ao mundo e depois para que eu sobrevivesse ao mundo, agora, exatamente oitenta e dois anos depois, eu cuido da minha mãe como quem preserva um um bebê à caminho de tornar-se feto para que ela retorne de onde veio. Minha mãe é meu tudo, mas, principalmente é meu filho lindo que eu embalo, faço cafuné e carinhos, com quem eu falo muito baixo e, se ela me ofereceu o leite da vida, agora eu me esforço para oferecer o soro, seu último alimento. E se ela me deu um chazinho caseiro para as prováveis “cólicas do bebê”, restou-me a árdua (e gratificante) tarefa e oferecer-lhe morfina para que não sofra e mantenha sua enorme dignidade até o final.

Quem sou eu? Sou o filho ou sou a mãe? O claro ou o escuro? A verdade da vida ou a verdade maior,  que transcende? Ela já ultrapassou o período em que foi o meu bebê e, dia a dia, caminha para ser o meu feto e depois o nada,  ou melhor, o tudo. Ela me deu a vida e agora me oferece mais carinho, mais dignidade, mais certezas, mais saudades. Junto ao doce zumbido do eventual oxigênio, somos os mesmos e dormimos de mãos dadas.

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