Reflexos apenas

Entender o conhecido é mais difícil do que entender o desconhecido. Porque o desconhecido tem algo de mágico, de metafísico, algo que transcende, alguma coisa mística, por assim dizer. O conhecido é duro exatamente porque não nos permite pensar, imaginar. Simplesmente é. Impõem-se de forma aviltantante, leviana, crua. Cruel. Torna o mundo espectador de uma cena distante, um palco inalcançável, um jogo de espelhos onde todos os reflexos são verdadeiros, indistintos, mas ainda sim, são reflexos. Nunca sabemos qual o espelho principal, qual retrata a verdade, qual não faz parte do jogo. Como um sonho vazio. Como estar no meio do oceano. Não existe porto, não existe mão, não existem afirmações. São expectativas vãs. Todas elas. E uma expectativa vã, por si só, por sua falta de obviedade, deixa de ser expectativa, torna-se alguma coisa pesada ainda que não mensurável. Lembro-me do filme “2001, uma Odisséia no Espaço”, no momento em que o astronauta solto no espaço desprende-se da nave e segue sozinho, girando ao sabor sabe-se lá do quê. Restaria o futuro se ele existisse. Mas o futuro só existiria se ele fosse desconhecido, se  fosse uma hipótese nova, uma surpresa. Nenhum futuro é surpreendente.

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""Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos."
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