O mundo parou?

O problema é sobre o que falar quando, definitivamente, os assuntos estão mortos. Não existem mais. O que existe agora é a observação de alguma coisa que passa desapercebida aos olhares voltados para as coisas importantes. Porque de importante mesmo não acontece nada de novo, acontece uma releitura do que foi, do que ocorreu, do que nos chamou atenção no passado. Falar de livros? De pessoas? Nascimentos e mortes? Basta ler os editorialistas dos grandes jornais e revistas. Falam do que foi, fazem novas leituras do óbvio, de tudo o que digerimos há meses ou anos atrás. E se em torno não acontece nada começamos a “inventar” coisas, abandonamos a crônica e entramos numa zona perigosa do que seria criação literária (e não é) ou de uma forma de delírio, ainda que um delírio frágil, desses que não assustam, que fazem ensaiarmos um sorriso educado. O que existe de produção nessas áreas é nada porque o mundo parou. Curioso é que a maioria das pessoas não percebe essa “parada do mundo” e fala disso ou daquilo como se fosse novidade. São as mesmas guerras, as mesmas quebradeiras de bolsas, os mesmos óbitos, os mesmos livros os mesmos casamentos e descasamentos entre famosos, os mesmos programas de televisão (cada vez mais pasteurizados), os mesmos filmes (refeitos agora utilizando recursos de computação gráfica). Porque já relatamos todos os encontros estranhos que tivemos na vida, os mesmos malucos, os arranjos novos para canções velhas. Os blogs por exemplo, se repetem à exaustão – cada um deles batendo na mesma tecla que escolheram (principalmente este aqui). E os comentários nesses blogs (este não é), repetem observações, elogios, parabenizações que já vimos antes, que um dia até nos interessaram. Não aconteceu nada de novo desde “2001, uma odisséia no espaço”. Toda a produção posterior é repaginada. O Brasil comemora a edição em português de dois livrinho de Cotázar da década de 60. E poesia moderna é Fernando Pessoa. Nada contra autores nem fatos do passado, tudo à favor porque é graças a eles que estamos onde estamos (ainda que estejamos no nada). E é fato que o Sol vai se apagando e a Terra girando com menos velocidade.

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