Sobre mim

não a revolução como era de se esperar ou seria mais palatável, mas cerca-me uma impressão de morte, de podre, de fim. morte de plantas, de pedras, de areias, de prédios, de pessoas, de mim… vou e volto, de poltrona em poltrona, de livro em livro, de pensamento em pensamento como quem busca alguma coisa mais etérea, alguma coisa que ri, que sorri, que acalanta, talvez menos vívida e real… as realidades cansam como as lutas armadas, como os protestos, como a esperança num mundo mais justo ou demasiadamente justo… essa maneira angelical de perceber a vida, fechando os olhos para as cicatrizes que trazemos no rosto e no fundo do cérebro. toda essa coisa cansa, é tediosa como o dia chuvoso, como nuvens que predispõem ao suicídio. jamais existiu ou existirá um suicida que tenha a impressão putrefata da morte. esta é para os viventes, para os que têm planos, para os que amam ou odeiam, para os que olham trens que partem e sentem inveja dos viajantes

O viajante é aquela pessoa feliz que não tem consciência da sua alegria nem da felicidade que irradia.

por isso sempre senti mal cheiro nos relógios, nos marcadores de tempo mais variados, nos contadores de frames* que determinam se uma imagem na televisão pisca ou não*. esse realismo exacerbado que pretendem de nós como se de fato pudéssemos ser realistas diante da filosofia barata que herdamos de todos os filósofos que já ousaram… filósofos ousam, filósofos cometem filosofias e inventam palavras de forma a nos impedir de responder imediatamente, de destruir suas teses.

Perceber o mundo com o olhar da filosofia ou da psicologia é tão idiota quanto entrar nos templos de seitas e acreditar sequer numa palavra.

invadir o mundo com palavras e atitudes é o caminho para sobreviver. não palavras novas nem atitudes “revolucionárias” porque essa premissa revolucionária terminou, esgotou-se por si mesma, os homens entenderam, por fim, que existe apenas a revolução interior, a mudança, a aceitação do podre, do escatológico, do que parece, mas não é, nunca foi ou será. necessário é entender a velha que, vestida de negro, xale na cabeça, entra na igreja com uma vela acesa na mão com pedidos impossíveis para um ser superior que, igualmente, não se encontra naquele templo nem em lugar nenhum…

Verdadeiro será aperceber-se que o mundo é o mesmo e que sendo o mesmo ainda assim o desejamos e adoramos e não queremos que nossos entes queridos partam.

claro que não acontece assim porque nunca aconteceu, porque a explosão que fez o universo surgir como tal não bastou para um entendimento mínimo da ”imutabilidade” de todas as coisas no céu e na terra. existe uma razão neurológica para que sonhemos dormindo e acordados, para que possamos ter uma oportunidade de pedir, de orar, de nos ajoelharmos (porque não suportaríamos uma vida inteira estando permanentemente de pé), porque jamais a raça deveria estar de pé, deveria locomover-se como os gorilas – que, de fato – continuamos sendo. não sei exatamente da fragilidade humana porque sabê-la implicaria numa condição superior de analisá-la, numa cátedra que não existe verdadeiramente, que é ilusão do homem, de todos nós, para conseguirmos nos olhar, para acreditarmos numa (falsa) compreensão do outro – e de tudo (continua)

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