Miscelânia

Um passante na 20° Bienal do Livro em São Paulo, um gaúcho meio doido (com enormes óculos amarelos, mais parecendo uma mosca doida) diz umas coisas que podem ter algum fundo de verdade. Ele diz que a internet é uma possiblidade da gente errar e aprender e refazer nossos textos nos sites. Que não nos “encastelamos” como escritores e ponto final. Que  tudo está sempre em discussão. Não…. eu creio que não concordo com ele. Se, por um lado, concordo que um texto possa estar sempre ‘em discussão’, discordo que um autor (bom ou medíocre) não possa se distanciar de sua obra e seus leitores. Eu não tenho nada publicado, portanto, não tenho nenhuma autoridade (nem talento) para falar. Mas se, hipoteticamente, eu colocasse um ponto final num texto que fosse publicado e entregue ao leitor, acredito que o lógico seria que ele gostasse ou não, concordasse ou não, me amasse ou me odiasse. Impossível imaginar um mundo de autores em que não podem jamais colocar um ponto final… que tenham de estar eternamente em discussão com leitores efêmeros. Verdade (antes que gritem) que leitores não são efêmeros num sentido mais simplista. O que digo é mais óbvio: pessoas necessitam terminar o que fazem, precisam dizer: “Olha, galera, era isso o que eu tinha a dizer“. De outra forma vira assembleísmo, escapa a qualquer resquício de arte. Porque qualquer tipo de arte tem que ser conclusiva. A arte não conclusiva é a que está em processo e, estando ‘em processo’ não pode ainda ser questionada e, se for, deixa de ser arte. Tudo do lado do avesso.

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2 Responses to “Miscelânia”


  1. 1 mara 26/08/2008 às 13:39

    Assisti e digo: o cara é esquisito mesmo (no que diz e no jeitão mosca…)

  2. 2 ricardo soares 26/08/2008 às 3:02

    a mosca doida a qual você se refere chama-se Fabrício Carpinejar e fala essas coisas todas é pra provocar mesmo…é um poeta de algum talento , filho dos também poetas Carlos Nejar e Maria Carpi.


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