O desbunde entre o Universo e Nós

O tempo não caminha numa linha reta (de A a B). Não, dá voltas sobre si mesmo de uma forma estranha onde, muitas vezes, nos perbemos no mesmo lugar apesar da passagem do tempo. Dizer que o tempo não volta é dizer que o rio não corre. Invariavelmente percebo-me no mesmo ponto em que estive há um ano atrás. É mais um defeito dessa invenção patética; tempo. Há quem diga que tempo não existe no espaço baseado em não sei quantas experiências. Não sou um homem de experiências, simplesmente procuro surfar pela vida mantendo-me em pé sobre a prancha ou caindo e sendo engolfado por ondas que me trituram. Tanto faz. Observo o nascer do sol através da minha janela e me pergunto quantas outras pessoas estarão igualmente vendo a repetição de dias e noites – demostração que Terra e universo desconhecem a vida, que seguem um caminho frio, independente e circular. Sigo como um filme em exibição que, embora possa causar alguma emoção na platéia, não está preocupado com isso…. é apenas película em movimento que se repetirá em várias sessões. E tudo mais é assim na vida, só nós não somos assim e buscamos surpresa, emoção e diversidade  – que nos torna os únicos responsáveis por esses sentimentos. Ou seja, são movimentos antagônicos: o nosso e o da existência. Ainda assim, insistimos em lutar, em amar, em vivenciar amores e ódios – de encontro à simetria absoluta universal. E assim, meu gato pode se dar conta que estou descontente, mas não uma pedra nem uma estrela porque não me reconhecem. Da mesma forma ocorre com nossos deslocamentos entre cidades e continentes – que para nós podem representar surpresas boas ou más – embora ilógicos num planeta redondo e infinito onde sempre voltaremos ao mesmo lugar após uma volta completa (como um relógio – a ampulheta é uma caso à parte). Diante desse novo alvorecer desejaria ter uma garrafa de absinto do meu lado, desejaria não ter que falar com ninguém e, sobretudo, desejo ser esquecido. Mas não existem tais soluções: enquanto estamos vivos somos levados em conta, amados ou odiados. E, como humanos – e não pedras – sofremos ou nos alegramos sem nos darmos conta que estamos sozinhos e com prazo de validade.

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""Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos."
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