Sobre as coisas

No meio do bobó de Camarão eu desbundei. Desbundei e fui pra Pasárgada porque lá (também) sou amigo do Rei. Segui caminhos, trilhas, atravessei desertos e aprendi que os oásis são realmente miragens. Me desfiz num vatapá que minha nega Teresa me preparou com o carinho de quem dá comidinha na boca de um senil e louco. A loucura se me avantajou ou me cresceu ou me diminuiu e eu não entendi o final da história. Fiquei, como Capote, refém de vícios e tantos e tantos babados que a vida me ofereceu. Desci ao Inferno de Dante e não encontrei o inferno, encontrei o raso, o cotidiano. E me desesperei ao perceber que Dante se enganou e morreu acreditando que entendera Antígona. Não. Nada. Passei pelo céu róseo de um amanhecer distante, de uma terra outra que não era esse meu Brasil, esse minha terrinha onde tomo uma pinga em meio aos enjeitados, às tribos que se confraternizam no fim da madrugada num delírio etílico-cultural. Fui e voltei. Fui nequinha porque o Caetano assim o disse e não se discute com poetas (e filosofar só em alemão). Saí na contra-mão de uma história que eu não escrevi, sequer imaginei – era apenas ferrugem no espelho do meu banheiro com suas goteiras indefectíveis. Me envieso por outro caminho, esse mais ‘encruzilhada’ do que antes, esse mais à esquerda (ou será à direita? Não sei). Toalha de plástico grosso e azul escuro, dessas que passamos sempre um pano duvidoso e parecem novamente limpas. Som de carnaval fora de época, gente que requebra e se rende a uma orgia que o tempo já levou há muito.

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