Encontros

Eu o reconheci ontem na porta de um bar de esquina. Estava muito mais velho do que me lembrava dele – mais mal vestido também. Não me pareceu drogado. Tinha um olhar distante, apagado. Me aproximei e puxei algum assunto relembrando o tempo que trabalhamos juntos. Ele sorriu um sorriso triste, sombrio como se não se lembrasse de nada ou, pior, lembrasse mas nada importasse. Troquei algumas vezes de assunto, mas ele não reagia. Perguntei porque estava assim, triste e solitário e ele não me respondeu. Pessoas que se apagam em vida, que morrem sem deitar, que perdem a identidade a força, a coragem de continuar lutando. Seria uma doença fatal? Um grande desgosto amoroso? Um baque financeiro? Não me disse. Ao fim de alguns minutos percebi que ele realmente não diria uma só palavra, não diria nada a mim nem a ninguém porque estava numa espécie de outra dimensão. E trata-se de uma pessoa pública. Comprei, por fim, meu cigarro e voltei para casa, vazio, sem nem me despedir.

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""Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos."
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