Sobre a fragilidade de ser, sentir e demonstrar

Caminhante errante. Sou, somos. Busco o indizível, o sentimento de plenitude como algo aproximado do Nirvana, que, reconheço, não sei o que é. Afasto-me de garrafas deixadas ao relento temendo que uma delas possua um gênio que, por sua formação, me ofereceria a oportunidade de realizar três desejos. E não sei o que pediria (creio mesmo que três seja um exagero de pedidos) Durante a madrugada caminhei em meio a dezenas de enjeitados pela vida que dormiam em folhas de jornais. Vidas que não são, que não reclamam exatamente de seus destinos, certamente mais preocupados com as vozes que assolam suas mentes e espíritos. Por um momento perco-me nessa tentativa de compreender o incompreensível. Melhor: incompreensível para mim que sou um saltimbanco limítrofe diante da finitude da vida. Telefono então para uma amiga querida que perdeu seu pai nesse mesmo dia. Quero me mostrar presente, mas sei muito bem que não estou, não sou e a imperfeição da condolência me faz calar. Deixo-me levar em busca de um lugar à sombra mesmo sabendo que ela é vã. Procuro em mim palavras que façam sentido mesmo consciente que palavras não entorpecem as dores, que palavras são muletas humanas, tentativa mais que imperfeita de expressar sentimentos. Pergunto-me ainda quais são as atitudes corretas a tomar diante de acontecimentos concretos. Não encontro resposta porque não reconheço o concreto mesmo na morte. A morte não é concreta porque ao se consolidar, deixa, ao mesmo tempo de ser, é não ser e não há concretude no vácuo, apenas saudade. Essa mesma saudade é um sentimento quase impossível de se traduzir, a saudade me parece um momento de desorganização absoluta de átomos ou galáxias, quando todos os sentimentos, ao mesmo tempo, rompem o dique do possível e inundam a alma de perplexidade. Sim, insisto em me surpreender à cada instante e, ao mesmo tempo, reconhecer que esse “surpreendimento” é fruto do etéreo desconhecimento característico dos viajantes que peregrinam em busca de algo não se dando conta que a Terra é redonda, com redondos são todos os caminhos.

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1 Response to “Sobre a fragilidade de ser, sentir e demonstrar”


  1. 1 Cochise César 01/06/2008 às 19:15

    “incompreensível para mim que sou um saltimbanco limítrofe diante da finitude da vida.”

    E mão somos todos nós, irmão?


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