Dar pão a quem tem fome

A fragilização do processo ontológico, fruto de uma “modernidade” apressada e não bem compreendida pelas pessoas está causando incapacidade na juventude em perceber a vida e o ser, tais como são. Os jovens não se reconhecem pessoas tais como são e sim numa tribo “diferente” dos “mais velhos”. É bem verdade que essa divisão sempre existiu como um processo da recém criada faixa do adolescente. Mas, com o passar do tempo e o estudo esse jovem começava a perceber o meio e o ser tais como verdadeiramente são e migravam para um grupo (tornando-se adultos) que racionalizava tudo e assim sucessivamente.

Nas minhas atividades com jovens, percebo uma inadequação, não do modo (de ser jovem), mas com um processo que deveria ocorrer em paralelo. A televisão tem uma cota de responsabilidade na história, mas certamente a internet, se mal utilizada, é um tiro fatal no crescimento individual. Quando a formação no – sentido acadêmico – vai sendo deixada de lado em prol de jogos e na pseudo-facilidade que o Google oferecem cria-se um hiato cultural absurdo com o saber (mínimo que seja) necessário ao crescimento. Alguns videntes do futuro já disseram que ‘o verdadeiro saber atual é saber acessar o saber’. Essa “cultura” já vem sendo praticada há dez anos e o que aconteceu nesse período? Nada! E nem vai acontecer se não houver uma guinada firme numa pífia filosofia em prol do verdadeiro amadurecimento. Nelson Rodrigues, indagado por estudantes sobre o que achava da juventude, respondeu: ‘Cresçam, envelheçam”. Essa máxima – que hoje é contada entre sorrisos – é uma verdade profunda para a época em que o escritor a contextualizou. E hoje? Essa frase teria o mesmo valor? Creio que não. Não porque o crescimento não é individual e pleno e sim um crescimento na capacidade de saber acessar o saber. Não se percebe que não somos computadores, não somos internet, não temos um computador grudado no cérebro e, portanto, continuamos necessitando de uma dose forte de conhecimento para ‘andarmos sozinhos’… O e-book não é uma realidade, portanto o que temos de concreto são os livros tradicionais. Desestimular um sujeito em formação à cultura é um retrocesso tamanho que irá alterar a sociedade bem como todo o conceito de humanidade.

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