As mentiras do poder

Ainda busco em meus sonhos alucinados motivos para os acontecimentos factuais à minha volta. Não encontro. Não encontro nenhum tipo de justificativa, de explicação, de racionalização. Vem tudo embrulhado em papel jornal, com grandes manchetes como se houvessem grandes descobertas. Não há nada. Escrevem por escrever, dizem por dizer, afirmam sem certeza. É mentiroso o número de vítimas fatais por dengue. É mentira que a violência ou a fome tenham diminuído. Trata-se ainda de um país que engatinha, um país sem opinião, sem reação. Todas as manchetes falam em CPIs, em meninas atiradas pelas janelas ou em meninos arrastados por automóveis. E se comenta cada um dos casos isoladamente de forma a confundir, de forma a que não se tenha uma visão maior, global da história toda. É a certeza da impunidade, o aviltante conceito dos votos de cabresto e todas as maracutaias que governo atrás de governo promovem e cultuam. Fala-se tanto de um país melhor, mas devem ser ouvidos os cidadãos desse país e não as autoridades (corruptas) ou a imprensa (chinfrim). Gente. Eu queria ver gente falando, gente falando a verdade e não esses miseráveis transportados em ônibus partidários que recebem um sanduíche vagabundo e um copo de suco de nada para aplaudirem qualquer coisa. Promover uma radiografia tosca de uma sociedade onde até a classe média “embarca” (sim, porque se acham o máximo e embarcam!) é tentar jogar areia nos olhos de todos. Procure matricular uma criança em escola pública, procure assistência num hospital público, calcule quanto você paga em impostos embutidos ou assumidos. Perceba a brutalidade boçal da discussão sobre as pesquisas com células-tronco, perceba o racismo, a homofobia, os salários defasados a carência de cultura e de um mínimo de informação verdadeira, coerente. Procure! Perceba como o país anda para trás sempre, perceba que os governos todos se dizem “para o povo” e nenhum de fato tem a preocupação social que deveria ter. Sim, temos que falar de fatos isolados, mas precisamos, antes de tudo, perceber com clareza o tipo de vida que levamos realmente e não o da propaganda enganosa que nos enfiam goela abaixo.

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1 Response to “As mentiras do poder”


  1. 1 Cochise 16/04/2008 às 11:09

    Ora G., “No ar da nossa aldeia há rádio cinema e televisão. E o sangue só corre nas veias por pura falta de opção”

    Quem no Brail não vive de ilusão? De mentira? Quem não busca um escapismo na imprensa chinfrim e sensacionalista para os casaços da vida real?
    Poucas pessoas tem coragem de fazer a análise que deve ser feita. que o problema não é o problema, mas a nossa postura diante dele. A indignação fácil com meninas jogadas da janela nos agrada. É um recalque e uma catarse que nos faz suportar o cansaço mais o tédio.

    Como o governo vai fazer algoo quando o mais importante não é a Política (com o devido P maiúsculo por ser uma área do conhecimento) e sim a governabilidade, a administração de escândalos, a construção de alianças, a manutenção de uma imagem pública superficial para que as campanhas que nada mais fazem que vender o candidato como se fosse uma cerveja ou um carro sejam vencidas?
    Se os programas de governo são peças de marketing e não um programa de governo, muito menos um projeto de Brasil….

    Ahhh a lista vai longe.
    O que me irrita com a política (com o devido p minúculo de ramo da ativadade profissional) é que tanto na esquerda quanto na dirteita nada masi se faz que manipular massa. Não se pensa, se planeja, não existe discussão teórica e muito menos é botada em preátivca um modelo de po´litica voltado para um projeto de Brasil e a emancipação do povo.

    boa sorte com sua indignação que não acorda o vento ou levanta a aurora.
    É a mimnha também.


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