Verdades frágeis

Fui ao mosteiro ouvir os cantos gregorianos de domingo. Muito bonito. Interessante e moderno (sim, isso mesmo!). Na paz do monastério você se perde em si mesmo, descobre coisas que vêm do fundo do ID e da alma, percebe como a vida agitada nem sempre é a melhor e dá vontade de ser monge (ainda que ateu). Porque é preciso entender a questão do recolhimento independentemente da religiosidade como a falta de gravidade independente da falta de oxigênio. E, se a vida é fugaz, por que não conhecer todas as coisas à nossa mão? Por que ser preconceituoso se esse preconceito se perderá no tempo e no espaço, não será uma “herança”? Aliás, nem com isso eu me preocupo. Não deixo herança nenhuma a não ser a lembrança de mim mesmo a meus amigos e inimigos. Sim, tenho muitos amigos e não propriamente inimigos, mas pessoas que, por trás me fazem cara feia. Essas coisas não me interessam em nada. Resta a perspectiva de uma vida diferente, não rotineira, uma expectativa de perceber no grão de areia a imensidão do deserto ou numa estrela o suplício da dúvida. Leio uma matéria no jornal relatando que cientistas concluíram que não existe vida em nosso sistema solar. E isso lá é notícia? O que é o nosso sistema perto do universo grandioso? E o que entendem por vida? Um homenzinho verde de olhos grandes! Os jornais perdem tempo publicando besteiras, ocupando espaços para que seja mantido um certo ócio dos jornalistas que não querem ver as crianças morrendo de fome e o desastre das megalópoles. Pois estava ouvindo o canto gregoriano e pensando no universo e nessa bobagem de vida no sistema solar. Aqueles frades cantando com seriedade, fé e um certo amor são muito mais importantes do que cientistas e jornalistas que correm atrás do “nada”. E, invariavelmente, prefiro conversar com mendigos loucos do que com empresários bem sucedidos. Se me acham maluco ou não, se acham que estou fazendo tipo ou não, é problema de cada um e não meu. Meu único compromisso é ser honesto comigo mesmo. Todas as verdades, meus caros, são frágeis e mudam como as nuvens ao vento.

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2 Responses to “Verdades frágeis”


  1. 1 prima 24/03/2008 às 0:42

    Além do que, já temos tanta realidade paralela para nos atormentar…

    Pra quê se preocupar com o além lua se o além túnel é logo ali??

    “the lunatics are in my mind…”

    bjs, primo.
    Bom conhecer um pouco mais d’ocê.

  2. 2 Mr. Almost 23/03/2008 às 20:30

    Isso é que foi um belo dia de aniversário, cheio de pensamentos interessantes e de cânticos gregorianos!

    Um brinde à vida e, sim!, a esta vida – a terrena e terráquea: txin-txin! Parabéns!


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