Jota Efegê

Existe um momento. Existe um momento em que estou nas encruzilhadas da vida. Das muitas vidas. Do sonho que se parece vida e da vida que parece sonho. De lá pra cá e de cá pra lá. Nesse momento, estimulado por um amigo, estou na placenta de um Brasil miscigenado e malemolente, de cores e sons, aromas e gostos. Um Brasil plural. E reconheço que não tenho olhado as coisas por esse prisma, tenho focado elementos estanques que me agradam ou me desagradam. Talvez, em busca de uma cultura num sentido mais amplo tenha me internacionalizado demais. Por outro lado, é necessário. Se não me atenho a esse Brasil multifacetado é porque a globalização está presente em cada passo, em cada pensamento ou informação. E o clássico não se resume a Machado de Assis. Ganhei de presente dois livros de uma amiga. Livros que já tive, li e adorei, mas que, nas minhas várias mudanças se perderam. Pois bem, os tenho novamente: “Figuras e coisas do Carnaval Carioca” e “Meninos, eu vi” de Jota Efegê. Trata-se de um sábio genial porque consegue ser simples em sua narrativa, visão, em suas observações. “Meninos, eu vi” é uma aula de crônica, de jornalismo, de emoção. Trata desde o cinema americano até as festas da Penha. Com sua gravata borboleta, Jota Efegê, corajosamente, abriu caminhos (como o fizeram João do Rio, Antonio Maria, Paulo Mendes Campos e tantos outros) árduos, caminhos não aventurados. Hermínio Belo de Carvalho me mostrou orgulhoso, em seu acervo particular os óculos de Jota, do Mestre. Eu era meio ‘criança’ ainda e talvez não tenha dado àquilo seu real valor. Aliás, eu conheci muita gente, passei por muitas pessoas e situações sem ter ainda a noção da importância de cada momento, de cada coisa que me foi revelada. Sempre sonho e me imagino retornando a momentos da minha adolescência com a visão de mundo que tenho hoje, sonho fugaz e impossível. O tempo é meu devedor. Por isso minha eterna angústia com a aridez “pós moderna”, com os dias de hoje, com a falta de coragem dos que não colocam suas caras à tapa em erros e acertos, mas sempre em produção. Acho mesmo que é chegada a hora. Se não queremos viajar para os clássicos da Humanidade, que nos debrucemos sobre nossas velhas repúblicas, nossa História, nossos movimentos, nossos parangolés, mistura nativa e influências de tantos povos, tantas culturas. E acrescente Jota Efegê.

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