Isso aqui devia se chamar Incompletudes

O terreno espacial é de trovoadas e chuvas ácidas. Chove canivete, mas ando de capacete (frágil). Me refugio nas tentativas de ter idéias e escrever alguma coisa que fale algo de mim e dos outros. Confesso que não tenho conseguido diante da minha desordem espiritual, do bloqueio súbito dos meus dois neurônios. Quero seguir em frente, num caminho ou estrada, mas rendo-me ao metafísico (que sou). Minha parede mágica me diz que devo perseverar e me preservar (como?). Minha parede mágica gosta de me pregar peças, é um oráculo chinfrim que me orienta por metáforas. – E eu detesto metáforas – Portanto, alguma coisa me impulsiona (não sei realmente para que lado) e vou deixando as coisas me levarem. Se é proveitoso ou não? O tempo dirá (maldito tempo! Abri guerra com o tempo.). Resta-me entender os silêncios, os que me abandonaram no meio do caminho e concordar que, se o fizeram está bem feito. Nenhum rancor. Afinal, quem não me tem apenas está perdendo (calma, é brincadeira). O coração bate em descompasso, as idéias se misturam criando uma forma incompreensível e eu deixo tudo de lado e trato de olhar apenas para dentro de mim (e não para meu próprio umbigo), trato de buscar em mim as respostas que procuro no éter. Possivelmente, eu sou o éter. Sou fluído, sinapses seriamente comprometidas e olho para trás e vejo uma estrada longa, a perder de vista. Para a frente não vejo nada, vejo minhas emoções e meus sentimentos baratos e folhetinescos. Talvez seja isso mesmo, eu seja um barato folhetim. Muito provavelmente a discussão que travo comigo mesmo me ocupe e desvie a atenção do que está fora, do que é passageiro, do que é pleno em idiossincrasias muito embora eu sofra das mesmas. Tenho a impressão de que sou mais velho, que existe um colapso no calendário. Aliás, também tenho pavor de calendários. Passei numa pastelaria e vi um chinês risonho fritando pastéis e fiquei pensando: Por que eu cismo de querer ousar? Por que eu não sou um ‘fritador’ de pastéis que deliciam as pessoas? Por outra: o que estou fazendo de verdade? Qual é a minha real proposta e o quanto ela pode ser viabilizada? Porque de boas intenções o inferno… vocês sabem. E ter a pele curtida de um vendedor na praia de mate Leão? O que me diferencia dele? Quem disse que eu sou o que acho que sou? Quem? Falta-me objetividade e consciência de minhas metas (e eu tenho metas definidas? Não!) O céu azul me olha e aguarda que eu saia à rua, receba seu calor, sua energia, sua demonstração de poder através do calor (e mesmo o sol sabe que vai se apagar tal e qual como eu…) E o intelecto, onde fica? Se o corpo e a estrutura emocional não seguram mais, resta-me tentar o intelecto (para ver se ainda sobrou algo dele ou se alguma vez existiu). Sou náufrago e sobrevivente, sim e não, dia e noite, proposta e decepção. Sou o Ermitão num tarot pós moderno, estraçalhado, carcomido. Sou, como ela, a incompletude.

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2 Responses to “Isso aqui devia se chamar Incompletudes”


  1. 1 G 03/03/2008 às 22:44

    De acordo, Almost…. ela é bem melhor

  2. 2 Mr. Almost 03/03/2008 às 17:34

    Sem desconsideração para o senhor e se me permite, “ela” é bem melhor…

    Ei, Geraldão, você está meio mórbido, jovem! Os seus dois neurónios andam pensando demais, sabia?

    O importante é ter os pés no chão e ainda assim conseguir vestir as calças. O resto vem naturalmente. Se anime!


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