Fábrica de biscoitos de ar

A realização não se dá no geral. Ela é parcimoniosa. Detesto coisas que vêm aos poucos, com parcimônia. Quero ter inteiro, me dar inteiro, ir de vez, de cabeça. O mundo é político e eu não sou. E não sendo, não participo ativamente desse mundo. Não me desagrada ficar de lado, meio à margem. Sempre vivi à margem. Tenho certeza de que sou marginal em todos os sentidos (menos em fazer mal às pessoas). Fico tentando me definir e, conclusivamente, não consigo. Não queria dar uma satisfação aos outros, queria me convencer, dizer: olha, você é assim. E não consigo nem isso. Uma pergunta ronda meus pensamentos obscuramente: por que existe o dia da mulher e não existe o dia do homem? Já não está tudo equiparado, já não acercertamos os ponteiros? Parece que não. Eu homenageio as mulheres diariamente (desde muito jovem!). E por quê uma data específica?? Se eu fosse mulher, seria radicalmente contra um dia em minha homenagem, como existe para um santo qualquer. A mulher é um santo desses de alfarrábio? Não sei responder (ou melhor: sei, mas não quero falar). Ontem eu caminhava, após um dia exaustivo de trabalho e muito tenso e pensava nisso… Por que?

Queria transcrever pensamentos de autores que admiro, mas tenho preguiça. Tenho uma preguiça do tamanho do mundo (Macunaíma é patético perto de mim!). Ao mesmo tempo, uma vontade insana de realizar me consome como um fogo interno. Na verdade, eu não existo, eu sou produto das minhas parcas realizações. Não sou uma pessoa, sou uma obra vulgar. Adoro escrever, mas não tenho conseguido escrever posts longos. Minha inquietude trava uma linha de raciocínio minimamente coerente. Escrevo fragmentos. Idéias e considerações fluídas, que se perdem no éter. Eu sou esse próprio éter. Talvez eu não seja o que fui nem o que serei. Sinto-me como uma assombração que se apresenta a mim e aos outros. Claro que não assusto ninguém, sou um fantasma banguela. Talvez devesse estar continuando a leitura da biografia de Silvia Plath, talvez devesse estar lendoMolloy, de Beckhett. Não tenho, entretanto, ânimo para nenhuma empreitada. Quero dormir um sono mínimamente razoável. Amanhã tenho que falar muitas coisas (que não tenho medo), mas me soam desagradáveis. Por outro lado, talvez amanhã eu seja outro. Sim, é verdade, eu mudo quase sempre (por isso não sei de mim). Não vem ao caso. Uma coisa de cada vez e todas as coisas ao mesmo tempo! Quem terá a responsabilidade de julgar? Sou uma fábrica de biscoitos de povilho

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