3 Poemas lindos de Geraldo Carneiro

Olha que bacana. Três poemas lindos do Geraldo Carneiro para o programa Comentário Geral:

O primeiro:

Pensou que a vida fosse um jardim de audácias.

Audácia não era nome de flor 

O segundo se chama fortuna crítica, e diz: 

Sonhou sonhos de poder & glória.

Pavoneou-se, espalhou jactâncias

Pensou que era um profeta angelicaos

O penacho como um sol de solidão

No céu dos deuses marginais;

Foi morar num palácio do Parnaso

Entre líricos & burlescos,

Num penthouse pra lá de suas posses:

Não passava de um novo-rilke 

O terceiro se chama juízo final, e começa assim: 

Amou três ou quatro sereias, sempre

Marinheiro de primeiro naufrágio;

Jurou em falso, disse meias verdades;

Perambulou em busca do sublime

Sem nunca descobrir o Santo Graal;

Andou atrás de um deus que fosse cômodo;

Como esse deus não se desencantasse,

Cantou a lua e outras deusas inconstantes;

Refratário às ciências, desconfia

Que o Sol gira ao redor da Terra, e o homem

É um animal fadado à extravagância;

Às vezes sofre acessos de grandeza,

Supõe-se demiurgo e pandemônio,

Mas o mundo sempre se rebela

Contra suas mal fundadas esperanças

E o reduz à sua insigne insignificância

 

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2 Responses to “3 Poemas lindos de Geraldo Carneiro”


  1. 1 Urban 04/08/2007 às 14:56

    Gostei muito do primeiro … É tipo um hai-kai!

    ;)

  2. 2 Cantábile 03/08/2007 às 22:59

    REalmente são belíssimos!!!!
    bjs e bom fim de semana.


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"É-nos impossível saber com segurança se Deus existe ou não existe. Por isso, só nos resta apostar. Se apostarmos que Deus não existe e ele existir, adeus vida eterna, Alô, danação! Se apostarmos que Deus existe e ele não existir, não faz a menor diferença, ficamos num zero a zero metafísico" Albert Camus

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""Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos."
Nelson Rodrigues

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