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Por qué non te callas? ou Vai Passar

Lula continua cometendo gafes, descortesias, proporcionando um show de asneiras terceiro-mundistas (como a história dos banqueiros de olhos azuis – (ao invés de calar-se – rs) porque ele, Lula, é povão, vem do povo, no que ele tem de pior, pior sentido. Esse mesmo povo retrógrado que elegeu essa opção de esquerdinha barata, tola, ultrapassada, parceirinhos do Chavez, propagandistas das Farc, do MST, de tudo o que é ilegal, o que é combatido no resto do mundo, PUM, PUNZINHO do mr-8… Essa gente que aparelhou o estado de uma forma quase stanilista…

Putz… Falta pouco para a festança de despedida… SIM!  Vai passar

Essas coisas

A conversa de ontem no grupo de discussão on line do Yahoo foi sobre a fragilidade, incoerência e um excesso de tolice dos blogs (poucos, graças a Deus) que se arvoram denuncistas, patrulhetas de uma esquerda que morreu e esqueceu de deitar…

Essa discussão vinha rolando há alguns dias, mas ontem (salve!), optamos por parar, por mudar de assunto. A conversa tomou rumo inverso: “A Elegância do Ouriço” de Muriel Barbary. A capacidade de ser singelo é muito mais árdua que a de ser agressivo, concluímos.

O arcebispo está mais do que certo!

“Ora, ora, minha senhora! Faça-me o favor!” As pessoas fazem, fazem e quando chega a conta reclamam com olhares e frases angelicais sobre o que acontece que é reflexo de suas próprias ações.

A QUESTÃO do momento são as invasões do MST. Mas de onde vem esse MST? Do povo! Até muito pouco tempo atrás era chic ser um partidário do MST “em favor dos desfavorecidos”. Claro que o tal Stédile é um bandido de boa cepa e o José Rainha (seu braço direito) idem. A classe média vai e apóia esses bandoleiros e seus seguidores (lembrem-se de quantas vezes o Lula apareceu com boné do MST, de quanta propagando da turba ele fez antes de ser eleito). O que ocorre agora? Invasões generalizadas, assassinatos, desvios de enormes somas de dinheiro do governo (dinheiro meu e seu) para o MST. E o que se faz? Nada! Cadê o Exército??

O ARCEBISPO DOM JOSÉ RIBEIRO SOBRINHO está absolutamente certo de excomungar médicos, enfermeiros, maqueiros, a família da garota de 9 anos que, estuprada pelo padastro, engravidou de gêmeos e que fez aborto. Ora, pra quê tanto “espanto”, tanta “revolta” em relação à decisão do Arcebispo?? A igreja católica é mais uma seita que existe por aí. Enorme e milenar, é verdade, mas ainda assim, uma seita. O Brasil é o maior país católico do mundo! O povo… covardemente, apenas para dividir as agruras da vida com alguém, acredita em deus e sequer pensa na lógica filosófica do existencialismo e do ateísmo ( que são os únicos preceitos lógicos). Então, ao juntar-se a uma seita é preciso aceitar suas leis. O tal pastor que andou chutando a imagem de uma santa católica errou muito menos do que se diz, na medida em que, para sua seita, aquela imagem não representava nada. O arcebispo excomungou quem fez aborto porque ABORTO É CONTRA A LEI DA IGREJA! Então o que esse camarada fez? Aplicou a lei da sua igreja (que é mais do que conhecida por todos). E aí vira festa: todo mundo esculhamba, todo mundo entra se em crise, se choca, etc. Mas essas mesmas pessoas (de percepção cognitiva claudicante) sabem muito bem que a pedofilia é prática comum entre padres bem como homossexualismo, taras, etc etc etc. Alguém reconhece que esses homens não podem representar deus? Alguém aceita minimamente discutir sobre a viabilidade desse deus? Não! Então… não reclamem. O Arcebispo está certo!

As Culturas… e a falta de cultura

Porque esse texto aí embaixo, não é tudo, é o início de uma miscelânea contintinental, uma confusão atávica provocada pelos primeiros colonizadores. Vejam que até o Artur da Távola (Paulo Alberto) quando foi Secretário de Cultura mudou o nome da pasta para Secretaria das Culturas. Essa discussão já rolou várias vezes aqui. Fica essa coisinha tola, de intelectualzinho (adorava o Paulo Alberto, mas preciso discordar, coisa que fiz pessoalmente) querendo rever tudo como se cada coisa fosse uma cultura. Jongo é uma cultura, ópera é outra cultura, maxixe, outra e por aí vai. Isso é mais ou menos perdoar é tentar abafar a falta de cultura de cada um, de cada coisa. Claro que antes fui ao Houaiss ver se estou falando besteira e, segundo o Filólogo, sim, tá errado, sou uma besta. Não me interessa. Me interessa um raciocínio lógico e não ficar apaniguando a estupidez da raça. Portanto, é uma briga somente minha, aquelas coisas quixotescas que, eventualmente acontecem.

Então temos a cultura oriental, a cultura ocidental e dentro, temos ainda: a cultura do Brasil, a cultura da Venezuela, a cultura da África e dentro da África temos a cultura de Angola e assim por diante.

A literatura clássica, por exemplo fica perdida nessa pataquada porque ali (seguindo o raciocínio) não é uma cultura, mas cultura do país de cada escritor…

ler Dostoiévski não é cultura, é cultura russa, ler O Paraíso Perdido igualmente não é cultura, é cultura inglesa. Ou seja, uma pessoa medianamente informada, lida e viajada não pode ser chamada de culta e sim de um catalizador de culturas (e será sempre um fracote porque não conhece, por exemplo, a cultura javanesa). E, ao mesmo tempo, uma pessoa que seja criada e viva toda a vida entre os índios será um ser com imensa cultura aborígene.

De uma outra forma: uma família de posses quer educar seu filho. Para isso paga viagens, intercâmbios, preceptores, etc. O infeliz vive 3 meses em cada cidade do mundo, lê e ouve todos os clássicos, se empanturra de poetas, filósofos e o diabo a quatro, mas… veja: ele desconhece a cultura do Congo e, portanto, não é culto (no sentido amplo da palavra). Ou seja: não existem seres humanos absolutamente cultos, existem pessoas que conhecem “alguma coisa”.  A pluralidade humana impede o saber, especializa pessoas mas, em momento algum, garante que todo o estudo, toda a pesquisa credite uma pessoa a ser (razoavelmente) bem informada e culta.

Das bobagens da net

tem umas coisas que a gente vai fazendo pela vida sem pensar, sem procurar saber se são coisas “certas” ou coisas “erradas”. na maioria das vezes eu vou pelo lado “errado” o que bem demonstra que esses conceitos são absolutamente pessoais, que regras, definitivamente, não existem. já andei rabiscando por aqui sobre isso, sobre regras e leis que as pessoas fazem à seu bel prazer para aplicar nos outros. e olha que um número enorme de gente – a grande maioria – cai nessa e vai sentindo-se culpado à cada peidinho que solta como se o intestino fosse uma bola de encher (rs). e digo isso após uma leitura breve em cinco ou seis blogs onde escrevinhadores vão colocando suas vidas em trilhos alheios, vão elogiando e criticando ações do próximo, vão dizendo que “são espertas”, que não caem nisso ou naquilo. por isso eu acho confuso quando um  blog vira matéria de jornal de outra blogueira – como se virar matéria de jornal fosse alguma coisa muito especial, um mérito, como se a autora do blog estivesse sobre todas as coisas… não está. se determinada criatura tem um blog e uma coluna em jornal e utiliza esse espaço para falar de um blog, das duas uma: ou está sem assunto ou gosta ‘particularmente’ do blog citado. tudo bem, é um direito de cada um. hoje fazem até filmes sobre blogs de gente que não tem a menor importância. tudo pode. o triste da história é que você vai no “material bruto”, no blog mesmo e encontra pessoas vazias, ressentimentos, ódios, “espertezas”, críticas e toda a sorte de bobagens que a publicação imediata permite. eu até leio e fico meio assim, sem saber muito o que dizer. resta-me então criticar, me entristecer quando escrevinhadores não sabem que têm um papel social sim, que escrevem para as pessoas lerem sim e, de certa forma, são formadoras de opinião… contra ou à favor. bom, eu nem ia falar nisso…

O meu DUPLO

Grandes confusões por causa de um convite que fiz a K. Na verdade tratava-se apenas de um degrau para ela tornar-se a maior estrela de cinema de todos os tempos. O talento e a beleza da menina (vejam seu template novo!) são inegáveis. Mas já mudei de idéia. Ela nem precisa de nenhum “degrau”. Tenho certeza de que produtores gigantes do mundo inteiro devem estar de olho, aguardando a hora certa.

Agora é verdade que meu OUTRO/DUPLO (porque todos nós temos um duplo em algum lugar, certo?) em São Paulo fica de artimanhas maldosas para demover a bela. O motivo é simples: ele vai ficar em São Paulo e tem pavor que a K. venha para o Rio.  Fica, pois, a dúvida, o mistério, o silêncio dos inocentes…mas tem gente que vai para o Pantanal e quando o caditado a gato sai, o rato faz a festa, ditado conhecido por todos…rs

DELETEI UM PARÁGRAFO QUE PODIA INSINUAR O QUE NÃO É. MINHAS MADRUGADAS COM K. SÃO EXCLUSIVAMENTE PARA DEBATES LITERÁRIOS.

Para a frente a qualquer custo

Buscar novos caminhos é, ou deveria ser, uma prerrogativa do homem. Porque existe sempre a possibilidade (bem mais fácil) de ficar parado, observado nasceres do sol. Na verdade, o homem que se coloca passivamente diante da vida é cômodo para a sociedade. Não fazer e, muito menos, dizer é tudo o que os outros esperam dos seus pares. Mas não é de graça: a beligerância existente em cada um, atávica, faz a roda da humanidade girar. Tal como a corrida espermatozóides, a corrida durante a vida é igualmente dura, incessante e abster-se dessa competição é morrer a pior das mortes. A competição está enraizada em todas as nossas atitudes, pensamentos, ações. A competição não é apenas com o outro, é igualmente conosco. Se um dia faço um determinado produto, no dia seguinte desejo fazer melhor. Se ganho algum dinheiro, desejo ganhar mais. Se descubro o amor, quero ser para sempre um “amador” e por aí vai.

É, portanto, um engano acreditar que a morosidade, a reclusão e a falta de iniciativa podem trazer algum bem. Trata-se de um engodo da famigerada religião católica-cristã que desde tempos imemoriais represa o homem em tudo o que ele tem de bom, em tudo o que ele é capaz de fazer e revolucionar. Não existem apenas grandes revoluções, mas uma eterna e incansável revolução diária em todos nós, dessas revoluções que nos fazem andar para frente, para trás, para os lados, mas caminhar sempre em busca do que, por fim, chamamos prazer (pedra filosofal?). Negar essa possibilidade é cometer suicídio errante, desses que a gente comete, mas não morre.

Revista Brasil, a missão

Hoje, domingo, às 17 h. na TV Brasil foi ao ar o segundo programa da série Revista Brasil com minha direção (uma criação e supervisão do Ricardo Soares). Não posso deixar de dizer que o Ricardo não somente criou o programa como me ajudou demasiadamente (foi meu parceiro) a realizá-lo. Foram muitas discussões de criação, uma “faz e refaz” sem fim, mas o produto ficou pronto (e me sinto muito orgulhoso e tenho certeza de ele também).

Trata-se de um programa novo, moderno com enorme conteúdo e profundo senso de estética. Um programa sincero e, de certa forma, “sofrido” para encontrar um ponto de maturação. Foram noites insones, angústias e alegrias que percorremos todos: ele, Ricardo, eu e toda a minha equipe que comprou essa briga (se eu citar nomes, serei injusto com alguém por esquecimento). Ser novo e moderno não é muita coisa porque sempre existem pessoas boas criando coisas novas. Não. É importante porque é um produto completamente diferenciado do que se assiste na televisão e ele é próprio da Tv Brasil, uma TV Pública que nasce, apesar dos meios de comunicação e crítica não darem o valor, não anunciarem, não se manifestarem. Talvez a TV Pública não tenha ainda setores competentes para a divulgação, não sei. O tempo dirá.

Mas isso não vem ao caso. Um programa, se for de interesse público, se buscar sempre um viés de diferenciação, irá cativar as pessoas de uma maneira ou de outra, nem que seja no “boca a boca”. O barco foi lançado ao mar. As velas se enchem de vento e nos fazer singrar, ir adiante. O tesão é indescritível, desde o criador, Ricardo, até o mais novato estagiário. Estamos todos querendo fazer mais e melhor. As adversidades são enormes, indescritíveis, mas não creio que nos façam retroceder ou diminuir a vontade.

Vamos em frente!

Resistência

Um movimento inteiro deixado de lado. Essa a realidade que me dói, constrange diante do inevitável passar desse tempo de nuvens carregadas, dessa impossibilidade frugal, enfrentamento e tentativa de destruição ao quiosque coberto de palha seca numa ilha paradisíaca. Por outra, uma certa visão do mal, do desastre que não se anunciou, da mudança radical tomada emprestada de uma visão deformada e deformante da filosofia barata. Aparente fim de jogo, aparente tentativa de desmobilizar o que é, o que construímos em tão poucas gerações… Sou esses pensamentos insanos que tomam corações e mentes frente às nuvens negras que prenunciam um tipo de morte não anunciada.

Caminho por ruas conhecidas, eu mesmo com uma visão desconhecida, de estranhamento diante de um certo lamaçal orgânico que destruí já na minha juventude e agora reaparece como um fantasma que se pretende assustador, mas é apenas uma pálida tentativa de retornar ao anteriormente restabelecido que todos nós, ainda muito jovens, atiramos na lixeira da História.

O que se busca então é a retomada das conquistas e a manutenção do lixo nos aterros. O que buscamos é a revolta diante de tantos políticos corruptos, da polícia corrupta e assassina, da fome, da falta da Educação e da Saúde para esse povo pobre e sofrido. Somos o que restou da guerra suja, somos a Resistência última, a tentativa matuta de reinventar um passado de lutas já inventadas. Deveríamos ser as sentinelas atentas contra tudo o que de execrável insiste em reaparecer, retomar. Somos a semente da mostarda, o filho pródigo que se recusa a crescer numa sociedade fútil e vagabunda.

O que é o MST?

Além da anarquia generalizada, alguém sabe dizer que o MST pretende realmente (súcia chefiada pelo Stédile)?

Confesso

Eu vou contar depois porque está uma barafunda minha cabeça com a quantidade de livros que estou lendo ao mesmo tempo já que não me resta espaço na agenda para ler um de cada vez. Mas é delicioso o “Verdes vales do fim do mundo” de Antonio Bivar (que li há tanto tempo atrás que praticamente não o reconheço).

Igualmente, mas agora novidade mesmo pra mim é esse do colombiano Fernando Vallejo com seu “O despenhadeiro” Punk. Desses livros que a gente não larga, que a gente se sente meio dentro dele, personagem do personagem, não levando, mas dando socos em estômagos fúteis. Imitação de uma espécie de percepção coletiva niilista latina (que é diferente das outras). A poesia da dor e da Aids que não existe, porque a Aids, como ele diz, é o passar dos anos da vida. Ah, Colômbia, ah, minha América tresloucada, travestida de região onde moramos todos nós, índios e descendentes de europeus da pior espécie. Por que não nos deixaram índios, porque não nos aproximaram da África de maneira diferente de forma a que aprendêssemos ao invés de escravizarmos?! Êta continente inconseqüente que pariu essa nação partida de loucos, de covers, de maiorias que sentem-se minorias, gente louca, com pimenta, mas sem destino, sem radar, gente que se reproduz e esses meninos de onze anos nos assaltam e nos matam em troca de um celular… Afinal, quem sabe da verdade, quem distingue a loucura, quem são os médicos e quem são os pacientes, ma fala meu Deus, mesmo a mim, esse ateu confesso que é justo contigo, que não te engana.

Sempre o Imposto de Renda!

A noite e madrugada de sexta feira tinham sido interessantes, muito papo descontraído, muita gente rindo e brincando como se o mundo fosse acabar ali ou se já estivéssemos num Paraíso Terreno. Nada de grandiloqüente, mas dessas coisas comezinhas da vida que, tão simples, nos enchem de alegria. Na volta para casa olho minha caixa de correio: duas cartas que, à princípio me pareciam extratos do Banco do Brasil. Abertas me deram vários socos no estômago: mais uma vez, o famigerado Imposto de Renda me cobrando onze mil reais a serem pagos em, no máximo, três dias. Onze mil reais! Agora de onde se tira onze mil reais quando você é um brasileirinho mal pago, desses que vive de salário contado e cumpre todas as suas obrigações?! As cartas não são explicativas, dizem que você pague ou procure uma agência da receita federal (o que já fiz no passado) e eles, com profunda leniência e má vontade afirmam que você está errado, que você é sonegador, que você não presta, que você é bandido e pária da sociedade, que você está lesando os cofres da sacrossanta ordem de um país onde não existem ladrões. Corro a olhar as declarações do ano que eles cobram e tudo me parece direito, em ordem, sem rasuras ou qualquer inverdade! Converso com algumas pessoas e todas – algumas já passaram por isso – me dizem que não tem solução, que v tem que ir lá e pagar, mesmo que façam uma espécie de crediário, que parcelem, mas você tem que pagar! Olho novamente toda a papelada. Deus! Parece tudo tão certo, números e valores correspondentes, cálculos que são feitos on line, que o próprio programa da receita disponibiza na internet!

Repito, já fui lá uma vez e não souberam me explicar nada, são uma bestas! Te tratam mal, como a um ladrão safado (como se todos os empresários e políticos e todos os ricaços não dessem um “jeito” de dar a volta por cima!) E Falam de 2003 (!), cinco anos atrás quando eu não lembro nem o que almocei há dois dias! É um absurdo: descontam no teu pagamento mensalmente uma quantia (alta) de imposto de renda. No final do ano te mandam pagar mais ( e você paga!) e depois, cinco anos depois te mandam uma fatura de onze mil reais! E se eles realmente analizaram tuas declarações e comprovantes, sabem muito bem que você não dispõe de onze mil reais, que não dispõe de merda nenhuma porque você é um borra botas, um mero assaliadozinho que se equilibra pra pagar os cartões de crédito (que gastou em refeições). Olha…. ser brasileiro realmente é qualquer nota ( e nota preta!)

Dialogar com os mortos

Entro e saio por determinadas portas que me levam a outras. Labirinto que reputo à própria alma e não a uma realidade improvável. Claro que estou lendo as mensagens que chegam a mim de formas imprevisíveis, misteriosas, de formas que me induzem a não acreditar em nenhuma delas (como as oníricas) muito embora saiba que, sim, são verdadeiras e têm endereço certo. Meu endereço! O salto agulha não chega a me dizer muita coisa depois que a vi descalça. São os movimentos independentes, esgares e ritos de prazer que não me impressionam, que recebo com a naturalidade de quem já viveu processos semelhantes (embora continue me surpreendendo com tudo). São impressões vagas como bruma rala, como cenário de papelão, como uma existência fake mais ou menos à partir de um script velho e mais do que decorado. Scripts velhos não deixam de emocionar e surpreender (como bons livros e bons vinhos). Esses personagens (quase folclóricos) que me aparecem do nada devem ter uma ligação profunda com um mundo imaginado, um mundo em que acreditamos, embora não apareça como realidade vivida – e comprovada.

Decido então seguir em frente e atirar com minha arma de bolas de sabão, munição que, ao atingir os mortos, ressuscita-os. Meus mortos são de cera como no museu, não são realmente mortos porque em vida não se pode entender a morte. Se os mortos são os outros, então não são verdadeiros mortos, apenas “deram um tempo” porque a morte é um privilégio meu (e de cada um). Se reparamos bem, percebemos que os ditos mortos continuam nos falando, conduzindo, induzindo. E, para muita gente, podemos também estar mortos, o que me parece natural. De todo o modo, dependendo da situação, estamos vivos ou mortos e só não pensarei mais assim quando, de fato, eu estiver morto. Cremado. Creio que posso vivenciar apenas o momento da situação imediata, de uma realidade que se imponha a mim sob qualquer forma, qualquer explosão que me faça (a todos nós) saltar de um ponto ao outro na imaginação ou nessa possível matrix.

Bastidores de TV

Em meio a uma reunião rotineira de trabalho, uma companheira de trabalho começou a gritar para defender sua opinião – que, por sinal, no meu entendimento - era desapropiada.  Houve um período há mais ou menos trinta e cinco anos atrás que “gritos” em televisão eram aceitos e acatados. Hoje, não representam nada, apenas mostram o desequilíbrio a que o estresse nos leva diariamente. Na verdade isso não importa nada. Cito o exemplo apenas para falar sobre o que entendemos sobre ética e estética nos meios de comunicação. Desconsiderando o estresse, quero saber o que se pensa realmente sobre a possibilidade de influenciar milhões de mentes. Vejamos: temos um meio de comunicação poderoso, sabemos que as pessoas assistem e criam situações análogas ao que observaram para suas próprias vidas. A verdade é que a televisão ainda não é – e está longe de ser – um meio de comunicação democrático, que permita a interatividade pessoa/mídia. Falam muito nisso, a classe média que sonha o que não existe (vai existir, é claro). O que existe hoje é um arremedo de boas intenções (tais como o inferno está lotado) de televisões que se propagam como sendo destinadas a atender aos anseios do povo. O que há de verdade e de mentira nessa afirmativa?

Fiz uma edição nesse texto porque usei expressões inadequadas ao me referir a uma colega de trabalho (e amiga), embora em nenhum momento tenha pretendido ofendê-la, mas realmente às vezes “pego pesado” nos termos usados. Desculpe sibceramente (você sabe quem é)

Padre gaiato

No prédio em frente, preso por cordas, um operário vai descendo rente à parede. Só de me imaginar naquela situação fico suando frio. Mais de dez andares! O que faz uma pessoa escolher profissões assim? Eu sei, a necessidade, a fome. Certamente não é escolha dele (como a do padre gaiato de viajar pendurado em balões de festa de aniversário). Esse homem aqui está pendurado numa corda. Desce numa espécie de rapel, com os pés apoiados nas paredes externas do edifício. D-u-v-i-d-o que ela tenha participado de qualquer curso ou orientação profissional pra fazer isso. Esses homens – pobres homens – são movidos exclusivamente pela fome e pela noção absoluta de cidadania (ou virariam bandidos). Fico olhando e me perguntando: quanto ganham para fazer o que fazem? Afinal, não passam de operários. Gente sem rosto, sem voz, sem direitos… E se ele se machucar? Como será tratado num hospital público? E se ele morrer? Quem paga o enterro, quem sustenta a família (certamente numerosa por falta de educação sexual e geral)? Enfim, pobres homens arriscando a vida e a saúde diariamente no limite do tolerável para levarem, de madrugada, pão para dentro de casa. Enquanto isso, aquele imbecil daquele padre fica fazendo gracinha. Morreu? Certamente… Com certeza – de maneira inibida - era um suicida. Mas eu me interesso muito mais pela vida dos operários do que a vida desse padre.

Não, não é uma questão de desumanidade. É não gostar de bater palmas pra maluco dançar. 

Dos feriados loucos

São dias em que não nos ensinam se devemos ser bacanas ou mal comportados. Esperam uma atitude, sei que esperam. Todo mundo espera uma atitude do outro, bem ali ao lado. Mas a mídia é quem dita qual o comportamento que devemos assumir diariamente. Eu assumo vários e sou pouco influenciado pela mídia porque a conheço por dentro e não acredito nela. Sou o que inventa as histórias para outros e para mim mesmo. Muitas vezes sei que as coisas não vão dar certo, não vão “pegar” porque não foram bem feitas. Sim, coisas devem ser bem feitas, todas as coisas. E, principalmente, explico aos meninos, todas as coisas são “feitas” em algum momento, nada é grátis, nada acontece, nem a chuva. Então somos todos grafiteiros, somos todos bad boys, somos todos o lado esquerdo de deus, a fúria, a ira, o desequilíbrio universal. Sim, sim, eu sou um desequilíbrio universal e sem mim haveriam mais chances para outros como sem outros haveriam mais chances para mim. Estamos todos numa canoa furada, tentando inventar coisas que já foram inventadas desde sempre e sempre. E por que insistimos? Porque não suportamos a existência como ela se apresenta, pálida, sombra fugidia do que seria uma ópera rock, por exemplo. E nem sempre estamos preparados para as óperas como nem sempre estamos preparados para levar socos no estômago de autores que viram tudo de cabeça pra baixo e nos ensinam que não é nada disso que achávamos que era, que tudo é mais, é outra coisa, é desequilíbrio (do nosso ponto de vista) porque desequilíbrio de verdade não existe – como não existe equilíbrio – como não existem regras que esperamos encontrar respeitadas no mendigo da esquina ou na dama da sociedade. Não, é tudo empulhação – eles nos dizem e nós, como cachorrinhos amestrados, dizemos: sim, sim, sim

VERGONHA

Não há mais o que escrever sobre a escandalosa epidemia de dengue no Rio de Janeiro. É uma vergonha. Governos municipais, estaduais e federal completamente acéfalos, completamente irresponsáveis. São verdadeiros assassinos! Todos os jornais, todos os editorialistas já escreveram tudo, não há nada mais a acrescentar. Só ojeriza pelos políticos. TODOS!

Ver de novo

Quase pneumonia. Por um triz. Excesso de trabalho, excesso de ar condicionado forte. Roupas inadequadas. Ansiedade, quase desespero. Muitas opiniões diferentes ou eu não estou entendo bem as coisas. Foi um fim de semana de pânico, mármore do inferno. Não pelo trabalho. Trabalhar é mole. Será que realmente eu não estou mais entendendo as coisas direito? Talvez seja a hora de rever meus conceitos de vida e de saúde. Vem pela frente uma carga enorme de trabalho (isso é ótimo porque acredito realmente na proposta nova). Mas preciso me preservar minimamente para estar firme e realizar os projetos (que são muitos). Devo estar bobeando talvez na minha vida particular. Talvez não. De qualquer maneira, alguma coisa tem que mudar. Rever, rever, rever.

Extermínio Permitido

A situação na China e Tibet é insustentável. Americanos com seu poderoso exército deveriam estar lá numa missão de paz antes que chineses exterminem tibetanos, mas claro, o presidente preocupa-se apenas com o Iraque e não quer mexer na parceria com a China e seus produtos baratos. E onde estão todas as ONGs de Direitos Humanos e tal (só servem para abraçar árvores e lagoas? Para recuperar corpos de revoluções passadas?) Que mundo, que gente sórdida!

OBS: SAIU ROMANCE INÉDITO DE PAULO FRANCIS!

A guerra

Muitas vezes é preciso criar uma situação onde se instale um momento político crítico para chegarmos ao que poderia ter sido conseguido da forma mais tranqüila possível. Nem sempre “soluções pacíficas” ou tentativas de solução dão certo. A guerra e, principalmente, a arte da guerra deve estar presente em cada pessoa que luta por um lugar ao sol, que luta para realizar alguma coisa. Sem essa espécie de guerra cria-se uma pasmaceira absoluta onde, definitivamente, nada acontece. Isso é prejuízo em todos os sentidos para todas as pessoas, para todo o grupo humano, tanto para realizadores como para receptores. Verdade que, forçando um viés claudicante, já se pode dizer que a internet fomenta a discussão. Infelizmente é muito pouco. É necessária a guerra presencial onde as pessoas se expõem e, invariavelmente, caem as máscaras.

Meus papéis e folhas rabiscadas

Na verdade, o que sou mesmo é um assassino! Pano. Vaias. Saio pela porta lateral do teatro vagabundo. Ruas vazias. Mal cheiro. Lixo espalhado nas calçadas. Nu, em casa, observo uma nova teia de aranha na quina de um portal (cuja porta não funciona há dez anos). Meu gato careca esfrega-se em minhas pernas. Como sempre, esqueci o velho computador ligado. Na geladeira, uma lata aberta de sardinhas – já podres, uma garrafa de vodka pela metade, um copo de leite. Minha televisão ainda é em preto e branco, mas já tenho o sistema digital adaptado. “A Imagem-Tempo”de Delleuze está jogado ao chão e aberto numa frase solta. Montei uma estante rústica com tijolos e tábuas velhas. Alguns livros (poucos), resmas de papéis, de folhas dispersas, cadernetas e outras inutilidades amontoam-se sobre as tábuas desordenadamente. Preciso colocar água na garrafa plástica da geladeira. Preciso colocar um lençol sobre o colchão na minha cama. Mentira. Não tenho cama, o colchão está no chão. Não, o piso não é de terra batida, é de cerâmica (velha, mas cerâmica!) Descanso um pouco. Preciso comprar botas novas e colocar um solado mais alto de um lado para que eu claudique menos. Amanhã ou depois de amanhã. Recado na secretária eletrônica (sim, possuo uma), mas não me interesso por recados, recados nunca são boas notícias (nem más). Recados são recados e não me interessam em nada. Por isso nunca deixo nenhum recado para ninguém.

Sinto-me bem. O fracasso de hoje não me abalou. Escreverei, em alguma hora, uma outra coisa. Talvez gostem. Curioso que as pessoas me assistem exatamente por não gostarem do que eu faço. Sentem prazer em me jogar tomates em cima. Não, não gosto de vaias como Nélson gostava. Elas me são indiferentes. Uma caixa (de margarina) vazia. Estranho, achei que tinha comprado margarina, deve ter sido sonho (pesadelo) e descreio d’A Metamorfose de Kafka. Isso: não acho a história “kafkaniana”. Margarina amanhã, ok. A CAVALARIA de Isaac Babel. Com certeza todo mundo leu por conta de Rubem Fonseca (vão achar que também li pelos mesmos motivos, não acreditarão que li antes do romance dele). Amanhã estarei num apartamento clean de frente para a praia de Ipanema, bem ali na na Vieira Souto. Vidro fumê e tudo. Meu agasalho não será puído como o de ontem e vou ler a revista Piauí – que será lançada daqui a um ano e oito meses, terei telão de plasma e um carrão importado. Mais tarde. O relojoeiro da esquina (viúvo de Stálin) conseguiu a proeza que eu propus - mas acreditava impossível: fazer meu relógio andar para trás. Sim, ele conseguiu pouco antes de morrer, coitado. Câncer. Nosso medo eterno: o câncer. Como se, com medo,  ele não viesse. Espermatozóides não correm na contramão. Mortos só retornam em sonhos e vida se esvai diante de uma ampulheta digital, bem à frente dos nossos olhos (ou um olho apenas). Não necessito exatamente de dois olhos, preferia ter duas outras coisas que não tenho, enfim…. Não tenho nada contra Deus, só não creio nele pela imperfeição humana (e aprendi ainda pequeno, que somos à sua imagem e semelhança). Se, como me diz Vinícius, “O Senhor das Esferas” realmente existir, arderei nas chamas de um inferno improvável, mas agitado. Levarei creme Ponds para o Inferno e alguma Coca Cola. Sim, porque o meu verdadeiro vício é a Coca Cola. Tirem tudo de mim, deixem-me Coca Cola! (Aliás, esqueci de contar que tenho três latas do refrigerante na minha geladeira). Assisti “A bela adormecida” para compor um produto. Disney era rarefeito na edição dos seus filmes. Sempre que recorro a Disney tenho que consertar suas montagens apáticas. Chaplin era melhor. Mas conheço tão pouco de cinema…. Uma vida é muito pouco tempo para assistir e analisar todos os filmes (gosto mais dos feitos em preto e branco). Assistindo sua entrevista, concordo mais com Lobão do que os outros. Os Outros são motivo meu temor existencial. Assistir a um jogo de futebol é chutar o balde cósmico, é um suicídio pífio. Os Três Porquinhos foram mais fundo do que Kerouac. Certo, certo. Menos papo e mais ação, né? Vou pensar em um outro EU. Amanhã ou depois de amanhã. (continua)

De mim para mim

Encontro-me entre Pagu e Leila Diniz, ente D. Ivone Lara e Ana C., entre eu e aquilo. Entre sonho e realidade. Clarice absolutamente não ajuda, complica. É muito fácil estar numa cidade do interior lendo os autores prediletos. É muito difícil dar vida a todos eles (ainda que em homenagem). Fui obrigado (à contragosto a deixar Molloy, de Beckett de lado). Os meninos do grupo de discussão de literatura reclamam – com razão – minha súbita ausência. Passa uma nuvem negra sobre tudo, sobre todas as diásporas que pretendi. Afirmativamente digo não aos meus detratores e digo sim às novas propostas, aos novos desafios. Só me falta a paz necessária para criar, para executar e concluir. Sinto-me um homem sem alma, um zumbi. Uma facção dos guerreiros (fracassados e sanguessugas) acham que passei “para o outro lado”. Burros! Mil vezes burros! É preciso entender que a gente é colocado diante de novos desafios, que devemos enfrentá-los e sair mais à frente reconfortados e reconhecidos. Mas não é assim. Formam-se grupelhos (ridículos que não vêem a realidade) e jogam contra. Imagino que isso ocorra em várias atividades e os trabalhadores em geral tenham mais paciência do que eu. Eu não tenho paciência!!! Sou um amador (sem limites) e um fazedor (com limites). Tenho a capacidade de ser minha própria antítese, de me reescrever (como falo sempre), de atuar num papel diferente, a proposta de ser um ator (da vida) versátil. Se o resto não me acompanha é exatamente por isso: POR SER RESTO. Bem sei que ninguém tá entendendo nada desse meu grito. E também não tenho como explicar. Só posso dizer que trata-se de criação… de criação e execução. O resto é o resto.

Eu e minha pulga de estimação

Entendo que trabalhamos sobre pressão. Vários compositores já declararam que também trabalham assim ainda que seja um trabalho sofrido (mas o resultado é sempre fantástico).  Não sou muito assim não. Gosto de planejar as coisas e pensar nelas, gosto de ter uma idéia rascunhada do que será um produto que vai ser visto por sei lá quanta gente. Talvez seja um erro meu, mas a minha formação profissional foi assim (talvez, velho, eu consiga conceder um pouco). Verdade também que existem projetos e projetos e programas e programas. E aí? De uma certa forma a humanidade é “fazedora”. A gente faz, faz e faz. Alguns resultados me agradam e outros não, mas pode ser insegurança resultante de uma auto-crítica ferrenha que tenho em relação ao que pretendo e ao que não pretendo, mas realizo. Se sou inseguro? Tecnicamente não, mas em vários momentos sou sim. Uma amiga disse que eu vivo dos meus desequilíbrios (não, ela disse isso dela mesma e eu percebi que também sou assim). Resultados? Não sei…. Estão por aí. Em mim? Insônia, úlcera e cabelos brancos. Quando eu bater as botas não terei deixado nem um livro nem uma árvore plantada, apenas filhos. Como se percebe, estou longe da realização plena que disseram fundamental. Deixo papéis esparsos, documentários e uns programas. Mas está claro que não basta… Não para mim. Tenho comigo uma pulga esperta que me inquieta e pula daqui pra lá e de lá para cá sem que eu consiga capturá-la. Essa pulga é ansiedade e vontade. Então qual é o problema? O problema é que a pulga me atiça, mas quem faz sou eu. Ou seja: não era nada disso o que eu queria dizer.

Avatar de mim simultaneamente? Pode?

Certo. É corrrer risco. Arriscar como quem anda na contra mão. Em Matrix deu certo, o problema é que perdi a noção (se é um tive um dia) se estou dentro ou fora da Matrix. Pílula vermelha ou azul? Dia desses eu dizia que desejava um oráculo que também me fizesse biscoitos, mas (acho que) sonhei algo agradável e assustador simultaneamente: meu oráculo sou eu mesmo. Como? Como se pode consultar um oráculo diante de expectativas e indefinições se, por fim, sou avatar de mim? Ainda que seja assim: estou dentro ou fora de um programa? Sou eu mesmo, meu avatar ou os dois são a mesma criatura (híbrida?). Certo. Não tenho respostas. Vou pensar chutando pedrinhas e caminhando na madrugada.

Estou do outro lado, do lado, lado de lá

Acordo, tomo café e leio o jornal com o desprazer de sempre. As notícias? Todas más, escândalos, roubalheira, gente desonesta, golpistas, assassinos. Já pensei em não ler jornal, mas concluí que não ia adiantar porque as notícias nos chegam de qualquer maneira e aí nem temos as páginas de opinião. Dou uma rodada nos blogs e só encontro novidades em K. Ok, dá pra dar umas risadas, mas eu não rio. Coisa engraçada, né? Tem gente que vive dando gargalhadas e eu não. Não quer dizer absolutamente que eu não me divirta com um monte coisas: claro que me divirto, mas é uma diversão “para dentro”. Aliás, eu sou todo ‘para dentro’. Alguma coisa aconteceu em algum momento da minha vida que fiquei com um ou mais parafusos a menos e passei a viver em claustro e para dentro. Não chega a ser exatamente um defeito grave, convivo bem com as pessoas, até mesmo com as que não me gostam muito. Tive uma época de agressão, de ‘mandar ver’ e isso criou uma ‘áurea’ de que sou intratável. Basófia. Sou totalmente tratável e social. Apenas fico na minha fazendo as coisas que tenho para fazer e me divertindo com as coisas que me divertem (o que não são, necessariamente, as coisas que divertem a maioria). Mas eu não sou maioria e acredito no que N.R. dizia: “Toda unanimidade é burra”. Aliás acredito em muitas coisas que ele dizia, escrevia e tal e tal. Tem mais, acredito em milhares de coisas que outras milhares de pessoas escreveram… Creio mesmo que o mundo não existiria socialmente hoje se não tivéssemos amparo dessa rede de artistas que criaram um universo que hoje perseguimos transformando a vida em arte (e imitando). Mas isso é outra história. Eu sei que me repito muito, mas recebo correspondências provocando, desdizendo o que eu digo e…sim! volto atrás sim! Mas tem que me provar que eu estou errado. Do contrário, nada feito. E no contato com essas e outras pessoas – agora, por exemplo – estou conhecendo outras pessoas, vou criando uma rede de viventes que se e me identificam. No que vai dar? Como saber? Ao contrário do que pensam, não tenho exatamente medo do novo e sim, à princípio, um certo cuidado pra não me decepcionar. As correspondências que recebo não entendem isso, acham que a gente deve sair saltitante pelas ruas dando tapinhas nas costas de todos os desconhecidos. Ora, realmente isso eu não faço e nem acredito que façam os que pregam essa modalidade de sociabilidade. Então, de certa forma, eu posso ficar um pouco à margem, mas é isso mesmo: prefiro ficar nessa margem, nesse limbo, nessa situação de quando eu vou, vou de cabeça, que nem foguete e quando não vou, não adianta, empaco feito jegue mal criado. Esse desabafo tolo resulta de dois e.mails que recebi e me deixaram azedo. Aliás, não sei porquê as pessoas não colocam a cara de fora e publicam no espaço destinado à críticas/elogios, suas opiniões divergentes de mim… Porque vou responder? Mas que bobagem, o mundo é feito de discussões e acho muito bom que sejam às claras (pelamordedeus, sem assembleísmo que eu detesto!!!  rsrs) Entende-se as vezes que eu gosto mais de ter idéias e rabiscar do que propriamente realizar. Tá, é isso mesmo, e daí? Não quer dizer que eu não realize, estou falando no plano das idéias. Aliás, percebe-se muito pouco de que aqui (blogues em geral) tratamos praticamente só “no plano das idéias”. E quem não entende essa regrinha básica devia fazer outra coisa, ler revistas de moda feminina, de receitas, sei lá (nada contra quem TAMBÉM as lê). Eu vou seguindo no mar agitado, agitação que vem de dentro de mim e não de fora. Se escapar, beleza, escapei. Se não escapar, sinto muito, mas sucumbo tentando fazer.

Os Outros

Não me adiantam opiniões não sinceras. Não me adianta imaginar que sou o que não sou. Não adianta querer que eu diga o que não penso, porque não digo, muitas vezes, nem o que penso. O silêncio que tenho guardado para mim ao longo do tempo, não é o silêncio dos inocentes (NÃO!), é o exercício do direito que tenho de não falar – até para não expor a mediocridade e a ambiência fofoqueira que me cerca.

Guardo-me como devem guardar-se aqueles que não estão “na crista da onda” que não são os queridinhos da vez, os queridinhos da América. Só me falta o estupor e não desejo chegar a ele (não por medo ou preconceito), mas porque tenho compromisso com meia dúzia de pessoas – ou nem tanto. Entrego-me aos caminhos improváveis da impossibilidade do ser, quero realmente entender como funciona essa máquina (e a minha máquina) e quero, sobretudo, voar sem limitações ou medos, ainda que seja ‘voar para baixo’, voar o vôo dos impertinentes, dos que não agradam mais ninguém, dos que se afastam do grupo em busca de um tico de liberdade, dos que buscam seus próprios mundos ainda que eles não sejam aceitos por maiorias engomadinhas, jekinhas, chatinhas. Cansei de ler igualmente esses livros que me parecem padronizados e aceitos e queridos por um grupelho que não sabe nada, que não representa nada. É importante esse momento de partida, de separação porque só aí aparecerão os que realmente estão do seu lado de coração, os que realmente entenderam o que você, sempre com meias palavras, gritou a vida inteira. Hora de separar-se o joio do trigo, perceber que o inimigo não é tão inimigo assim, perceber que o amigo tampouco é tão amigo assim. Convencer-se de que o mundo e as pessoas não são boas ou más e que a vida sim é um limbo onde estamos todos jogados como que a espera de Juízo (não Final). É preciso ainda perceber melhor Walden e Campos de Carvalho e sentir que o diferente, o estranho são mais importantes que o comportado. Optar por uma vida exclusivamente sua mesmo que venha carregada de Náusea, que venha escorregadia e cheia de arapucas. Claro que não escaparei de todas as armadilhas porque não sou um semi-Deus (Deus não deve existir, mas semi-Deuses existem muitos!) e mesmo assim, mesmo destinado a ser apanhado nas teias que os humanos deixam, nas suas redes, ainda assim, de ponta cabeça conseguir ter desprezo e manter o olhar superior. É o conjunto dessas pequenas coisas que persigo angustiado na esperança de manter a possível paz no meu espírito já naturalmente atribulado. E, ao contrário do que parece ao observador desatento, estou rompendo muito mais comigo mesmo do que com qualquer pessoa que pretenda vestir a carapuça. Desejo apenas que meus suores e pavores noturnos se originem somente de mim, de meus demônios e não de fantasminhas desdentados externos, frágeis e neuróticos. Desejo sim mais uma vez saltar no escuro sem noção de espaço, de profundidade, dos pedregulhos que aguardam (ou não) ao fim do salto. Não chego a rebelar-me contra a vida (porque ela, se pensarmos bem, não existe da forma como pensamos), mas rebelar-me contra as pessoas que tornam a vida uma coisa menor, medíocre, onde impera a pequenez da alma. Por outra: que a pequenez da minha alma, provenha exclusivamente de mim, do meu espírito louco por condenar a ‘ordenação’ que os outros propõe. Eu suma, entender que existo eu e existem Os Outros.


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"A descoberta do Prozac criou um universo de eunucos felizes"

"É-nos impossível saber com segurança se Deus existe ou não existe. Por isso, só nos resta apostar. Se apostarmos que Deus não existe e ele existir, adeus vida eterna, Alô, danação! Se apostarmos que Deus existe e ele não existir, não faz a menor diferença, ficamos num zero a zero metafísico" Albert Camus

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""Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos."
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