Arquivo para a categoria 'possibilidades'

Essas coisas

A conversa de ontem no grupo de discussão on line do Yahoo foi sobre a fragilidade, incoerência e um excesso de tolice dos blogs (poucos, graças a Deus) que se arvoram denuncistas, patrulhetas de uma esquerda que morreu e esqueceu de deitar…

Essa discussão vinha rolando há alguns dias, mas ontem (salve!), optamos por parar, por mudar de assunto. A conversa tomou rumo inverso: “A Elegância do Ouriço” de Muriel Barbary. A capacidade de ser singelo é muito mais árdua que a de ser agressivo, concluímos.

Estranhas lendas

A insônia, na maioria das vezes, é mal interpretada. Durante a anamnése o xamã determina que o sono não chega por causa de um motivo X. É um equívoco. A insônia pode ter vários motivos separadamente ou um grupo de motivos (ou todos os motivos). Para solucionar existem terapias, medicamentos, e a Escola do sono que reeduca as pessoas vítimas desse sono em fuga. Embora não seja comum, eu invariavelmente sofria de insônia até o dia que encontrei um motorista de táxi extremamente bizarro com seus longos cabelos e caudalosa barba branca amarelada. Era desses que gostam de conversar com o passageiro. Durante o trajeto excêntrico o motorista – após falar de 3 ou 4 assuntos – disse que dirigia à noite porque sofria de insônia e, se estava trabalhando, não sofria de nada. Estranho sim, mas aquele raciocínio tinha lógica e muito mais quando ele concluiu que dormia durante o dia o sono dos justos, tranquilo como um passarinho. Ele percebeu por fim que não tinha insônia, que, na verdade, não gostava de dormir à noite e sim durante o dia.

Posteriormente encontrei esse mesmo homem (inconfundível) vestido de padre à porta de uma igreja quando a noite, brandamente, começava a chegar. Eu o reconheci e ele também me reconheceu. Confessou que era padre por ofício, mas que os párocos queriam missas durante o dia, negavam-se a frequentar uma igreja  de madrugada. Ele então acordava às 16 h, rezava apenas uma missa às 18 e, quando suas ovelhas retornavam para casa, ele pegava o táxi e ia realmente “trabalhar”.

Esse texto sem pé nem cabeça (aparentemente) baseia-se numa história que me contaram numa taberna nos tempos em que eu tinha paz.

A insuportável insegurança da política nas artes

Reciclar cinema e teatro bem como programas em televisão é uma tarefa árdua e. principalmente, necessita verdadeiramente de criatividade, estética e conteúdo. Porque quando você conclui um documentário ou um programa desses de “linha”, semanais ou diários, precisa entender bem o que está fazendo e o porquê está fazendo. Essa história de usar programas como instrumento de aparelhamento político, erc! – a coisa não sai. Ou melhor, os “homens das artes” rodam, rodam, se desfazem dos desafetos, mas continuam incapazes de dar um passo è frente em termos objetivos de mudanças criativas. Isso ocorre muito em televisões geridas por governos estaduais ou pelo governo federal. Como não existe a quem dar satisfações sobre como a verba foi gasta (ou pior: como não foi gasta), fica um samba do crioulo doido, equipes inteiras de televisão e cinema, elencos de teatro, etc. boiando de lá para cá sempre na expectativa dos novos políticos que vão mandar. Porque à cada gestão, cada novo ‘diretor’ ou “supervisor” que entra rola sempre a preocupação de nessecitarem mostrar do que são capazes (à priori esses gestores políticos – “da boquinha” - acham que sabem um pouco (ou muito – que vira caos)  “se acham” os únicos na Terra com capacidade e criatividade. O resto é o resto é o resto . Não muda nada, são as cartas marcadas. Um desses casos, por exemplo, pode ser a nossa Jandira, do Partido Comunista, agora Secretária de Cultura. Já tivemos a república de Alagoas e mais algumas. Agora temos a outro estado “da boca” – na área federal e a da Barra da Tijuca no Rio para a gestão dos teatros municipais. Tudo com o seu, o meu o nosso…

O labirinto da saudade

Quanto tempo leva a saudade? Se me disserem que é a vida toda, então não quero essa vida. Esse dormir e acordar, esses dias tão longos, tão inúteis, tão sós (isso mesmo: quando você está só, o dia é só)… De que vale? O que resta fazer? Para quem? Com quem? E ainda mandam eu cuidar de mim! As pessoas aprenderem esse mantra para a despedida: “até amanhã, se cuida“. Eu até hoje não entendi o que querem dizer com isso. O que é exatamente “se cuidar”? Como alguém pode cuidar de si mesmo? Como desviar da bala perdida, do ataque cardíaco, do atropelamento inesperado, do desmoronamento da última hora, do abismo que se apresenta? Principalmente do abismo que se apresenta! Quantos abismos vão surgindo em nossa frente, ou do lado, ou atrás… Quantas vezes estamos prestes a cair… Mais: quantas vezes desejamos realmente cair…. inúmeras! Porque, afinal, esse abismo é apenas o inverso do patamar antes da queda, é o outro lado da mesma moeda. Acho mesmo que nos jogamos em alguns abismos e em outros não. Critérios? Não sei. Desconheço critérios no que poderia ser comparado a um jogo de espelhos, um Aleph por assim dizer. Imagino que o fim desse abismo não seja o encontro com a morte em rochas pontiagudas, está muito mais para uma terra de Alice no País das Maravilhas (que nem tão maravilhoso é, se olharmos com a crítica necessária).

Tudo isso para falar da saudade, essa palavra que nos desorienta, faz mudar de assunto, faz de cada um o prisioneiro X do labirinto existencial.

O Clube da Luta

Uma discussão sobre temas ligados à filosofia, mostra o quanto é difícil fazer uma avaliação de pessoas de forma filosófica e não psicológica (como falei num desses posts abaixo). Porque quando discutimos formas de viver, formas de encarar, dar visibilidade às nossas atitudes ocorre uma certa falta de agilidade mental no outro. E por quê? Porque as pessoas estão  viciadas em perceber a atitude dos outros somente à luz da psicologia. Particularmente acho psicologia um blefe, uma espécie de “golpe do baú” inventado por Freud, um carnê da felicidade idêntico ao do Silvio Santos (acho até esse último mais criativo). Isso vem por causa da importante discussão de temas de ontem à noite. E o que me chamou atenção é que sim, existe já um grupo (principalmente de médicos psiquiatras) percebendo essa mudança… menos psicologia e mais filosofia. Verdade que no princípio rola uma resistência natural (afinal esses profissionais são submetidos quando estudantes a uma cantilena, um mantra para dizer o mínimo.

E chegar a outras conclusão sozinhos… arriscar- se à crítica virulenta dos seus pares… Enfim, é tudo muito difícil para os profissionais dessa área. Mas… à exemplo do filme “O Clube da Luta”, podemos ir aumentando essa percepção de uma outra forma.

Opções de análise

Tenho a impressão que, em determinados momentos da vida, somos psicologicamente massacrados e após o massacre cada um se porta de uma maneira. Olhando o lado psicológico é mais difícil avaliar porque acabamos necessitando da ajuda de um profissional sob pena de fazermos uma avaliação errada. Eu sempre defendi que as pessoas devem ser vistas à luz da Filosofia, jamais da Psicologia (atenção que eu não falando de psiquiatria). Tenho essa impressão bem forte porque, ao contrário dos astrólogos (rs), a filosofia sim nos coloca em consonância com um determinado “pensamento”, uma determinada linha filosófica que determina muitas, quase todas, as nossas ações. Ou melhor: quero dizer que as pessoas deveriam ser vistas à luz da corrente filosófica que seguem e não à religiosa ou a psicanalítica.

Acho que um homem deve ser visto baseado naquilo que acredita como forma melhor de viver, ou seja, sua visão filosófica da existência. Desconsiderar esse preceito, é desconsiderar a estrutura básica do homem é negar-lhe a opção, torna-lo encapsulado em uma mentira

Essa discussão vem rolando há muito tempo não somente com pessoas conhecidas como, igualmente, em grupos de discussão diversos (que procuro participar). Porque todo mundo leu um determinado Filósofo e alinhou-se com o pensamento dele ou, se não leu, ainda assim assume uma postura de vida que, observada por um filósofo, identificará naquela conduta um modelo, uma linha de pensamento filosófico. Da mesma forma que, por ignorância se diz: “seu comportamento é o de um taurino”… dir-se-á: “Seu comportamento condiz com o de um existencialista”.

Essa sutilezas que parecem não ter muita importância em nosso dia a dia, são na verdade marcas e, portanto, atitudes naquilo que fazemos ou deixamos de fazer e mesmo da nossa forma de agir cotidianamente.

 

P.S. Sei que esse post não tem nada a ver com nada. Trata-se apenas de responder a um e.mail que, nesse momento, não desejo tornar público.

Quem arrota caviar e come manjubinha

Ontem uma grande amiga passou a tarde comigo e conversamos sobre variados assuntos. É sempre um prazer estarmos juntos, dividirmos coisas boas e más, avaliarmos em conjunto as pessoas que nos cercam. Em algum momento, inconscientemente, eu falei de uma forma que denotou baixa estima. E ela, impávida:

Você vai esquecer todo o seu passado, todo o seu profissionalismo, tudo o que realizou porque chega aqui um estrangeiro e fiz que você não sabe fazer algo que, mais do que confirmado, você sabe? Esquece – continuou – que são passageiros, (que não sabem o que querem, não realizam nada e a prova está no ar) fazem boquinha nesse momento político e que cairão tão logo mude o governo? Quantos governos já passaram e você se manteve exatamente por sua competência?

Fiquei até meio sem graça e, de noite, na cama, hora de colocar os pensamentos em ordem, percebi que ela estava com a razão. Na verdade, onde eu produzo, ninguém produz mais do que eu, até porque não sabe o que quer, até porque é coberto de recalques. Não preciso fazer nada, na prática. Preciso deixar simplesmente o tempo passar.

As Culturas… e a falta de cultura

Porque esse texto aí embaixo, não é tudo, é o início de uma miscelânea contintinental, uma confusão atávica provocada pelos primeiros colonizadores. Vejam que até o Artur da Távola (Paulo Alberto) quando foi Secretário de Cultura mudou o nome da pasta para Secretaria das Culturas. Essa discussão já rolou várias vezes aqui. Fica essa coisinha tola, de intelectualzinho (adorava o Paulo Alberto, mas preciso discordar, coisa que fiz pessoalmente) querendo rever tudo como se cada coisa fosse uma cultura. Jongo é uma cultura, ópera é outra cultura, maxixe, outra e por aí vai. Isso é mais ou menos perdoar é tentar abafar a falta de cultura de cada um, de cada coisa. Claro que antes fui ao Houaiss ver se estou falando besteira e, segundo o Filólogo, sim, tá errado, sou uma besta. Não me interessa. Me interessa um raciocínio lógico e não ficar apaniguando a estupidez da raça. Portanto, é uma briga somente minha, aquelas coisas quixotescas que, eventualmente acontecem.

Então temos a cultura oriental, a cultura ocidental e dentro, temos ainda: a cultura do Brasil, a cultura da Venezuela, a cultura da África e dentro da África temos a cultura de Angola e assim por diante.

A literatura clássica, por exemplo fica perdida nessa pataquada porque ali (seguindo o raciocínio) não é uma cultura, mas cultura do país de cada escritor…

ler Dostoiévski não é cultura, é cultura russa, ler O Paraíso Perdido igualmente não é cultura, é cultura inglesa. Ou seja, uma pessoa medianamente informada, lida e viajada não pode ser chamada de culta e sim de um catalizador de culturas (e será sempre um fracote porque não conhece, por exemplo, a cultura javanesa). E, ao mesmo tempo, uma pessoa que seja criada e viva toda a vida entre os índios será um ser com imensa cultura aborígene.

De uma outra forma: uma família de posses quer educar seu filho. Para isso paga viagens, intercâmbios, preceptores, etc. O infeliz vive 3 meses em cada cidade do mundo, lê e ouve todos os clássicos, se empanturra de poetas, filósofos e o diabo a quatro, mas… veja: ele desconhece a cultura do Congo e, portanto, não é culto (no sentido amplo da palavra). Ou seja: não existem seres humanos absolutamente cultos, existem pessoas que conhecem “alguma coisa”.  A pluralidade humana impede o saber, especializa pessoas mas, em momento algum, garante que todo o estudo, toda a pesquisa credite uma pessoa a ser (razoavelmente) bem informada e culta.

Destino

Se não houver amanhã. Todos os dias, à cada segundo, essa frase está presente na cabeça de todos os homens e mulheres, crianças e velhos. Presente, mas inconsciente porque antes é preciso saber se acreditamos em destino ou não. Dizer que o destino traz sempre o fim não é um raciocínio lógico, é óbvio. Mas os que acreditam no destino a pergunta muda, deixa de ser pergunta, mas uma impressão suave de que não se pode saber, que o destino está traçado. Uma bala traçante pode ser interpretada como um “destino”. Ou um automóvel na contra mão. Imaginar o destino é imaginar a imobilidade da vida, a falta de razão para existir. Afinal, um espermatozóide não alcançou seu objetivo por destino: ELE CORREU MAIS. Assim, a vida seria uma corrida em busca de emoções (baratas). Todas as emoções são baratas porque todas elas estão catalogadas e diferenciam pouco de pessoa para pessoa. De uma forma geral, os desejos são os mesmos. Nesse aspecto, desconsiderando o destino, tornando-o uma crendice popular, é possível que a frase “Se houver um amanhã” afaste-se um pouco do inconsciente (zona morta e metafísica). Porque o conceito de destino rivaliza com a possibilidade de tempo. Se há destino, não existe tempo. É uma vida acompanhada de uma bula. Um trem agarrado em seus trilhos. Sem possibilidade de encruzilhadas. Ao contrário. A vida é uma sucessão de encruzilhadas, de setas, de caminhos claros ou obscuros, de aventuras que se emendam umas nas outras como no livro de Calvino “Se um Viajante numa Noite de Inverno”. A busca dos cadernos que, por fim, se tornarão um livro é constante….um frenesi. Frenesi de segundos, horas, meses, anos. Jamais o conceito de Matrix e sim da velha gincana de antigamente. É a possibilidade concreta de sair do carrossel e buscar a montanha russa. Não adiantaria fazer nada nem buscar qualquer coisa se os dados fossem marcados.

Possibilidades

Existe o romancista de um livro só. Todos se perguntam porquê aquela pessoa escreveu um único livro, porquê não deu continuidade à sua carreira literária (ainda mais quando se mostra promissora). Escrever não deixa de ser um ato de angústia, aquilo que chamamos de “angústia boa”. Muitos passam para o papel essa angústia uma vez e depois se calam, ninguém fica sabendo o que aconteceu, o que está ocorrendo, onde anda aquela pessoa, o que faz, se morreu ou não. Porque é assim: pessoas aparecem e desaparecem eventualmente, misteriosamente. Como num espelho que se parte logo após refletir apenas uma imagem. Não são sete anos de azar. Até porque não existe propriamente “azar” nem propriamente a contagem dos “anos”. Ocorrem outras coisas, outras situações, outros caminhos que nem sempre são definidos pelos homens. O conceito de “show da vida” propõe alguma coisa de magnânimo – que, novamente, não quer dizer a verdade, não pode haver certeza. A própria “verdade” é apenas de ‘um’ e não coletiva.

Talvez a proposta de Camus do “zero à zero metafísico” seja algo mais próximo do possível. Claro que pode-se também acreditar na idéia do filme Matrix (não creio). Por fim, termina-se numa espécie de limbo (não esse católico romano que remete às portas do inferno), mas num meio de caminho, numa caminhada de certa forma abstrata, uma visão de horizonte sem cores definidas, sem placas de indicação. Um enorme deserto com pequenos oásis ou um oásis com pequenos desertos. É a relatividade do ser, do espírito, do olhar, do impulso, da (possível) explosão. É a pedra, o rio, a lama. Simplesmente admitir que tudo é possível e impossível na mesma proporção.


Ela…

Ela...

Trocas

e-mail



Mini blog



"A descoberta do Prozac criou um universo de eunucos felizes"

"É-nos impossível saber com segurança se Deus existe ou não existe. Por isso, só nos resta apostar. Se apostarmos que Deus não existe e ele existir, adeus vida eterna, Alô, danação! Se apostarmos que Deus existe e ele não existir, não faz a menor diferença, ficamos num zero a zero metafísico" Albert Camus

Visite:
wwwgeraldoiglesias.blogspot.com

""Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos."
Nelson Rodrigues

Do que se gosta?

  • Nenhuma

Tempo…

 

Novembro 2009
S T Q Q S S D
« Out    
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
30