Sonhei alguma coisa que não lembro bem, mas era relacionada a conceitos de liberdade. E assim como ‘o inferno são os outros’, a liberdade (cara) é uma característica nossa (Sartre). Mas é preciso entender, quando falamos em liberdade, na amplitude da palavra e não apenas naqueles conceitos agradáveis de uma certa liberdade. Insisto em que a liberdade (filosoficamente falando) é muito cara e a maioria das pessoas abdica dela em busca de um mundo melhor, mais fácil de viver. Minha liberdade, por exemplo, está expressa em TODAS as coisas que faço e suas conseqüências. Quer dizer: nada foi ‘vontade de Deus’ nem Destino. Tudo é resultado de uma ação minha e, se alegrias são, todos os sofrimentos ou desgostos foram igualmente exclusivamente provocados por mim. E é pensando assim que percebemos como somos falhos, como fazemos besteiras, como, em várias encruzilhadas da vida, optamos pelo caminho errado. Como tantas vezes buscamos nossa desgraça.
Claro que é muito mais cômodo ‘entregar a Deus’, reconhecer que o destino naquele momento não nos sorriu. Ou como ‘plantamos o bem e colhemos o mal’. Os que optam por essa ideologia têm uma vida melhor, mais tranqüila, estão mais preparados para a vicissitudes…. para viver de uma maneira geral. Mas sabemos, no fundo, que não é assim. Ainda que Deus exista, ele não está olhando pra cada um dos bilhões de habitantes da Terra e outros tantos de outros planetas. Isso seria comparar Deus a uma centopéia impensável e gigante, é desqualificar o Todo Poderoso. Retorno então à minha condição de ser humano liberto, totalmente responsável por cada uma das coisas que acontecem. E repito para mim mesmo: a liberdade é demasiadamente cara.

Disseram