É bem verdade que não caio na “desgrameira” de ser ácido e falar mal do mundo. Ao mesmo tempo, esse meu espaço não é bem humorado como eu gostaria que fosse. Devo ter uns três ou quatro leitores e, entre eles, há um pacto de não fazerem comentários, (só mandam e.mails). Até aí tudo bem (até porque v sabe do comentários porque recebeu um e.mail). A verdade é que hoje saí de casa muito rapidamente e conheci, um homem), mas uma pessoa que levou altos papos comigo…. Que entendeu na boa exatamente o que estava acontecendo e o porquê de eu estar fazendo isso ou aquilo, estar sentindo aquilo ou aquilo outro. Foi um longo papo… de 8 da noite até meia noite. Eu até poderia não valorizar tanto, mas valorizo….principalmente num momento de adversidades. Não convivo bem com apaniguados…. Então… o que acontece? Como disse um grande – e incomprendido - estadista : “O tempo é senhor da razão”… Esse tempo vai passar, esse governo vai cair e não fará sucessores e as pessoas “da hora” vão cantar noutro terreiro. Sempre existe espaço para a propaganda do MST, das Farc e de tudo o que há de ignóbil na vida. Mas não quero desvirtuar a história… quero contar que, muitas vezes do nada, encontramos pessoas sérias, inteligentes, cultas, pessoas que nos dão prazer em conversar, que trocam informações e opiniões sérias, pessoas que a gente percebe, pela maneira, que não possuem nenhum exibicionismo, Enfim, basta viver a vida porque ela é sábia e coloca em nosso caminho tanto os jekinhas quanto os sinceros. É só aprender a apostar no cavalo certo…
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Agora vem mais essa notícia: Lula vai destinar (já destinou) mais de 500 milhões para a propagando do governo. Alega que é para o Brasil “ter mais visibilidade lá fora”, mas está claro que é mentira. Essa propaganda destina-se aqui pra dentro mesmo, para as obras e “o que mais tem sido feito por Ele”, bem como para alavancar a popularidade de Dilma (candidata do PT às eleições de 2010). E, ao mesmo tempo, por desconfiar tanto da imprensa, o presidente não dá entrevistas coletivas, prática comum nos países democráticos. Aliás não dá entrevista e não se informa, não lê nem assiste noticiários ou debates… enfim…tudo o que se fala dele. Todos os governos destinam verbas para sua propaganda, mas Lula o faz por outros motivos, não como uma “prestação de contas” à sociedade, mas para influenciar essa mesma sociedade das coisas que ele NÃO FEZ (e olha que ele já criou uma televisão inteirinha para fazer propaganda dele!). Se é prática comum nos governos fazer-se dotações orçamentarias nesses valores não altos, isso eu não sei. O que chama a atenção é o Brasil por si só tão pobre, tão miserável, com tantas (inúmeras) necessidades – saúde, educação, segurança, saneamento básico, estradas, etc, etc.- usar esse dinheiro à la Goebbels para fazer crer aos humildes que estão vivendo um governo fantástico num país cada dia mais maravilhoso. É simplesmente repugnante.
Definitivamente eu não entendo essa comoção, essa “peninha” dos palestinos, pena que se espalha pelo mundo. Ora, se eles estão constantemente jogando foguetes destruidores contra Israel, o que se poderia esperar??? Óbvio que Israel deve responder com uma ataque dobrado, como esse de agora e não importa a morte de civis. Guerra é guerra! Os palestinos deveriam pensar nisso antes. Tenho dito.
A Longa Noite de Cristal ou O grande retorno
Publicado 23/12/2008 a longa jornada , o fim , viver não é preciso 1 ComentárioCai uma chuva fina. Saio de casa na madrugada e caminho por ruelas. Um homem também caminha, a noite dos mortos-vivos, a noite dos rituais de passagem. Uma noite sem fim, infinita mesmo. A primeira noite infinita. Quando determinadas ações forem colocadas em prática acontecerá o momento místico, surreal, mágico e metafísico. Mas o momento custa igualmente uma eternidade a chegar. As ruas são, cada vez mais, tomadas pelo silêncio, pelo negror. E a chuva fina persiste como persiste o homem (agarrado a um volume) a caminhar. Seguimos juntos por algum tempo. Eventualmente ele troca de calçada, mas me é impossível perdê-lo de vista. Ele não quer desaparecer da minha visão.
Pessoas dormem no chão, alguns cobertos de papelão molhado e outros, nem isso. Não parecem mais se dar conta da chuva. Embora ninguém se acostume com a desgraça, essas pessoas são obrigadas a aceitá-la – talvez, dando muita sorte, com o alívio que uma pinga pode proporcionar. Nada mais. Passo por essa gente, esse resto de gente e penso na viabilidade de deus. Quem é o filho de deus? Eu ou essa multidão que rasteja?
Percebo o homem, do outra lado da calçada, caminhando vagarosamente como que me esperando ou aguardando que eu abandone o pensamento sobre os miseráveis. Sigo, então, em frente. Calço sandálias, meus pés estão molhados e esse homem andarilho igualmente calça sandálias. Sim, estou curioso, preciso saber o que é aquele volume que ele carrega com cuidado extremo. De repente, ele entra num beco e o perco de vista. Fico parado, olhando na escuridão molhada. Do beco vejo luzes, quase fogos de artifício. Percebo então uma luz extrema e compreendo que estou na grande noite eterna, noite das noites. Noite do fim absoluto.
GEAP – UM PERIGO À VISTA – PREVINA-SE
Publicado 19/12/2008 O pânico , crime! , gente burra , morte , o fim 3 ComentáriosTranscrevo meu último e.mail à GEAP – PLANO DE SAÚDE:
MINHA MÃE FALECEU NOS MEUS BRAÇOS ÀS QUATRO HORAS DA MADRUGADA DO DIA DEZOITO DE DEZEMBRO DE 2008.
EU SÓ POSSO AGRADECER A TODOS, TODOS OS AMIGOS – E QUANTOS E QUANTOS AMIGOS! – POR TODO O CARINHO E CONFORTO QUE ME PROPORCIONARAM.
MUITO, MUTÍSSIMO OBRIGADO
Fico me perguntando qual o pior tipo de degeneração. A do corpo ou a da mente. Ou do espírito, de preferirmos. O apodrecimento das carnes em vida, esse processo lento e contínuo que faz as pessoas perderem todas as forças, não conseguirem mais manterem-se em pé, que acaba afetando também o raciocínio e a capacidade cognitiva. São em pequenos passos que os vermes se espalham, não exatamente matando como uma bala de revólver, mas como quem instila poucas gotas de um veneno diariamente. Pessoas que já não caminho, que perdem a cor, tirnam-se assustadoramente macilentas, olhos fundos que nos observam como quem diz que (já) sabe tudo. Da vida e da morte próxima. E, finalmente, a angústia da impotência. Da simplesmente impossibilidade humana de interferir, de alterar, desviar o caminho de um simples verme! De como todas as técnicas, todo o avanço científico… de como tudo se reduz a nada! As religiões (sempre apaguaziguadoras) nos dizem da vida e da morte. Nos dizem da vida após a morte. Só não falam da impotência de deus sobre o apodrecimento em vida. Afinal, a inacreditável impossibilidade humana…
Entender o conhecido é mais difícil do que entender o desconhecido. Porque o desconhecido tem algo de mágico, de metafísico, algo que transcende, alguma coisa mística, por assim dizer. O conhecido é duro exatamente porque não nos permite pensar, imaginar. Simplesmente é. Impõem-se de forma aviltantante, leviana, crua. Cruel. Torna o mundo espectador de uma cena distante, um palco inalcançável, um jogo de espelhos onde todos os reflexos são verdadeiros, indistintos, mas ainda sim, são reflexos. Nunca sabemos qual o espelho principal, qual retrata a verdade, qual não faz parte do jogo. Como um sonho vazio. Como estar no meio do oceano. Não existe porto, não existe mão, não existem afirmações. São expectativas vãs. Todas elas. E uma expectativa vã, por si só, por sua falta de obviedade, deixa de ser expectativa, torna-se alguma coisa pesada ainda que não mensurável. Lembro-me do filme “2001, uma Odisséia no Espaço”, no momento em que o astronauta solto no espaço desprende-se da nave e segue sozinho, girando ao sabor sabe-se lá do quê. Restaria o futuro se ele existisse. Mas o futuro só existiria se ele fosse desconhecido, se fosse uma hipótese nova, uma surpresa. Nenhum futuro é surpreendente.
buscar as possibilidades da longevidade (e esse conceito de longevidade é tão fugaz…) ===> falamos com pessoas, procuramos entender todas as coisas disponíveis e as indisponíveis. faço-me entender mais pelo não dito do que pelo explicado minuciosamente. a chuva cai eternamente, não parando um segundo. imagino então a chuva caindo no meio do mar, durante a noite. água sobre água, nenhuma visão, apenas uma sensação de desconforto do próprio planeta, alguma coisa indistinta para os que não optaram por serem marujos. o marujo é um ser mítico, meio homem meio peixe, meio valente, meio suicida.
olho o mar aberto quando olho para dentro de mim, quando estou nesse estado de contemplação não do que é a vida e sim do que sou eu na vida, nas possibilidades que criei e nas que afastei, na explosão do momento cego, na virtude que não é, na percepção fragilmente humana, na dor da saudade antes da hora, saudade de antemão. e surpreendo-me ao ver que essa saudade não é exclusivamente minha, que é uma saudade de um todo humano, que a humanidade já sente falta do que ainda não deixou de acontecer, de estar presente. alguma coisa como a angústia não por despertar, mas pelo que poderia ter sido um sonho.
está em tudo e em todos uma percepção das coisas que poderiam ter sido – e não foram, impressão que seria igualmente percebida ainda que tudo fosse o contrário do que é/foi. os ônibus avançam bravamente sobre as poças d’água e fico admirando o tamanho das rodas dos veículos coletivos, como se elas fossem capazes de explicar um pouco a questão do paradoxo da supremacia.
a reviravolta binária
Publicado 15/09/2008 Entrelinhas , Idéias e ideais , o fim Deixar um Comentáriodeterminados desencontros na vida, muitas vezes, são mais comuns do que encontros. como se pudéssemos entender tal fenômeno, viro-me em todas as direções te buscando. não vejo nada, não encontro nada a não ser essa imagem pálida que vai se apagando no meu retrato de vida. peço ajuda a um e outro, mas pessoas nunca podem fazer nada completamente. sigo mais um ou dois quarteirões do que se chama rua (eu chamo de outra coisa), certo de que pode existir um beco. uma aternativa. mas não. são avenidas largas, tudo muito clean apesar das chuvas e mau tempo generalizado. até esse ‘mau tempo’ parece programado, parece ter sido criado em pixels. não existe entendimento que não seja binário. cada um de nós está muito envolvido com todas as nossas (poucas) coisas para nos atermos a qualquer outra alternativa. dor não existe porque admitir dor é admitir fracasso e ninguém presta-se a isso, porque o mundo é de meia dúzia de bem sucedidos inteligentes e trabalhadores e se não estamos entre eles, parece que não existimos, parece que somos uma proposta incompleta e mesmo nossa momentânea confiança se esvai como areia numa ampulheta mal projetada. pessoas deve fazer projetos, segui-los, concluí-los para depois receberem as benesses relativas a seus méritos. um mundo mais generoso com não-pessoas, com simulações, com holografias. percebe-se apenas o que deseja-se perceber. uma espécie de ordem natural das coisas. imutável para que a vida continue em ordem.
a falta de um professor
Publicado 14/09/2008 O pânico , morte , mãe , o fim , opções ao câncer Deixar um Comentáriovários romances tratam das fases terminais. lembro de um filme que um escritor (Sean Connery), condenado, passa todos os ensinamentos para seu aluno. este, tem loucura por esse professor/escritor que, percebendo que está definitivamente terminal, estimula o jovem a escrever um romance. o professor é um erudito renomado, sem avisar, escreve o prefácio para a obra do aluno, não avisa e some durante um mês. ao fim desse tempo o aluno recebe o prefácio do mestre junto com o anúncio do seu falecimento. o rapaz entra em desespero (sequer sabia que o mestre estava doente – ele vivia apenas bebendo!). o filme não é sentimentalóide nem babaca. o professor esculhambou o aluno enquanto pôde, fez todas as críticas possíveis para que o jovem escrevesse direito. repito: ele some. ninguém vê, ninguém sofre, ninguém tem pena de ninguém.
outras obras, como o último romance de Philip Roth mostram detalhadamente os últimos dias de seu personagem predileto, seu alter-ego. detalha todos os sofrimentos e angústias, dores, dúvidas.
Pergunto-me qual a maneira correta de agir. O que se faz nessas horas? Minha tendência, contrária à do doente, é me esconder. me embriagar (muito e sempre) e me esconder. covardia? talvez. e o que é a covardia? quem pode dizer? o julgamento eu mesmo faço e sou o promotor, jamais o advogado de defesa! nuvens negras em frente à minha janela… nuvens nigérrimas.
Sobre mim
Publicado 31/08/2008 delírio , escrever é preciso , o fim , viver não é preciso Deixar um Comentárionão a revolução como era de se esperar ou seria mais palatável, mas cerca-me uma impressão de morte, de podre, de fim. morte de plantas, de pedras, de areias, de prédios, de pessoas, de mim… vou e volto, de poltrona em poltrona, de livro em livro, de pensamento em pensamento como quem busca alguma coisa mais etérea, alguma coisa que ri, que sorri, que acalanta, talvez menos vívida e real… as realidades cansam como as lutas armadas, como os protestos, como a esperança num mundo mais justo ou demasiadamente justo… essa maneira angelical de perceber a vida, fechando os olhos para as cicatrizes que trazemos no rosto e no fundo do cérebro. toda essa coisa cansa, é tediosa como o dia chuvoso, como nuvens que predispõem ao suicídio. jamais existiu ou existirá um suicida que tenha a impressão putrefata da morte. esta é para os viventes, para os que têm planos, para os que amam ou odeiam, para os que olham trens que partem e sentem inveja dos viajantes
O viajante é aquela pessoa feliz que não tem consciência da sua alegria nem da felicidade que irradia.
por isso sempre senti mal cheiro nos relógios, nos marcadores de tempo mais variados, nos contadores de frames* que determinam se uma imagem na televisão pisca ou não*. esse realismo exacerbado que pretendem de nós como se de fato pudéssemos ser realistas diante da filosofia barata que herdamos de todos os filósofos que já ousaram… filósofos ousam, filósofos cometem filosofias e inventam palavras de forma a nos impedir de responder imediatamente, de destruir suas teses.
Perceber o mundo com o olhar da filosofia ou da psicologia é tão idiota quanto entrar nos templos de seitas e acreditar sequer numa palavra.
invadir o mundo com palavras e atitudes é o caminho para sobreviver. não palavras novas nem atitudes “revolucionárias” porque essa premissa revolucionária terminou, esgotou-se por si mesma, os homens entenderam, por fim, que existe apenas a revolução interior, a mudança, a aceitação do podre, do escatológico, do que parece, mas não é, nunca foi ou será. necessário é entender a velha que, vestida de negro, xale na cabeça, entra na igreja com uma vela acesa na mão com pedidos impossíveis para um ser superior que, igualmente, não se encontra naquele templo nem em lugar nenhum…
Verdadeiro será aperceber-se que o mundo é o mesmo e que sendo o mesmo ainda assim o desejamos e adoramos e não queremos que nossos entes queridos partam.
claro que não acontece assim porque nunca aconteceu, porque a explosão que fez o universo surgir como tal não bastou para um entendimento mínimo da ”imutabilidade” de todas as coisas no céu e na terra. existe uma razão neurológica para que sonhemos dormindo e acordados, para que possamos ter uma oportunidade de pedir, de orar, de nos ajoelharmos (porque não suportaríamos uma vida inteira estando permanentemente de pé), porque jamais a raça deveria estar de pé, deveria locomover-se como os gorilas – que, de fato – continuamos sendo. não sei exatamente da fragilidade humana porque sabê-la implicaria numa condição superior de analisá-la, numa cátedra que não existe verdadeiramente, que é ilusão do homem, de todos nós, para conseguirmos nos olhar, para acreditarmos numa (falsa) compreensão do outro – e de tudo (continua)
tem umas coisas que a gente vai fazendo pela vida sem pensar, sem procurar saber se são coisas “certas” ou coisas “erradas”. na maioria das vezes eu vou pelo lado “errado” o que bem demonstra que esses conceitos são absolutamente pessoais, que regras, definitivamente, não existem. já andei rabiscando por aqui sobre isso, sobre regras e leis que as pessoas fazem à seu bel prazer para aplicar nos outros. e olha que um número enorme de gente – a grande maioria – cai nessa e vai sentindo-se culpado à cada peidinho que solta como se o intestino fosse uma bola de encher (rs). e digo isso após uma leitura breve em cinco ou seis blogs onde escrevinhadores vão colocando suas vidas em trilhos alheios, vão elogiando e criticando ações do próximo, vão dizendo que “são espertas”, que não caem nisso ou naquilo. por isso eu acho confuso quando um blog vira matéria de jornal de outra blogueira – como se virar matéria de jornal fosse alguma coisa muito especial, um mérito, como se a autora do blog estivesse sobre todas as coisas… não está. se determinada criatura tem um blog e uma coluna em jornal e utiliza esse espaço para falar de um blog, das duas uma: ou está sem assunto ou gosta ‘particularmente’ do blog citado. tudo bem, é um direito de cada um. hoje fazem até filmes sobre blogs de gente que não tem a menor importância. tudo pode. o triste da história é que você vai no “material bruto”, no blog mesmo e encontra pessoas vazias, ressentimentos, ódios, “espertezas”, críticas e toda a sorte de bobagens que a publicação imediata permite. eu até leio e fico meio assim, sem saber muito o que dizer. resta-me então criticar, me entristecer quando escrevinhadores não sabem que têm um papel social sim, que escrevem para as pessoas lerem sim e, de certa forma, são formadoras de opinião… contra ou à favor. bom, eu nem ia falar nisso…
Ele deita para ver um pouco de televisão. Sabe que dormirá, mas finge não saber, como finge não querer dormir mesmo sabendo que será por muito pouco tempo. Acorda duas horas depois e se convence que dormiu pouco, embora desejasse dormir menos para, mais tarde, dormir de vez. São terríveis todos esses momentos em que descontrolamos o sono mesmo com a ajuda de soníferos. Porque a madrugada e seu negror vão chegar e aí vem a maior solidão do mundo. Alguns dizem que a solidão é das pessoas, varia de pessoa para pessoa. Ainda não tenho certeza dessa afirmativa (e, certamente, não terei mais até o fim). Lembro a mim mesmo que não tenho certeza de nada, mas não adianta. Acho que esse meu temor – desde criança – não é exatamente de não dormir, mas de ter que passar horas e horas comigo, no escuro. Por outro lado – veja que curioso! – não quero estar com ninguém, acho que nunca vai dar certo e sofro por não ter passado o dia com quem está carente de mim. Invento (para mim mesmo) que assim é melhor, que não se deve tossir em cima de uma pessoa doente. Tem gente mal informada que acha que eu minto, mas é um desvio de percepção porque minto muito, mas sempre para mim mesmo. Busco as respostas nos livros – uma vez que eles trazem todas as opções existentes – mas não encontro respostas satisfatórias e leio outro e mais um… Uma espécie de agonia. Cada livro concluído (a leitura) é um prazer – por tê-lo conhecido – e uma decepção por não ter me aliviado. é isso, acho que é. Ainda não descobri onde se encontram esses alívios já que não rolam com psiquiatras, com párocos, em casamentos e nem em amizades sinceras. Por todas essas coisas, ele vai tentando compreender finalmente o que pretende quando fala em sentir alívio. Eu sei o que é sentir alívio (é algo que nunca senti), mas não sei qual o significado disso tudo para ele. No espelho a imagem é cansada, de corpo drogado. O que vai por dentro, igualmente não é bom, é alguma coisa que geme, que às vezes urra (mas sempre para dentro, silenciosamente). Uma das coisas mais curiosas é ver que as pessoas não estão entendendo nada, só entendem o que é dito explicitamente e esse “dito” é nada, é ponta de estoque. Não há muito o que fazer com todas essas coisas e talvez daí venha um certo pavor das madrugadas insones. Apenas talvez. Talvez fossem necessárias respostas, respostas convincentes – para si e para os outros – de todos os porquês do mundo. Seria como encontrar dentre milhares de livros, qual deles marquei um dia com um pétala de rosa seca. Impossível. De certo, só a perda. A perda iminente, dia a dia mais próxima, que deixará por fim a marca definitiva. O dia em que a ampulheta será virada pela última vez.
“A gente mal nasce, começa a morrer”
Publicado 16/08/2008 Idéias e ideais , leveza do ser , o fim 1 Comentárioescrever e reescrever a vida….é o que tenho feito… diante da morte me encolho exatamente por não ser a minha morte. minha morte não me assusta, mas tenho pavor da morte alheia, principalmente de quem eu amo. não tenho um deus para pedir nem implorar (não, eu não seria tão calhorda assim)… portanto, sinto-me frágil e sem opção. busco algumas alternativas me que me relaxem, mas todas mostram-se frágeis. tudo é frágil no espaço vida. vida vivida, vida que não é essa nem aquela, não é a do filme nem da literatura clássica. a vida é mais dura, mais comezinha, mais simplezinha, mais nojenta. a vida é insuportável não exatamente por sua insuportabilidade, mas pelo paradoxo do descontrole. adoro a vida e, ao mesmo tempo desprezo-a pela sua insustentabilidade. ao contrário do que imaginava o tolo freud, quem se mata não está matando toda a existência que o incomoda… não… quem se mata simplesmente diz não a uma incoerência… diz não a uma opção que não foi a sua, a uma proposta equivocada desde a fecundação. o suicida nem é herói nem covarde – é, simplesmente, quem toma uma atitude coerente com sua visão de si e da vida… não, em tese não sou um suicida. sou apenas quem questiona as regras da vida. que não aceita barato. e muita gente não aceita barato. verdadeiro suicídio é calar-se, é não avaliar, não pensar sobre, aceitar ser simplesmente mais um.
Ninguém em nenhum lugar e em qualquer tempo teve a clareza de Vinícius: “A gente mal nasce, começa a morrer”

Disseram