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BBB, Ópera bufa, mas Ópera

É preciso cautela e discernimento para tratar de alguns assuntos. O “reality” BBB é um deles. Trata-se uma experiência com a interação e a curiosidade de uma população enorme em torno de um grupo que faz um jogo - que começa com esse grupo e, pela curiosidade alheia, se espraia de forma enlouquecida tornando um país inteiro participante desse jogo. A curiosidade em relação ao outro, uma curiosidade atávica e com forte teor psicológico porque deixa-se de olhar para si para olhar pessoas normais que participam de uma brincadeira por um prêmio, uma espécie de gincana…. Uma proposta impensável há trinta anos atrás.

Pode-se dizer que o jogo em si é tolo, que não possui nenhuma espécie de conteúdo (e nem era para ter), que não acrescenta nada a quem assiste (e por que julgar que a maioria é  ”burra’?)

Mas não foi essa maioria burra que elegeu vereadores, deputados e presidente da república??? A população que rala, que sua em troca de tão pouco dinheiro, que não se encosta nos poderosos da hora, que paga os maiores impostos do mundo e não têm retorno algum do Estado não pode se distrair?

Agora os intelectualóides de orelha de livros, a turma que vive patrulhando o outro, vive criticando sem olhar seu próprio rabo vem dizer que o BBB é um absurdo?! Por quê? Ora, essa brincadeira com a curiosidade humana, essa interação com o desconhecido, essa torcida (por falar em torcida…. o que nos acrescenta intelectualmente assistir a um jogo de futebol?) O modelo do BBB é usado em todo o mundo, nos países mais adiantados, mais ricos, paises que nem têm “O CARA” como chefe do estado, etc, etc. Existe uma fricção antropológica reconhecida por quem realmente entende de meios de comunicação de massa, de mídias, de jogos, de psicologia… Mas são incapazes (falta de cognição?) de perceber. Enquanto a população se diverte, a máquina funciona, enquanto o dinheiro aparece, o Ibope aumenta e tudo o mais, as viúvas dessa cultura mentirosa, os incapazes de realizar (que fingem que não ter audiência é o máximo, que audiência é um cancro que tudo corrói ficam falando mal e toda essa ignara de crítica. Ufa! Saco!

As coisas que escrevemos para nós – Virgínia Wolf

Não sei se Paul Auster escreve seus romances à mão, manuscritos. Creio que sim. Josué Montello faziea igual para não acordar a esposa de madrugada (Josué não dormia e por isso tem mais de 150 romances). Também não sei se li essa história do Paul Auster contada por um dos seus personagens ( que escrevia em papel quadriculado) – Afinal, Paul Auster é a maior mistério dos séculos XX e XXI.

Isso é apenas mais ou menos uma explicação da minha passagem breve por esse sítio. Ao longo da História, homens e mulheres fizeram suas narrativas manuscritas (em forma de diários e etc,) Conheci os blogs em 2000 ou 2001, apresentado por uma grande amiga. E resolvi fazer. Evidente que o conteúdo de cada post é igualmente manuscrito com um texto mais “politicamente incorreto” e MAIS VERDADEIRO colocando as coisas em seus devidos lugares. E criou-se o hábito de me responderem por e.mails e não na parte destinada a comentários. Por que? Porque há poucos anos descobri uma mulher baderneira que fez horrores (até mesmo espalhando na net que ela havia morrido). Não pretendo de maneira nenhuma ser crítico, agressivo ou mentiroso. Simplesmente quero deixar “a vida me levar”

Estranhas lendas

A insônia, na maioria das vezes, é mal interpretada. Durante a anamnése o xamã determina que o sono não chega por causa de um motivo X. É um equívoco. A insônia pode ter vários motivos separadamente ou um grupo de motivos (ou todos os motivos). Para solucionar existem terapias, medicamentos, e a Escola do sono que reeduca as pessoas vítimas desse sono em fuga. Embora não seja comum, eu invariavelmente sofria de insônia até o dia que encontrei um motorista de táxi extremamente bizarro com seus longos cabelos e caudalosa barba branca amarelada. Era desses que gostam de conversar com o passageiro. Durante o trajeto excêntrico o motorista – após falar de 3 ou 4 assuntos – disse que dirigia à noite porque sofria de insônia e, se estava trabalhando, não sofria de nada. Estranho sim, mas aquele raciocínio tinha lógica e muito mais quando ele concluiu que dormia durante o dia o sono dos justos, tranquilo como um passarinho. Ele percebeu por fim que não tinha insônia, que, na verdade, não gostava de dormir à noite e sim durante o dia.

Posteriormente encontrei esse mesmo homem (inconfundível) vestido de padre à porta de uma igreja quando a noite, brandamente, começava a chegar. Eu o reconheci e ele também me reconheceu. Confessou que era padre por ofício, mas que os párocos queriam missas durante o dia, negavam-se a frequentar uma igreja  de madrugada. Ele então acordava às 16 h, rezava apenas uma missa às 18 e, quando suas ovelhas retornavam para casa, ele pegava o táxi e ia realmente “trabalhar”.

Esse texto sem pé nem cabeça (aparentemente) baseia-se numa história que me contaram numa taberna nos tempos em que eu tinha paz.

Conversa fiada

Dia desses me perguntaram se eu tinha hábitos diurnos ou noturnos. Não consegui responder. Como vou saber uma coisa dessas. Existem momentos noturnos e períodos diurnos. Se eu for a um cinema, por exemplo, prefiro a tarde do que a noite. Se for brindar alguma coisa com amigos, prefiro a noite. Para escrever e ler, prefiro a manhã. Enfim, não sei mesmo se sou da noite ou do dia, mas acho que sou muito mais “diurno”. Durante o dia as coisas me parecem mais palpáveis - não exactamente pela iluminação do sol, mas por questões mais  ou menos psicológicas (essas “coisas psicológicas” são tactéis, não se iludam).

Tudo se desintegra no ar, todas as coisas são tão efêmeras que estão contidas, encapsuladas no “ACIDENTE VIDA”. Se aconteceu com você, quem ri por último é o espermatozóide que perdeu a corrida.

Durante a conversa (tolinha, reconheço) falei que durmo de dia e durmo pouco à noite. à noite também como mais, fumo muito mais, faço quase tudo demais!

Porque ser vivo é tornar-se imediatamente Sísifo para a eternidade. A diferença com o passar desse tal tempo é que as pedras vão tornando-se mais e mais pesadas.

E, como não poderia faltar, ele me pergunta sobre o suicídio. Qualquer conversa um pouquinho diferente termina sempre no bendito suicídio.  Ele me pergunta se eu tenho vontade de me suicidar. CLARO QUE NÃO! O suicídio é um cartucho final numa guerra onde todas as batalhas foram perdidas. Me despeço desse conhecido e vou para casa ler “Figuras e Coisas do Carnaval Carioca” dessa pessoa deliciosa que foi Jota Efegê.

Perseguindo Francis

Escrever é uma forma de ler às avessas, Portanto, quando estamos lendo pouco, obviamente escrevemos pouco. Isso porque recebi um e.mail amável reclamando que eu escrevia em média três posts por dia e hoje mal escrevo um por semana. É uma observação verdadeira (pelo menos para as 3 pessoas que frequentam este sítio). Entretanto, tenho escrito mais nos cadernos, que é completamente diferente. Não sei se acontece com alguém, mas em determinados momentos da vida tudo o que se tem a dizer é secretíssimo (rs). São coisas que, publicadas, trarão muita dificuldade, muito transtorno – político inclusive. E se pensam que estou com medo de publicar, eu respondo: sim e não. E é a velha história: o medo não é por quaisquer prejuízos políticos, trabalhistas ou ainda de relacionamento, de amizade… Não, não é nada disso. Mas sempre lembro Paulo Francis falando sobre uma crônica escrita há muito tempo atrás. Essa crônica, publicada num jornal em um momento errado, sem pensar, fez com que Francis perdesse dois grandes amigos, por exemplo. Dizia ele:

“Se o editor do jornal fosse sensível, não publicaria aquilo imediatamente. No dia seguinte me perguntaria se era mesmo aquilo que eu desejava publicar. E à partir de então não entreguei mais um crônica no mesmo dia em que escrevi.”

Hoje em dia tudo mudou… quem publica é a pessoa que escreveu. Toda a responsabilidade é dessa pessoa. Então, diante dessa qustão do ‘SIM’ e do ‘NÃO”, dessa responsabilidade vou avaliando o que é para publicar – tornar público – e o que é muito particular. Por outro lado, a publicação das coisas é meio viciante… na verdade, o que escrevo em particular também está publicado em outros sítios, lugares que não divulgo e muito menos dou o endereço. Tenho certeza de que alguém, encontrando os escritos, imediatamente saberá quem é o autor.

O que passa na cabeça de uma  pessoa é infinitamente maior do que o espaço em seu blog.

Atrás dos Panos ou Meus Óculos Escuros

O dia custa a amanhecer. Acordo frequentemente no meio da noite sem mais um pingo de sono – independente da quantidade de soníferos que tomei. Na verdade, não gosto de ficar acordado nas madrugadas. Não tenho paciência… prefiro infinitamente os dias… Se me considero uma pessoa solar? Igualmente não. Nem lua nem sol, talvez sombras onde eu possa perambular de óculos escuros, observando, mas não sendo observado. E olha que observar é uma coisa e xeretar a vida dos outros é completamente diferente. Na literatura de um ou dois séculos atrás sempre havia a personagem que vivia atrás de cortinas tomando conta da vida de todos. E me surpreendo hoje vendo pessoas que agem exatamente assim na vida real (e nesse ponto a arte imita a vida). Se me incomodo com esse comportamento? Certamente que sim. E me decepciono também. Na verdade, me irrito, não tenho saco e chego a ter um certo desprezo.

Hoje eu me lembro de cada uma das palavras que minha mãe dizia, que eu não acreditava, que eu achava serem exagero ou implicância dela. Não eram. Minha mãe com 79 anos, absolutamente lúcida me avisava, abria meus olhos e eu não via. Agora sinto um imenso remorso por ter duvidado dos alertas que ela insistia em me mandar. Tarde demais.

Meus óculos escuros: suavizam o excesso de luz que vem em minha direção… protegem meu espírito (não metafísico) – não que o mal deixe de existir, mas amenizo sua percepção. Gostaria de, com eles, não ser reconhecido como Clark Kent e seus óculos comuns, mas não se pode viver a fantasia das histórias em quadrinhos. Esses óculos escuros, enfiam, criam uma persona, um avatar e libertam meus sentidos e sentimentos. Por fim, disfarçam toda a tristeza que meus olhos carregam. Demonstram muito pouco toda a angústia que a ignara ululante insiste em me expor.

Sobre minha barba e o Natal

Para mim, o Natal sempre foi uma festa chata, uma comemoração meio sem sentido. Quando minhas tias eram vivas, sempre rolava um almoço (delicioso) na casa da minha tia Lourdes Mayer e era o momento da família toda se ver, aquelas coisas… Depois, sem ela e eu mais velho, fui me afastando dessas coisas. Afinal, nunca fui mesmo de confraternizações, entrega de presentes, etc. Minha mãe ficava preocupada por eu passar esse período sozinho e, para amenizar preocupações, eu sempre inventava grandes festas, churrascos em sítios de amigos e passada a data, descrevia essas comemorações nos mínimos detalhes. Com isso, acalmava todo mundo e mantinha minha privacidade.

Portanto seria uma mentira ridícula, dizer que passei o Natal sozinho por encontrar-me de luto. Não. Fiquei sozinho como sempre, como eu gosto. Mantenho o costume de quase todo o dia de comer um miojo, um ovo cozido ou uma sardinha em lata. Pode parecer estranho a alguns, mas para mim é normal. Como presente natalino, telefonei para a livraria e me mandaram três livros (que ainda não abri).

Artur, meu gato, é uma companhia e tanto! Claro que não desprezo a companhia de ninguém (minto, de algumas pessoas desprezo sim, mas são muito poucas). Nem sei bem porquê, depois da juventude comecei a me afastar de comemorações oficiais, de todas elas como Natal, Ano Novo, Carnaval (e outras). Realmente acho tudo isso muuuuuito chato! E a verdade é que as pessoas me acham no mínimo, excêntrico, mas a grande maioria me acha doido de pedra mesmo, antipático e arrogante. Vá lá… que seja!

Prefiro muito mais fazer uma caminhada no entorno da minha casa, falar um pouco com os miseráveis, com os donos de botecos de quinta categoria (o que é um boteco de primeira categoria??? rs), pagar uma pinga para um mendigo, desejar felicidades aos porteiros e seguir chutando pedrinhas e essa coisas desimportantes que faço sempre. Dou também um telefonema ou mando um e.mail para os conhecidos e amigos que me lembro, mas certamente esqueço gente e acabo sendo injusto. Não fico triste porque essa história de ser ou não injusto é muito subjetiva.

Sim, tomo minhas pingas e cervejas, penso em muita coisa e rasgo papéis velhos que deixo acumular durante o ano. Não cultivo nenhuma expectativa de melhora ou piora para o novo ano que está chegando. Calendário não deixa de ser uma coisificação do tempo que, a meu ver, como sabem, eu não acredito. Como, igualmente, não creio em destino nem em nada metafísico. Existem inúmeras pesquisas apontando pessoas solitárias e descrentes muito mais infelizes e passíveis de doenças. Talvez seja verdade, talvez não. Não me interessa também.

Em suma, a verdade é que estou bem, estou igual, como sempre fui… Para variar, tirei a barba (certamente por pouco tempo). Tem pessoas que me preferem de barba, outras sem barba. O que acabo achando engraçado.

A passarinha de Balza K.

As meninas quando fazem trinta anos deveriam estar comprando o primeiro sutiã ou o primeiro salto alto ou abandonando a última mousse de chocolate… Meninas são estranhas porque se assustam rapidamente (hormônios, hormônios….)… Essas moças de hoje (que não andaram no bonde da Praça Tiradentes e só conheceram a Av. Atlântica com duas pistas), que adoram nosso glorioso Noll, mas não têm paciência para ler “O Paraíso Perdido”, de Milton, não têm paciência para se casarem e menos ainda para filhos… Sampa. Meninas independentes, olheiras profundas por excesso de trabalho, de emoção pelo que foi, pelo que vem e pelo que virá, estressadas pelo que viveram e pelo que viverão, o que é e o que será… São Francisquinho de Assis, deixa um pouco de lado os passarinhos e olha para tudo aquilo que brota no meu solo varonil ou melhor, meu puro santinho…: Olha apenas para ela, se não todos, pelo menos para a passarinha (a ave, meu santinho) que revoa hoje nessa agitação de seus trinta aninhos como quem goza o nascimento de mais uma mulher plena, dessas que, cansadinhas de serem meninas brincando de senhoras, serão agora mulheres que sabem ser meninas para sempre. Existe umazinha apenas que inverteu, reverteu, reinverteu tudo e agora não sabe mais onde está. É hora de mostrar, definitivamente, a cidade iluminada, mesmo com fumaça, mas antes, acena e mostra pra ela primeiro São Salvador e, lá não ficando, acena ainda com o calçadão de Copacabana, a Lagoa e, igualmente, a Lapa dos malandros de antes e dos, igualmente, de agora. É hora de amansar essa passarinha (a ave, meu santinho, pô!) não para o cativeiro. Ao contrário: para a vida, longa vida . . . (vida longa, vida breve, né? .. yéh! rs)

Destino

Se não houver amanhã. Todos os dias, à cada segundo, essa frase está presente na cabeça de todos os homens e mulheres, crianças e velhos. Presente, mas inconsciente porque antes é preciso saber se acreditamos em destino ou não. Dizer que o destino traz sempre o fim não é um raciocínio lógico, é óbvio. Mas os que acreditam no destino a pergunta muda, deixa de ser pergunta, mas uma impressão suave de que não se pode saber, que o destino está traçado. Uma bala traçante pode ser interpretada como um “destino”. Ou um automóvel na contra mão. Imaginar o destino é imaginar a imobilidade da vida, a falta de razão para existir. Afinal, um espermatozóide não alcançou seu objetivo por destino: ELE CORREU MAIS. Assim, a vida seria uma corrida em busca de emoções (baratas). Todas as emoções são baratas porque todas elas estão catalogadas e diferenciam pouco de pessoa para pessoa. De uma forma geral, os desejos são os mesmos. Nesse aspecto, desconsiderando o destino, tornando-o uma crendice popular, é possível que a frase “Se houver um amanhã” afaste-se um pouco do inconsciente (zona morta e metafísica). Porque o conceito de destino rivaliza com a possibilidade de tempo. Se há destino, não existe tempo. É uma vida acompanhada de uma bula. Um trem agarrado em seus trilhos. Sem possibilidade de encruzilhadas. Ao contrário. A vida é uma sucessão de encruzilhadas, de setas, de caminhos claros ou obscuros, de aventuras que se emendam umas nas outras como no livro de Calvino “Se um Viajante numa Noite de Inverno”. A busca dos cadernos que, por fim, se tornarão um livro é constante….um frenesi. Frenesi de segundos, horas, meses, anos. Jamais o conceito de Matrix e sim da velha gincana de antigamente. É a possibilidade concreta de sair do carrossel e buscar a montanha russa. Não adiantaria fazer nada nem buscar qualquer coisa se os dados fossem marcados.

Criticar para quê?

A necessidade de escrever, de uma maneira geral, deve vir de dois fatores: toda a aventura humana não cabe em um só espírito, numa única mente. O segundo é que o escrevinhador normalmente é leitor e lendo percebe a possibilidade, o alívio do autor. Claro que nem todos escrevem bem, cada um tem sua carga de cultura e criatividade (uns muito mais, outros muito menos).

Quando eu leio as coisas por essa ‘blogosfera’ (palavrinha imbecil!) em momento nenhum faço julgamento de valor, fico avaliando quem escreve bem e quem escreve mal. Não. Esse julgamento eu faço com os livros. Aqui eu leio sem nenhuma crítica. Fico apenas feliz ao perceber que as pessoas estão dividindo seus pensamentos, suas críticas. suas tristezas e alegrias, firmezas e fraquezas…. que, enfim, ao final de cada post ficaram mais aliviadas, saíram mais felizes.

Novas tecnologias

Apesar do monte de besteiradas que rolam, há muito mais vida inteligente na internet do que na TV, no Rádio e, muitas vezes no teatro. O motivo é muito simples: a internet trabalha com produtos individuais e a televisão com grupos, equipes, diretores e todo esse blá-blá-blá. Como o ser humano é uno, ao formar equipe, criam-se atritos (ainda que sejam equipes unidas em torno de um objetivo comum). Televisão é assembleísmo, é opinião de mais de um, é julgamento, ibope e toda essa tralha. Só no escritor, no romancista, no erudito ou o escrevinhador da internet existe possibilidade de expressão única verdadeira (apesar de todos os equívocos que possam ocorrer). E não há dúvida (não para a nossa geração) que as novas tecnologias vão proporcionar o indivíduo pleno, capaz de pensar, agir, opinar… sem nenhuma repressão.

Maracatú atômico

Ontem encontrei um espaço fantástico e uma pessoa mais ainda. E ainda me surpreendo quando acontecem as explosões dos encontros. São coisas que ultrapassam o previsto e destroem o conceito de destino. São situações de BIG BANG, flores que despontam no jardim (e já aparecem abertas e com néctar). E eu tenho muito a falar sobre essa história (que já me surpreende – sim, eu me surpreendo sempre!). Mas é nada disso o mais importante. Como sempre digo sou um amador muito sujeito à explosões de paixão por coisas e pessoas. Essas coisas nos mantém vivos, não fosse isso, haveria um suicídio coletivo. E também vivo das coisas que descubro e mantenho segredo, coisas que, por um período de maturação, são exclusivamente minhas. Se sou possessivo? De certa forma sim… e quem não é? Até Sartre era! Portanto, permito-me silenciar de certa forma. Porque o prazer do encontro, da descoberta e da “descoberta do encontro” merece um pouco de gozo do segredo (na minha opinião). Pessoas, pessoas, pessoas… quantas pessoas existem para cada pessoa? Uma, duas, dez, mil?

Mas é claro que se existem comentários nada é escondido… o ato de esconder é um exercício meu – por mais que esteja divulgado… coisas de um neurótico existencial..rs… Há muito há dizer, muito a sentir, muito o que explicar (para mim mesmo), muito o que exercitar no encontro de átomos… não se deve invadir os domínios da natureza, li em algum lugar

Somos escravos como sempre fomos

não, não abandonei este espaço. e muito menos me faltam assuntos que gostaria de colocar: questionamentos, dúvidas, citações etc. o problema é tempo. na grande maioria das vezes são somos donos do nosso tempo (o que não deixa de ser um absurdo), mas trata-se uma realidade brutal para a maioria das pessoas. o trabalho absorve praticamente todo o nosso tempo e isso, olhando de outro ângulo, é escravidão (certo, a escravidão não acabou). aliás, esse conceito de escravidão é muito interessante porque o escravo que se sabia escravo tinha consciência da sua situação e criava outras formas de relação com a vida (religiosos – no sincretismo – e nos próprios folguedos). o mundo moderno (principalmente posteriormente à revolução industrial) é mais canalha: a forma de subsistir agora (e cada vez mais) está alicerçada no trabalho, no ganho do capital (ou não se come!). como ainda nos damos ao luxo de desejar comer (“a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte”) tem um preço: o trabalho árduo. Domenico de Masi errou totalmente quando disse que o mundo moderno e suas novas tecnologias iriam permitir um tempo maior de ócio (ainda que criativo) à humanidade: besteira! quanto mais “de ponta” ficam as novas tecnologias, mais nos envolvemos com elas e trabalhamos, mais e mais e mais.

Governo Lula cria leis para “os outros”

“Presidente afirma que decreto que proíbe fumo no Planalto não vale em sua sala. Fumando cigarrilha durante a entrevista concedida no Palácio do Planalto, Lula afirma que “na minha [sala], sou eu que mando”. “Eu defendo, na verdade, o uso do fumo em qualquer lugar. Só fuma quem é viciado.” Essa foi a resposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao ser indagado qual a sua opinião sobre o projeto federal que proíbe o fumo em lugares fechados, a exemplo do que foi proposto pelo governador José Serra (PSDB), na semana passada.” (retirado ex-blog Cesar Maia)

Pois então. Dia desses li um artigo interessante no jornal O Globo mostrando como os governos vão paulatinamente e à sorrelfa criando regras inconstitucionais e cerceando os direitos individuais das pessoas. A proibição do uso do cigarro em restaurantes dá bem a medida de como estamos sendo tutelados. Está evidente que não tenho o direito de fumar ao lado de quem não fume, ainda mais se considerarmos que estando próximo ao fumante, a outra pessoa torna-se igualmente fumante passiva. Mas a lei talvez fosse mais correta obrigando a que esses estabelecimentos criassem áreas distintas para o gosto de cada um. Ou uma outra possibilidade: determinado comerciante tem uma clientela de 80% de fumantes de 20% de não fumantes. Por que esse mesmo comerciante não tem o direito de abdicar dos 20% dos clientes fumantes e preferir ficar com os 80% fumantes? Por que? A proibição de área para fumódromos nas empresas ocasionam o quê? Menor produtividade, visto que a pessoa viciada, larga o trabalho, espera um elevador, vai fumar na rua e volta. Isso várias vezes ao dia!

O mesmo se dá com essa draconiana lei que proíbe que o motorista beba um gole de cerveja: “Os índices de acidentes caíram brutalmente” – gritarão os afoitos. Não é verdade. O índice de acidentes diminuiu porque a fiscalização aumentou! Se a fiscalização continuasse pífia como antes, não diminuiriam em nada os acidentes automobilísticos. E, se já existia lei regulamentando o uso de bebidas alcoólicas anteriormente, porque a fiscalização severa de hoje não era exercida anteriormente?

O comerciante de beira de estrada proibido de vender bebidas alcoólicas foi ele próprio o único prejudicado porque muitas pessoas já entram na estrada após beberem e, se o desejarem mesmo, entram em qualquer lugarejo de beira de estrada e bebem o que bem entenderem.

Proibem anúncios de cigarros e bebidas (esta, até determinado horário) como se isso, de fato, mudasse alguma coisa. Está provado que não muda! Quem quer, começa a fumar sim, começa e a beber sim, etc. Mas o governo se intromete no setor de propagandas, causa prejuízos e tutela cidadãos como se fossem todos débeis mentais que não pudessem fazer suas escolhas.

Uma pessoa portando pequena quantidade de droga ilícita para uso próprio é severamente castigada, vai para a cadeia, é humilhada e, certamente, espancada (por agentes ou outros presidiários). Os criminosos de colarinho branco (apesar do show das algemas) ficam algumas horas ou poucos dias detidos e são liberados depois (e ainda cria-se lei proibindo que sejam algemados(!) – algema só para negro favelado!)

Mas não devemos nos enganar. O Brasil (e outros países) continuam macaquitos dos Estados Unidos reafirmando que o que é bom para eles é bom para nós. Interessante lembrar que continuam fumando nos EUA como sempre fumaram, bebendo como sempre beberam. Por um motivo simples: O cidadão escolhe seu caminho, seus hábitos, seus vícios. É humano – isso nunca mudou ou mudará.

Em contrapartida o governo é completamente incapaz (nem de longe) de, minimamente, disponibilizar à população (que paga altíssimos impostos – os maiores do mundo!) o direito à Saúde, Educação, Segurança, Saneamento e outros!)

Do que não há com explicar

Todas as anotações se dissolvem, as expectativas tornam-se sonhos risíveis, desses que sabemos que não teremos tempo de vivenciar. o plano é observar mais as pessoas que passam caminhando na rua, a maioria apressada por conta de seus horários de trabalho e a outra parte suspeita, parece que os bandidos estão todos soltos no rio de janeiro. se abate sobre mim constatar que realizei um péssimo produto áudiovisual digno das mais veementes críticas. e me critico por isso. não me critico por ter realizado uma coisa pífia, mas, antes, por aceitar um trabalho de escravo, com metas, com datas e horários, um trabalho que, mesmo eu desconfiando ser ruim, não poso voltar atrás e refazer. as televisões, as produtoras, todos esses lugares estão completamente distanciados da arte, não têm a menor preocupação nesse sentido artístico mesmo. e as pessoas que participam desse processo também esquecem de tudo e correm e correm e se estressam, mas não passa disso. ninguém pára e reflete. fico imaginando o que eu estou fazendo metido nesses buracos, porquê encaminhei minha vida para isso se já sabia há muito tempo que só ia me gerar frustração. pronto, foi um programa ao ar, breve irá mais um e mais um. corra, lola, corra! sou um estrangeiro num ambiente que insisto em permanecer há trinta e cinco anos. somente quando ando pelas ruas, carregando minha agorafobia, ou quando estou na segurança de casa é que os pensamentos me invadem, que a crítica toma conta de mim e, olhando para trás, percebo que o único responsável sou eu mesmo.

o que se começa aos 53 anos de idade? como se buscam outros caminhos quando não há dinheiro, saúde, paciência e, principalmente, inspiração? jogar uma bomba atômica sobre esse avatar e partir em busca de outro, de outra vida, outra história, outro caminho, outro, outro e sempre outro? as deficiências físicas, a falta de ar, a pressão alta, a pressão que não é a arterial também me consumindo…. olho novamente de soslaio as pessoas na rua e me pergunto se essa pessoas sofrem esse tipo de angústia, se poderiam entender mesmo que eu escrevesse tudo numa parede enorme e branca… não creio. mesmo entre os poucos amigos e conhecidos… quem está percebendo o quê? quem me olha quando sorrio e vê além, percebe que por trás desses olhos aparentemente sinceros, existe toda a solidão, dúvida e amargura do mundo? não de forma crítica, mas como um outro espírito que está aqui ao lado, que encarnou numa pessoa errada e em vida, não temos como desfazer esse engano metafísico? falo em fazer encontros para tentar amparar coisas desamparadas, mas sei, igualmente, que todos estarão discutindo coisas superficiais e, com certeza, não perceberão do que estou falando, já que não têm a mesma angústia, fazem parte de um outro grupo, de uma outra proposta, esta sim, bem sedimentada… se, por acaso, sou prisioneiro de alguma coisa, é de mim mesmo e não posso transferir isso para quem nem imagina do que estou falando… por isso, melhor andar pelas ruas e observar estranhos, formigas trabalhadoras que não têm consciência da morte que as espreita.

Dalton

Bicho…. Não ler Dalton Trevisan é tentar desconhecer o inferno (nosso)!

Ainda sobre ela

K. é a mulher da minha vida. Não nesse sentido bundinha que vocês estão pensando, de um chopinho aqui ou uma trepadinha ali. Nada disso. K. é ancestral. Nasceu antes de mim embora eu tenha vinte e quatro anos a mais do que ela. É quase pedofilia. Hoje mesmo, enquanto conversávamos ao telefone (ISSO…MORRAM DE INVEJA, NOS FALAMOS AO TELEFONE), eu falava disso. K….. sou um pedófilo de você. As pessoas que não nos conhecem e não imaginam o que conversarmos por e.mail e por MSN, não têm idéia do quanto nos amamos e do quanto brigamos. Realmente as pessoas fantasiam, mas não fazem idéia do que fazemos ou, por outro lado lado, deixamos de fazer. Teve até uma proposta de me delatar a uma Delegacia de Mulheres mas, como sou uma pessoa muito bem relacionada, (sou amigo até do Ricardo.)…fiquei amigo do comandante-em chefe- das delegacias de mulheres de São Paulo. Ou seja, K. ficou absolutamente minha refém…. a polícia jamais dará ouvidos às chorumelas dela contra meus ataques (quase fatais). O que eu ganho com isso? O que sempre quis, o controle absoluto sobre K. O que perco? Nada porque sou uma pessoa que, nessa altura, não tem mais nada a perder. Vejo no blog dessa menina (que é a menina dos meus olhos (?)) umas senhoras que se preocupam com ela sem saberem exatamente o que ela gosta de fazer comigo  (De quantas barbaridades ela é capaz!). Essa menina faz, senhoras e senhores, barbaridades comigo, muitas vezes sem fazer algo real, palpável. Sou um escravo, um sem-razão. Não me queixo de maneira nenhuma. Temos um pacto abençoado pelo demônio, vermelho como ele só! O que faço daqui pra frente? Nada. Perguntem a ela se tiverem coragem. Como realmente não têm, ignorem, comodamente, esse post e deixem a pedófila K. abusar desse menino que eu sou. À propósito…. você conhece a teoria do duplo? (Leiam Operação Shylok do Philip Roth) Se a teoria for correta, alguém existe em algum canto do mundo exatamente como nós. Se for incorreta, existe uma divisão mental em nós mesmos que faz com que criemos outro eu… Ou seja: quem é quem?

órgão de prazer: um mar de caracteres

o ato solitário de escrever pode ser uma aventura sem volta. sem volta porque escrevendo você brinca de semi-deus, mas sem a contrapartida dos poderes. você invariavelmente escreve muitas coisas que não eram para serem escritas, porque eram coisas suas – muitas vezes inconscientes! – que o leitor ou não compreende ou não está disposto a aceitar. eu sou mestre em fazer esse tipo de coisa. acho até que não sou ofensivo no sentido mais rasteiro da palavra, mas, de uma forma ou de outra, o que foi escrito não tem retorno. mesmo num ambiente virtual onde coisas são “apagadas”, deletadas, não adianta. escreveu, escreveu, está ali, alguém viu que você disse uma estupidez. escrever é uma prerrogativa libertária que os homens (quase sempre) não estão preparados para perceber. o ato de escrever ainda inebria falsamente parecendo que dá uma noção de “poder”, o poder de dizer coisas e dizer de uma forma que fiquem gravadas. nada mais falso.  sábio é o homem que silencia, que observa, que entende o outro, as diferenças múltiplas, as opções de cada um sem jamais emitir julgamento, sem jamais ousar interferir no que o outro faz, diz ou escreve. porque é uma equação simples, digna de um menino de um ano de idade: cada ser tem seu próprio mecanismo de raciocínio, de lógica e ele está absolutamente certo daquilo que faz como nós , igualmente, estamos. o que para mim pode ser natural, pode não ser para o outro e vice e versa. simplesmente porque a verdade não existe, é um conceito abstrato e, principalmente, extremamente frágil. e…. se nada é nada, como podemos opinar sobre o nada de um outro à partir da impressão de um “nada” nosso? as guerras, as grandes guerras tem suas origens em bilhetes rascunhados em guardanapos!

o que fazemos então? refreamos o desejo de escrever? se fosse assim, não haveria a literatura, por exemplo. não haveria pedra sobre pedra, não haveria História, nada. ou seja: não há receita. poderia dizer que deve haver menos emoção, mas isso, igualmente, não é verdade. poetas e tantos e tantos autores não escrevem num mar de emoção? o importante é percebermos que escrever é uma arma. uma arma que pode se voltar contra nós. e a escrita é o paradoxo de agregar, de nos unirmos a um mundo inteiramente escrito. caracteres têm a mesma carga de humanidade que pessoas. caracter é vida, é produto de sentimento humano, é órgão de prazer.

Em busca do Tempo

Num mundo de verdades e de sonhos onde não sei o que é mais verdade ou mais sonho, até porque não passam de conceitos, vou me perdendo daquilo em que fui adestrado para ser. Não sou mais, portanto. Sou outro, de certa forma leviano culturalmente, que se entrega a textos “baixos”, que se permite adornar com letras que não dizem mais nada, que expressaram num tempo outro, uma verdade que se provou mentira e num momento que, de fato, nunca existiu, um momento que faz muito mais parte de uma história própria “inventada” do que aquilo que os outros chamam realidade. Faço-o propositalmente, exatamente na busca de uma aventura que se dispersa, se esfarela com o tempo, com o passar dos dias, meses e anos. Não sei onde tudo isso vai dar, onde essa perspectiva meio assanhada de um intelecto já meio carcomido entrega os pontos para o que pode ser inventado. Sou muito mais inventado (por mim e pelos outros) do que um espermatozóide crescido. Os fios brancos que nascem em meu corpo alertam não exatamente para o convencional passar do tempo, mas para a possibilidade outra de reinventar alguma coisa – não sei o quê – que seja menos caricata como tudo o que há na vida. Se a vida é um amontoado de máscaras caricatas, dessas que se compram em lojas de produtos carnavalescos, busco então a máscara de Gênova e arrabaldes, berço de um carnaval bem comportado que, certamente, me agrada mais. Percebo, com espanto, que sou o contrário de um Macunaíma, que me encontro prisioneiro da “Crônica da Casa Assassinada” de Lúcio Cardoso – que releio sempre em busca de uma redenção perdida porque não somos personagens exatos de uma obra fechada, mas de uma obra em construção, em movimento. Mesmo sabendo que essa “possível obra” terá um final do qual não escaparei, ainda assim vou de um lado ao outro, percorrendo meu corpo e minha rua, teu corpo e tua rua admitindo que não finalizamos ainda, que esse ou aquele autor poderão alterar sentimentos e situações que se refletiram em mim ou nas coisas que observo ou que me observam.

Os bares, na verdade, não me dizem nada, como, de certa maneira, nada exatamente me diz nada e tudo me diz tudo como a mostrar que não há um porto seguro, não há uma situação de calmaria onde eu possa “ancorar” meu barco cansado. Não. O que há é um oceano à minha frente que clama para ser atravessado, para que eu veja as bordas do mundo, se a água por lá escorre para o espaço ou não. Essa é a maneira encontrada por aquilo que chamam destino de fazer eu me aventurar mais e mais em caminhos e descaminhos que deixam marcas profundas no meu espírito (Sísifico), forma de fazer com que eu me enamore por objetos marinhos (como se marinhos não fôssemos todos nós). Prefiro terra firme ao mar e ao ar, e nem por isso deixo de navegar e voar. Um vôo que não é só meu, que é de um grupo, de uma classe, de um gênero. Vou me diluindo nessa multidão, nessa massa amorfa que me dizem povo, humanidade ou sei lá o quê. Sei que não é bem assim, mas, como não tenho a definição exata, aceito o que me dizem enquanto ainda estou nesse quarto de formas inexatas, com perspectivas vãs em busca de uma redanção que não virá, bem sei.

Resistência

Um movimento inteiro deixado de lado. Essa a realidade que me dói, constrange diante do inevitável passar desse tempo de nuvens carregadas, dessa impossibilidade frugal, enfrentamento e tentativa de destruição ao quiosque coberto de palha seca numa ilha paradisíaca. Por outra, uma certa visão do mal, do desastre que não se anunciou, da mudança radical tomada emprestada de uma visão deformada e deformante da filosofia barata. Aparente fim de jogo, aparente tentativa de desmobilizar o que é, o que construímos em tão poucas gerações… Sou esses pensamentos insanos que tomam corações e mentes frente às nuvens negras que prenunciam um tipo de morte não anunciada.

Caminho por ruas conhecidas, eu mesmo com uma visão desconhecida, de estranhamento diante de um certo lamaçal orgânico que destruí já na minha juventude e agora reaparece como um fantasma que se pretende assustador, mas é apenas uma pálida tentativa de retornar ao anteriormente restabelecido que todos nós, ainda muito jovens, atiramos na lixeira da História.

O que se busca então é a retomada das conquistas e a manutenção do lixo nos aterros. O que buscamos é a revolta diante de tantos políticos corruptos, da polícia corrupta e assassina, da fome, da falta da Educação e da Saúde para esse povo pobre e sofrido. Somos o que restou da guerra suja, somos a Resistência última, a tentativa matuta de reinventar um passado de lutas já inventadas. Deveríamos ser as sentinelas atentas contra tudo o que de execrável insiste em reaparecer, retomar. Somos a semente da mostarda, o filho pródigo que se recusa a crescer numa sociedade fútil e vagabunda.

Inconsciente? Mesmo?

Em determinados momentos enfrentamos enormes desertos super áridos, como se tivéssemos viajado ao Saara. Mas o deserto é aqui, é invidual, cabe inteiro em nosso inconsciente (passando para o consciente). Se é realmente assim termino por discordar de Sartre quando afirmou que “o inferno são os outros”. Eu diria que o inferno somos nós mesmos na medida em que não temos o menor controle sobre o inconsciente – e por isso ele é inconsciente.

Por outro lado, seria inconcebível não termos inconsciente. Com certteza seria o mármore do inferno. Viveríamos numa mistura de desejos proibidos, paixões, taras, lutas, assassinatos em massa, suicídios infanticídios etc. sem ter algo que colocasse um pouco de ordem em corações e mentes. E se tudo isso está contido em nós, com certeza, o inferno somos nós (o que não impede que sejamos do outro também)

De uma foma ou de outra é muito bom possuir esse depósito contido, ser, essencialmente, inconsciente ( e um pouco inconseqüentes também)

De volta à Lapa

Minha caminhada matinal não tem nada a ver com o culto ao corpo nem à saúde. Caminho simplesmente porque tenho que me deslocar de um ponto ao outro para comprar isso ou aquilo. Cigarros, por exemplo. Ao mesmo tempo encontro nas ruas conhecidos. Dessas pessoas que um belo dia te dão “Bom dia” no meio da avenida e, à partir daquela hora, te cumprimentam para sempre. São sempre pessoas de mais idade, pessoas com minha idade. Os mais jovens devem cumprimentar os mais jovens e os jurássicos idem. Quando eu morava em Copacabana ficava impressionado com o número de pessoas de idade que andavam em cadeiras de rodas elétricas (mais pareciam um carrinho, uma baratinha de corrida)). Aqui na Lapa nunca tive oportunidade de cruzar com nenhum sequer. Verdade que as calçadas não são boas e, apesar de se falar tanto em ‘revitalização da Lapa’, é mentira. Aqui só mora gente muito pobre. E pobre não tem cadeira de rodas movida a eletricidade. A Lapa é um ponto turístico onde as pessoas da noite vêm se divertir em busca das casas noturnas abundantes (algumas exóticas). Só isso. Depois cada um pega seu carrão e volta para o bairro de origem. De certa forma, o centro da cidade inteiro deixou de ser um bom lugar de moradia ou que tenha status para tal. Não tem. Quando eu conto para alguma pessoa que moro na Lapa, sempre há um sorriso curioso, como se eu fosse mais valente ou mais pobre. E a fala é sempre a mesma: “Você mora bem dentro do agito, deve ser ótimo morar aí”. Claro que eu não acredito no que estão dizendo, se fosse verdade, essas pessoas que admiram tanto o centro morariam aqui. Nas padarias, farmácias, ruelas, etc. encontro somente pessoas humildes. Outra característica: as pessoas não têm cachorros. Não existem cachorros nas ruas, o que não se pode falar de mendigos (são muitos e muitos). Verdade que também sempre encontrei milhões de mendigos em Copacabana, Ipanema e tal. Enfim, morar na Lapa não é pior nem melhor do que morar em outro lugar, mas não me venham fazer olhares de encantamento, como se aqui fosse um glamour puro. Não é! De toda a forma, eu gosto de morar aqui.

Dos feriados loucos

São dias em que não nos ensinam se devemos ser bacanas ou mal comportados. Esperam uma atitude, sei que esperam. Todo mundo espera uma atitude do outro, bem ali ao lado. Mas a mídia é quem dita qual o comportamento que devemos assumir diariamente. Eu assumo vários e sou pouco influenciado pela mídia porque a conheço por dentro e não acredito nela. Sou o que inventa as histórias para outros e para mim mesmo. Muitas vezes sei que as coisas não vão dar certo, não vão “pegar” porque não foram bem feitas. Sim, coisas devem ser bem feitas, todas as coisas. E, principalmente, explico aos meninos, todas as coisas são “feitas” em algum momento, nada é grátis, nada acontece, nem a chuva. Então somos todos grafiteiros, somos todos bad boys, somos todos o lado esquerdo de deus, a fúria, a ira, o desequilíbrio universal. Sim, sim, eu sou um desequilíbrio universal e sem mim haveriam mais chances para outros como sem outros haveriam mais chances para mim. Estamos todos numa canoa furada, tentando inventar coisas que já foram inventadas desde sempre e sempre. E por que insistimos? Porque não suportamos a existência como ela se apresenta, pálida, sombra fugidia do que seria uma ópera rock, por exemplo. E nem sempre estamos preparados para as óperas como nem sempre estamos preparados para levar socos no estômago de autores que viram tudo de cabeça pra baixo e nos ensinam que não é nada disso que achávamos que era, que tudo é mais, é outra coisa, é desequilíbrio (do nosso ponto de vista) porque desequilíbrio de verdade não existe – como não existe equilíbrio – como não existem regras que esperamos encontrar respeitadas no mendigo da esquina ou na dama da sociedade. Não, é tudo empulhação – eles nos dizem e nós, como cachorrinhos amestrados, dizemos: sim, sim, sim

Crimes hediondos e blogs fúteis

Tenho, nesses tempos de pressa uma dívida com os outros blogues: não tenho lido nada. Hoje li um deles em que sou citado. Mal citado, bem entendido. Realmente não me interessa porque essas coisas estão aquém das minhas prioridades. Não é à toa que inúmeras pesquisas apontam o Brasil como o país com piores blogs de todos os tempos. Escreve-se mal. Fala-se mal da vida alheia. Calunia-se. Defende-se mulheres de outro continente na esperança vã de uma trepadinha num futuro (quem sabe?). Realmente é tudo verdade. Trata-se de um bando de candinhas mal amadas (homens e mulheres que não têm o que fazer). Enfim…

Sou contra a precipitação no julgamento de atitudes e, principalmente, de pessoas. Evidente que as coisas devem caminhar a seu tempo, que devem ser feitas todas as investigações e recolhimento de provas e, em caso de dúvida, pressupõe-se a inocência do acusado. Todos são inocentes até que prove o contrário. Consciente de todas essas regras óbvias da sociedade democrática, fico me perguntando sobre o assassinato da menina em São Paulo. Certo, pai e madrasta negam o crime. O avô diz que “entregaria” o filho se o achasse culpado. Será mesmo? A imprensa faz um circo diante da notícia (como se não estivesse acontecendo mais nada no Brasil e no mundo!). Mas, ok, então, depois de mais de 50 depoimentos recolhidos, de perícias e mais perícias, o que pode ter ocorrido de verdade? O pai deixou a menina dormindo na cama e voltou para buscar as outras crianças e a mulher que ficaram no carro. Trancou a porta do apartamento antes de sair. Retornou rapidamente e a menina tinha sido esganada, a grade da janela cortada e seu corpo estava no chão, seis andares abaixo. Não houve arrombamento no apartamento, não houve roubo nem estupro. O que aconteceu então? Enquanto o pai voltava ao térreo um bandido, munido da chave do apartamento entrou, cortou a grade, apertou o pescoço da menina e jogou-a? Por que? Para quê? Marginais invadem apartamentos para roubar e estuprar, não é isso? Nada disso aconteceu. Deixa eu entender e repetir: um facínora estava escondido no andar em que a menina morava, possuía chave do imóvel ou era rapidíssimo em abrir fechaduras sem deixar marcas de arrombamento, entrou, bateu na menina (sangue pra todo lado), cortou a grade da janela e, satisfeito, foi embora? Assim? Dessa maneira? O único objetivo desse monstro era esse? Matou a menina para “ajustar contas” ou por “queima de arquivo”??? Por que? Por que?

De qualquer forma, quem fez isso é um monstro. Quem fez isso não tem sequer direito à vida e muito menos à liberdade. Se houve cúmplice, idem, idem. Quanto tempo mais a polícia vai levar para concluir o inquérito?? E a justiça? Quanto tempo? E qual será o resultado? Que pena (penas) será aplicada? Contra os que dizem que a sociedade está focada nesse caso (enquanto outros, similares, acontecem freqüentemente no país) a resposta é óbvia. É um caso emblemático e todo o cidadão se coloca na posição de mãe e da criança. Esse crime hediondo recria o pânico em que vivemos. Até quando?

Se menor deveria ser cult

Em duas caixas de sapatos, guardei ontem toda a papelada que venho juntando há anos. Ou melhor: toda não, mas as coisas que me interessavam. Surpreso, entendi que minha vida se resume a duas caixas e meu corpo cremado se resumirá a uma pequena urna. Isso absolutamente – jamais! - me deprimiu, ao contrário, percebi que podemos fazer muito em pouquíssimo espaço. Por essa visão a humanidade é perfeita porque só é “espaçosa” se assim desejarem egos enormes. Muita coisa pode estar num rolo de filme, num livro, numa fita de vídeo tape, numa pequena escultura. Células e átomos nos demonstram isso diariamente e não nos damos conta. Mas é isso. O mundo é pequeno, as pessoas são pequenas (ou deveriam) ser e, se houvesse realmente vontade política dos governantes, não existiria tamanha distância entre as classes. Os homens é que são naturalmente cruéis.

Verdades frágeis

Fui ao mosteiro ouvir os cantos gregorianos de domingo. Muito bonito. Interessante e moderno (sim, isso mesmo!). Na paz do monastério você se perde em si mesmo, descobre coisas que vêm do fundo do ID e da alma, percebe como a vida agitada nem sempre é a melhor e dá vontade de ser monge (ainda que ateu). Porque é preciso entender a questão do recolhimento independentemente da religiosidade como a falta de gravidade independente da falta de oxigênio. E, se a vida é fugaz, por que não conhecer todas as coisas à nossa mão? Por que ser preconceituoso se esse preconceito se perderá no tempo e no espaço, não será uma “herança”? Aliás, nem com isso eu me preocupo. Não deixo herança nenhuma a não ser a lembrança de mim mesmo a meus amigos e inimigos. Sim, tenho muitos amigos e não propriamente inimigos, mas pessoas que, por trás me fazem cara feia. Essas coisas não me interessam em nada. Resta a perspectiva de uma vida diferente, não rotineira, uma expectativa de perceber no grão de areia a imensidão do deserto ou numa estrela o suplício da dúvida. Leio uma matéria no jornal relatando que cientistas concluíram que não existe vida em nosso sistema solar. E isso lá é notícia? O que é o nosso sistema perto do universo grandioso? E o que entendem por vida? Um homenzinho verde de olhos grandes! Os jornais perdem tempo publicando besteiras, ocupando espaços para que seja mantido um certo ócio dos jornalistas que não querem ver as crianças morrendo de fome e o desastre das megalópoles. Pois estava ouvindo o canto gregoriano e pensando no universo e nessa bobagem de vida no sistema solar. Aqueles frades cantando com seriedade, fé e um certo amor são muito mais importantes do que cientistas e jornalistas que correm atrás do “nada”. E, invariavelmente, prefiro conversar com mendigos loucos do que com empresários bem sucedidos. Se me acham maluco ou não, se acham que estou fazendo tipo ou não, é problema de cada um e não meu. Meu único compromisso é ser honesto comigo mesmo. Todas as verdades, meus caros, são frágeis e mudam como as nuvens ao vento.

Pré Reação

Algumas pessoas não entendem bem as modificações que a vida impõe (sejam para pior ou para melhor). Rola preconceito, não aceitação de novas propostas – mesmo que sejam para despertar nossa agilidade intelectual. É preconceito mesmo, puro, da gema. É uma pré-antipatia, uma reação anterior ao fato, anterior mesmo à idéia ou proposta que virão. Tenho vivenciado muito essa experiência o que, confesso, causa um certo enfado porque você explica uma, duas vezes e a resistência continua, aumenta. Isso faz pensar um pouco no longínquo (nem tanto) período em que as máquinas de escrever foram, gradulmanete, trocadas pelo computador. Lembro-me de situações patéticas e outras engraçadas de pessoas que entravam em desespero porque iriam separar-se de suas máquinas. Essas mesmas pessoas hoje não vivem sem o computador. E comprovo que tudo continua igual, pessoas, antes de qualquer coisa, reagentes. Talvez na minha idade eu devesse estar assim, com medo, mas ainda não estou, ainda estou procurando um pouco de luz, de lucidez… uma certa abertura para apostar, ainda que depois eu mude de idéia.

Revista Brasil

Dias atribulados. Equipe nova. Conceito novo. Explicar a pessoas que têm um cultura arraigada há 30 anos uma nova proposta. Sustos. Inseguranças. Incompetências pontuais. Nada disso! hahaha Uma esquipe que, de repente, uniu-se mais do que nunca, aceitou minha chegada com carinho. Uma equipe que, da noite para o dia, ao invés de “executora”, tornou-se “criadora”. De cara foi um susto e houve resistência, medo, revolta. Hoje tudo é adrenalina (boa), criatividade, trabalho. Tudo com muito entusiasmo! Sem falar que temos uma supervisão (Um supervisor, o Ricardo Soares) que, antes de tudo, aposta, confia, propõe, se expõe, cobra muito, mas participa, coloca a mão na massa junto com a galera. Exemplo: uma frase que pode ser entendida pelos pessimistas de plantão como ameaça é extremamente estimulante: “Quero que vocês proponham e criem. Se não quiserem, vem a ordem de cima pra baixo”. Ora, quem quer mais? Você criar, você propor (claro que haverão discordâncias, erros, broncas, mas você está VIVO, participando), essa confiança depositada é exatamente o que nunca rolou e, de certa forma, justifica o susto inicial das pessoas. Imaginem a minha surpresa de, quando vamos a um bar para relaxar, as pessoas tirarem dezenas de manuscritos das bolsas e continuarem discutindo idéias. Até eu dizer: “Pára! Amanhã de manhã a gente continua!” rsrs. Pois, acreditem ou não, esse é o clima de um programa dominical chamado Revista Brasil que vem aí em breve. Bombando!

Meus papéis e folhas rabiscadas

Na verdade, o que sou mesmo é um assassino! Pano. Vaias. Saio pela porta lateral do teatro vagabundo. Ruas vazias. Mal cheiro. Lixo espalhado nas calçadas. Nu, em casa, observo uma nova teia de aranha na quina de um portal (cuja porta não funciona há dez anos). Meu gato careca esfrega-se em minhas pernas. Como sempre, esqueci o velho computador ligado. Na geladeira, uma lata aberta de sardinhas – já podres, uma garrafa de vodka pela metade, um copo de leite. Minha televisão ainda é em preto e branco, mas já tenho o sistema digital adaptado. “A Imagem-Tempo”de Delleuze está jogado ao chão e aberto numa frase solta. Montei uma estante rústica com tijolos e tábuas velhas. Alguns livros (poucos), resmas de papéis, de folhas dispersas, cadernetas e outras inutilidades amontoam-se sobre as tábuas desordenadamente. Preciso colocar água na garrafa plástica da geladeira. Preciso colocar um lençol sobre o colchão na minha cama. Mentira. Não tenho cama, o colchão está no chão. Não, o piso não é de terra batida, é de cerâmica (velha, mas cerâmica!) Descanso um pouco. Preciso comprar botas novas e colocar um solado mais alto de um lado para que eu claudique menos. Amanhã ou depois de amanhã. Recado na secretária eletrônica (sim, possuo uma), mas não me interesso por recados, recados nunca são boas notícias (nem más). Recados são recados e não me interessam em nada. Por isso nunca deixo nenhum recado para ninguém.

Sinto-me bem. O fracasso de hoje não me abalou. Escreverei, em alguma hora, uma outra coisa. Talvez gostem. Curioso que as pessoas me assistem exatamente por não gostarem do que eu faço. Sentem prazer em me jogar tomates em cima. Não, não gosto de vaias como Nélson gostava. Elas me são indiferentes. Uma caixa (de margarina) vazia. Estranho, achei que tinha comprado margarina, deve ter sido sonho (pesadelo) e descreio d’A Metamorfose de Kafka. Isso: não acho a história “kafkaniana”. Margarina amanhã, ok. A CAVALARIA de Isaac Babel. Com certeza todo mundo leu por conta de Rubem Fonseca (vão achar que também li pelos mesmos motivos, não acreditarão que li antes do romance dele). Amanhã estarei num apartamento clean de frente para a praia de Ipanema, bem ali na na Vieira Souto. Vidro fumê e tudo. Meu agasalho não será puído como o de ontem e vou ler a revista Piauí – que será lançada daqui a um ano e oito meses, terei telão de plasma e um carrão importado. Mais tarde. O relojoeiro da esquina (viúvo de Stálin) conseguiu a proeza que eu propus - mas acreditava impossível: fazer meu relógio andar para trás. Sim, ele conseguiu pouco antes de morrer, coitado. Câncer. Nosso medo eterno: o câncer. Como se, com medo,  ele não viesse. Espermatozóides não correm na contramão. Mortos só retornam em sonhos e vida se esvai diante de uma ampulheta digital, bem à frente dos nossos olhos (ou um olho apenas). Não necessito exatamente de dois olhos, preferia ter duas outras coisas que não tenho, enfim…. Não tenho nada contra Deus, só não creio nele pela imperfeição humana (e aprendi ainda pequeno, que somos à sua imagem e semelhança). Se, como me diz Vinícius, “O Senhor das Esferas” realmente existir, arderei nas chamas de um inferno improvável, mas agitado. Levarei creme Ponds para o Inferno e alguma Coca Cola. Sim, porque o meu verdadeiro vício é a Coca Cola. Tirem tudo de mim, deixem-me Coca Cola! (Aliás, esqueci de contar que tenho três latas do refrigerante na minha geladeira). Assisti “A bela adormecida” para compor um produto. Disney era rarefeito na edição dos seus filmes. Sempre que recorro a Disney tenho que consertar suas montagens apáticas. Chaplin era melhor. Mas conheço tão pouco de cinema…. Uma vida é muito pouco tempo para assistir e analisar todos os filmes (gosto mais dos feitos em preto e branco). Assistindo sua entrevista, concordo mais com Lobão do que os outros. Os Outros são motivo meu temor existencial. Assistir a um jogo de futebol é chutar o balde cósmico, é um suicídio pífio. Os Três Porquinhos foram mais fundo do que Kerouac. Certo, certo. Menos papo e mais ação, né? Vou pensar em um outro EU. Amanhã ou depois de amanhã. (continua)

O Grito Primal de cada homem em seu mundo – Quando falta a geléia que unta.

Ontem tive tempo para conversar longamente com um amigo. Claro que falamos muito mais de insanidades do que dessa realidade imposta. Existe um “comportamento exemplar” esperado pela sociedade. Mas quem definiu o que é esse comportamento? Quem faz as regras? Me dou o direito de subverter as regras impostas e agir como me agrada, como acho que devem ser as coisas e, para tanto, afasto-me da massa. Já escrevi que existem mundo paralelos, mas, percebo agora, não era o que eu imaginava. Existem, na verdade, milhares de mundos paralelos que são as pessoas dispostas a romper com o estabelecido e reescreverem seu script de vida. São os marginais, os malditos, os malucos. Muitos se arrastam pelas ruas falando sozinhos. Outros tantos estão presos em masmorras gradeadas de hospícios e outros tantos estão aí, à margem do estabelecido, incomodando os carneirinhos. Esses grupos são uma pedra no sapato de uma sociedade velha, carcomida, bolorenta. São os que discutem, questionam e dizem NÃO. São entraves, é verdade. A questão é que não são poucos, são milhares, talvez milhões. Num primeiro momento, parecem um exército de Brancaleone, andrajosos que se escoram nas artes, que pintam, escrevem livros (ou papéis esparsos), que moldam formas inenarráveis numa argila outra, num bronze diferente.

A sociedade “oficial” fica incomodada, coloca os marginais contra a parede sem perceberem que não existem as tais paredes, que as paredes estão dentro de cada um de nós, que os limites podem ser infindáveis, que até mesmo o conceito de guerra é outro, é interna, de si para si. Por isso a idéia de vários mundos, de várias realidades e verdades, de várias idéias individuais, indivisíveis em grupos. Assim está posto e não sei como e viabilizaria alguma homogeneidade. Impossível. São mundos diferentes. Existe um galáxia dentro do planeta Terra e existem várias galáxias fora da Terra. E se compreendemos as de fora, temos que entender as de dentro. É preciso aceitar o individualismo, a diferença não como algo metafísico, mas alguma coisa palpável – formas de pensar, agir e vivenciar.

Negar diferenças é negar a vida, negar a possibilidade de criação no curto espaço entre o nascimento e a morte. Temos todos esse divisor de espaço-tempo. Uma espécie de gincana em que ninguém está brincando. Todo mundo está experimentando sempre, caminhando para a frente, para os lados e, eventualmente, para trás. Faz parte do jogo. Deus não joga dados, nós jogamos. O peso do existencialismo paira sobre todos, mas apenas alguns se dão conta e embarcam de cabeça nessa proposta filosófica, nessa angústia de ver em cada mão, um verme como em A Náusea. Não ler a Náusea é não possuir certidão de nascimento, estar à margem de quem pensa, de quem propõe (e volta atrás ou não). Entender Quixote como louco é jogar uma fina e podre mortalha sobre o anseio humano. Não concluir a leitura dos versos do Paraíso Perdido de Milton, é inviabilizar-se, desconhecer todo o sentido do pensamento, fonte principal da existência. E existem bilhões de pessoas que fazem isso, que aceitam caminhar para o matadouro sem emitir um ruído, um grito de alerta, um grito primal. Por isso esse estranhamento em mim. É a incapacidade de cada um de abrir a cabeça, desnudar o espírito, voar, sem medo, para a Terra do Nunca e outras Terras.

Isso aqui devia se chamar Incompletudes

O terreno espacial é de trovoadas e chuvas ácidas. Chove canivete, mas ando de capacete (frágil). Me refugio nas tentativas de ter idéias e escrever alguma coisa que fale algo de mim e dos outros. Confesso que não tenho conseguido diante da minha desordem espiritual, do bloqueio súbito dos meus dois neurônios. Quero seguir em frente, num caminho ou estrada, mas rendo-me ao metafísico (que sou). Minha parede mágica me diz que devo perseverar e me preservar (como?). Minha parede mágica gosta de me pregar peças, é um oráculo chinfrim que me orienta por metáforas. – E eu detesto metáforas – Portanto, alguma coisa me impulsiona (não sei realmente para que lado) e vou deixando as coisas me levarem. Se é proveitoso ou não? O tempo dirá (maldito tempo! Abri guerra com o tempo.). Resta-me entender os silêncios, os que me abandonaram no meio do caminho e concordar que, se o fizeram está bem feito. Nenhum rancor. Afinal, quem não me tem apenas está perdendo (calma, é brincadeira). O coração bate em descompasso, as idéias se misturam criando uma forma incompreensível e eu deixo tudo de lado e trato de olhar apenas para dentro de mim (e não para meu próprio umbigo), trato de buscar em mim as respostas que procuro no éter. Possivelmente, eu sou o éter. Sou fluído, sinapses seriamente comprometidas e olho para trás e vejo uma estrada longa, a perder de vista. Para a frente não vejo nada, vejo minhas emoções e meus sentimentos baratos e folhetinescos. Talvez seja isso mesmo, eu seja um barato folhetim. Muito provavelmente a discussão que travo comigo mesmo me ocupe e desvie a atenção do que está fora, do que é passageiro, do que é pleno em idiossincrasias muito embora eu sofra das mesmas. Tenho a impressão de que sou mais velho, que existe um colapso no calendário. Aliás, também tenho pavor de calendários. Passei numa pastelaria e vi um chinês risonho fritando pastéis e fiquei pensando: Por que eu cismo de querer ousar? Por que eu não sou um ‘fritador’ de pastéis que deliciam as pessoas? Por outra: o que estou fazendo de verdade? Qual é a minha real proposta e o quanto ela pode ser viabilizada? Porque de boas intenções o inferno… vocês sabem. E ter a pele curtida de um vendedor na praia de mate Leão? O que me diferencia dele? Quem disse que eu sou o que acho que sou? Quem? Falta-me objetividade e consciência de minhas metas (e eu tenho metas definidas? Não!) O céu azul me olha e aguarda que eu saia à rua, receba seu calor, sua energia, sua demonstração de poder através do calor (e mesmo o sol sabe que vai se apagar tal e qual como eu…) E o intelecto, onde fica? Se o corpo e a estrutura emocional não seguram mais, resta-me tentar o intelecto (para ver se ainda sobrou algo dele ou se alguma vez existiu). Sou náufrago e sobrevivente, sim e não, dia e noite, proposta e decepção. Sou o Ermitão num tarot pós moderno, estraçalhado, carcomido. Sou, como ela, a incompletude.

Eu e minha pulga de estimação

Entendo que trabalhamos sobre pressão. Vários compositores já declararam que também trabalham assim ainda que seja um trabalho sofrido (mas o resultado é sempre fantástico).  Não sou muito assim não. Gosto de planejar as coisas e pensar nelas, gosto de ter uma idéia rascunhada do que será um produto que vai ser visto por sei lá quanta gente. Talvez seja um erro meu, mas a minha formação profissional foi assim (talvez, velho, eu consiga conceder um pouco). Verdade também que existem projetos e projetos e programas e programas. E aí? De uma certa forma a humanidade é “fazedora”. A gente faz, faz e faz. Alguns resultados me agradam e outros não, mas pode ser insegurança resultante de uma auto-crítica ferrenha que tenho em relação ao que pretendo e ao que não pretendo, mas realizo. Se sou inseguro? Tecnicamente não, mas em vários momentos sou sim. Uma amiga disse que eu vivo dos meus desequilíbrios (não, ela disse isso dela mesma e eu percebi que também sou assim). Resultados? Não sei…. Estão por aí. Em mim? Insônia, úlcera e cabelos brancos. Quando eu bater as botas não terei deixado nem um livro nem uma árvore plantada, apenas filhos. Como se percebe, estou longe da realização plena que disseram fundamental. Deixo papéis esparsos, documentários e uns programas. Mas está claro que não basta… Não para mim. Tenho comigo uma pulga esperta que me inquieta e pula daqui pra lá e de lá para cá sem que eu consiga capturá-la. Essa pulga é ansiedade e vontade. Então qual é o problema? O problema é que a pulga me atiça, mas quem faz sou eu. Ou seja: não era nada disso o que eu queria dizer.

Pensar

Quando eu leio num blog de uma pessoa séria a frase: “A vida é isso?” Eu não me assusto com a frase, eu me assusto com a realidade, com a oportunidade da frase. Eu também e muita gente se pergunta: A vida é isso? Só não temos coragem de publicar. É uma das perguntas mais emblemáticas que temos. Não sei, mas acho que devemos pensar muito nela.

Lapa….post 387

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Passeio por ruas estreitas de casarios antigos, quase estilo rococó. Percebo que o Poder Público deveria cuidar melhor desses lugares, fazer uma obra de revitalização como foi feita no Pelourinho (BA), por exemplo. Não entendo porque as pessoas têm preconceitos e não curtem o belo. Realmente o mar é belo e aqui não tem mar. Ouro Preto, em Minas também não tem mar e é bela. Encontro pessoas na rua com o rostos tranqüilos, com expressão de ‘cidade do interior’. Crianças brincam sem medo da violência urbana… Casais e turmas vêm de todos os pontos da cidade à noite para freqüentar as melhores casas noturnas.

O artista compra a casa para ser sua residência e seu atelier, pequenas produtoras de vídeo e de áudio se estabalecem aqui. O comércio é próspero. Sim, é verdade que há quarenta anos atrás aqui era o lugar dos malandros e travestis, dos batedores de carteira e tal. Hoje isso não acontece mais, essa turma foi toda para Copacabana (bairro em que realmente me sinto inseguro). Não sei, eu acho preconceito com esse lugar tão belo. Mas talvez seja uma visão meio ufanista da minha parte. Por hora, fico aqui.

Homenagem ao malandro

Chico Buarque

Eu fui fazer um samba em homenagem
À nata da malandragem
Que conheço de outros carnavais

Eu fui à Lapa e perdi a viagem
Que aquela tal malandragem
Não existe mais

Agora já não é normal
O que dá de malandro regular, profissional
Malandro com aparato de malandro oficial
Malandro candidato a malandro federal
Malandro com retrato na coluna social
Malandro com contrato, com gravata e capital
Que nunca se dá mal

Mas o malandro pra valer
- não espalha
Aposentou a navalha
Tem mulher e filho e tralha e tal

Dizem as más línguas que ele até trabalha
Mora lá longe e chacoalha
Num trem da Central

Custo liberdade

Alguns estudos e pesquisas dizem que o tempo nublado favorece alguma tristeza em nosso espírito. Não gostaria, mas acredito em pesquisas. Olho pela janela e vejo centenas de prédios, milhares de janelas. Se, em cada uma daquelas ‘janelas’, viverem três pessoas, quantas pessoas estarão tristes no meu campo de visão? Deprimidas, quantas? Suicidas, quantas? Uma cidade grande é diferente de uma cidade pequena. Nesta, as pessoas têm outros compromissos com si mesmas e, principalmente, com os outros. Não podem, em nenhum momento, aparentarem o que sentem de verdade. Na cidade grande é exatamente o contrário: ninguém sabe de ninguém, conhece ninguém e, portanto, não possui nenhum compromisso de comportamento. Não ter compromisso de comportamento é ter a liberdade em estado bruto. Sabe-se lá o que é exatamente o peso de ter essa liberdade em estado bruto?


Ela…

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"A descoberta do Prozac criou um universo de eunucos felizes"

"É-nos impossível saber com segurança se Deus existe ou não existe. Por isso, só nos resta apostar. Se apostarmos que Deus não existe e ele existir, adeus vida eterna, Alô, danação! Se apostarmos que Deus existe e ele não existir, não faz a menor diferença, ficamos num zero a zero metafísico" Albert Camus

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""Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos."
Nelson Rodrigues

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