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Absoluta falta de estrutura (egos, egos em profusão)

Não se trata absolutamente de chorar o leite derramado ou de não estar “aberto para o novo”. Nada disso. Os funcionários da extinta TVE do Rio de Janeiro, Brasília e Maranhão viram com receio a criação da TV Brasil, assim como foi feita, através de medida provisória. Um ano e meio depois de implantada (e o término oficial da TVE) havia um enorme desconforto entre os antigos funcionários, ora pela forma da invasão feita pelas pessoas de São Paulo, ora pela (nenhuma) experiência no ato de fazer uma televisão de qualidade. Bem verdade que traziam propostas interessantes (como a troca de programas entre o Rio e televisões regionais, a troca da cultura entre os estados bem como uma visão diferenciada de alguns países como os da África por exemplo.

Mas não foi assim que aconteceu. A equipe que chegou era tremendamente agressiva, prepotente (só eles sabiam a verdade) não acreditava no potencial dos funcionários que ‘tocavm’ a TVE há não sei há quantas décadas. E o que fez a TV Brasil de revolucionário? Nada! As mudanças que houveram na programação com documetários e filmes nacionais poderia igualmente ser feita pela TVE desde que orientada para isso. Os meses foram se passando, a guerra de egos dos que chegavam em cargos comissionados de ‘gerentes’ foi aumentando,,, apesar das inúmeras ‘trocas de cadeiras’. Agora vem toda essa bosta no ventilador – ainda que bastante racional e mostrando todas as irregularidades da nova TV – bosta essa tornada pública pelo ex-diretor de programação e conteúdo, Leopoldo Nunes. (E já corre um boato de que alguns gerentes estariam “caindo” – esses que por altos salários, acreditaram que uma televisão publica, poderia chegar assim, de cima para baixo, de afogadilho, por MP).

O que resta saber é se a sociedde organizada, os intelectuais e os produtores de cultura vão entrar nessa luta para ajudar a todos e ao Brasil a possuir e disponibilizar uma verdadeira TV Publica

Como era de esperar, as caminhadas não estão me fazendo nenhum bem. Talvez do ponto de vista teórico de uma medicina fracassada seja excelente, mas a prática…. putz. Aliás, como não ligo para orientações médicas, a caminhada aqui citada é resultado de uma ansiedade renitente, de um desconforto (que esfria a barriga e nos joga como se fôssemos um feto na cama) que nada aplaca. Verdade que doses cavalares de soporíferos talvez melhorassem bastante a coisa, mas, igualmente, não estaria resolvendo nada. Quando penetramos no universo escuro e denso do estupor, muito poucas atitudes nos permitem passar “para o lado de cá”. Aliás, essa é a questão que se coloca: o que é exatamente o lado de cá e o lado de lá…

Bem, por motivos que não devo revelar nesse instante, continuarei esse assunto no meu caderno azul n° B- 9

De novo, a jovem K.

O blog mais sério e mais bem escrito que eu conheço é o Incompletudes, ainda que a autora, a misteriosa e surpreendente K.(astor), tenha toda a suvidade do mundo, escreva quase como uma dolescente prodígio. Não é ainda uma erudita, mas está a caminho de tornar-se. Porque a vida é assim…. para quem pode, é claro… a gente vai, passa a passo, perseverando e conhecendo o mundo (amplamente).

Esse prefácio meloso não é o motivo deste post. Há pouco tempo, a doce donzela fez um “ensaio” sobre a insônia (que eu, particularmente, chamei de ensaio sobre a loucura). Não a loucura dela, mas a que provocou em seus inúmeros leitores. A Dona K. sabe exatamente o domínio que exerce sobre tudo e todos e faz bom uso do que conhece da espécie humana. Recebi uma correspondência inclusive dizendo que, após esse ensaio, o missivista não deitava mais na cama, domia (e babava) em frente ao monitor mesmo sabendo que dona das fotos deveria estar dormindo à sono solto. Ou seja, ela consegue transferir a insônia dela para os outros. Coisas de K. Mas não foi somente essa correspondência que recebi, vieram outras e mais outras. Antes, eu havia prometido a mim mesmo que não tocaria no assunto, mas, cheio de e.mails, resolvi falar: embora seja a pessoa mais sincera que eu conheço, K. é, igualmente, a mais maluca. Uma (das) Helenas pós moderna, incendeia São Paulo com citações, narrações eróticas (ou não|), comentários sobre livros, sobre histórias, lendas e o que mais for aparecendo. Se o ensaio me causou furor? Não. Acho que ela deveria fazer um (ensaio) por dia para tornar São Paulo, definitivamente, insone. Até porque, ainda que, telepaticamente em nossas insônias, fiquemos tomando vinho, discutindo a existência verdadeira de Homero ou não e se Vinícius poderia ter musicado “O Paraíso Perdido” de Milton ou não. Tudo: ou não… Dia desses o sol nasceu (no Rio, é claro porque o astro não conhece São Paulo) por causa de uma frase de Sêneca. Eu dizia que Borges a havia plagiado e ela insistia que não, que fora Bioy Casares. Ou seja, se K. não quer me deixar dormir, quer me enlouquecer com a insônia dela (já não basta a minha??), acho que todos os seus leitores devem participar. Pois é. São esses os delírios o que provocam os ensaios da jovem K.(astor)

Srta.Urtigão (pode?)

Quando a gente se dispõe a escrever qualquer coisa na internet (mesmo essas bobagens do nosso dia a dia) ficamos sujeitos sempre à uma certa comunidade em rede (que, da mesma maneira, não virtual) abundam nossos dias e espaços. Certo dia, vejam só, deparei com um comentário de uma tal Senhorita Urtigão (o nick já diz tudo, né? eh eh). Ela tem umas bobagens escritas num espaço que chama de blog, mas até aí, tudo bem. Cada um faz o que quer e o que pode. Com mais vagar, descobri que nossa “senhorita” é, na verdade, uma senhora entrada em anos (e muitos) que, num surto, isolou-se no campo para falar com duendes, pirilampos, ETs e etc. Pretende misticismo onde só há chatice e vulgaridade. Não sei se ela foi abandonada lá pela família, com suas traquitandas pseudo-místicas ou foi por vontade própria (certamente atendendo “a vozes” que lhe dizem o que fazer). Até aí tudo bem, até porque, de perto ninguém é mesmo normal. Ontem ela deixou um comentário leviano, baixo, sujo, mau caráter, que decidi apagar para não chocar meus três leitores. No final, srta. Urtigão disse que não voltaria ao meu sítio, o que me deu enorme prazer. Adoro quando gente chata diz que não vem mais aqui.

Breve explicação

Não deveria ser necessário, mas acho por bem escrever uma rápida explicação sobre o óbvio. Primeiro: Não tenho pesonalidade nenhuma.

Segundo: Além de Zé Maria, sou um seguidor doentio do dedinho torto de K. (sempre fui, antes de saber do charme do dedinho). Antigamente eu escrevia longas cartas a ela por aqui, mas parei porque estava revolucionando tudo, convulsionando meninos e meninas (e nem tão meninos e nem tão meninas) e acabei por deixar de lado (para meu site não entrar na lista negra de várias empresas como o dela).

Há um tempo atrás passávamos várias noites tomando vinho ou uísque (pelo MSN, bem entendido, pelamordedeus!) e conversando sobre nossos livrinhos, nossas experiências e tal, mas agora ela evoluiu e só discute Proust com um erudito. Quer dizer: não sou mais nada, fui definitivamente jogado às traças, defenestrado cabalmente. Diante disso, fiquei imaginando o que mais poderia fazer além de ligar dia sim dia não para ela e finalmente descobri: copiá-la em tudo. Comecei pelas roupas, mas o pessoal do trabalho me olhou de modo estranho. Resolvi então copiar o template do seu blog, mas descobri que, para ter um igual teria de desembolsar, VEJAM SÓ, vinte dólares! Essa moça paga vinte dólares para customizar seu template! Diante disso, passo ante passo, – babando eu fui (com ela ao telefone se entupindo de Valium pra me agüentar)buscando um template intermediário. E eis-me aqui. Ainda tem uma barrinha lá embaixo que insiste em não sumir, mas enfim, enfim…

Confesso

Eu vou contar depois porque está uma barafunda minha cabeça com a quantidade de livros que estou lendo ao mesmo tempo já que não me resta espaço na agenda para ler um de cada vez. Mas é delicioso o “Verdes vales do fim do mundo” de Antonio Bivar (que li há tanto tempo atrás que praticamente não o reconheço).

Igualmente, mas agora novidade mesmo pra mim é esse do colombiano Fernando Vallejo com seu “O despenhadeiro” Punk. Desses livros que a gente não larga, que a gente se sente meio dentro dele, personagem do personagem, não levando, mas dando socos em estômagos fúteis. Imitação de uma espécie de percepção coletiva niilista latina (que é diferente das outras). A poesia da dor e da Aids que não existe, porque a Aids, como ele diz, é o passar dos anos da vida. Ah, Colômbia, ah, minha América tresloucada, travestida de região onde moramos todos nós, índios e descendentes de europeus da pior espécie. Por que não nos deixaram índios, porque não nos aproximaram da África de maneira diferente de forma a que aprendêssemos ao invés de escravizarmos?! Êta continente inconseqüente que pariu essa nação partida de loucos, de covers, de maiorias que sentem-se minorias, gente louca, com pimenta, mas sem destino, sem radar, gente que se reproduz e esses meninos de onze anos nos assaltam e nos matam em troca de um celular… Afinal, quem sabe da verdade, quem distingue a loucura, quem são os médicos e quem são os pacientes, ma fala meu Deus, mesmo a mim, esse ateu confesso que é justo contigo, que não te engana.

Inconsciente? Mesmo?

Em determinados momentos enfrentamos enormes desertos super áridos, como se tivéssemos viajado ao Saara. Mas o deserto é aqui, é invidual, cabe inteiro em nosso inconsciente (passando para o consciente). Se é realmente assim termino por discordar de Sartre quando afirmou que “o inferno são os outros”. Eu diria que o inferno somos nós mesmos na medida em que não temos o menor controle sobre o inconsciente – e por isso ele é inconsciente.

Por outro lado, seria inconcebível não termos inconsciente. Com certteza seria o mármore do inferno. Viveríamos numa mistura de desejos proibidos, paixões, taras, lutas, assassinatos em massa, suicídios infanticídios etc. sem ter algo que colocasse um pouco de ordem em corações e mentes. E se tudo isso está contido em nós, com certeza, o inferno somos nós (o que não impede que sejamos do outro também)

De uma foma ou de outra é muito bom possuir esse depósito contido, ser, essencialmente, inconsciente ( e um pouco inconseqüentes também)

Bastidores de TV

Em meio a uma reunião rotineira de trabalho, uma companheira de trabalho começou a gritar para defender sua opinião – que, por sinal, no meu entendimento - era desapropiada.  Houve um período há mais ou menos trinta e cinco anos atrás que “gritos” em televisão eram aceitos e acatados. Hoje, não representam nada, apenas mostram o desequilíbrio a que o estresse nos leva diariamente. Na verdade isso não importa nada. Cito o exemplo apenas para falar sobre o que entendemos sobre ética e estética nos meios de comunicação. Desconsiderando o estresse, quero saber o que se pensa realmente sobre a possibilidade de influenciar milhões de mentes. Vejamos: temos um meio de comunicação poderoso, sabemos que as pessoas assistem e criam situações análogas ao que observaram para suas próprias vidas. A verdade é que a televisão ainda não é – e está longe de ser – um meio de comunicação democrático, que permita a interatividade pessoa/mídia. Falam muito nisso, a classe média que sonha o que não existe (vai existir, é claro). O que existe hoje é um arremedo de boas intenções (tais como o inferno está lotado) de televisões que se propagam como sendo destinadas a atender aos anseios do povo. O que há de verdade e de mentira nessa afirmativa?

Fiz uma edição nesse texto porque usei expressões inadequadas ao me referir a uma colega de trabalho (e amiga), embora em nenhum momento tenha pretendido ofendê-la, mas realmente às vezes “pego pesado” nos termos usados. Desculpe sibceramente (você sabe quem é)

Pensando

Escrever por escrever não leva à nada. Acho que é por isso que estou escrevendo menos (ou nada, como queiram) e lendo mais. Na leitura encontro conforto e repouso para a minha alma intempestiva. Sendo assim, mudo meus compromissos, faço um certo ‘corpo mole’ nos momentos e folga e, conseqüentemente, produzo menos. Mas é fase, são tempos turbulentos que contribuem com meu self fragmentado. Tenho procurado delirar um pouco menos (porque sempre existe a possibilidade de não retornarmos dos delírios o – que pode não ser uma idéia má. (continua)

Livros e Vozes

Massacrado pelos meus recém 53 anos dou uma volta pelas ruelas. Aquele mendigo intelectual que escreve sobre um livro já impresso está de volta (Já relatei meu encontro com ele). Sento-me a seu lado. Ele me explica que está fazendo correções no livro, que o autor era muito “desligado”. Contei a ele que eu também faço isso, também remendo histórias contadas por outros e edito filmes com o sentido de torná-los mais ágeis. O mendigo diz então que eu sou igual a ele e concordo. Como ele não me parece sujo, trago-o à minha casa (para surpresa do porteiro) e conversamos tomando Coca Cola. Ele é muito mais consciente do que eu imaginava. Me conta coisas da sua infância em Vitória do Espírito Santo, em como a vida era difícil, a pobreza absoluta e um ambiente familiar desagregado. Fugiu no início da adolescência e trabalhou em pequenos ofícios informais até que as vozes o dominaram de vez. Essas vozes, conta ele, vinham desde a infância, mas ninguém dava atenção. Agora, com sua barba esbranquiçada ele “administra ” as vozes, mas nem sempre foi assim. Conta ainda que esteve preso em hospitais durante anos e levou muitos “choques” para ver se melhorava. Não melhorou. Começou a ler romances no hospital e as vozes vinham e davam idéias sobre personagens que não estavam contemplados e sobre finais de histórias pífios. Então, prossegue, resolveu escrever à caneta por cima do material impresso suas observações, a retirar alguns e acrescentar outros personagens.

Preparei sanduíches para nós dois. Ele permitiu que eu lesse algumas coisas, fragmentos do que ele estava lendo com suas anotações. Não, ele não escreve nas bordas nem em pés de página, escreve tranquilamente por cima do que está escrito, certo de que não há nenhuma agressão nesse ato. Ao contrário: o autor havia de lhe ser grato. Ele tinha uma velha edição vagabunda de “A morte e a morte de Quincas Berro D’Água”. Confesso que achei as observações dele pertinentes e interessantes, mas não disse nada antes que ele tentasse me convencer a morar na rua e “reescrever” romances como ele. Ficou mais um pouco, perguntou se eu tinha cachaça em casa e, ante a negativa, resolveu partir para tomar uma “branquinha por aí”. Eram sete horas da noite. Resolvi então continuar minha leitura de Molloy (atrasada, eu sei) e, de repente me percebi com uma caneta na mão, prestes a fazer anotações no livro. Passado o susto, guardei a caneta. Não, ainda me falta ouvir as vozes.

As conhecidas besteiras repetitivas de Almost – o pior homem do mundo

Nos seus comentários em MEU blog o Almost insiste em dizer que eu “deixo muitas garrafas vazias”. Beber muito ou pouco é problema de foro íntimo de cada um. Não creio que eu beba muito, apenas socialmente, mas se eu quisesse viver embriagado ninguém tem nada com isso. De toda forma não tem problema porque os blogueiros já conhecem bem o Almost e sabem que ele agride, inventa, MENTE sobre as pessoas, achando que está fazendo gracinha. Por isso, ele se intitula “O pior homem do mundo”.  Pelo menos, usando lá a droga que me for imputada por calúnia, pretendo apenas não ser o ‘pior homem do mundo’. E é triste eu perder meu tempo escrevendo essa bobagem. Ponto final.

Calma

Fico impressionado com a calma de algumas pessoas (alto lá: ISSO É UM ELOGIO!) Fico igualmente impressionado com a minha falta de calma, falta de tempo, falta de paciência, falta de sono, falta de mim mesmo… Enfim, um desequilíbrio ambulante (já disse isso aqui).

Não sei se escrevo, se leio, o quanto trabalho e como converso. É tudo ao mesmo tempo, de cambulhada. Algumas pessoas me ajudam e outras tantas me atrapalham. Algumas acham que isso tudo é mais que normal e outras acham que em breve estarei roendo rodapé (será?) Leio posts interessantes e, ao mesmo tempo, não consigo escrever nada porque até no que eu faço existe uma rotina (sob pressão) que não vai interessar a ninguém. Mas é pra interessar? Não sei, puro desabafo.

Do espírito

Acontecem determinados movimentos internos que não sabemos muito bem explicar, que vêm não sabemos de onde, mas nos atingem e jogam no chão. Bom, parece que isso não acontece com todo mundo. Igualmente nem todo mundo entende esses sentimentos. Não compreendem simplesmente. E se uma pessoa desconhece uma coisa não temos elementos para explicar o que está acontecendo, que estamos sentindo. Tentar explicar é pior porque o outro entende outra coisa, avalia outra coisa em você. Se a gente sofre um enfarte, um  AVC ou está com câncer, todo mundo compreende rapidamente. Os males do espírito não. Pelo contrário, na maioria das vezes são considerados frescura. Portanto, não há muito o que dizer.

Travesti clonando blogues

Devaneios e Desabafos copiou quase todo o site Incompletudes a uns textos meus. Quando K. botou (muito justamente) a boca no trombone, a moça (ladrinha vagaba) fechou o blog, deixou para quem tem senha (que evidente, ninguém tem). O que se faz diante disso? Acho que que nada. Sente pena da mediocridade e (agora) da covardia. Enfim, todo mundo já sabe. A moça (ou travesti) vai mudar de nome e continuar clonando blogues. Bem vindos à internet.

O Carnaval é um nojo

Em geral as festas são babacas. Mas nada é tão idiota como o Carnaval. O carnaval é o ápice da boçalidade humana, da capacidade do homem ser rastaqüera. Embora venha de lá, o carnaval europeu é mais civilizado. O brasileiro é um lixo. Blocos, Trios elétricos, frevo, escola de samba…putz, é tudo nojento. Não poderia ser mais. Até a forma de festejar, o roçar de corpos desconhecidos, fétidos e suarentos, uma sexualidade vil “estrupulhenta”, a irracionalidade, a pobreza de melodia, o ruído alto e tribal típico de sub-povos bárbaros,  a sujeira nas ruas, a falta de obviedade, de seriedade, um certo retardamento mental coletivo, o uso aumentado de drogas, a maior contaminação por AIDs, a falsa alegria do paupérrimo que compra uma fantasia ridícula e paga em doze vezes ao longo do ano…. enfim…. O que há de razoável no Carnaval?

As viradas necessárias

Não vejo por aqui nada de se interessante para se ler. Busco, então, livros de estranhos, de malditos, de gente distante de mim, que sabe mexer com a minha cabeça. Não me interessam frases parcimoniosamente escritas com palavras escolhidas que se pretendem mostrar alguma erudição. Quero ler e escrever pensamentos, inquietações e loucuras ditas e gritadas com todas as letras para que não restem dúvidas do que está sendo berrado pelos insanos malditos, os poetas loucos. Nada mais me interessa no momento. Quero me alimentar do que meu pares têm a dizer, quero, juntamente, poetar a poesia mais ilógica, a fonte mais improvável. Busco somente um pós Kerouac! Sim, aqui é cheio de erros de digitação, erros de português, erros de toda a sorte porque escrevo dormindo ou escrevo sem pensar ou vomito pensamentos que são exclusivamente meus porque passei para o lado de lá e não me pretendo concorrer a nada. Agrada-me demais a diminuição paulatina e constante de leitores, os comentários raros, a correspondência rala porque eu não estou mesmo produzindo nada, estou golfando a bile que o mundo me enfiou goela abaixo. Não releio o que escrevi, não estou preocupado com os outros, dei um grande salto em busca de mim mesmo ainda que eu não tenha nenhuma serventia, que eu não traga nada mais de apreciável, de inteligente, de bem informado. Me agrada muito mais escrever longas cartas às pessoas que estão sacando o que estou dizendo, cartas particulares, cartas onde eu possa revelar minha inquietude sem medo de ser chamado a atenção. Não sou uma livraria, sou uma papelaria velha com folhas amareladas e carcomidas por traças, baratas e o diabo que o carregue. Vou rompendo com tudo o que possa parecer certinho, limpinho, direitinho. Prefiro, antes, roubar e embriagar-me de rum nesse meu barco que faz água por todos os cantos e não me incomoda em nada, apenas faz meu coração saltar esses saltos que prenunciam um tipo de fim. Infinito-me com Sylvia Plath, Ana Cristina Cesar, Artaud e tantos outros que guardaram a razão no sotão de suas almas e disseram verdadeiramente o que seus espíritos clamavam na noite de negror absoluto a que estamos todos presos. Oswald e Mário de Andrade me parecem umas bestas e Clarice Lispector me soa muito bem comportada. Eu busco quem me diga verdades do mundo como Lima Barreto e jamais um pulha idiota como Machado de Assis. Todos nós, fingidos ou não, somos retirantes e sobreviventes de um sonho que, verdadeiramente acabou. Acabou em mim, não quero sonhar porque os pesadelos trazem a verdadeira persona do que somos e a verdadeira ambiência da vida que já está me parecendo longa demais.

Eu, passarinho em meio a jamantas com desvios sexuais e extraditados (possivelmente) de além mar. Infelizmente, não sou da Polícia Federal.

Tem coisas que eu juro que não vou falar e acabo não agüentando e falando. Como tem muito texto interessante na blogosfera, muita gente boa, gente bacana e saudável, eu procuro ler. Acho sempre que posso aprender técnicas e coisas bacanas com quem escreve legal. E leio tudo, sem excessão, porque eu acho que até uma pessoa que não goste de mim pode ser um escritor legal, não é verdade? Só deixo de ir quando as coisas extrapolam os limites razoáveis.

Ontem eu estava lendo um espaço de uma pessoa reconhecidamente doente por todos, inclusive aqueles que conversam com essa pessoa. A gente pode conversar por educação, mas saber onde está metido. Normal.

Eu li uma coisa ontem nojenta, mas muito nojenta mesmo. A pessoa descrevia essa ação nojenta (que me fez vomitar muito) como sendo um relato de outra pessoa. Então eu fiquei pensando…. será que essa outra pessoa é minha amiga e, no passado, por um motivo qualquer fez aquilo? Será que eu tocando no assunto estarei, sem querer atingindo uma amiga, uma pessoa belíssima e do bem? A descrição era, parecia. Quem escreve se descreve como uma gigante, uma espécie de jamanta do mal e do desequilíbrio e quem contou o caso, uma menina pequena, suave, normal. Esta, coitada, contou para a pessoa errada porque a jamanta deu todas as dicas.

Então, se, por algum acaso, a pequena que praticou o ato é quem eu penso, não tem problema, eu entendo, super compreendo, sei que na vida muitas vezes somos levados a fazer barbaridades que não faríamos quando a consciência da vida nos chega. Agora, a jamanta tornar público…. isso é revoltante. Não para ela que está acostumada ao “quanto mais doentio, melhor”. Expor outra pessoa que fez um revelação ‘em confiança’…..isso é detestável, lamentável.

E aí eu fico vendo as associações que fazem, os grupos que se formam. A impressão que eu tenho (e acabo rindo aqui sozinho) é que são pessoas do mal, pessoas que se aproximam pelo pior que cada uma delas tem… algo como Comandos de Traficantes ou como as Farc. Essas pessoas não possuem o menor interesse em escrever uma coisinha bacana, em procurar amizades, em trocar correspondências, em melhorar, aprender e ensinar…. Não….. desejam apenas o mal, o “quanto pior, melhor”… algo como terroristas da net que te podem soltar uma bomba em cima enquanto você está distraído, pensando em alguma coisa saudável.

Bom, a vida e o mundo são mesmo cheios disso e não serei eu que mudarei essa conjunção maléfica. Realmente acho uma pena, lamento. Mas fazer o quê? Ignorar, deixar pra lá, não freqüentar, deixar que xinguem, agridam, debochem, provoquem e tal e tal e tal. Não tenho poder de terminar com esse grupo. Apenas me afasto.

Tem muita gente boa, tenho muitos amigos, tem gente que realmente vale a pena trocar figurinhas. Não, não sou bonzinho….de maneira nenhuma… Mas estou longe dos grupos do mal, sou do bem. Não pretendo ir para o reino dos céus porque sou ateu, mas pretendo colocar minha cabeça no travesseiro em paz, sabendo que não fiz, deliberadamente, mal a ninguém.

Eu sei que escrevendo aqui estou dando crédito a eles, mas não faz mal. As pessoas têm escrito e.mails para mim perguntando a quem me refiro e, prontamente, dou nome e endereço. É indiferente se vão se fortalecer e tornar-se mais virulentos, mais sádicos, mais doentes. Acho que eu faço bem de falar como desmascarei a velhinha que fingiu que morreu e hoje está aí, de blog em punho. Esses continuarão, não “passarão (rs)”..Eu, passarinho. (M. Quintana)

Que tribo, bicho!

Ah…o dirigismo, as asnices, a disseminação de um apequenamento intelectual que alguns blogues espalham como vírus. Eu eu ainda tento ser complacente… Bah!

Ah, como insistem em renegar a discussão saudável por suas incapacidades e limitações…. Realmente eu não tenho paciência… Desisto da discussão, não adianta dar murro em ponta de faca…. Que tribo, bicho, que tribo! Enfim…

Insônia

Insônia

 

Não durmo, nem espero dormir.
Nem na morte espero dormir.
Espera-me uma insônia da largura dos astros,
E um bocejo inútil do comprimento do mundo.

Não durmo; não posso ler quando acordo de noite,
Não posso escrever quando acordo de noite,
Não posso pensar quando acordo de noite –
Meu Deus, nem posso sonhar quando acordo de noite!

Ah, o ópio de ser outra pessoa qualquer!

Não durmo, jazo, cadáver acordado, sentindo,
E o meu sentimento é um pensamento vazio.
Passam por mim, transtornadas, coisas que me sucederam
– Todas aquelas de que me arrependo e me culpo;
Passam por mim, transtornadas, coisas que me não sucederam
– Todas aquelas de que me arrependo e me culpo;
Passam por mim, transtornadas, coisas que não são nada,
E até dessas me arrependo, me culpo, e não durmo.

Não tenho força para ter energia para acender um cigarro.
Fito a parede fronteira do quarto como se fosse o universo.
Lá fora há o silêncio dessa coisa toda.
Um grande silêncio apavorante noutra ocasião qualquer,
Noutra ocasião qualquer em que eu pudesse sentir.

Estou escrevendo versos realmente simpáticos –
Versos a dizer que não tenho nada que dizer,
Versos a teimar em dizer isso,
Versos, versos, versos, versos, versos…
Tantos versos…
E a verdade toda, e a vida toda fora deles e de mim!

Tenho sono, não durmo, sinto e não sei em que sentir.
Sou uma sensação sem pessoa correspondente,
Uma abstração de autoconsciência sem de quê,
Salvo o necessário para sentir consciência,
Salvo – sei lá salvo o quê…

Não durmo. Não durmo. Não durmo.
Que grande sono em toda a cabeça e em cima dos olhos e na alma!
Que grande sono em tudo exceto no poder dormir!

Ó madrugada, tardas tanto… Vem…
Vem, inutilmente,
Trazer-me outro dia igual a este, a ser seguido por outra noite igual a esta…
Vem trazer-me a alegria dessa esperança triste,
Porque sempre és alegre, e sempre trazes esperança,
Segundo a velha literatura das sensações.

Vem, traz a esperança, vem, traz a esperança.
O meu cansaço entra pelo colchão dentro.
Doem-me as costas de não estar deitado de lado.
Se estivesse deitado de lado doíam-me as costas de estar deitado de lado.
Vem, madrugada, chega!

Que horas são? Não sei.
Não tenho energia para estender uma mão para o relógio,
Não tenho energia para nada, para mais nada…
Só para estes versos, escritos no dia seguinte.
Sim, escritos no dia seguinte.
Todos os versos são sempre escritos no dia seguinte.

Noite absoluta, sossego absoluto, lá fora.
Paz em toda a Natureza.
A Humanidade repousa e esquece as suas amarguras.
Exatamente.
A Humanidade esquece as suas alegrias e amarguras.
Costuma dizer-se isto.
A Humanidade esquece, sim, a Humanidade esquece,
Mas mesmo acordada a Humanidade esquece.
Exatamente. Mas não durmo.

Álvaro de Campos

Fernando Pessoa

Equívoco

O que estou procurando a essa hora da noite? Minha vista está muito cansada, as expectativas… (quais, deus?), não há nada minimamente interessante. Por que não dormir de uma vez, por que não me entregar, reconhecer que nem sempre é dia de festa, que o mundo é relativo como relativas são as coisas e que sextas feiras são dias de respeito (não aprendi?). Não? O que eu busco nesses livros manuseados com cuidado, até um certo respeito, como se fossem mais do que livros, como se fossem autores redivivos, quase-fantasmas que andassem por essa casa oferecendo-se a mim, dizendo-me que é hora de fechar aqui, que é hora de repouso, hora de silenciar e respeitar os tempos, as necessidades e os desejos…
Parece que não ouço mortos-vivos ou, pior, não os reconheço – incluindo-me num erro mais do que grave, gravíssimo, um equívoco sobre-humano

“Os Dois Filhos…”

Ainda bem que não fui  na época do lançamento mas foi um enorme sucesso de público pagante no cinema. Ontem assisti “Os Dois Filhos  de Francisco” na televisão. Mais de duas horas! Conta de forma tatibitati a história de uma dupla sertaneja desde a infância. As desgraças, a fome, miséria, o destino cruel da família brasileira. O norte (e o centro), a seca, a doença, a morte freqüente das crianças, os sonhos que vão, um a um se despedaçando.
E você fica ali assistindo aquela família ter um filho com paralisia, depois um outro que vai fazer sucesso, mas morre num desastre de caminhão – a quele indefctível caixãozinho branco!
A ida a São Paulo, o desbunde. Sem contar que o filme tem trilha sonora de música sertaneja O TEMPO TODO!!! Porcos, aves, queijos, kombis em péssimo estado e muita, muita poeira. Esse é o cenário.

O cineasta brasileiro desde sempre tem atração pela miséria e pelo centro/norte/nordeste. Acha lindo mostrar aquela coisa toda, acha emblemático, acha um cinema engajado. Essa coisa de glamourizar a pobreza é coisa de rico (e não foi Joãosinho 30 que disso isso não, foi um dramaturgo francês, ele apenas copia – como não foi Caetano que disse: “Ou não” e sim Nietzche) Não vem ao caso. Repare que noventa por cento dos filmes brasileiros são passdos no interior do norte. O Brasil praticamente desconsidera Rio, São Paulo e o Sul. Riqueza parece que não atrai, prosperidade também não. Nem sei como fizeram o filme do Cazuza!

Então nesse “Os Filhos”, o cineasta fica lá, repetindo a mesma tecla por duas infindáveis horas. Muda pouco o ambiente (apenas uma casa e uma cidade miserável por outra). Mas, como disse, existe a questão subjetiva da obra, a que você pode não se dar conta logo: a trilha sonora. Aqueles cantos com aquelas vozes alteradas, aquela sanfona que não quer silenciar, aquele violão caipira! A exposição exagerada à esse complemento do produto me lembrou muito aquela cena antológica de Laranja Mecânica.
Certo, o cinema brasileiro melhorou uma enormidade de uns anos para cá, não há como negar. Mas continua ralo. Principalmente em argumentos.

Sem Destino

A história sobre a não existência de futuro, partiu de uma argumentação minha durante um almoço. O princípio do raciocínio é bastante simples: se deus não existe também não existe o destino e se o destino não existe, não existe futuro. Acreditar em destino é uma aberração maior do que acreditar em Deus, é achar que, para cada um dos bilhões ou trilhões de espermatozóides que fazem sua corrida diária existe já toda uma arquitetura formada do que acontecerá com ele nos próximos cem anos. Multipliquemos uma idade média de 80 anos de vida pela quantidade de espermatozóides em ação à cada dia. Aliás, a conta é maior, porque se existisse destino ele seria aplicado aos espermatozóides também, profetizando qual o eleito a fecundar. Então o destino quis que fecundasse o espermatozóide y em meio à corrida dis 150 milhões que partiram naquela maratona. E quer o destino que seja macho ou fêmea e quer que tenha uma boa fecundação, uma boa gravidez, um nascimento razoável e “caia” numa determinada classe social. Aí começa efetivamente a vida, começa a Operação Destino II. O sujeito cresce e vive oitenta anos (quantos dias?) e tudo o que lhe acontece é por “ser destino dele”. Ou seja, no momento da ejaculação do pai já havia um plano elaboradíssimo de sortes e vicissitudes não só escolhendo o espermatozóide que irá fecundar como tudo o que acontecerá com ele. Sim, se for assim, isso é futuro.

Mas está claro que esse raciocínio não se sustenta, que a vida se dá primeiro pela lei do mais forte (espermatozóide vencedor) e segundo por uma série de coincidências e acasos que vão surgindo no decorrer do tempo. Estudamos, temos emprego, amigos, mulher e filhos por estarmos sempre fazendo determinada coisa em determinado lugar. Não é o destino que faz você se casar. É o fato (coincidente) de estar naquela hora e  conhecer aquela pessoa naquele lugar e sentir-se atraído (mutuamente?) por ela. E se você está andando, leva uma bala perdida e fica tetraplégico, igualmente não foi o seu destino (que destino mais besta, né?) e sim a coincidência de alguém disparar uma arma e você estar justamente naquele instante naquele lugar de tragetória da bala.

Se entendemos bem que o destino é uma tosca invenção  humana (o homem precisa de uma justificativa metafísica tanto para as coisas boas quanto para as coisas ruins que acontecem e assim diz que isso ou aquilo era “seu destino”, vontade de Deus). Um pensamento no mínimo que ultraja Deus, colocando-o a fazer planos para três bilhões de habitantes só no planeta Terra porque deve existir vida em outros planetas e Deus é um só, correto? Assim, concluímos: Destino, como é pregado, não existe. Existem acasos e coincidências bem como a Lei do mais Forte. Esses elementos regem a vida e, como o nome já diz, acasos e coincidências não poderiam em nenhuma hipótese ser previsíveis o que nos leva a entender que o futuro não é previsível.

Mas como pode o Futuro não ser previsível? Se eu estudo, vou me formar no futuro. Se sou noivo, vou casar e ter filhos no futuro. Se fumo, vou morrer de câncer. Se roubo, vou para a cadeia. As coisas acontecem assim? Não! Algumas coisas acontecem, outras não acontecem e outras ainda acontecem de maneira completamente susrpreendente. E por que? Porque o futuro, por não existir, não é. Para isso precisamos falar do tempo. Gaston Bachelard, em seu estudo sobre o Instante cita Roupnel com sua máxima perfeita: “O tempo é uma realidade encerrada no instante e suspensa entre dois nadas.” Ou seja, o tempo é um conjunto conseqüente de instantes, como a linha é o seguimento de pontos.

O presente se esvai, escorre entre nossos dedos. Tudo o que vivenciamos, cada instante, cada ato, cada átimo de pensamento escoa compulsivamente do nosso presente e torna-se passado. Ou seja, de certa forma, não existe um presente mais ou menos perene, ele é movimento constante de instantes que se vão para o passado. Esse mesmo passado nos é inalcançável, não podemos vivê-lo porque ele se foi, não existe mais. O que é o passado? Alguma coisa que aconteceu. Podemos lembrar e evocar o passado, jamais interagir com ele porque ele simplesmente, não existe.Temos apenas uma faculdade física (elétrica) do cérebro que é a memória e somente na memória existe passado. O futuro, é um passado às avessas. Ele não existe em nossa memória porque não ocorreu e não existe de fato porque não está lá. O que se dá, é uma impressão. Futuro é a expectativa humana. Vivemos o futuro? Não. Agimos, nos relacionamos, nascemos, morremos, trabalhamos no futuro? Não! Todas as coisas que desejamos realizar e/ou as que não desejamos que se realizem creditamos ao porvir, projetamos em algo que não existe (mas acreditamos que possa vir a existir) e chamamos de Futuro. E aí temos a coincidência absurda do óbvio: Destino e Futuro, por irreais, não existem, são matéria de expectativa e explicação. Futuro é matéria de expectativa e Destino (de explicação, justificativa) é matéria de Passado e/ou Presente  (que, imediatamente, vira passado). Resta o presente, mas este, é tão rápido, tão repentino, tão abrupto, tão impalpável, que é melhor não contar muito com ele.

Podemos concluir que o tempo é uma manipulação humana extremamente bem elaborada e de profunda utilidade tanto como motor propulsor da ânsia da realização (e seu sucesso) como no amparo aos desvalidos e aos que sofreram revezes. Sem esse conceito, muito possivelmente a humanidade não teria chegado onde chegou.

Por isso o passado, o presente e o futuro, bem como a vida eterna são tão conveniente para a ordenação de todas as religiões

Irremediavelmente

Muitas vezes tenho a impressão que sim, estamos irremediavelmente sós.

 

E se realmente for assim? O que fazemos? O que fazemos nós mesmos? Para onde? Como? Por que? E as alternativas? Também não? Então o quê?!

Transgredir sempre…. e mais!

Caminho num ritmo tão frenético às vezes que tenho medo de perder o controle. Todo mundo teme perder o controle. Não dizem, mas temem. Ou não temem, mas perdem. A questão de controle é um mito social, na verdade religioso, que pretende dominar os anseios do homem. Mas o homem não deve ser controlado porque, como uma represa, em determinado momento vai estourar. Pessoas estouram assim, do nada, quando menos se espera e todo mundo fica com cara de árvore como se a avalanche não fosse previsível. Mas ela é… e óbvia. As condições que se propõe a um homem são impossíveis, imprudentes inclusive. Homens necessitam explodir ao invés de implodir porque é dessa explosão que nasce a luz, o amor, a ‘cotidianidade’. Reverter o processo em que nós afloramos equivale e matar a flor, inviabilizar a realidade, detonar o projeto de vida. Não deve ser uma necessidade minha e sim de toda a humanidade (embora parte dela esteja – por isso – encarcerada em hospícios). Não receio os hospícios, aceito-os como uma chocolateria ou uma tabacaria. Tenho bem firme em mente um projeto alucinatório que independe do lugar que habito. Trago em mim toda a revolta dos mares e meu movimento, como já disse, é o de placas tectônicas que se ajeitam e provocam maremotos. De que serviria o mar sem maremotos? De que serviria a terra sem terremotos?! No fundo estamos tratando da mesma coisa tanto em terra, mar ou gente: precisamos entrar em ebulição para justificar esse processo vertiginoso que é a nossa vida (se bem vivida). Se transgrido? Sim, com certeza e muito freqüentemente. Você não? Pois experimente! Uma transgressão dá mais prazer que um orgasmo e os dois juntos são a perfeição almejada pelos deuses do Olimpo. Então, vamos transgredir!

(retirado do G.I.)

Estranhamente estranho

Pelas ruas, uma mulher me chama a atenção. Unhas e lábios pintados de roxo e roupa de couro preto. Está sol. A mulher me parece personagem de um filme pornô de quinta, mas, estranhamente, seu rosto parece inocente. Está parada, olhando para lugar nenhum. Imagino se está esperando alguém ou, simplesmente perdeu a razão ali, naquele instante e não sabe mais quem é, o que faz no mundo. É jovem e relativamente bela. Há tempo para observá-la bem porque estou na porta de um restaurante aguardando alguém para almoçar. Ela continua ali, estranhamente parada, sendo simplesmente estranha. Naturalmente um carro diminui a velocidade e o motorista dá aquela cantada vulgar e nojenta. Ela finge não ouvir. O carro parte. Meu companheiro para o almoço demora e outros dois carros fazem a mesma proposta à mulher. Imagino que, como eu, ela possa estar esperando alguém. A pessoa que eu aguardava chega e entramos para almoçar. Conversamos um bocado, colocamos todas as questões em dia enquanto saboreamos peixes e frutos do mar. Satisfeitos, pagamos e saímos. Eu nem lembrava mais, porém lá está a mulher: parada no mesmo lugar – talvez na mesma posição. Passara-se pelo menos uma hora e ela não podia mais estar esperando alguém, teria desistido. Comento com meu amigo essa coisa, daquela mulher estranha estar “estranhamente” ali. Começo a me convencer que ela perdeu a memória e está perdida. Tenho vontade de abordá-la e saber se precisa de alguma coisa, mas vai parecer uma cantada barata e me abstenho. Por fim, volto caminhando para o meu trabalho (olhando para trás de vez em quando e vendo a mulher como uma estátua de sal). O que acontece com as pessoas?

Linhagem de escritores que não morrem

Percebo o mundo de forma especialíssima. Penso na história da humanidade como uma grande epopéia cantada em versos gregos e/ou homéricos. Não creio que outro homem possa descrever tamanha aventura depois de Homero. Fico pensando ainda como tem história ainda não contada, como não sabemos nada e os escritores que pretendem isso através de uma meta-linguagem fracassam todos. Na maioria das vezes, os escritores fracassam mesmo fazendo sucesso, porque a finitude impede que completem a obra. Todas as obras de todos os escritores estão incompletas. Como na antiga Pérsia, os trabalhos deveriam passar de pais para filhos de forma a que esses pudessem dar continuidade às obras. Imagine só cento e cinquenta livros de Dostoiévski ou de sua linhagem? Cento e setenta e nove romances engajados de Camus e por aí vai. Claro que continuariam a existir autores novos que seriam aqueles não filhos de escritores, que começariam, por sua vez, uma linhagem. Tenho a obra completa de Borges em quatro volumes grossos. Imagine essa mesma obra em doze volumes!
Mas não é assim e os autores são imcompletos! Pra me distrair, apenas como brincadeira, às vezes pego um livro e continuo a escrevê-lo como se o autor não tivesse colocado um ponto final. Claro que a qualidade do livro cai muito (rsrs), mas está ali, aumentado, continuado. Fico com a impressão que aquele autor não morreu. Não para mim. Casares e Calvino, por exemplo, deveriam ser imortais.

E tantos outros, claro. O ideal é que todos os grandes autores fossem imortais, mas aí dirão o mesmo de compositores, cantores, atores, diretores… Enfim, o mundo ficaria meio confuso.


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"A descoberta do Prozac criou um universo de eunucos felizes"

"É-nos impossível saber com segurança se Deus existe ou não existe. Por isso, só nos resta apostar. Se apostarmos que Deus não existe e ele existir, adeus vida eterna, Alô, danação! Se apostarmos que Deus existe e ele não existir, não faz a menor diferença, ficamos num zero a zero metafísico" Albert Camus

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""Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos."
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