O furdunço Na TV Brasil continua (e quente) Tive contato com inúmeros e.mails de produtores independentes – alguns mesmo radicalizando. Pelo que entendi, a Presidente da EBC quer exercer mais de uma função, que ela não foi escolhida através de uma lista tríplice como deveria ser e muito menos escolhida pelo presidente da república e sabatinada pelo congresso. Dizem ainda que o conselho deliberativo não apita e nem reuniões tem mais. Enfim…. pouco a pouco vai aparecendo a verdadeira face dos que fazem essa televisão, dita pública. Ou seja: a desorganização entre eles só gerou até agora poblemas. E agora foi a gota d’água. Ouvi muita gente valentinha dizendo que sairia junto com Leopoldo o diretor. E agora? Será verdade ou vão procurar um cantinho para continuares na ‘bocadinha’?
São muitos e muitos mails se solidariezando com Leopoldo, o diretor que foi demitido. Escolhi um que demonstra claramente o descontentamento com toda essa confunsão:
Subject: Carta de Beth Formaggini
É com grande preocupação que vejo a saída de Leopoldo Nunes, diretor
de Programação e Conteúdo da TV Brasil. Mesmo com todos os problemas
que a Tv enfrenta hoje já começavamos a perceber um diferencial na
sua programação. Principalmente se comparamos com o modelo perverso de
televisão que existe no Brasil. Um modelo que ignora o cinema
brasileiro de ficção, o nosso documentário, o curta-metragem, a
animação, enfim, que não exibe a produção independente que,
infelizmente, só podemos ver nos festivais de cinema ou, em menor
escala, no gueto do Canal Brasil e que estávamos finalmente assistindo
na TV Brasil.
Temo que haja um retrocesso com a saída do Leopoldo, que foi um
articulador politíco deste projeto, fruto de muito trabalho e
discussão, que sonhou conosco com uma TV pública gestora de conteúdos
produzidos pela sociedade e não apenas produtora de conteúdo como
todas as outras emissoras que produzem quase tudo que põem no ar.
Contra este modelo perverso de TV travamos muitas discussões e lutas
nos Comitês, e depois no Forum Nacional pela Democratização da
Comunicação, dentro da APACI, ABRACI, ABDS, CBC, Sindicato dos
Jornalistas. Foram anos de debate que finalmente desembocaram no Fórum
da TV pública. Conhecemos a derrota na nossa luta pela ANCINAV, que
mobilizou todo o país, e que foi derrubada, quem sabe, pela mesma
força que hoje está afastando este diretor. Quem garante que a saída
dele não é sinal da derrubada de um projeto de TV que Leopoldo
representa? Já assistimos a mudança da gestão da TV Pública do MINC
para a Secretaria de Comunicação Social e a saída de Orlando e Mario
Borguineth. Quem garantirá agora o cumprimento deste compromisso,
firmado na Carta de BSB e endossado pelo presidente Lula, com toda a
classe, de criar uma TV verdadeiramente pública?
Para garantir estas conquistas, a primeira coisa que podemos fazer é
realmente exercer um controle social sobre a nossa TV. Mas como
fazê-lo com um Conselho Curador que não foi eleito, que não se reúne,
que não tem um representante do produtor audiovisual independente?
Temos que exigir que o conselho seja reformulado, com representantes
eleitos numa comissão que inclua todos os setores da sociedade,
inclusive o nosso.
O Conselho deve averiguar com urgência as graves denúncias contidas na
entrevista de Leopoldo, de que foram devolvidos R$ 18 milhões aos
cofres públicos no ano passado. E averiguar porque não lançaram os
editais referentes à verba de R$ 100 milhões do PEF (Programa Especial
[WINDOWS-1252?]de Fomento) e do “Mais Cultura”, destinada à programação da
produção
independente. São denúncias graves, que não podemos ignorar
passivamente. O Conselho tem que averiguar! Ou não?
Teremos agora, diante de nós, a oportunidade de discutir a TV Pública
que queremos e o Conselho que necessitamos na Conferência Nacional de
Comunicação, em dezembro, e nas reuniões preparatórias onde poderemos
exigir mudanças na TV Brasil e nas Tvs privadas. Na verdade concessões
públicas que deveriam também sofrer o controle da sociedade e ter um
diálogo com a produção audiovisual brasileira.
Concordo com Assunção, que diz que o pacto que se fez para a rápida
[WINDOWS-1252?]aprovação da atual TV pública foi para evitar que “o destino
desta TV,
fosse o mesmo do projeto da Jandira Feghali, que está há 18 anos
[WINDOWS-1252?]circulando como barata tonta no Congresso”.
[WINDOWS-1252?]Como ela diz, “quando concordamos com aquela proposta, todos
previmos
[WINDOWS-1252?]que haveria um segundo tempo nesse jogo, o de transformar, .
essa TV
[WINDOWS-1252?]Brasil, na nossa verdadeira TV Pública.”
Então vamos repensar o Conselho, a gestão da EBC e. ainda citando
[WINDOWS-1252?]Assunção, assegurar “que os programas produzidos internamente,
incluindo o jornalismo, não ultrapasse de 30% de tudo que for
[WINDOWS-1252?]exibido em toda grade” e que “a escolha do Presidente da TV
deve sair
de nomes indicados em lista tríplice que o Presidente da República,
recebe, escolhe um nome e encaminha ao Congresso para ser
[WINDOWS-1252?]sabatinado e aprovado ou não.” E, ainda, que “o mandato da
Presidência
da TV Brasil, não deva coincidir com o mandato da Presidência da
República, para que seja efetivamente um gestor público e não
[WINDOWS-1252?]estatal ou governamental.”
Acho que perdemos mais uma batalha, mas acredito que este baque vai
renovar as nossas forças, para que possamos realizar nosso sonho de
uma TV pública de verdade.
Beth Formaggini
Produtora independente
Disseram