O existencialismo pode ser tão falho quanto o criacionismo, mas parece-me mais transparente. Os dogmas do criacionismo me irritam, não por eles em si ou de per-si, mas pela dissimulação atávica do pensamento. Melhor seria dizer do não pensamento, das trevas mentais a que tentam induzir os de mais frágil espírito. E não se deve construir toda uma arquitetura filosófica apropriada para os de menos capacidade cognitiva. Isso seria (e é) patético)
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Tem coisas que viriam do mal se ele existisse. Tudo o que se esconde atrás de “novos ritmos”, dessa “novas” culturas… como rave, funk, dancing e tudo o mais demostra unicamente como a Humanidade é Jeka e ignara
Entre meus três leitores acabei recebendo uma correspondência no mínimo excêntrica. Uma bobagem, mas que vale ser relatada. Eu que sempre postei três textos por dia, agora estou quieto. Já falei disso aqui, mas parece que não surtiu efeito. E mais: que eu estaria magoado e com raiva de uma ou duas pessoas. Absolutamente! Não há um pingo de verdade nessa afirmação. Não tenho bronca de ninguém, não falo mal de ninguém. Nada disso! O que eu às vezes digo é sobre o status de pessoas menos capacitadas e devidamente agraciadas pelo aparelhamento de estado promovido pelo presidente. Mas isso não apenas eu falo. Todo mundo fala o tempo todo. Basta abrir um jornal, de qualquer dia e vai encontrar lá a mesma percepção e, realmente, contra isso não há o que fazer a não ser dar tempo ao tempo, já que esse é “o senhor da razão”. Dia desses eu estava falando da Secretária Municipal de Cultura e as inúmeras boquinhas que ela criou, esquecendo-se totalmente da sua missão maior. Ou seja: a secretária Jandira, faz parte de uma corrente que tem a outra ponta no presidente da república. Eu acreditei que não suportaria um mandato de Lula. Já estamos na metade do segundo e eu ainda não morri. Hoje em dia entendo a sobrevivência dos judeus nos campos de concentração e os “sovietes” que fugiram a tempo. Então eu falo de todas as áreas culturais, do retrocesso de tudo que tem a marca PT e não sou radical quanto às pessoas da ‘boquinha’… entendo que é assim mesmo, de certa maneira em qualquer governo. O que irrita é a irresponsabilidade ao não tocar ‘bonde’, não colocar o bloco na rua.
A insuportável insegurança da política nas artes
Publicado 04/02/2009 Idéias e ideais , equívoco , possibilidades Deixar um ComentárioReciclar cinema e teatro bem como programas em televisão é uma tarefa árdua e. principalmente, necessita verdadeiramente de criatividade, estética e conteúdo. Porque quando você conclui um documentário ou um programa desses de “linha”, semanais ou diários, precisa entender bem o que está fazendo e o porquê está fazendo. Essa história de usar programas como instrumento de aparelhamento político, erc! – a coisa não sai. Ou melhor, os “homens das artes” rodam, rodam, se desfazem dos desafetos, mas continuam incapazes de dar um passo è frente em termos objetivos de mudanças criativas. Isso ocorre muito em televisões geridas por governos estaduais ou pelo governo federal. Como não existe a quem dar satisfações sobre como a verba foi gasta (ou pior: como não foi gasta), fica um samba do crioulo doido, equipes inteiras de televisão e cinema, elencos de teatro, etc. boiando de lá para cá sempre na expectativa dos novos políticos que vão mandar. Porque à cada gestão, cada novo ‘diretor’ ou “supervisor” que entra rola sempre a preocupação de nessecitarem mostrar do que são capazes (à priori esses gestores políticos – “da boquinha” - acham que sabem um pouco (ou muito – que vira caos) “se acham” os únicos na Terra com capacidade e criatividade. O resto é o resto é o resto . Não muda nada, são as cartas marcadas. Um desses casos, por exemplo, pode ser a nossa Jandira, do Partido Comunista, agora Secretária de Cultura. Já tivemos a república de Alagoas e mais algumas. Agora temos a outro estado “da boca” – na área federal e a da Barra da Tijuca no Rio para a gestão dos teatros municipais. Tudo com o seu, o meu o nosso…
É bem verdade que não caio na “desgrameira” de ser ácido e falar mal do mundo. Ao mesmo tempo, esse meu espaço não é bem humorado como eu gostaria que fosse. Devo ter uns três ou quatro leitores e, entre eles, há um pacto de não fazerem comentários, (só mandam e.mails). Até aí tudo bem (até porque v sabe do comentários porque recebeu um e.mail). A verdade é que hoje saí de casa muito rapidamente e conheci, um homem), mas uma pessoa que levou altos papos comigo…. Que entendeu na boa exatamente o que estava acontecendo e o porquê de eu estar fazendo isso ou aquilo, estar sentindo aquilo ou aquilo outro. Foi um longo papo… de 8 da noite até meia noite. Eu até poderia não valorizar tanto, mas valorizo….principalmente num momento de adversidades. Não convivo bem com apaniguados…. Então… o que acontece? Como disse um grande – e incomprendido - estadista : “O tempo é senhor da razão”… Esse tempo vai passar, esse governo vai cair e não fará sucessores e as pessoas “da hora” vão cantar noutro terreiro. Sempre existe espaço para a propaganda do MST, das Farc e de tudo o que há de ignóbil na vida. Mas não quero desvirtuar a história… quero contar que, muitas vezes do nada, encontramos pessoas sérias, inteligentes, cultas, pessoas que nos dão prazer em conversar, que trocam informações e opiniões sérias, pessoas que a gente percebe, pela maneira, que não possuem nenhum exibicionismo, Enfim, basta viver a vida porque ela é sábia e coloca em nosso caminho tanto os jekinhas quanto os sinceros. É só aprender a apostar no cavalo certo…
Tenho a impressão que, em determinados momentos da vida, somos psicologicamente massacrados e após o massacre cada um se porta de uma maneira. Olhando o lado psicológico é mais difícil avaliar porque acabamos necessitando da ajuda de um profissional sob pena de fazermos uma avaliação errada. Eu sempre defendi que as pessoas devem ser vistas à luz da Filosofia, jamais da Psicologia (atenção que eu não falando de psiquiatria). Tenho essa impressão bem forte porque, ao contrário dos astrólogos (rs), a filosofia sim nos coloca em consonância com um determinado “pensamento”, uma determinada linha filosófica que determina muitas, quase todas, as nossas ações. Ou melhor: quero dizer que as pessoas deveriam ser vistas à luz da corrente filosófica que seguem e não à religiosa ou a psicanalítica.
Acho que um homem deve ser visto baseado naquilo que acredita como forma melhor de viver, ou seja, sua visão filosófica da existência. Desconsiderar esse preceito, é desconsiderar a estrutura básica do homem é negar-lhe a opção, torna-lo encapsulado em uma mentira
Essa discussão vem rolando há muito tempo não somente com pessoas conhecidas como, igualmente, em grupos de discussão diversos (que procuro participar). Porque todo mundo leu um determinado Filósofo e alinhou-se com o pensamento dele ou, se não leu, ainda assim assume uma postura de vida que, observada por um filósofo, identificará naquela conduta um modelo, uma linha de pensamento filosófico. Da mesma forma que, por ignorância se diz: “seu comportamento é o de um taurino”… dir-se-á: “Seu comportamento condiz com o de um existencialista”.
Essa sutilezas que parecem não ter muita importância em nosso dia a dia, são na verdade marcas e, portanto, atitudes naquilo que fazemos ou deixamos de fazer e mesmo da nossa forma de agir cotidianamente.
P.S. Sei que esse post não tem nada a ver com nada. Trata-se apenas de responder a um e.mail que, nesse momento, não desejo tornar público.
“Eu preciso dizer que eu te amo….. te amar ou perder”… Esses fragmentos de músicas, de poesias passam pelo cérebro, na maioria das vezes muito velozes, dessa maneira estranha de ver coisas, de vivenciar aquilo que não é exatamente meu, mas que também não consigo desprezar, como um cúmplice por acaso, do acaso absoluto, sem culpa como o gato emparedado de Poe que termina colocando tudo a perder. Mas ou menos isso, o cúmplice idiota, que entrou num jogo sem saber e acaba sempre estragando os planos arquitetados pelos outros, uma espécie de “inconveniência do acaso”. Somos todos estranhos no ninho, somos todos esperanças vãs, relicários desses onde guardamos uns restinhos das cinzas (que afanamos durante as cerimonias com a natureza). Contraditório é alguma coisa maior do que parece, alguma coisa mais sofrida e, ao mesmo tempo, incompreendida pelas maiorias, essas hordas ignaras que se arrastam num mundo de trevas e faíscas.
A eterna patrulha dos idiotas on line
Publicado 04/01/2009 Puto da vida , equívoco , gente burra 4 ComentáriosEu não posso negar que fico completamente bestificado com uns poucos comentários que fazem por aqui e igualmente os muitos e.mails que me mandam. Às vezes dá uma vontade imensa de não dizer mais nada, não escrever mais nada ou, pelo menos, não de uma forma pública. Dia a dia, ano a ano eu vou me conscientizando que os leitores e autores de blogs seguem um padrão, uma regra, um paradigma. Existem os que escrevem críticas a tudo e todos, os que comentam literatura, os que são simpáticos e tornam-se “adoráveis para todos”, os que escrevem poesias, os que publicam fotos interessantes (ou não) e assim por diante. Mas existe sempre um padrão a ser seguido. Quando você escreve alguma coisa sua… uma opinião, um sentimento, uma certeza (ainda que errada), quando você publica qualquer coisa que não se encaixe no previsível, é um inferno. Primeiro as pessoas deixam de te ler. Em seguida te visitam muito esporadicamente para fazer críticas contundentes, para dizer que você está completamente errado, que você não sabe de nada, para te chamar de idiota, para dizer que sentem ‘muita pena’ de você e ainda assim, num rasgo magnânimo, desejar “Boa sorte”.
São as patrulhas que se espraiam por aqui. Você tem que escrever coisas “permitidas”… coisas “possíveis”. Você pode xingar a mãe de quem quiser, você pode perseguir artistas e políticos, pode se pavonear… Existe um universo que é permitido. Dentro desse universo você pode escolher seus temas prediletos e ir em frente que será sempre bem aceito. Agora não ouse falar do desconhecido, falar coisas íntimas levando-as à sério, nem ”ser petulante” em afirmar coisas que não sejam convencionais porque aí, meu caro…. aí esse universo meio babaca que dão o nome ainda mais babaca de blogosfera vai te crucificar, vai te disser tudo o que se diria a um cão sarnento se ele entendesse (aliás, acreditam que esses cães entendam mais do que você).
É só isso: se você tem ou pretende ter um blog conheça bem as regras estabelecidas e escreva somente pelo que é aceito, estabelecido. Não tente explicar uma particularidade… diferente, uma discordância fora dos padrões.
A maioria dos autores de blogs são patrulheiros de uma sociedade em rede que pretendem regrada, justa, seguidora de todos os dogmas que trazem dos berços – pouco importando se aqui deveria ser um território livre ou não para exposição de opiniões. Bah! (dedo na garganta)
Calma, minha jovem K. não é uma imitação do seu….é uma imitação BARATA do seu.
Entender o conhecido é mais difícil do que entender o desconhecido. Porque o desconhecido tem algo de mágico, de metafísico, algo que transcende, alguma coisa mística, por assim dizer. O conhecido é duro exatamente porque não nos permite pensar, imaginar. Simplesmente é. Impõem-se de forma aviltantante, leviana, crua. Cruel. Torna o mundo espectador de uma cena distante, um palco inalcançável, um jogo de espelhos onde todos os reflexos são verdadeiros, indistintos, mas ainda sim, são reflexos. Nunca sabemos qual o espelho principal, qual retrata a verdade, qual não faz parte do jogo. Como um sonho vazio. Como estar no meio do oceano. Não existe porto, não existe mão, não existem afirmações. São expectativas vãs. Todas elas. E uma expectativa vã, por si só, por sua falta de obviedade, deixa de ser expectativa, torna-se alguma coisa pesada ainda que não mensurável. Lembro-me do filme “2001, uma Odisséia no Espaço”, no momento em que o astronauta solto no espaço desprende-se da nave e segue sozinho, girando ao sabor sabe-se lá do quê. Restaria o futuro se ele existisse. Mas o futuro só existiria se ele fosse desconhecido, se fosse uma hipótese nova, uma surpresa. Nenhum futuro é surpreendente.
Possibilidades
Publicado 22/10/2008 Os dias... , equívoco , leveza do ser , possibilidades Deixar um ComentárioExiste o romancista de um livro só. Todos se perguntam porquê aquela pessoa escreveu um único livro, porquê não deu continuidade à sua carreira literária (ainda mais quando se mostra promissora). Escrever não deixa de ser um ato de angústia, aquilo que chamamos de “angústia boa”. Muitos passam para o papel essa angústia uma vez e depois se calam, ninguém fica sabendo o que aconteceu, o que está ocorrendo, onde anda aquela pessoa, o que faz, se morreu ou não. Porque é assim: pessoas aparecem e desaparecem eventualmente, misteriosamente. Como num espelho que se parte logo após refletir apenas uma imagem. Não são sete anos de azar. Até porque não existe propriamente “azar” nem propriamente a contagem dos “anos”. Ocorrem outras coisas, outras situações, outros caminhos que nem sempre são definidos pelos homens. O conceito de “show da vida” propõe alguma coisa de magnânimo – que, novamente, não quer dizer a verdade, não pode haver certeza. A própria “verdade” é apenas de ‘um’ e não coletiva.
Talvez a proposta de Camus do “zero à zero metafísico” seja algo mais próximo do possível. Claro que pode-se também acreditar na idéia do filme Matrix (não creio). Por fim, termina-se numa espécie de limbo (não esse católico romano que remete às portas do inferno), mas num meio de caminho, numa caminhada de certa forma abstrata, uma visão de horizonte sem cores definidas, sem placas de indicação. Um enorme deserto com pequenos oásis ou um oásis com pequenos desertos. É a relatividade do ser, do espírito, do olhar, do impulso, da (possível) explosão. É a pedra, o rio, a lama. Simplesmente admitir que tudo é possível e impossível na mesma proporção.
Apesar do monte de besteiradas que rolam, há muito mais vida inteligente na internet do que na TV, no Rádio e, muitas vezes no teatro. O motivo é muito simples: a internet trabalha com produtos individuais e a televisão com grupos, equipes, diretores e todo esse blá-blá-blá. Como o ser humano é uno, ao formar equipe, criam-se atritos (ainda que sejam equipes unidas em torno de um objetivo comum). Televisão é assembleísmo, é opinião de mais de um, é julgamento, ibope e toda essa tralha. Só no escritor, no romancista, no erudito ou o escrevinhador da internet existe possibilidade de expressão única verdadeira (apesar de todos os equívocos que possam ocorrer). E não há dúvida (não para a nossa geração) que as novas tecnologias vão proporcionar o indivíduo pleno, capaz de pensar, agir, opinar… sem nenhuma repressão.
Hoje que é o dia por excelência para a leitura, perco-me escrevinhando coisas aqui e ali, em belos cadernos e blocos sem pauta que descobri (mas à preço de ouro). Escrevo, escrevo e escrevo como quem tem a necessidade premente de mostrar-se… não… de olhar-se num espelho pouco confiável, mas ainda assim um espelho. Não posso me guardar para sempre, não posso me afastar de tudo porque não consigo coisas magnânimas, porque não sou. Engano pessoas e me engano a mim mesmo com a mesma leveza na alma. Sem pena, sem dor, sem remorso. Trilho caminhos que já trilhei milhares de vezes e outros novos, virgens para mim… onde não sei onde apoiar a bota. Vou em frente como que puxado por um jegue (ou sendo eu o jegue), como quem tem prazo de validade (ainda mais após o susto dessa madrugada quando acordei num acesso de tosse em que, dopado por tantos medicamentos, não cheguei a acordar direito, mas tive a impressão que as tripas me sairiam todas). De manhã busquei a garrafa de conhaque, certo de que me esquentaria e, para minha surpresa, estava absolutamente vazia. O fracasso do conhaque! O dia prenuncia borrascas, ventos, um frio inimaginável para nossos tristes trópicos e, ao mesmo tempo, tudo parece cenográfico, tudo me parece ilusão, que nada disso vai acontecer, que mais uma vez busco histórias no fundo da minha cabeça.
Para chegar a essas conclusões não chego a delirar nem fazer força, elas partem bem de dentro de mim, irresponsáveis como tudo na vida.
Penso em correr até a padaria, mas não tenho tanta coragem. Eu que olhasse tudo antes já sabendo que hoje seria um dia “de não fazer nada”, de azucrinar quem se encosta nesse espaço, de silenciar antes, de contar coisas tão íntimas, profundas e não pensadas que mais parecem mentiras, mais parecem dessas pessoas que escrevem qualquer coisa, apenas para bater no teclado, para fingir ocupação, para imitar seriedade. As mulheres por exemplo. As amigas. Uma está há 40 km, outra a 500 e outra a mais de 3.000 km. Os amigos: todos estão circunscritos num raio muito menor. Não vem ao caso quando a contestação única é de que nada altera nada, de que o centro – que, nesse caso, sou eu – continua jogando inúteis garrafas ao mar de Lost. Vou ficando convencido de que a irresponsabilidade não é toda minha, a irresponsabilidade é um ponto de vista da responsabilidade e o mundo – redondo – não transborda porque eu não presto atenção ao fenômeno. Nada mais. Os fenômenos estão todos aí, com a mesma intensidade e, se não me espanto, é pura distração do meu espírito.
Como esse blog é insuportávelmente chato!!!
Publicado 29/08/2008 Idéias e ideais , equívoco 5 ComentáriosEu tava lendo uns blogs por aí (essa coisa que a gente faz sempre e nem sempre assume) e fui ficando deprimido. Como esse Sobretudo é chato! Nossa mãe! escrevi durante oito ou nove anos nesse modelo midiático que já foi novo e não aprendi nada. Ou se aprendi, aprendi com os chatos, com os que não sabem escrever, com os que insistem numa coisa tolinha que é babaca porque pretende filosofar qualquer coisa, porque pretende dar uma ar de seriedade ao que não é sério. Depois li alguns posts daqui aleatoriamente e fiquei apavorado! Como essa gente (ainda que poucos!) insistem em vir nesse sítio?? Só pode ser um gesto de carinho ou alguma espécie de penitência. Tem laudas e mais laudas que falam de assuntos que, absolutamente, não domino, que falo de orelhada e, assim, falo besteira em cima de besteira! O blog, de certa maneira, pode ser um “espelho da alma” do autor e justamente isso me apavora. Se minha alma é esse lixo, quem sou eu? O que estou pensando e esperando, quem disse que eu posso escrever uma linha e publicar (ainda que para duas pessoas lerem)? Não sei como resisti tanto tempo, como todo mundo resistiu. Pergunto-me agora se devo deletar esse espaço para sempre, se devo dexá-lo boiando por aí ou se devo aprender a fazer alguma coisa para fazer minimamente suportável. Todas as opções me doem, incomodam. Na verdade só resta vergonha e decepção por ter me prestado a esse papelão. É verdade que visito outros lugares que são igualmente chatos e nada a ver, mas aí não é problema meu, não está sendo escrito por mim. Minhas elocubrações sobre espaço, tempo, dimensões… tudo está arredo, tudo está mal construído. Escrevi durante nove anos uma obra que não serve para absolutamente nada, nem para embrulhar peixe. Falei, falei e falei, muitas vezes mentindo, para criar impactos que são falsos, não acontecem de fato, são mentiras bobinhas, jekinhas, que as pessoas nem se dão ao trabalho de comentar – com certeza por educação.. Sim, é verdade que muitas mulheres só conseguem escrever sobre sexo, outras só conseguem escrever sobre Clarice Lispector e outras sobre não sei o quê. E agora entendo todas elas porque essa ferramenta (de publicação fácil e instantânea) amortiza, detona, enterra a crítica de deveríamos fazer de nós, do que dizemos, do que estamos querendo passar (sem conseguir). Das falas complicadas, das maneiras metidas a eruditas (que não são!), de tudo. Resta-me pedir desculpas!

Disseram