Hoje mais ou menos entusiasmado com os livros de Gay Talese como em priscas eras me entusiasmei com outros jornalistas (começando por Capote, claro). Verdade quando dizem que me entusiasmo ora por esse, ora por aquele, que sou dado a “paixonites” literárias independente do calibre dos escritores. Sim, tudo verdade. Sou assim desde muito jovem, desde os primeiros livrinhos de aventuras escritas pobremente e, depois por Meigret. Coisas do tempo, coisas que todos nós temos (ou tivemos) bem antes de entrarmos no modernismo. Coisas de antes de Euclydes, de antes, muito antes… Por falar em jornalistas, não esqueçamos Wolf... Mas não importa: agora é Talese. É bom conhecer um pouco do submundo que habitam esses homens que transformam fatos às vezes corriqueiros em grandes histórias.
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Existe um lado obscuro em todas as coisas e, portanto, na vida. Esse lado obscuro da vida não é conhecido por todos porque, na maioria das vezes, precisamos procurar muito para encontrá-lo. E esse encontro não é nada agradável. Imagino mesmo que esse lado obscuro é separado de uma “loucura” por uma linha tênue, muitas vezes confundindo se uma pessoa está do lado de cá ou do lado de lá. E essa possível confusão dá-se exatamente pelo número reduzido de pessoas que se aventuram, por livre e expontânea vontade – muitas das vezes num exercício filosófico único e perigoso. Podemos observar que praticamente todos os filósofos e aqueles que estudam a alma humana já se exercitaram nesse “lado negro”. O que eu não tenho certeza é se vale à pena tornar-se equilibrista sobre esse grande oceano traiçoeiro. Trata-se de uma aventura única e solitária e muitas vezes perigosa porque os outros homens difilmente sabem distinguir uma coisa da outra.
Lendo ” Outro” de Bernhard Schlink. Best seller? Dizem que sim e daí? Desde quando um livro que agrada multidões, tem enormes tiragens e vira filme é necessariamente ruim? Boabagens. Criancices. Essa literatura que nos cativa, prende, que minusturamos à nossa própria existência… que recoloca mais uma vez que vida e a literatura se entrelaçam, que num momento dominamos o livro e, em seguida, somos nós, antes personagens que o autor deixou de nos escrever.
O estudo da filosofia continua, não é nada simples (embora o seja). De qualquer forma, por preservação, deve manter-se guardada em mim. Acredito que o anonimato seja importante. Muito importante pelo menos num primeiro momento. No mais, é sorrir quando for possível
Não. Que eu saiba não morri ainda. Ando mesmo enrolado com determinados estudos que resolvi fazer mais à fundo. Diante disso, deixei muitas e muitas coisas de lado e uma dessas coisas mais caras a mim é esse convívio aqui com meus três leitores. Mas é a tal coisa: eu até me acho o Super Homem, mas a verdade é que não sou (e nem de longe). Ou seja, me viro para um lado e fico, momentaneamente, de costas para o outro. Onde estou enfiado? Ainda é cedo para dizer (aliás acho mesmo que não direi nunca). Afinal, todos nós temos nossas particularidades e para isso existem os cadernos e blocos manuscritos, não é? Mas não sumi, não morri, não evaporei nem caí em desgraça (imagino eu rsrs). É o tal do bendito tempo, tempo esse que me irrita e eu o irrito questionando-o sempre. Me lembra uma noveleta que escrevi para a televisão em 1985 sobre um determinado homem que, ao entrar numa cidade causava o estrago (ou a virtude!): TODOS OS RELÓGIOS deixavam de funcionar. Não sei como terminei essa trama. Talvez Flávio Migliaccio ainda se lembre – se é que ainda se lembra de mim. Vou em frente.
Dia desses, num determinado grupo de discussão conheci uma mulher que achei muito interessante. Infelizmente eu não concordo com suas teorias e nem ela com as minhas. A vida é assim, é a “arte do desencontro” como dizia Vinicius.
Conversando com uma grande amiga (amizade bem recente), dessas conversas que variam de norte a sul, concluímos que é impossível afirmar que somos ateus. Não, não é deus que fica tiririca. É o interlocutor. O número percentual de ateus nesse mundo é baixo e os crentes simplesmente se recusam a aceitar a condição do outro. Qualquer religioso, de qualquer seita vagabunda não perdoa o ateísmo, não permite sequer que o assunto venha à baila. Mais ou menos o hábito de antigamente de cuspir após usar a palavra câncer. O crente é imbecil, burro, idiota e nojento não apenas pela crença, mas por ser um patrulheiro em essência, uma continuação barata e mais jeka do que a caça às bruxas da idade média e posterior.
Eu e minha amiga resolvemos nunca mais tocar no assunto com estranhos e estrangeiros. Até porque, diante da boçalidade do crente, tudo parece uma provocação misturada com heresia. O religioso ou crente não permite a discussão exatamente pela fragilidade dos seus argumentos. Uma tia minha era muito engraçada. Ela odiava o Carlos Lacerda. E falava aos quatro ventos que não ouvia os discursos do político porque acabaria mudando de idéia sobre ele. (continua)
Tenho a impressão que, em determinados momentos da vida, somos psicologicamente massacrados e após o massacre cada um se porta de uma maneira. Olhando o lado psicológico é mais difícil avaliar porque acabamos necessitando da ajuda de um profissional sob pena de fazermos uma avaliação errada. Eu sempre defendi que as pessoas devem ser vistas à luz da Filosofia, jamais da Psicologia (atenção que eu não falando de psiquiatria). Tenho essa impressão bem forte porque, ao contrário dos astrólogos (rs), a filosofia sim nos coloca em consonância com um determinado “pensamento”, uma determinada linha filosófica que determina muitas, quase todas, as nossas ações. Ou melhor: quero dizer que as pessoas deveriam ser vistas à luz da corrente filosófica que seguem e não à religiosa ou a psicanalítica.
Acho que um homem deve ser visto baseado naquilo que acredita como forma melhor de viver, ou seja, sua visão filosófica da existência. Desconsiderar esse preceito, é desconsiderar a estrutura básica do homem é negar-lhe a opção, torna-lo encapsulado em uma mentira
Essa discussão vem rolando há muito tempo não somente com pessoas conhecidas como, igualmente, em grupos de discussão diversos (que procuro participar). Porque todo mundo leu um determinado Filósofo e alinhou-se com o pensamento dele ou, se não leu, ainda assim assume uma postura de vida que, observada por um filósofo, identificará naquela conduta um modelo, uma linha de pensamento filosófico. Da mesma forma que, por ignorância se diz: “seu comportamento é o de um taurino”… dir-se-á: “Seu comportamento condiz com o de um existencialista”.
Essa sutilezas que parecem não ter muita importância em nosso dia a dia, são na verdade marcas e, portanto, atitudes naquilo que fazemos ou deixamos de fazer e mesmo da nossa forma de agir cotidianamente.
P.S. Sei que esse post não tem nada a ver com nada. Trata-se apenas de responder a um e.mail que, nesse momento, não desejo tornar público.
Destino
Publicado 11/11/2008 Idéias e ideais , descobertas , liberdade , possibilidades Deixar um ComentárioSe não houver amanhã. Todos os dias, à cada segundo, essa frase está presente na cabeça de todos os homens e mulheres, crianças e velhos. Presente, mas inconsciente porque antes é preciso saber se acreditamos em destino ou não. Dizer que o destino traz sempre o fim não é um raciocínio lógico, é óbvio. Mas os que acreditam no destino a pergunta muda, deixa de ser pergunta, mas uma impressão suave de que não se pode saber, que o destino está traçado. Uma bala traçante pode ser interpretada como um “destino”. Ou um automóvel na contra mão. Imaginar o destino é imaginar a imobilidade da vida, a falta de razão para existir. Afinal, um espermatozóide não alcançou seu objetivo por destino: ELE CORREU MAIS. Assim, a vida seria uma corrida em busca de emoções (baratas). Todas as emoções são baratas porque todas elas estão catalogadas e diferenciam pouco de pessoa para pessoa. De uma forma geral, os desejos são os mesmos. Nesse aspecto, desconsiderando o destino, tornando-o uma crendice popular, é possível que a frase “Se houver um amanhã” afaste-se um pouco do inconsciente (zona morta e metafísica). Porque o conceito de destino rivaliza com a possibilidade de tempo. Se há destino, não existe tempo. É uma vida acompanhada de uma bula. Um trem agarrado em seus trilhos. Sem possibilidade de encruzilhadas. Ao contrário. A vida é uma sucessão de encruzilhadas, de setas, de caminhos claros ou obscuros, de aventuras que se emendam umas nas outras como no livro de Calvino “Se um Viajante numa Noite de Inverno”. A busca dos cadernos que, por fim, se tornarão um livro é constante….um frenesi. Frenesi de segundos, horas, meses, anos. Jamais o conceito de Matrix e sim da velha gincana de antigamente. É a possibilidade concreta de sair do carrossel e buscar a montanha russa. Não adiantaria fazer nada nem buscar qualquer coisa se os dados fossem marcados.
Não tenho escrito, não é? Os motivos? Uma série. Em determinados momentos a gente deve se calar, amansar e olhar muito atentamente para o nosso interior. Algo como colocar um espelho em frente ao espírito. Gosto de ter olhares meus diferenciados sobre mim mesmo (até para não me abater com a visão dos outros). As leituras também estão em suspenso como a escrita. Todos deveríamos ter mais momentos de reflexão, de avaliação de tudo, de todos, todas as situações e, principalmente, de nós mesmos. Foi essa a conversa longa que tive com um amigo do peito no fim de uma madrugada que ameaçava chover.
Um sentimento que não damos nome – não tem – por essa possibilidade de conhecer a intimidade de cada uma das pessoas, essa coisa de cada pessoa ser única, nem que seja por um ‘bilionésimo’ da outra. surpreendo-me encontrando gente – mesmo quando não procuro – gente que chega e diz coisas, gente que disse coisas, gente que se relaciona com quem nos relacionamos e, no entanto, nunca nos falamos. algo muito parecido com o que diz Milan Kundera em ‘a insustentável leveza do ser’ (livro que deve ser relido sempre). a angústia existencial de provar o néctar de cada flor exatamente por isso… todas tem néctar, todas são flores, mas existe uma coisa diferente em cada uma, uma surpresa, uma diferença mínima. e necessito então pousar sobre cada flor com igual suavidade mesmo sabendo que não viverei o tempo bastante para provar todas, mesma angústia do erudito que não conseguirá ler todos os livros. mas, antes, ser consciente da diferença da possibilidade e impossibilidade que se entrelaçam no que seria uma dança macabra não fosse deliciosa. igualmente vejo o amanhecer e reconheço que nenhum é igual a outro, que os tons coloridos que se mostram aos primeiros raios de sol sempre tem algo diferente, sempre sorriem porque as colorações são infinitas. pessoas são infinitas. possibilidades também. e a consciência da finitude da vida, ao contrário do que parece, é estímulo para nossa busca sem fim – mesmo sabendo que não encontraremos tudo e isso é um paradoxo porque ‘não descobrir tudo’ é a vantagem, o desejo de não parar…

Disseram