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Se ou não ser

Existe uma forma de pensamento (com fumaças de cartesiano) que pode nos enviar para caminhos muitas vezes obscuros. Mas por quê? Isso aplicado à Teologia e à religião de uma forma geral ocasiona determinados “engarrafamentos emntais”, via de regra quando a dicussão cai para a crença metafísica ( se podemos chamar assim ) e um certo ateísmo atávico do ser humano (embora em 99% dos casos esteja presente de uma forma totalmente inconsciente). Freud escreveu muito sobre o seu ateísmo e Jung escreveu outro tanto pela sua fé inabalável em Deus. Diante dessa herança miscigenada apareceram mundo a fora várias concepções “filosóficas” – uns puxando para cá e outros, para lá. A solução individual é simplesmente uma profunda auto-análise e o livre arbítreo de cada um.

Cordeiro de Deus

Diante da gritaria geral em todo o planeta, vem o agora o doce Vaticano dizer que “não foi bem isso o que o bispo quis dizer” e blá blá blá. Tudo mentira: o bispo (arcebispo, sei lá) disse exatamente o que disse e repetiu inúmeras vezes -  e ele está certo, está aplicando a lei da sua seita! A ignara que não consegue fazer uma análise fria do seu deus, continua nas igrejas feito cordeirinhos ou porcos em preto e branco

O arcebispo está mais do que certo!

“Ora, ora, minha senhora! Faça-me o favor!” As pessoas fazem, fazem e quando chega a conta reclamam com olhares e frases angelicais sobre o que acontece que é reflexo de suas próprias ações.

A QUESTÃO do momento são as invasões do MST. Mas de onde vem esse MST? Do povo! Até muito pouco tempo atrás era chic ser um partidário do MST “em favor dos desfavorecidos”. Claro que o tal Stédile é um bandido de boa cepa e o José Rainha (seu braço direito) idem. A classe média vai e apóia esses bandoleiros e seus seguidores (lembrem-se de quantas vezes o Lula apareceu com boné do MST, de quanta propagando da turba ele fez antes de ser eleito). O que ocorre agora? Invasões generalizadas, assassinatos, desvios de enormes somas de dinheiro do governo (dinheiro meu e seu) para o MST. E o que se faz? Nada! Cadê o Exército??

O ARCEBISPO DOM JOSÉ RIBEIRO SOBRINHO está absolutamente certo de excomungar médicos, enfermeiros, maqueiros, a família da garota de 9 anos que, estuprada pelo padastro, engravidou de gêmeos e que fez aborto. Ora, pra quê tanto “espanto”, tanta “revolta” em relação à decisão do Arcebispo?? A igreja católica é mais uma seita que existe por aí. Enorme e milenar, é verdade, mas ainda assim, uma seita. O Brasil é o maior país católico do mundo! O povo… covardemente, apenas para dividir as agruras da vida com alguém, acredita em deus e sequer pensa na lógica filosófica do existencialismo e do ateísmo ( que são os únicos preceitos lógicos). Então, ao juntar-se a uma seita é preciso aceitar suas leis. O tal pastor que andou chutando a imagem de uma santa católica errou muito menos do que se diz, na medida em que, para sua seita, aquela imagem não representava nada. O arcebispo excomungou quem fez aborto porque ABORTO É CONTRA A LEI DA IGREJA! Então o que esse camarada fez? Aplicou a lei da sua igreja (que é mais do que conhecida por todos). E aí vira festa: todo mundo esculhamba, todo mundo entra se em crise, se choca, etc. Mas essas mesmas pessoas (de percepção cognitiva claudicante) sabem muito bem que a pedofilia é prática comum entre padres bem como homossexualismo, taras, etc etc etc. Alguém reconhece que esses homens não podem representar deus? Alguém aceita minimamente discutir sobre a viabilidade desse deus? Não! Então… não reclamem. O Arcebispo está certo!

Ateu graças a Deus

Conversando com uma grande amiga (amizade bem recente), dessas conversas que variam de norte a sul, concluímos que é impossível afirmar que somos ateus. Não, não é deus que fica tiririca. É o interlocutor. O número percentual de ateus nesse mundo é baixo e os crentes simplesmente se recusam a aceitar a condição do outro. Qualquer religioso, de qualquer seita vagabunda não perdoa o ateísmo, não permite sequer que o assunto venha à baila. Mais ou menos o hábito de antigamente de cuspir após usar a palavra câncer. O crente é imbecil, burro, idiota e nojento não apenas pela crença, mas por ser um patrulheiro em essência, uma continuação barata e mais jeka do que a caça às bruxas da idade média e posterior.

Eu e minha amiga resolvemos nunca mais tocar no assunto com estranhos e estrangeiros. Até porque, diante da boçalidade do crente, tudo parece uma provocação misturada com heresia. O religioso ou crente não permite a discussão exatamente pela fragilidade dos seus argumentos. Uma tia minha era muito engraçada. Ela odiava o Carlos Lacerda. E falava aos quatro ventos que não ouvia os discursos do político porque acabaria mudando de idéia sobre ele. (continua)

 

Mais propaganda?

Agora vem mais essa notícia: Lula vai destinar (já destinou) mais de 500 milhões para a propagando do governo. Alega que é para o Brasil “ter mais visibilidade lá fora”, mas está claro que é mentira. Essa propaganda destina-se aqui pra dentro mesmo, para as obras e “o que mais tem sido feito por Ele”, bem como para alavancar a popularidade de Dilma (candidata do PT às eleições de 2010). E, ao mesmo tempo, por desconfiar tanto da imprensa, o presidente não dá entrevistas coletivas, prática comum nos países democráticos. Aliás não dá entrevista e não se informa, não lê nem assiste noticiários ou debates… enfim…tudo o que se fala dele. Todos os governos destinam verbas para sua propaganda, mas Lula o faz por outros motivos, não como uma “prestação de contas” à sociedade, mas para influenciar essa mesma sociedade das coisas que ele NÃO FEZ (e olha que ele já criou uma televisão inteirinha para fazer propaganda dele!). Se é prática comum nos governos fazer-se dotações orçamentarias nesses valores não altos, isso eu não sei. O que chama a atenção é o Brasil por si só tão pobre, tão miserável, com tantas (inúmeras) necessidades – saúde, educação, segurança, saneamento básico, estradas, etc, etc.- usar esse dinheiro à la Goebbels para fazer crer aos humildes que estão vivendo um governo fantástico num país cada dia mais maravilhoso. É simplesmente repugnante.

Sobre mim

não a revolução como era de se esperar ou seria mais palatável, mas cerca-me uma impressão de morte, de podre, de fim. morte de plantas, de pedras, de areias, de prédios, de pessoas, de mim… vou e volto, de poltrona em poltrona, de livro em livro, de pensamento em pensamento como quem busca alguma coisa mais etérea, alguma coisa que ri, que sorri, que acalanta, talvez menos vívida e real… as realidades cansam como as lutas armadas, como os protestos, como a esperança num mundo mais justo ou demasiadamente justo… essa maneira angelical de perceber a vida, fechando os olhos para as cicatrizes que trazemos no rosto e no fundo do cérebro. toda essa coisa cansa, é tediosa como o dia chuvoso, como nuvens que predispõem ao suicídio. jamais existiu ou existirá um suicida que tenha a impressão putrefata da morte. esta é para os viventes, para os que têm planos, para os que amam ou odeiam, para os que olham trens que partem e sentem inveja dos viajantes

O viajante é aquela pessoa feliz que não tem consciência da sua alegria nem da felicidade que irradia.

por isso sempre senti mal cheiro nos relógios, nos marcadores de tempo mais variados, nos contadores de frames* que determinam se uma imagem na televisão pisca ou não*. esse realismo exacerbado que pretendem de nós como se de fato pudéssemos ser realistas diante da filosofia barata que herdamos de todos os filósofos que já ousaram… filósofos ousam, filósofos cometem filosofias e inventam palavras de forma a nos impedir de responder imediatamente, de destruir suas teses.

Perceber o mundo com o olhar da filosofia ou da psicologia é tão idiota quanto entrar nos templos de seitas e acreditar sequer numa palavra.

invadir o mundo com palavras e atitudes é o caminho para sobreviver. não palavras novas nem atitudes “revolucionárias” porque essa premissa revolucionária terminou, esgotou-se por si mesma, os homens entenderam, por fim, que existe apenas a revolução interior, a mudança, a aceitação do podre, do escatológico, do que parece, mas não é, nunca foi ou será. necessário é entender a velha que, vestida de negro, xale na cabeça, entra na igreja com uma vela acesa na mão com pedidos impossíveis para um ser superior que, igualmente, não se encontra naquele templo nem em lugar nenhum…

Verdadeiro será aperceber-se que o mundo é o mesmo e que sendo o mesmo ainda assim o desejamos e adoramos e não queremos que nossos entes queridos partam.

claro que não acontece assim porque nunca aconteceu, porque a explosão que fez o universo surgir como tal não bastou para um entendimento mínimo da ”imutabilidade” de todas as coisas no céu e na terra. existe uma razão neurológica para que sonhemos dormindo e acordados, para que possamos ter uma oportunidade de pedir, de orar, de nos ajoelharmos (porque não suportaríamos uma vida inteira estando permanentemente de pé), porque jamais a raça deveria estar de pé, deveria locomover-se como os gorilas – que, de fato – continuamos sendo. não sei exatamente da fragilidade humana porque sabê-la implicaria numa condição superior de analisá-la, numa cátedra que não existe verdadeiramente, que é ilusão do homem, de todos nós, para conseguirmos nos olhar, para acreditarmos numa (falsa) compreensão do outro – e de tudo (continua)

O medo como representação

Sigo fielmente as indicações de K. sobre livros (menos os clássicos porque já li a maioria e não ando com saco. Acho que agora é a vez dela…(rs). Ela diz que Ricardo é o mentor literário dela e, já que ele se nega a ser o meu (rs – transtorno de homofobia…rs), transferi esse conceito de guru para ela.

Isso para contar

que estou começando a ler “Nas tuas mãos” de Inês Pedrosa e, pelas primeiras trinta páginas, parece-me uma obra de arte, um exercício literário desses que todos nós deveríamos fazer sem nos preocuparmos em que ano ou século o livro foi escrito. Desses livros que a gente vai lendo com vagar, prestando atenção a nuances que a autora vai mostrando e escondendo, dando a perceber e não dando outras vezes. Em alguns momentos, em meio à leitura, percebo que “tinha alguma coisa ali atrás”, no meio da página passada e não me dei conta. E volto lá para constatar que sim, havia uma ou mais frases dessas que nos tiram o ar, nos emocionam, nos fazem repensar toda a vida. Principalmente (se algo pode ser ‘principalmente’) o Diário de Jennifer – é nele que estou e já acho quase impossível um relato mais chocante e impressionante. Os mistérios das nossas almas, dos nossos gostares, das nossas opções. Quantas opções temos cada um de nós e não as praticamos porque estão apagadas, completamente apagadas no fundo do nosso cérebro, uma inconsciência terrível que impossibilita a plenitude de viver.

A força das mulheres é tão maior e mais profunda que a dos homens que compará-las é covardia.

Assim vou passando meu tempo enquanto chove tanto lá fora e sinto-me tão, mas tão só, como se fosse o único vivente desse mundo. O pânico (que falei abaixo) senta-se ao meu lado e fica tamborilando o teclado junto comigo, coloca o braço sobre meu ombro como se fôssemos já, inseparáveis. E justamente, ao lado desse pânico

vou reaprendendo a viver

vou percebendo que tudo o que mais considerei até o momento não era de fato o mais importante. Porque o momento é o agora e a forma como o futuro começa a levantar as cortinas para mim, muito suavemente, de forma a que eu vá tomando ciência, que vá percebendo pouco a pouco e a me ensinar principalmente que, ao contrário do que eu sempre acreditei e gritei, EXISTE futuro. Sim. E esse futuro é sempre pior do que o presente, as coisas podem melhorar sim, mas podem piorar igualmente… não… em tudo e por tudo, as coisas pioram sempre.

“RENEGO A PRIORIDADE DE IMAGINAR QUE ALGUMA COISA ESTEJA PREPARADA PARA LOGO APÓS AQUELA ESQUINA” E AGORA RENDO-ME À IGNORÂNCIA QUE TAL PENSAMENTO POSSA ESBOÇAR.

Então o que faço em meio à borrasca, em meio à chuva que açoita e ao meu espírito QUE vira um nada, não um “oceano de cachaça” como cantou meu amigo Geraldinho Carneiro, mas um respingo, uma pequena poça de uísque de quinta misturado com anti-depressivos e outras drogas baratas, drogas que não drogam, que fazem não um grande efeito, mas cócegas nas grandes angústias. Sim, essas grandes angústias conseguem te jogar no chão, cara, ainda que ao lado possa existir uma angústia mil vezes maior (e se não sinto, posso entender, mas não percebo). Somos egoístas? Não sei, não creio que seja uma avaliação muito correta como a querer que apenas as pessoas mais desgraçadas do mundo, em todos os sentidos, tenham algum direito a sofrer. Volto à “NAS TUAS MÃOS”. volto a torcer de K. me apareça, volto a torcer para que os sábados não terminem porque eles, minhas gripes e as chuvas são o álibi que uso tão à vontade nesse meu mundo de mentiras, de escamoteações constantes, de fugas atrapalhadas, de tremores durante o entrecortado sono.

O desbunde entre o Universo e Nós

O tempo não caminha numa linha reta (de A a B). Não, dá voltas sobre si mesmo de uma forma estranha onde, muitas vezes, nos perbemos no mesmo lugar apesar da passagem do tempo. Dizer que o tempo não volta é dizer que o rio não corre. Invariavelmente percebo-me no mesmo ponto em que estive há um ano atrás. É mais um defeito dessa invenção patética; tempo. Há quem diga que tempo não existe no espaço baseado em não sei quantas experiências. Não sou um homem de experiências, simplesmente procuro surfar pela vida mantendo-me em pé sobre a prancha ou caindo e sendo engolfado por ondas que me trituram. Tanto faz. Observo o nascer do sol através da minha janela e me pergunto quantas outras pessoas estarão igualmente vendo a repetição de dias e noites – demostração que Terra e universo desconhecem a vida, que seguem um caminho frio, independente e circular. Sigo como um filme em exibição que, embora possa causar alguma emoção na platéia, não está preocupado com isso…. é apenas película em movimento que se repetirá em várias sessões. E tudo mais é assim na vida, só nós não somos assim e buscamos surpresa, emoção e diversidade  – que nos torna os únicos responsáveis por esses sentimentos. Ou seja, são movimentos antagônicos: o nosso e o da existência. Ainda assim, insistimos em lutar, em amar, em vivenciar amores e ódios – de encontro à simetria absoluta universal. E assim, meu gato pode se dar conta que estou descontente, mas não uma pedra nem uma estrela porque não me reconhecem. Da mesma forma ocorre com nossos deslocamentos entre cidades e continentes – que para nós podem representar surpresas boas ou más – embora ilógicos num planeta redondo e infinito onde sempre voltaremos ao mesmo lugar após uma volta completa (como um relógio - a ampulheta é uma caso à parte). Diante desse novo alvorecer desejaria ter uma garrafa de absinto do meu lado, desejaria não ter que falar com ninguém e, sobretudo, desejo ser esquecido. Mas não existem tais soluções: enquanto estamos vivos somos levados em conta, amados ou odiados. E, como humanos – e não pedras – sofremos ou nos alegramos sem nos darmos conta que estamos sozinhos e com prazo de validade.

Dúvidas

Ainda estou incapacitado de falar mais dos livros que estou lendo. Tenho feito uma anotação aqui e outra ali, na maioria das vezes em cadernos esparsos que vão me aparecendo (e, muitas vezes, vou perdendo). Continuo muito envolvido na realização do programa Revista Brasil (exibido pela TV Brasil aos domingos às 17 h) além de outras atividades profissionais. Então é pra dizer que não estou aqui e que estou aqui – desequilíbrio mental de nascença – que me faz ser múltiplo nem tanto externa, mas interiormente. Imagino que meu corpo abrigue vários espíritos e, cada um deles, tenha projetos, desejos, metas. Mas o que proporciona a realização é esse corpo uno, o que me deixa sempre em dívida com os outros e, muito principalmente, comigo mesmo. O que eu não tenho certeza é se sou apenas um ou vários (como surgiu há pouco essa dúvida entre leitores e a própria K. do Incompletudes). Ela vem sonhando muito que não é ela mesma que, na verdade, sou eu como sonha também que eu não existo, sou uma brincadeira dela com os outros e com ela mesma porque esse processo esquizofrênico – possibilidade de várias pesonalidades – nem sempre é uma doença psiquiátrica, muitas vezes é um desvio filosófico. E como sempre repito aqui que sou um personagem de mim (como todos somos), existem vácuos de tempo ou buracos negros inconscientes que aconselham a que nos afastemos de vez em quando dos personagens da literatura (muito embora eu ache que eu não sou eu, eu sou uma idéia de um escritor), que eu mesmo sou literatura e não gente.

Bom, eu ia falar o porquê não estou comentando muito os livros que estou lendo. Mas como, pra explicar isso, acabo desconfiando que eu próprio sou um livro, a coisa toda muda de figura. (continua)

Ainda sobre ela

K. é a mulher da minha vida. Não nesse sentido bundinha que vocês estão pensando, de um chopinho aqui ou uma trepadinha ali. Nada disso. K. é ancestral. Nasceu antes de mim embora eu tenha vinte e quatro anos a mais do que ela. É quase pedofilia. Hoje mesmo, enquanto conversávamos ao telefone (ISSO…MORRAM DE INVEJA, NOS FALAMOS AO TELEFONE), eu falava disso. K….. sou um pedófilo de você. As pessoas que não nos conhecem e não imaginam o que conversarmos por e.mail e por MSN, não têm idéia do quanto nos amamos e do quanto brigamos. Realmente as pessoas fantasiam, mas não fazem idéia do que fazemos ou, por outro lado lado, deixamos de fazer. Teve até uma proposta de me delatar a uma Delegacia de Mulheres mas, como sou uma pessoa muito bem relacionada, (sou amigo até do Ricardo.)…fiquei amigo do comandante-em chefe- das delegacias de mulheres de São Paulo. Ou seja, K. ficou absolutamente minha refém…. a polícia jamais dará ouvidos às chorumelas dela contra meus ataques (quase fatais). O que eu ganho com isso? O que sempre quis, o controle absoluto sobre K. O que perco? Nada porque sou uma pessoa que, nessa altura, não tem mais nada a perder. Vejo no blog dessa menina (que é a menina dos meus olhos (?)) umas senhoras que se preocupam com ela sem saberem exatamente o que ela gosta de fazer comigo  (De quantas barbaridades ela é capaz!). Essa menina faz, senhoras e senhores, barbaridades comigo, muitas vezes sem fazer algo real, palpável. Sou um escravo, um sem-razão. Não me queixo de maneira nenhuma. Temos um pacto abençoado pelo demônio, vermelho como ele só! O que faço daqui pra frente? Nada. Perguntem a ela se tiverem coragem. Como realmente não têm, ignorem, comodamente, esse post e deixem a pedófila K. abusar desse menino que eu sou. À propósito…. você conhece a teoria do duplo? (Leiam Operação Shylok do Philip Roth) Se a teoria for correta, alguém existe em algum canto do mundo exatamente como nós. Se for incorreta, existe uma divisão mental em nós mesmos que faz com que criemos outro eu… Ou seja: quem é quem?

Infinita enquando dura

à propósito do personagem de um livro que li recentemente e comentei aqui, um homem que escrevia uma enciclopédia infinita, penso no ato de escrever nesse sítio. ora, é espantoso que eu venha aqui sempre, escreva meia dúzia de bobagens e, no dia seguinte, apresente-se a mim essa mesma página em branco virtual, como a pedir que eu escreva mais (ou não). escrever um blog ou esse tipo de coisa que ainda não foi estudada à sério mostra-se uma tarefa hercúlea, digo, sísifica. o escrevinhador de blogs perde a noção da tarefa a que se propôs. muito pior que Sísifo! páginas virtuais em branco sempre, eternamente, páginas que cobram, que denunciam uma certa vagabundagem nossa… páginas que mostram que não nos completamos, que somos frágeis e absolutamente incompletos, não plenos, que falamos e dizemos tantas coisas que não valem de nada porquê não têm começo, meio e fim! não existe ponto final…o ponto final foi abolido nessas novas tecnologias! ainda que um autor escreva um livro de duas mil páginas e o publique, esse texto continuará em seu HD e poderá ser continuado sempre, eternamente. podemos passar todos os nossos dias escrevendo aqui sem parar e continuaremos em eterna falta com quem nos lê, com quem se dispõe a tentar entender quem somos porque somos movimento, somos uma falsa passagem de tempo, um espelho que se posiciona à cada instante num lugar diferente… só isso… não conseguimos ser mais, eu, principalmente, não consigo concluir pensamentos, como não consigo terminar filmes nem dar por encerradas as minhas leituras… este espaço é a prova cabal da infinitude da vida… a vida é infinita, não é o amor, meu caro poeta… a vida é que é infinita enquanto dura.

e diante disso, o que sou eu? um pequeno deus que escreve reto num espaço sem linhas, um escravo metafísico condenado a escrever eternamente, a contar, a se explicar, a se desdizer, a voltar atrás ou saltar à frente desconsiderando regras elementares do cotidiano como um memorialista louco que se dispôs a revelar memórias e descobriu que elas não existem como tal, que memória é o ato de respirar e que só o término da respiração impedirá a geração de novos fatos, fatos medíocres, que seja, para serem contados. bom, já caí mesmo nessa areia movediça onde não há retorno possível… continuarei a reler A Caixa Preta de Amoz Oz, livro que comprei essa semana, esquecendo-me que outro exemplar descansava na minha estante lido nem há tanto tempo assim…


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"A descoberta do Prozac criou um universo de eunucos felizes"

"É-nos impossível saber com segurança se Deus existe ou não existe. Por isso, só nos resta apostar. Se apostarmos que Deus não existe e ele existir, adeus vida eterna, Alô, danação! Se apostarmos que Deus existe e ele não existir, não faz a menor diferença, ficamos num zero a zero metafísico" Albert Camus

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""Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos."
Nelson Rodrigues

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