Arquivo para a categoria 'Alegria'

Eternamente abril

Entre idas e vindas e o ar fino iniando a esfriar abril começo a me debater entre isso e aquilo, possibilidade X ou Y, vontade e volúpia entre folhas secas e amarelas que já começam a cair para gáudio dos garis. Alegria também dos velhos, dos muito jovens, dos apaixonados… de todos. A percepção de ar fino, aprendi com Vinícius. Estar vivo é continuar a ter sensações, impressões, sentimentos e náusea, mas também de alegria, felicidade…. é, acredito, ser e estar pleno. E claro que nem sempre estamos assim. O que resta é caminhar à tardinha pela Lapa ou o Leblon, mesmo com uma chuvinha fraca, mesmo com a ignara à espreita, dentes negros e vampirescos, com seus eternos golpelhos à sorrelfa. Enquanto isso…

As Cores De Abril

Composição: Vinicius de Moraes / Toquinho

As cores de abril
Os ares de anil
O mundo se abriu em flor
E pássaros mil
Nas flores de abril
Voando e fazendo amor

O canto gentil
De quem bem te viu
Num pranto desolador
Não chora, me ouviu
Que as cores de abril
Não querem saber de dor

Olha quanta beleza
Tudo é pura visão
E a natureza transforma a vida em canção

Sou eu, o poeta, quem diz
Vai e canta, meu irmão
Ser feliz é viver morto de paixão

No princípio, era a Roda

Nessses períodos de feriados (mesmo nessa bobagem de sexta feira santa) as pessoas querem mesmo é meter o pé na estrada ou ir à praia ou ainda não fazer rigorosamente nada – uma cervejinha, talvez. A própria internet perde um pouco da efervescência, um pano abafa o furor de uns e outros servindo-nos todos de outras coisas – aparentemente mais urgentes ou exatamente o contrário: impossíveis de não serem feitas porque são propícias aos bons modos de um feriadão. Hoje é quinta feira e na segunda os jornais publicarão intermináveis números e listas de mortos e acidentados nas estradas e por aí.

Eu, monolito de plantão, não vejo nenhuma alteração em nada e, para ficar num patamar de “quem fez alguma coisa diferente” mando pintar algumas paredes da minha choupana. Uma parede de azul e outra de vermelho. Algo assim como uma cerveja Antártica no Corpo de Bombeiros (podem surgir outros exemplos). Pronto minha folia está completa. Está? Mentira, não está coisa nenhuma porque tenho uma certa impressão indiferente à todas as coisas (ou quase todas) e fico inquieto como ….uma cuíca.

Pronto! Encontrada a solução, ou o final do enredo (ou ainda, o início). Estava aplicadamente relendo “Todas as cosmicômicas”, desse inquieto Ítalo Calvino e percebo que alguma coisa ‘está fora da ordem mundial’. Estava interessadíssimo no conto “O Tio Aquático” quando, sem saber muito bem o porquê, meus olhos vagam pela minguada estante e pousam sobre o volume de “No Princípio, era a Roda” do inesquecível amigo Roberto Mour, aplicado intelectual, estudioso atento de várias formas de cultura embora o samba tenha sido uma paixão alucinante. Roberto troca seu mestrado na ECO, de Mozart pelo flautista, sambista, cantor, compositor e tudo de bom… Camunguelo. Não conhecem? Pois é. A vida, meninos e meninas, não é feita de “clássicos” e “os da moda” somente. Não senhor. A vida é também e, antes, mais importante, se viajada pelo universo encantado que Roberto nos proporciona nesse livro delicioso contando histórias mais apetitosas ainda! Eruditos, uni-vos em torno das rodas de samba, da Praça Onze, da Saúde, desse nosso Rio de Janeiro encantado, desencantado, com todas as estrepolias que se permite a um canto do mundo. Roberto Moura nos deixou há pouquíssimo tempo, vítima de uma “picada de carrapato” (PODE?).

Nessa véspera de Sexta Feira Santa, eu, ateu graças a deus, me enfeito com as contas de Iemanjá e mando um Axé  pra todo mundo  e hoje, em especial para o Incrível Mr. Almost. Axé!

Fragmentos de bate-papo

Tudo bom?

Tuto diz:

rudo e vc

 Geraldo diz:

Faltam 19!!!!!!!!!! (dias)

Tuto diz:

hahaha

verdade

Geraldo diz:

o que v vai fazer no seu aniversário?

Tuto diz:

vou pra uma boate lá em búzios

Geraldo diz:

isso mesmo!… mas pega leve, viu? nada de beber demais nem drogas… outra coisa… cuidado porque empurram ecstsy pra cima da gente e “algumas tribos” empurram bebida misturada com calmantes (Boa noite Cinderela” que te fazer dormir 12 h…… ah ah ah fala pai chatola! rs

  Tuto diz:

HAHAHAHAH

relaxa

Geraldo diz:

Dou a maior força para você ir…. quando eu fiz 18 também fui eh eh eh

–  – - – - – - – - – - – -  – - – - – - – — – - — – - – - – — – - – - – - – — – - – - – - -

P.S. Pra gente ver o quanto um pai pode ser mala!!!atgaaab9hndcmi84qz5zv2flupguc5lxgfs13gv6zjolhg4107evku4b9ibzbciu8vdp-qcakqgft01-xm2y0d-5jsgrajtu9vdhr0gtzzmlpjzy5hjhwspje3kmrw11

Fase “Não ler”

Eu já contei inúmeras essa característica, mas não custa repetir tendo em vista a falta de uma boa técnica nos templates dos blogs. Quem me mostrou a fascinação da leitura foi minha tia mais velha (que, aliás, me mostrou as enormes belezas da vida – principalmente seu amor infindo por Copacabana. Essa tia era anormalmente viciada em livros. Às vezes eu tinha a impressão que não escapava um. E mesmo nas fases da maior falta de dinheiro, ela ia pra livraria, comprava dez, quinze livros em crediários imensos e voltava pra casa feliz da vida mesmo quando faltava o pão.

Diante dessa coisa arrebatadora eu comecei a fazer a mesma coisa. Pegava os livros todos dela e ia lendo. Cada vez mais rápido. Vez ou outra ela me dava uma bronca dizendo que tal livro não era para a minha idade ainda. Ah ah.. Esse era o código para que, em sua ausência, eu me agarrasse aos livros “proibidos” – que eram bobagens, descrição suave de cenas de sexo. Bons tempos. Como eu estava sempre com ela, minha tia e eu trocávamos milhões de idéias e impressões sobre cada um dos livros. E depois de ler uma parte significativa dos clássicos ela se apaixonou por biografias, romances, livros policiais e coisas como livros-reportagem sobre a máfia, sobre os primórdios do Brasil, etc. Eu… sempre fazendo o mesmo (muita coisa tive que reler depois de mais adulto porque não entendi bem no início da adolescência).

Mas aconteciam coisas interessantes: de repente, sem nenhuma explicação ou causa aparente, eu parava de ler e ficava meses assim. Como se nunca mais eu fosse ler na vida. Puxa, aquilo me deixava mesmo desesperado! E mais uma vez minha tia me salvava: “É assim mesmo. Existem pessoas que têm a sua fase ‘LER‘ e outra fase, a ‘NÃO LER’. Quando estamos na fase NÃO LER, não adianta forçar, é usar a cabeça para se ocupar de outras coisas.” Assim dito, assim feito: ela buscou outras ocupações e, além da sua ocupação principal, tornou-se – pouquíssima gente sabe – uma das maiores tapeceiras do Brasil.

E, de fato, constatei que essa “fases” existiam mesmo. E não adianta você forçar a barra para ler porque não prestará atenção em nada, não perceberá lhufas e ainda vai se frustrar. É parar e aguardar que a fase LER apareça novamente.

Digo tudo isso para explicar porque não cheguei ao fim de “O Livro Negro” de Orhan Pamuk. Não vou me forçar. Logo, logo tudo volta ao normal.

As músicas

A última (ou uma das últimas) músicas que ouvimos os dois aqui em casa…. Ela gostava dele por amor a mim…. porque eu gosto dele… Nossa, quanto amor….

A passarinha de Balza K.

As meninas quando fazem trinta anos deveriam estar comprando o primeiro sutiã ou o primeiro salto alto ou abandonando a última mousse de chocolate… Meninas são estranhas porque se assustam rapidamente (hormônios, hormônios….)… Essas moças de hoje (que não andaram no bonde da Praça Tiradentes e só conheceram a Av. Atlântica com duas pistas), que adoram nosso glorioso Noll, mas não têm paciência para ler “O Paraíso Perdido”, de Milton, não têm paciência para se casarem e menos ainda para filhos… Sampa. Meninas independentes, olheiras profundas por excesso de trabalho, de emoção pelo que foi, pelo que vem e pelo que virá, estressadas pelo que viveram e pelo que viverão, o que é e o que será… São Francisquinho de Assis, deixa um pouco de lado os passarinhos e olha para tudo aquilo que brota no meu solo varonil ou melhor, meu puro santinho…: Olha apenas para ela, se não todos, pelo menos para a passarinha (a ave, meu santinho) que revoa hoje nessa agitação de seus trinta aninhos como quem goza o nascimento de mais uma mulher plena, dessas que, cansadinhas de serem meninas brincando de senhoras, serão agora mulheres que sabem ser meninas para sempre. Existe umazinha apenas que inverteu, reverteu, reinverteu tudo e agora não sabe mais onde está. É hora de mostrar, definitivamente, a cidade iluminada, mesmo com fumaça, mas antes, acena e mostra pra ela primeiro São Salvador e, lá não ficando, acena ainda com o calçadão de Copacabana, a Lagoa e, igualmente, a Lapa dos malandros de antes e dos, igualmente, de agora. É hora de amansar essa passarinha (a ave, meu santinho, pô!) não para o cativeiro. Ao contrário: para a vida, longa vida . . . (vida longa, vida breve, né? .. yéh! rs)

Revista Brasil, a missão

Hoje, domingo, às 17 h. na TV Brasil foi ao ar o segundo programa da série Revista Brasil com minha direção (uma criação e supervisão do Ricardo Soares). Não posso deixar de dizer que o Ricardo não somente criou o programa como me ajudou demasiadamente (foi meu parceiro) a realizá-lo. Foram muitas discussões de criação, uma “faz e refaz” sem fim, mas o produto ficou pronto (e me sinto muito orgulhoso e tenho certeza de ele também).

Trata-se de um programa novo, moderno com enorme conteúdo e profundo senso de estética. Um programa sincero e, de certa forma, “sofrido” para encontrar um ponto de maturação. Foram noites insones, angústias e alegrias que percorremos todos: ele, Ricardo, eu e toda a minha equipe que comprou essa briga (se eu citar nomes, serei injusto com alguém por esquecimento). Ser novo e moderno não é muita coisa porque sempre existem pessoas boas criando coisas novas. Não. É importante porque é um produto completamente diferenciado do que se assiste na televisão e ele é próprio da Tv Brasil, uma TV Pública que nasce, apesar dos meios de comunicação e crítica não darem o valor, não anunciarem, não se manifestarem. Talvez a TV Pública não tenha ainda setores competentes para a divulgação, não sei. O tempo dirá.

Mas isso não vem ao caso. Um programa, se for de interesse público, se buscar sempre um viés de diferenciação, irá cativar as pessoas de uma maneira ou de outra, nem que seja no “boca a boca”. O barco foi lançado ao mar. As velas se enchem de vento e nos fazer singrar, ir adiante. O tesão é indescritível, desde o criador, Ricardo, até o mais novato estagiário. Estamos todos querendo fazer mais e melhor. As adversidades são enormes, indescritíveis, mas não creio que nos façam retroceder ou diminuir a vontade.

Vamos em frente!

Verdades frágeis

Fui ao mosteiro ouvir os cantos gregorianos de domingo. Muito bonito. Interessante e moderno (sim, isso mesmo!). Na paz do monastério você se perde em si mesmo, descobre coisas que vêm do fundo do ID e da alma, percebe como a vida agitada nem sempre é a melhor e dá vontade de ser monge (ainda que ateu). Porque é preciso entender a questão do recolhimento independentemente da religiosidade como a falta de gravidade independente da falta de oxigênio. E, se a vida é fugaz, por que não conhecer todas as coisas à nossa mão? Por que ser preconceituoso se esse preconceito se perderá no tempo e no espaço, não será uma “herança”? Aliás, nem com isso eu me preocupo. Não deixo herança nenhuma a não ser a lembrança de mim mesmo a meus amigos e inimigos. Sim, tenho muitos amigos e não propriamente inimigos, mas pessoas que, por trás me fazem cara feia. Essas coisas não me interessam em nada. Resta a perspectiva de uma vida diferente, não rotineira, uma expectativa de perceber no grão de areia a imensidão do deserto ou numa estrela o suplício da dúvida. Leio uma matéria no jornal relatando que cientistas concluíram que não existe vida em nosso sistema solar. E isso lá é notícia? O que é o nosso sistema perto do universo grandioso? E o que entendem por vida? Um homenzinho verde de olhos grandes! Os jornais perdem tempo publicando besteiras, ocupando espaços para que seja mantido um certo ócio dos jornalistas que não querem ver as crianças morrendo de fome e o desastre das megalópoles. Pois estava ouvindo o canto gregoriano e pensando no universo e nessa bobagem de vida no sistema solar. Aqueles frades cantando com seriedade, fé e um certo amor são muito mais importantes do que cientistas e jornalistas que correm atrás do “nada”. E, invariavelmente, prefiro conversar com mendigos loucos do que com empresários bem sucedidos. Se me acham maluco ou não, se acham que estou fazendo tipo ou não, é problema de cada um e não meu. Meu único compromisso é ser honesto comigo mesmo. Todas as verdades, meus caros, são frágeis e mudam como as nuvens ao vento.

K. e eu

O longo feriado é uma coisa chata. Prefiro “cabular” o trabalho. Feriado é prisão, é dizer “que você não pode fazer um monte de coisas e TEM que fazer outras tantas”. Acho um saco e subverto a ordem das coisas: trabalho no feriado e procuro me divertir quando não é feriado. Afinal trabalho com metas (embora na ex-TVE tenham inventado um tolo cartão de ponto – herança da pífia administração anterior). Mas não chega a me desesperar. Afinal, é tempo de mudanças, mudanças não compreendidas pela maioria das pessoas. Azar. Esse assunto já cansou. O que me interessa mesmo é o dia de sol, os pássaros que cantam próximos à minha janela, os livros à minha disposição e, principalmente, o telefonema que recebi de K. Ainda existe gente que não sabe que K. é minha Kastor (nós dois sabemos porquê) e trocamos idéias e falamos de nossas descobertas como se tivéssemos, ambos, 15 anos de idade. Nesses momentos ela me conta tudo sem reservas e eu a ela. Falamos de nossas vidas, nossas dúvidas profissionais e trocamos informações sobre livros. De certa maneira, somos “um casal virtual”. Já fizemos mil promessas de nos conhecermos pessoalmente, mas até agora nada. Ambos trabalhamos muito, dormimos pouco, temos hábitos de leitura alucinantes, buscamos com certeza, coisas que ainda estão distante de nós e desdenhamos uma certa categoria de pessoas tolinhas. Temos amigos em comum. Pelo menos UM amigo. K. tem a vida pela frente e eu tenho a vida já vivida. E isso é bom. Conseguimos trocar muitas coisas, conseguimos ensinar muito um ao outro além de, juntos, descobrirmos um milhão de novidades. Prova de que a distância não impede uma parceria sólida, honesta e, sobretudo, carinhosa. Por incrível que pareça, “somos um do outro”. Esse é o barato. Mas isso é outra história e ninguém – normal – pode perceber como é a história, o que também não me importa porque a história é nossa mesmo.

Vai passar

São Pedro @ céu.com

Eu reclamo dos céus quando faz sol demais e quando chove. Se S. Pedro existir ele deve ficar me olhando e pensando: “Afinal, o que esse pilantra quer?” Ora, São Pedro! Eu quero que não chova para que eu tenha mais conforto ao sair e, igualmente por conforto, que não faça muito calor! Se os santos não servem para nos dar conforto, a quem pediremos? Agora você veja um Carnaval inteiro com chuva. A mim, especificamente, não está prejudicando porque não sou folião, mas quantos milhões não são? Quantos milhões não ralaram pra comprar sua fantasiazinha? E agora? Ok, eu fico em casa lendo, mas e o resto da moçada? E meus próprios encontros marcados para o Carnaval? Nada? E pior… Previsão de tempo esquentando na quarta feira de cinzas? Quando eu voltar a trabalhar na rua volta o insuportável calor?

Pô, fazer guerra contra mim, um mortalzinho chinfrin é sacanagem! Ainda mais num momento como esse falo em causa própria e defendo milhões de pessoas do meu povo! Os ricos vão de carros com motoristas até os salões bem protegidos dos bailes enquanto os pobres precisam sambar na rua, nos blocos, nas escolas de samba! Olhai por nós, São Pedro!

Putz se, depois dessa eu não for para o céu é mais sacanagem ainda! Aliás, os sambistas de rua deveriam fazer um movimento pra me canonizar, fala sério.

BEM VINDO BERNARDO !

ACABA DE NASCER BERNARDO, FILHO DA MINHA GRANDE AMIGA JULIANA SOARES. FICO MUITO FELIZ! FELICIDADES A TODOS!


Ela…

Ela...

Trocas

e-mail



Mini blog



"A descoberta do Prozac criou um universo de eunucos felizes"

"É-nos impossível saber com segurança se Deus existe ou não existe. Por isso, só nos resta apostar. Se apostarmos que Deus não existe e ele existir, adeus vida eterna, Alô, danação! Se apostarmos que Deus existe e ele não existir, não faz a menor diferença, ficamos num zero a zero metafísico" Albert Camus

Visite:
wwwgeraldoiglesias.blogspot.com

""Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos."
Nelson Rodrigues

Do que se gosta?

  • Nenhuma

Tempo…

 

Novembro 2009
S T Q Q S S D
« Out    
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
30