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Funrdunço da TV Brasil

O furdunço Na TV Brasil continua (e quente) Tive contato com inúmeros e.mails de produtores independentes – alguns mesmo radicalizando. Pelo que entendi, a Presidente da EBC quer exercer mais de uma função, que ela não foi escolhida através de uma lista tríplice como deveria ser e muito menos escolhida pelo presidente da república e sabatinada pelo congresso. Dizem ainda que o conselho deliberativo não apita  e nem reuniões tem mais. Enfim…. pouco a pouco vai aparecendo a verdadeira face dos que fazem essa televisão, dita pública. Ou seja: a desorganização entre eles só gerou até agora poblemas. E agora foi a gota d’água. Ouvi muita gente valentinha dizendo que sairia junto com Leopoldo o diretor. E agora? Será verdade ou vão procurar um cantinho para continuares na ‘bocadinha’?

São muitos e muitos mails se solidariezando com Leopoldo, o diretor que foi demitido. Escolhi um que demonstra claramente o descontentamento com toda essa confunsão:

Subject: Carta de Beth Formaggini

É com grande preocupação que vejo a saída de Leopoldo Nunes, diretor
de Programação e Conteúdo da TV Brasil. Mesmo com todos os problemas
que a Tv  enfrenta hoje já começavamos a perceber um diferencial na
sua programação. Principalmente se comparamos com o modelo perverso de
televisão que existe no Brasil. Um modelo que ignora o cinema
brasileiro de ficção, o nosso documentário, o curta-metragem, a
animação, enfim, que não exibe a produção independente que,
infelizmente, só podemos ver nos festivais de cinema ou, em menor
escala, no gueto do Canal Brasil e que estávamos finalmente assistindo
na TV Brasil.

Temo que haja um retrocesso com a saída do Leopoldo, que foi um
articulador politíco deste  projeto, fruto de muito trabalho e
discussão, que sonhou conosco com uma TV pública gestora de conteúdos
produzidos pela sociedade e não apenas produtora de conteúdo como
todas as outras emissoras que produzem quase tudo que põem no ar.
Contra este modelo perverso de TV travamos muitas discussões e lutas
nos Comitês, e depois no Forum Nacional pela Democratização da
Comunicação, dentro da APACI, ABRACI, ABDS, CBC, Sindicato dos
Jornalistas. Foram anos de debate que finalmente desembocaram no Fórum
da TV pública. Conhecemos a derrota na nossa luta pela ANCINAV, que
mobilizou todo o país, e que foi derrubada, quem sabe, pela mesma
força que hoje está afastando este diretor. Quem garante que a saída
dele não é sinal da derrubada de um projeto de TV que Leopoldo
representa? Já assistimos a mudança da gestão da TV Pública do MINC
para a Secretaria de Comunicação Social e a saída de Orlando e Mario
Borguineth. Quem  garantirá agora o cumprimento deste compromisso,
firmado na Carta de BSB e endossado pelo presidente Lula, com toda a
classe, de criar uma TV verdadeiramente pública?

Para garantir estas conquistas, a primeira coisa que podemos fazer é
realmente exercer um controle social sobre a nossa TV. Mas como
fazê-lo com um Conselho Curador que não foi eleito, que não se reúne,
que não tem um representante do produtor audiovisual independente?
Temos que exigir que o conselho seja reformulado, com representantes
eleitos numa comissão que inclua todos os setores da sociedade,
inclusive o nosso.

O Conselho deve averiguar com urgência as graves denúncias contidas na
entrevista de Leopoldo, de que foram devolvidos R$ 18 milhões aos
cofres públicos no ano passado. E averiguar porque não lançaram os
editais referentes à verba de R$ 100 milhões do PEF (Programa Especial
[WINDOWS-1252?]de Fomento) e do “Mais Cultura”, destinada à programação da
produção
independente. São denúncias graves, que não podemos ignorar
passivamente. O Conselho tem que averiguar! Ou não?

Teremos agora, diante de nós, a oportunidade de discutir a TV Pública
que queremos e o Conselho que necessitamos na Conferência Nacional de
Comunicação, em dezembro, e nas reuniões preparatórias onde poderemos
exigir mudanças na TV Brasil e nas Tvs privadas. Na verdade concessões
públicas que deveriam também  sofrer o controle da sociedade e ter um
diálogo com a produção audiovisual brasileira.

Concordo com Assunção, que diz que o pacto que se fez para a rápida
[WINDOWS-1252?]aprovação da atual TV pública foi para evitar que “o destino
desta TV,
fosse o  mesmo do projeto da Jandira Feghali, que está há 18 anos
[WINDOWS-1252?]circulando como barata tonta no Congresso”.
[WINDOWS-1252?]Como ela diz, “quando concordamos com aquela proposta, todos
previmos
[WINDOWS-1252?]que haveria um segundo tempo nesse jogo, o de transformar, .
essa  TV
[WINDOWS-1252?]Brasil, na nossa  verdadeira TV Pública.”

Então vamos repensar o Conselho, a gestão da EBC e. ainda citando
[WINDOWS-1252?]Assunção, assegurar “que os programas  produzidos internamente,
incluindo o jornalismo, não ultrapasse  de  30% de tudo que for
[WINDOWS-1252?]exibido em toda grade” e que “a escolha do Presidente da TV 
deve sair
de nomes  indicados  em lista tríplice  que o Presidente da República,
recebe,  escolhe um nome  e encaminha ao Congresso para  ser
[WINDOWS-1252?]sabatinado e aprovado ou não.” E, ainda, que “o mandato da
Presidência
 da TV Brasil, não deva coincidir com o mandato da Presidência da
República, para que  seja efetivamente um gestor público e  não
[WINDOWS-1252?]estatal ou governamental.”

Acho que perdemos mais uma batalha, mas acredito que este baque vai
renovar as nossas forças, para que possamos realizar nosso sonho de
uma TV pública de verdade.

Beth Formaggini
Produtora independente

A coisa continua

Salvo algum equívoco. corre que Leopoldo Nunes, Diretor da TV Brasil foi demitido após está entrevista concedida a Renato Rovai para a Revista Fórum.

 

Diretor da TV Brasil teme pelo projeto e diz que Cruvinel é má gestora

Por Renato Rovai
Fórum – O senhor avalia que a TV Brasil tem desempenhado o papel para
a qual ela foi criada?
Leopoldo Nunes – Acho que de alguma forma sim. O mais positivo de tudo
é em relação à produção nacional de audiovisual. Porque a mídia
comercial e a televisão aberta sempre estiveram alijadas de todo o
processo de produção audiovisual brasileira. A TV aberta no Brasil se
constitui como uma TV de qualidade basicamente nos anos 1960 com a TV
Globo, que numa aliança com a ditadura militar e num acordo com o
grupo Time Life cria uma grande empresa de comunicação. Foi ali que se
criou uma referência, um padrão de televisão brasileira. Tudo o que se
faz em televisão brasileira hoje é derivado ou imitação daquilo que
foi a Rede Globo, principalmente no modelo de negócio. Por exemplo, o
cinema brasileiro foi substituído pela teledramaturgia. A
teledramaturgia é uma produção de baixíssima qualidade, mas de grande
interesse popular. Vende xampu, exporta seus produtos para o mundo. As
pessoas ouvem como se fosse rádio, ela vem da matriz cubana da radio
novela. Mas mesmo assim é uma coisa de qualidade.
No jornalismo é a mesma coisa. Tivemos experiências como o Última
Hora, mas de qualquer forma a matriz é a mesma. É o padrão Rede Globo.
Então, quando se cria a TV Brasil, vê-se a aspiração da criação de um
modelo de negócio e de um modelo de produção de conteúdo para compor
essa televisão. Por exemplo, em relação à programação infantil. Nós
temos uma animação no Brasil de altíssima qualidade. Por exemplo, 20%
do (filme) “Asterix” foi feito em Águas de Lindóia, o
diretor de “A Era do Gelo” é brasileiro, exportamos
mão-de-obra da mais alta qualidade para fazer isso. No entanto, a
televisão brasileira nunca absorveu a animação brasileira.
Quer outro exemplo? O Maurício de Souza tem uma das maiores famílias
de personagens de animação do mundo. E comparado com a Walt Disney
seus personagens são mais politicamente corretos. Os árabes usam, os
chineses usam, enquanto não usam [os desenhos da] Disney. E aqui no
Brasil ele é pouco usado. A verdade é que a TV brasileira está de
costas para o Brasil. Bem, acontece que a Constituição brasileira
prevê nos seus artigos 221, 222 e 223, o princípio da
complementaridade entre o público, o privado e o estatal.
O privado, quer nós gostemos ou não, é o modelo que deu certo; o
estatal passou a existir com a Lei do Cabo em 1995, com as TVs
Assembléias, das Câmaras Federal e Municipal e do Senado. Já o
(modelo) público surge com a criação da EBC. A lei que cria a EBC cria
o termo público, porque até então era educativo. Todas as TVs eram
educativas. Dentre as educativas, nós temos 26 emissoras e 19 modelos
jurídicos diferentes. Desses 19 modelos, temos um que é exemplar, que
é o da Fundação Padre Anchieta de São Paulo. Sai governo, entra
governo, a TV Cultura de São Paulo está aí. Ela tem um conceito forte,
uma diretoria executiva, é ligada ao governo do Estado, tem uma
produção de qualidade e exerce bem sua função. É a mais sólida de
todas as emissoras que a gente e que inclusive ajudou e muito a criar
a TV Brasil. Foi um dos berços que clamava por uma TV pública.
Por isso, quando nasce a TV Brasil, ela vem com toda uma esperança de
se colocar no ar uma nova programação. Por exemplo, as pessoas não
conhecem a África? Então eu abri uma janela de produção africana
chamada “DOC África”, que agora vai passar a se chamar
“Mama África”. Toda semana passa um documentário africano.
Na semana retrasada, por acaso, entre os 10 programas de maior
audiência da casa havia um filme africano. O mesmo que acontece em
relação à África, também se dá com a América Latina, ninguém conhece.
Por exemplo, você sabia que existe uma cidade andina na Colômbia que
respeita as leis incas e tem curso de Direito, uma universidade de 600
anos e que responde a leis incas? Pois então, criamos o Tal Como Somos
que apresenta documentários latino-americanos. Além disso, temos uma
série de programas com o Ministério da Cultura.
É este o modelo sistêmico que nós criamos na Secretaria do Audiovisual
voltado para a TV pública. Além disso, temos uma série de programas
voltados para a cidadania, desde questões de idade, de gênero, de
trânsito, de educação básica… Mas há outras coisas. Por exemplo, nós
temos 180 línguas indígenas no Brasil. Nós temos uma diversidade
lingüística maior do que a China, maior do que a Índia, e não
reconhecemos. Nós somos brancos ocidentais. Índio, para a gente, é
motivo para abate, porque ocupa uma área muito grande onde é possível
produzir “x” sacas de arroz, como no caso da Raposa Serra
do Sol. Hoje, a TV Brasil apresenta curtas-metragens indígenas. Por
fim, sempre entendemos que o público brasileiro gostava de cinema
brasileiro. E a TV Brasil está provando que gosta. Das 10 maiores
audiências da TV, semanalmente medida, quatro são de cinema
brasileiro. O povo ama cinema brasileiro.

Fórum – Você considera que a TV Brasil está fazendo um caminho de
construir esse padrão público a partir dessas iniciativas? Ou eles
ainda são incipientes e demandariam um investimento maior?

Nunes – Certamente já são caminhos irreversíveis. Nas audiências da
semana retrasada, duas delas são de América Latina, uma de África, uma
de DOC TV, quatro de cinema brasileiro. Isso está sendo medido através
do Ibope e demonstra que estamos no caminho certo. Quero ver a TV
pública brasileira deixar de exibir produção indígena sem revelar os
povos indígenas. Quero ver a TV pública sobreviver sem exibir um
documentário ou um filme de ficção africano por semana. Isso é
irreversível. Outra coisa irreversível é a produção independente. Ela
tem muito mais qualidade técnica, humana e tecnológica do que se pode
vir a ter na estrutura da TV pública ou mesmo da TV comercial. Porque
a TV é um conglomerado de “x” mil funcionários, equipamentos de 5ª, 6ª
geração e tal. Eu contrato uma boa produção, exerço meu poder de
programação e meu poder editorial e exijo qualidade e preço. No mundo
todo é assim. As TVs a cabo no Brasil trabalham com 26 funcionários,
incluindo estagiários.

Fórum – Existe uma disputa dentro da TV que a gente que está de fora
não consegue entender direito? Aliás, isso até foi matéria na
CartaCapital, os cineastas versus os jornalistas…

Nunes – Existem disputas e existem falsas disputas. Por exemplo, a
disputa que foi colocada na CartaCapital, jornalistas versus
cineastas, é uma falsa disputa. Agora, uma disputa real, que existe, é
o fato de nós termos um projeto que foi gestado há muitas mãos durante
décadas, que a gente acredita que são valores brasileiros da
diversidade cultural – nós assinamos e lideramos a Convenção da
Diversidade Cultural –, a riqueza e a qualidade da produção
independente, da informação, isso tudo é o projeto original, porque
esse projeto está escrito nos cadernos do Fórum da TV pública, e na
Carta de Brasília. Esse documento é fundante da esperança, porque nós
conseguimos fazer um pacto. Nós juntamos sindicatos de jornalistas e
outros, o FNDC, as associações de produtores independentes, governo,
órgãos de controle e fizemos um grande pacto. Ele foi traduzido em
alguns documentos, o presidente Lula lançou esse programa. Mas existe
conflito com outro programa que está sendo desenvolvido pelos
remanescentes de outras emissoras de televisão que não tem qualquer
compromisso com esse projeto a não ser dizer “eu ajudei na
Constituição de 1988”. Ajudar, pode ter ajudado, mas nós também,
não é verdade?
Então, coisas que nós criamos que estão consagradas hoje como valor da
TV Brasil foram sendo apropriadas e tocadas por pessoas sem o menor
compromisso e sem a menor referência com esse movimento de criação da
TV.

Fórum – Você poderia nomear as pessoas?

Nunes – Não, não dá. Acho que tem coisas como, por exemplo, o Conselho
Curador. Qual é o papel do Conselho Curador?

Fórum – Esse Conselho Curador deveria ter sido eleito, você não acha?

Nunes – Eu acho. Sou um homem de governo e, acima de tudo, alguém que
representa um setor, um campo da cultura. Tenho uma vida muito mais
identificada a minha luta setorial no âmbito da cultura e do
audiovisual do que a um projeto político partidário, apesar das
relações políticas que tenho e que, aliás, tenho orgulho de tê-las.
Mas preciso dizer que não estou na TV Pública para servir apenas um
governo. Estou trabalhando para um projeto duradouro, para um projeto
de Estado. Por isso, não tenho o direito de não ser franco com você a
quem conheço de muito tempo e dessas tantas lutas pela democratização
das comunicações, discordo inteiramente da forma como foi constituído
esse conselho e da forma como ele vem se desmelinguindo. O Conselho
hoje mal se reúne…

Fórum – Como assim?

Nunes – Vários conselheiros pediram demissão, vários são
demissionários, o presidente (Luiz Gonzaga Belluzzo) não vai, até
porque ele hoje é presidente do Palmeiras. Sinceramente esse conselho
deveria convocar uma audiência pública, com as entidades interessadas
e legítimas que compõem todo esse rol entre o conteúdo e a
comunicação, para discutir o seu papel e os próprios rumos da TV. Hoje
uns poucos tem decidido tudo e, infelizmente, mesmo eu que sou diretor
muitas vezes não sou convidado a participar dessas decisões.

Fórum – Isso que você está dizendo é muito grave. Você está me falando
que há uma relação autoritária na TV até nos espaços de diretoria?

Nunes – Sim, de certa forma é isso que você entendeu. Não há relação
horizontal na TV. Hoje a relação lá é completamente vertical. Quem
manda na TV é o Conselho de Administração e o ministro Franklin
Martins. Depois que o Orlando Senna, que é uma figura pública
reconhecida, e o Mario Borgneth saíram quem assumiu a diretor-geral é
uma pessoa completamente sem qualificações para o cargo. Renato, não
tenho coragem de dizer outra coisa para você. O Paulo Rufino,
responsável pela diretoria-geral, é alguém cujo trabalho, por exemplo,
absolutamente desconheço. Não posso dizer o mesmo da diretora de
Jornalismo, a Helena Chagas, com quem eu tenho uma excelente relação.

Fórum – E a presidente, a Tereza Cruvinel?

Nunes – A Tereza Cruvinel não é uma pessoa aética, longe disso, mas
como te disse que seria franco nesta entrevista preciso dizer que
desconheço qualquer experiência dela em gestão pública. E acho que tem
feito uma falta danada a ela. A EBC é uma empresa muito completa e
acho que lhe falta experiência para tocá-la. Eu torço muito para que
tudo dê certo, porque o ano que vem é um ano eleitoral, nós vamos
seguir a partir de 1º de junho uma legislação específica, ou seja, nós
temos três meses para fazer todas as coisas e, dentre as nossas
atribuições, está a constituição de uma rede nacional.

Fórum – A crítica que você faz à Tereza é bastante específica. Você
disse que o problema é que ela não tem experiência de gestão. Esse
poderia ser um dos motivos que está levando ao atraso da constituição
da Rede Pública? Nunes – Sem dúvida nenhuma. Por exemplo, ela devolveu
R$ 18 mi aos cofres públicos no ano passado.
Fórum – Como assim… isso não foi divulgado?
Nunes – Não. A sua categoria (jornalistas) é muito corporativa. Não
foi divulgado. Mas 18 milhões viraram pó, superávit primário.
Fórum – Qual o orçamento da TV, o que isso representaria?
Nunes – Foi em torno de R$ 300 milhões em 2008.

Fórum – Mas, por exemplo, qual era o custo da produção de rede, no ano
passado?

Nunes – Era de R$ 12 milhões. Com R$ 12 milhões, eu teria produzido em
todas as regiões do Brasil programação infantil, programação
científica, história dos rios brasileiros, estradas brasileiras,
estradas de tropeiro, turismo, tudo. Poderia ter sido feito no ano
passado e estaria estreando agora em março ou abril. Com R$ 6 mi que
sobrariam poderia ter sido feito, por exemplo, reformulação dos
programas da casa que são importantes, reconhecidos, de grande valor
público cultural e informativo. Outra coisa grave, em termos de
gestão: foi aprovado em agosto de 2007 o Plano de Cargos e Carreiras,
porque nos temos três anos para promover concursos internos, aprovado
pelo DEST, que é o departamento de estatais. Aí a presidente resolveu
interferir na negociação, e para o azar dela e nosso, veio a crise
internacional. A não ser que seja uma benevolência muito grande do
presidente Lula, tudo indica que não teremos o concurso neste ano. Ou
seja, perdemos outra oportunidade.

Fórum – Pelo tom da sua entrevista, você parece estar muito
decepcionado, você pretende ficar na TV Brasil ou está de saída?

Nunes – Eu não só pretendo ficar, como sou uma referência no setor
audiovisual, dos longas-metragistas, dos curtas-metragistas, dos
animadores, dos documentaristas. É uma responsabilidade minha ficar e
fazer o debate. E ajudar a construir a TV Pública que nós sonhamos,
que nos lutamos para criar. O que acontece é que a gente vê o tempo
passando e algumas pessoas se aproximando da TV sempre como salvadores
da pátria, mas são pessoas que nunca participaram desse tipo de
discussão. O trabalho que nós fizemos está todo aí feito, colocado,
reconhecido. Agora, tem gente que porque trabalhou na televisão
comercial fazendo programas como “Sex Shop” em Shoptime se acha no
direito de dizer que sabe mais.

Fórum – Isso é uma metáfora ou você está dizendo algo que de fato existe?

Nunes – Não é metáfora não. Tem gente lá assim. Claro que não é uma
pessoa que participou do debate da TV pública como você participou.
Não é uma pessoa que tem alguma história pela democratização dos meios
de comunicação como eu e você temos. E tampouco quer dizer que você
seja o máximo ou que eu seja o máximo. Mas há pessoas que não têm a
menor referência, aí eu vejo um risco enorme de a TV se perder.

Fórum – O que estou entendendo é que há um grupo que não tem
compromisso público e que está se tornando majoritário na TV Brasil, é
isso?

Nunes – Talvez fosse melhor dizer que quando você entra em uma época
de crise, aparecem dois tipos de pessoas: os oportunistas e os
puxa-sacos. Isso é muito comum e está acontecendo agora na TV Brasil.
E me preocupa muito, porque este movimento é histórico da sociedade
brasileira, e eu não o vejo sendo conduzido com a responsabilidade que
ele merece. E mais: vejo a preocupação de muita gente na Esplanada,
nas bancadas parlamentares do setor progressista, nos movimentos
sociais, nas áreas setoriais e organizadas em relação a isso. E por
isso decidi que é hora de tornar esse debate público. E escolhi fazer
isso para você porque sei dos seus compromissos. E sei que você não
vai transformar isso num ataque ao projeto, mas num debate sobre ele.
Tenho um nome, uma história e por isso me cabe colocar esse debate de
forma legítima. E coloquei isso internamente antes de ter ligar
dizendo que aceitaria te dar essa entrevista que na verdade você já
havia me solicitado no final do ano passado.

Fórum – E como está sendo realizado esse debate internamente?

Nunes – A presidente não gostou. Ela sugeriu que eu peça uma licença,
que eu me afaste um tempo. Ela me chamou e disse isso, o que te
parece? A coisa está ficando grave. O projeto democrático de
comunicação e de conteúdo está perdendo a luta interna. Uma luta,
aliás, que não deveria existir. Por exemplo, no ano passado por
decisões equivocadas da presidência rasgamos R$ 100 milhões em
editais. Havia a possibilidade de se conseguir para a produção
independente R$ 60 milhões de um programa chamado PEF (Programa
Especial de Fomento) em parceira coma a Ancine (Agência Nacional de
Cinema) e R$ 40 milhões que o Ministério da Cultura preparou para a TV
pública, chamado “Mais Cultura”, que era destinado ao
Audiovisual. Criaram tantas dificuldades que esse dinheiro não veio.
Ou seja, rasgamos R$100 milhões. Isso poderia ter significado uma
revolução na produção audiovisual brasileira. Literalmente uma
revolução. Mas ao contrário, travou-se uma disputa de poder interno,
onde rolou a cabeça do Orlando Senna e do Mário Borgneth.

Fórum – O Orlando saiu por causa dessa disputa?

Nunes – Sim.

Fórum – E na época você decidiu ficar…

Nunes – Para conduzir o projeto até o outro lado da margem.

Fórum – Pelo que estou entendendo a Tereza Cruvinel está pedindo que
você saia…

Nunes – Ela quer hegemonia. Ela quer fazer a TV dela, não a pública.
Infelizmente do jeito que está o projeto da TV pública não sai. O que
vai ficar aí vai ser um pastiche. Agora, é preciso dizer também que
hoje a TV pública tem uma equipe fabulosa. Eu, aliás, trabalhei como
um louco para construir essa equipe. E tirando o jornalismo, tudo que
está na TV foi essa equipe que fez. Agora, o presidente Lula não sabe
disso. Na verdade, quem entendia e defendia no governo uma TV
realmente pública era o Gilberto Gil. Porque quem fez o Fórum de TVs
Públicas foi ele. Quem quis peitar a Ancinave (Agência Nacional do
Cinema e do Audiovisual) foi o Gil. Quem quis peitar a Lei Geral de
Comunicação de Massa foi Gil. Quem deveria tocar a TV Brasil era o
Gil. Eu acho que se isso tivesse ocorrido ele teria ficado no governo.
E hoje teríamos caminhado muito mais, teríamos um projeto a essa
altura muito melhor, de altíssima qualidade.

Fórum – Você saiu da Ancine com mandato para ir pra TV pública, hoje
você considera que errou?

Nunes – Abri mão de um mandato eleito pelo Senado em comissão e em
plenário. Meu mandato iria até dezembro de 2010. Mas de forma nenhuma
me arrependo de ter tomado essa decisão. Eu contribuí demais com a TV
Pública e quero continuar contribuindo.
Não vou tirar a licença sugerida, minha intenção é continuar na TV e
com esse debate público redirecionar seus rumos. Agora, se a
presidente quiser me demitir ela pode fazê-lo. Mas não deixarei de
fazer o debate por conta disso. Já disseram antes, né? Mas não custa
repetir. Sou o mesmo no planalto e na planície. Eu precisava tornar
público esse debate. E espero que a presidente da TV tenha
tranqüilidade para realizá-lo. Não podemos nos amesquinhar, o que
estamos construindo é muito maior. É algo que não pode ficar restrito
a fulanizações, a disputas de poder.

Fórum – Mas pelo jeito há uma grande diferença de projetos, é possível
trabalhar juntos?

Nunes – Sim, com republicanismo e legalidade. Em lei, há marco legal,
que define competências. República é um pacto.

Fórum – Sinceramente, Leopoldo, qual o seu objetivo ao trazer esse
debate a público neste momento?

Nunes – Nós estamos no mês quatro de 2009 e pela lei só temos até
junho de 2010 para tocar as coisas. Depois termina o mandato do
presidente Lula. E em TV é tudo demorado, não dá pra decidir hoje e
fazer amanhã. O que eu quero com essa entrevista é chamar a atenção
das pessoas que são co-responsáveis pela criação desse projeto, um
projeto que não tem dono, um projeto público, para os riscos que ele
está correndo. Nós temos algumas agendas importantes nesse ano, vai
ter uma Conferência Nacional de Comunicação, nós temos conferência da
CUT, uma série de preparatórias e acho que a TV pública deve ser o
centro de tudo. Eu quero chamar a atenção do movimento social para
lutar pela TV Pública, pelo projeto original dela.

Fórum – Ou seja, na tua opinião esse projeto de TV pública está sob alto
risco?

Nunes – Acho que sim. Se um outro setor político vier a ganhar a
próxima eleição ele fecha a TV pública com certa tranqüilidade. A
atual direção não está conseguindo consolidá-la por uma certa
incompetência na gestão. E não estou dizendo que é fácil. Não é. Mas
poderíamos estar num outro patamar.

Fórum – Mas sinceramente, não me parece que basta apenas trocar a condução.

Nunes – Não, você tem razão. É preciso discutir e gerar um novo modelo
de negócio. Esse modelo tem que distribuir recursos para a sociedade.
E a sociedade precisa em contrapartida produzir com qualidade. Sem
demanda interna, você não faz economia. E para que isso se implemente
o Conselho é fundamental. Esse Conselho foi feita de uma forma muito
esquisita. Por isso, está esvaziado e não tem poder. Por isso, acho
que entidades como o Sindicato dos Jornalistas e o FNDC deveriam ir
pra cima, exigindo uma audiência pública para que se institua o
controle social devido na TV Pública. Esse projeto não é de um
governo, não é de um grupo, esse projeto é da sociedade. Então ele tem
que ser para todos.

Fórum – Vou insistir, esse não é uma entrevista de quem está se
despedindo do projeto. Você não sai da TV pública?

Nunes – Não saio. Só se me saírem (risos). Sou legítimo, sou orgânico,
sou de governo, sou da base que deu origem a criação dessa TV. Não
quero dizer com isso que quem vem de uma empresa “x” ou
“y” também não mereça respeito. Claro que merece. Mas
precisa respeitar os outros também. A respeitar as outras experiências
e histórias.
Fórum – O conflito é entre os oriundos da TV comercial e dos que
tinham relação com o Ministério da Cultura?
Nunes – Não necessariamente. Eu e a Helena Chagas temos uma excelente
relação. Ela foi gestora, ela tem experiência de gestão. E nós temos
uma relação extremamente respeitosa.

Fórum – E essa relação não existe com a Cruvinel?

Nunes – Sinceramente, de certa forma não. A Tereza vem trazendo, por
exemplo, consultores e colocando-os acima dos diretores. Está dando a
esses consultores poderes maiores do que aos diretores da EBC. Isso se
deve a um erro de origem na constituição da empresa. O Brasil tem 117
empresas na União e a TV Brasil é a única onde um presidente da
empresa pode nomear diretor, ou seja, onde isso não é atribuição do
presidente da República. Tenho receio de que depois do presidente Lula
ter tomado a iniciativa de bancar a criação dessa televisão e passar a
sua constituição por medida provisória por diferença de apenas três
votos no Senado ela venha a se tornar um mico. Porque ela já poderia
estar numa velocidade muito maior. Nós poderíamos hoje estar
assistindo uma TV pública de alta qualidade. E ainda não estamos.

Fórum – Por quê?

Nunes – Ineficiência de gestão.

Breve

Dia desses, num determinado grupo de discussão conheci uma mulher que achei muito interessante. Infelizmente eu não concordo com suas teorias e nem ela com as minhas. A vida é assim, é a “arte do desencontro” como dizia Vinicius.

Essas coisas

A conversa de ontem no grupo de discussão on line do Yahoo foi sobre a fragilidade, incoerência e um excesso de tolice dos blogs (poucos, graças a Deus) que se arvoram denuncistas, patrulhetas de uma esquerda que morreu e esqueceu de deitar…

Essa discussão vinha rolando há alguns dias, mas ontem (salve!), optamos por parar, por mudar de assunto. A conversa tomou rumo inverso: “A Elegância do Ouriço” de Muriel Barbary. A capacidade de ser singelo é muito mais árdua que a de ser agressivo, concluímos.

Cordeiro de Deus

Diante da gritaria geral em todo o planeta, vem o agora o doce Vaticano dizer que “não foi bem isso o que o bispo quis dizer” e blá blá blá. Tudo mentira: o bispo (arcebispo, sei lá) disse exatamente o que disse e repetiu inúmeras vezes -  e ele está certo, está aplicando a lei da sua seita! A ignara que não consegue fazer uma análise fria do seu deus, continua nas igrejas feito cordeirinhos ou porcos em preto e branco

Estranhas lendas

A insônia, na maioria das vezes, é mal interpretada. Durante a anamnése o xamã determina que o sono não chega por causa de um motivo X. É um equívoco. A insônia pode ter vários motivos separadamente ou um grupo de motivos (ou todos os motivos). Para solucionar existem terapias, medicamentos, e a Escola do sono que reeduca as pessoas vítimas desse sono em fuga. Embora não seja comum, eu invariavelmente sofria de insônia até o dia que encontrei um motorista de táxi extremamente bizarro com seus longos cabelos e caudalosa barba branca amarelada. Era desses que gostam de conversar com o passageiro. Durante o trajeto excêntrico o motorista – após falar de 3 ou 4 assuntos – disse que dirigia à noite porque sofria de insônia e, se estava trabalhando, não sofria de nada. Estranho sim, mas aquele raciocínio tinha lógica e muito mais quando ele concluiu que dormia durante o dia o sono dos justos, tranquilo como um passarinho. Ele percebeu por fim que não tinha insônia, que, na verdade, não gostava de dormir à noite e sim durante o dia.

Posteriormente encontrei esse mesmo homem (inconfundível) vestido de padre à porta de uma igreja quando a noite, brandamente, começava a chegar. Eu o reconheci e ele também me reconheceu. Confessou que era padre por ofício, mas que os párocos queriam missas durante o dia, negavam-se a frequentar uma igreja  de madrugada. Ele então acordava às 16 h, rezava apenas uma missa às 18 e, quando suas ovelhas retornavam para casa, ele pegava o táxi e ia realmente “trabalhar”.

Esse texto sem pé nem cabeça (aparentemente) baseia-se numa história que me contaram numa taberna nos tempos em que eu tinha paz.

Até a hora do pesadelo (Diana Krall)

O céu azul com esses fiapos de nuvens brancas que se movimentam estranhamente não combinam com Diana Krall essa mulher estranhamente sensual, uma sensualidade na voz para ser mais exato e seu piano que ocupa as caixas de som, que se insere nesse ambiente de início de tarde de um tempo qualquer, que não me dou conta do que é, foi ou será. Calor intenso, um suor que não abandona, que está impregnado no meu corpo, nas minhas roupas, lençóis, nas paredes azuis e brancas desse lugar que agora me parece estranho, não exatamente novo, mas desconhecido o bastante para me fazer recordar como e porquê vim parar aqui. Não era isso, não era isso o que eu planejava embora não saiba o que planejava, o que imaginei. Essas músicas me lembram as curvas das estradas para a serra, curvas que eu fazia numa velocidade perigosa apesar da segurança do carro novo, faróis altos, noite fechada, alguma cerração e pneus cantando nas madrugadas que eu não sabia se frias ou não encapsulado que estava naquele ambiente pleno de um ar condicionado equilibrado, perfeito. Mesmo pronunciando tudo errado eu cantava alto junto com Diana, tranquilo na certeza de que ninguém mais me ouviria e que o jardim, ainda distante me esperava, que ela, de moleton cinza-claro me aguardava junto à porteira porque o tempo da minha pequena viagem era cronometrado já.

Quantos dias, quantas semanas, quantos meses? Não sei direito, mas pareceu-me uma eternidade, como se toda a vida sempre tivesse sido assim, como se todos os dias raiassem com céu vermelho, com pássaros cantando, com a grama úmida de orvalho, com a surpresa infalível de uma roseira única, mas que não decepcionou jamais. Era bom olhar aquela rosa, era bom desenrolar a mangueira e molhar todo o jardim antes que o sol ficasse mais forte porque aí seria a hora de, sandálias de borracha, banharmos os dois cães negros, jovens e brincalhões. Foi ao som de Diana Krall que vivi o universo perfeito, a vida boa, calma e justa até que chegou a inesperada (será mesmo?) hora do pesadelo.

Das bobagens da net

tem umas coisas que a gente vai fazendo pela vida sem pensar, sem procurar saber se são coisas “certas” ou coisas “erradas”. na maioria das vezes eu vou pelo lado “errado” o que bem demonstra que esses conceitos são absolutamente pessoais, que regras, definitivamente, não existem. já andei rabiscando por aqui sobre isso, sobre regras e leis que as pessoas fazem à seu bel prazer para aplicar nos outros. e olha que um número enorme de gente – a grande maioria – cai nessa e vai sentindo-se culpado à cada peidinho que solta como se o intestino fosse uma bola de encher (rs). e digo isso após uma leitura breve em cinco ou seis blogs onde escrevinhadores vão colocando suas vidas em trilhos alheios, vão elogiando e criticando ações do próximo, vão dizendo que “são espertas”, que não caem nisso ou naquilo. por isso eu acho confuso quando um  blog vira matéria de jornal de outra blogueira – como se virar matéria de jornal fosse alguma coisa muito especial, um mérito, como se a autora do blog estivesse sobre todas as coisas… não está. se determinada criatura tem um blog e uma coluna em jornal e utiliza esse espaço para falar de um blog, das duas uma: ou está sem assunto ou gosta ‘particularmente’ do blog citado. tudo bem, é um direito de cada um. hoje fazem até filmes sobre blogs de gente que não tem a menor importância. tudo pode. o triste da história é que você vai no “material bruto”, no blog mesmo e encontra pessoas vazias, ressentimentos, ódios, “espertezas”, críticas e toda a sorte de bobagens que a publicação imediata permite. eu até leio e fico meio assim, sem saber muito o que dizer. resta-me então criticar, me entristecer quando escrevinhadores não sabem que têm um papel social sim, que escrevem para as pessoas lerem sim e, de certa forma, são formadoras de opinião… contra ou à favor. bom, eu nem ia falar nisso…

Padre gaiato

No prédio em frente, preso por cordas, um operário vai descendo rente à parede. Só de me imaginar naquela situação fico suando frio. Mais de dez andares! O que faz uma pessoa escolher profissões assim? Eu sei, a necessidade, a fome. Certamente não é escolha dele (como a do padre gaiato de viajar pendurado em balões de festa de aniversário). Esse homem aqui está pendurado numa corda. Desce numa espécie de rapel, com os pés apoiados nas paredes externas do edifício. D-u-v-i-d-o que ela tenha participado de qualquer curso ou orientação profissional pra fazer isso. Esses homens – pobres homens – são movidos exclusivamente pela fome e pela noção absoluta de cidadania (ou virariam bandidos). Fico olhando e me perguntando: quanto ganham para fazer o que fazem? Afinal, não passam de operários. Gente sem rosto, sem voz, sem direitos… E se ele se machucar? Como será tratado num hospital público? E se ele morrer? Quem paga o enterro, quem sustenta a família (certamente numerosa por falta de educação sexual e geral)? Enfim, pobres homens arriscando a vida e a saúde diariamente no limite do tolerável para levarem, de madrugada, pão para dentro de casa. Enquanto isso, aquele imbecil daquele padre fica fazendo gracinha. Morreu? Certamente… Com certeza – de maneira inibida - era um suicida. Mas eu me interesso muito mais pela vida dos operários do que a vida desse padre.

Não, não é uma questão de desumanidade. É não gostar de bater palmas pra maluco dançar. 

Crimes hediondos e blogs fúteis

Tenho, nesses tempos de pressa uma dívida com os outros blogues: não tenho lido nada. Hoje li um deles em que sou citado. Mal citado, bem entendido. Realmente não me interessa porque essas coisas estão aquém das minhas prioridades. Não é à toa que inúmeras pesquisas apontam o Brasil como o país com piores blogs de todos os tempos. Escreve-se mal. Fala-se mal da vida alheia. Calunia-se. Defende-se mulheres de outro continente na esperança vã de uma trepadinha num futuro (quem sabe?). Realmente é tudo verdade. Trata-se de um bando de candinhas mal amadas (homens e mulheres que não têm o que fazer). Enfim…

Sou contra a precipitação no julgamento de atitudes e, principalmente, de pessoas. Evidente que as coisas devem caminhar a seu tempo, que devem ser feitas todas as investigações e recolhimento de provas e, em caso de dúvida, pressupõe-se a inocência do acusado. Todos são inocentes até que prove o contrário. Consciente de todas essas regras óbvias da sociedade democrática, fico me perguntando sobre o assassinato da menina em São Paulo. Certo, pai e madrasta negam o crime. O avô diz que “entregaria” o filho se o achasse culpado. Será mesmo? A imprensa faz um circo diante da notícia (como se não estivesse acontecendo mais nada no Brasil e no mundo!). Mas, ok, então, depois de mais de 50 depoimentos recolhidos, de perícias e mais perícias, o que pode ter ocorrido de verdade? O pai deixou a menina dormindo na cama e voltou para buscar as outras crianças e a mulher que ficaram no carro. Trancou a porta do apartamento antes de sair. Retornou rapidamente e a menina tinha sido esganada, a grade da janela cortada e seu corpo estava no chão, seis andares abaixo. Não houve arrombamento no apartamento, não houve roubo nem estupro. O que aconteceu então? Enquanto o pai voltava ao térreo um bandido, munido da chave do apartamento entrou, cortou a grade, apertou o pescoço da menina e jogou-a? Por que? Para quê? Marginais invadem apartamentos para roubar e estuprar, não é isso? Nada disso aconteceu. Deixa eu entender e repetir: um facínora estava escondido no andar em que a menina morava, possuía chave do imóvel ou era rapidíssimo em abrir fechaduras sem deixar marcas de arrombamento, entrou, bateu na menina (sangue pra todo lado), cortou a grade da janela e, satisfeito, foi embora? Assim? Dessa maneira? O único objetivo desse monstro era esse? Matou a menina para “ajustar contas” ou por “queima de arquivo”??? Por que? Por que?

De qualquer forma, quem fez isso é um monstro. Quem fez isso não tem sequer direito à vida e muito menos à liberdade. Se houve cúmplice, idem, idem. Quanto tempo mais a polícia vai levar para concluir o inquérito?? E a justiça? Quanto tempo? E qual será o resultado? Que pena (penas) será aplicada? Contra os que dizem que a sociedade está focada nesse caso (enquanto outros, similares, acontecem freqüentemente no país) a resposta é óbvia. É um caso emblemático e todo o cidadão se coloca na posição de mãe e da criança. Esse crime hediondo recria o pânico em que vivemos. Até quando?

Sábia

Dia desses conheci um profeta encarnado numa zeladora de apartamentos humilde e profundamente culta. Fiquei abismado com as surpresas que o mundo revela. Expus todas as minhas teorias, falei o quanto pude de mim, das minhas certezas e das inseguranças, dos medos e dos orgulhos. Ela ouviu calada e depois, com muita calma, serenidade e humildade, respondeu a tudo baseada em Filosofia, citando de cor pensamentos oportunos de inúmeros filósofos e buscando exemplos práticos colhidos nos clássicos da literatura. Confesso que fiquei abismado. Como aquela mulher se viço, dessas que nos passam na rua com toda a sua humildade e pobreza conseguiu tal façanha? Com tanto trabalho duro, onde encontrou tempo para estudar sozinha (autodidata), para conhecer tanta literatura universal, para ir tão fundo na filosofia (clássica – desde os pré-socráticos)? Essa mulher baixa, gorda, feia, andando na feira com seu carrinho, comprando tomates? Como seria possível? Concluí que sou pedante e preconceituoso – e tenho, portanto que aprender muito na vida, não sei nada, não sou nada.

(Sim, sim… A Elegância do Ouriço)

Ver de novo

Quase pneumonia. Por um triz. Excesso de trabalho, excesso de ar condicionado forte. Roupas inadequadas. Ansiedade, quase desespero. Muitas opiniões diferentes ou eu não estou entendo bem as coisas. Foi um fim de semana de pânico, mármore do inferno. Não pelo trabalho. Trabalhar é mole. Será que realmente eu não estou mais entendendo as coisas direito? Talvez seja a hora de rever meus conceitos de vida e de saúde. Vem pela frente uma carga enorme de trabalho (isso é ótimo porque acredito realmente na proposta nova). Mas preciso me preservar minimamente para estar firme e realizar os projetos (que são muitos). Devo estar bobeando talvez na minha vida particular. Talvez não. De qualquer maneira, alguma coisa tem que mudar. Rever, rever, rever.

NAVELOCA

Eu desisto de ler jornais (já sei que diariamente afirmo a mesma coisa e, no dia seguinte volto atrás). É violência demais é (falta de) política demais, tudo muito over. Talvez de uma forma egoísta retorno ao meu mundinho, busco na minha insegurança um caminho a trilhar, uma marca a deixar, uma expectativa para os outros e para mim mesmo. Faço uma pausa nas atividades rotineiras e permito-me responder aos e.mais acumulados. Muita gente dizendo que não tenho sido objetivo (o que é uma verdade) e a todos respondo que apenas uma parte de mim escreve aqui, pelo menos, no momento. Concordo ainda que me deixei contaminar demais nas questões de trabalho e ando alheio a tudo o mais. Entretanto, no momento, é necessário.

Nesse domingo tirei um tempo pela manhã para me reunir com meus meninos do grupo de discussão literária. Reclamaram da minha ausência mas não claudicaram. Estão seguindo em frente com os trabalhos e leituras propostas anteriormente. Isso é muito bom. Adoro ver pessoas caminhando por si sós, sem aguardarem uma sinal de aprovação ou desaprovação. Não me surpreendi ao ver que o trabalho deles está caminhando “à todo pano” sem minhas interferências pontuais. Fazem, nesse estágio, uma série de comparações entre Mário de Andrade e Gilberto Freyre. Pode parecer estranho porque são vertentes diversas, mas os meninos estão seguindo um caminho interessante, por vezes metafísico. Essas “pontes” me agradam muito, acho que estimulam a todos. São propostas que eles bravamente “compraram” e dão conta de forma surpreendente. Hoje propus que eles escrevam aqui, neste espaço, suas visões das nossas experiências passadas, das nossas discussões proveitosas. À conferir.

Pra não entender

Dias passam. Não vejo, não presto atenção. O sol nasce e morre. Não vejo. Os livros se avolumam em minha mesa numa cobrança silenciosa e acusadora. Estou há dez dias me relacionando com pessoas demais, cobranças demais, indefinições demais (preciso urgentemente estar comigo mesmo!). São coisas que eu não quero, que, confesso, não tenho mais estrutura emocional para levar adiante. As coisas não saem como eu quero, detesto fazer coisas assim, preciso ter o descanso intelectual de que o sacrifício valeu à pena. É necessário que EU goste do que fiz. Estou de passagem afinal de contas. Tenho o direito de me frustrar com MEUS resultados. Sim. Não é assim que se realiza uma obra. Não. Tá, eu sei que ninguém tá entendendo nada. Desculpem. Talvez esse meu choro devesse ter sido feito em meus cadernos que serão queimados posteriormente.

Os buracos negros davida

Inacreditavelmente, de vez em quando sumimos no mundo. A Terra e a vida de uma maneira geral possui buracos negros que nos sugam, dão cabo de nós. Às vezes me percebo não exitindo, estando atrás apenas de um ícone que pouco representa. Minha representatividade é pífia, minha ação, nenhuma, minha participação, modesta. Detesto olhar para o céu e me sentir modesto da mesma forma que detesto observar as pessoas se contradizerem. Não sei porquê acho que só eu deveria poder me contradizer. Mas é claro que não é assim e me calo, suporto as privações da alma (ainda que não acredite mais em declarações e juras),

Roleta Russa

Hoje me disseram que estou fazendo um roleta russa com a minha vida. Fiquei meio assim porque, de certa forma, é verdade.

Surpresas

Observo o céu. Curiosamente, vejo dois fiapos de nuvens que correm certas e retas de um lado ao outro. Paralelos. Como se tivessem passado dois aviões da esquadrilha da fumaça. Aliás, nem os tais aviões e suas fumaças teriam sido tão perfeitamente milimétricos. A natureza apronta cada uma…

As tréguas para viver

Sou questionado porque digo e volto atrás, me ofendo e magoo e também, após um tempo, volto atrás. Nossa, como eu teria explicações…. laudas e laudas. Mas posso resumir em poucas linhas. Primeiro: as mesmas pessoas que me questionam à respeito dos outros brigam comigo e, quando bem entendem voltam atrás… Aqui, nesse ambiente, estou vivendo em uma sociedade em rede. Sempre repito isso porque estou realmente convencido. E numa sociedade as coisas não são, como não poderiam ser, estáticas. Então, se divirjo de alguém e bato forte nessa pessoa, parece-me natural que ela bata forte em mim. Claro que na hora (como numa contenda de box) ambos queremos ‘matar’ o outro de tanto ódio. Mas terminado aquilo, se ambas as partes pretendem trégua, por que não? Para quê requentar uma raiva pueril, ignóbil e sem razão de ser? Não, eu realmente volto atrás, mudo de idéia, penso em outras coisas. Se estou errado? Não sei, o tempo vai me dizer. Talvez esteja errado e talvez esteja certo. Do que temos certeza na vida? No momento, não me preocupam essas hipóteses, preciso viver a vida em ‘cada vão momento’ (V.M.) Nem creio que ninguém esteja desmerecendo a si próprio por desfazer (ou tentar) situações-limite.

Folião II

Ontem eu realmente fui no bloco de carnaval que reúme meus amigos e brinquei um bocado. Ou seja, não fui radical. Mas, falando sério: de uma maneira geral eu acho Carnaval muito chato, não vejo graça nenhuma em bailes, escolas de samba, blocos, etc. De verdade, acho uma festividade menor, muito reles.

Eu sempre escrevendo com erros

Eu escrevo muita coisa errada. Muitos erros de digitação e muitos erros de português. Conversando com Zuenir Ventura chegamos a uma conclusão. Regrinhas e regretas que aprendemos no Primário e no Ginásio, se não continuamos aplicando vida afora, acabam, inapelavelmente sendo esquecidas. Um jornalista e um escritor têm seu material religiosamente passado à pente fino por um revisor (e, ainda assim, muitos erros escapam – um bom jornal, diariamente corrige os erros da edição do dia anterior). Os revisores de texto de computadores, de sites, de programas de textos são revisores extremamente falhos – ora porque desconhecem a palavra, ora porque misturam inglês com português ora porque não “entendem” o sentido da frase.

Quem escreve como eu, com pressa invariavelmente comete erros e quem revisa também. Mas existe um grupo de pessoas que não erra. Na verdade, têm pavor dos erros, acham que, se errarem, passarão por burras como se, não errando, deixassem de ser. Então essas pessoas escrevem de uma maneira estranha, usando palavras difíceis, usam todos os revisores de textos que dispõem e ainda se valem de dicionários e tal e coisa. Para quê? Para que seu texto (na maioria das vezes muito curto) não apresente nenhum erro. Mas veja que cada um tem um modo diferente de pensar e de fazer suas escolhas. Eu acredito mais na inteligência e na perspicácia do leitor. Escrevo muito e sempre correndo e não reviso nada. Claro que ocorrem os tais erros. Mas o meu leitor fiel me conhece, conhece minha forma de escrever e, mesmo vendo erros crassos, atribui à digitação ou à distração aliada à falta de revisão. Jamais pensa em me chamar de burro. No texto burro, eles sabem muito bem, as palavras são escolhidas demais, as colocações são muito cerimoniosas (sempre imitando a autora de sua preferência), não aparece um erro sequer, uma vírgula fora do lugar. Esse é o texto do site burro. Do site em que o autor valeu-se de todas as garantias, do autor que tem medo de se expor, medo de ser ele mesmo. Em blogues amigos, invariavelmente, percebo um erro aqui e outro ali, mas não dou a menor atenção, não ligo a mínima e JAMAIS questiono o saber do (a) escriba. Sei muito bem o que é a ânsia de escrever. O que eu quero dizer com isso? Tudo e nada. Quero dizer, antes, que desconfio e todos devem desconfiar do texto perfeito. Quero propor a que se veja nesse texto, um escriba frágil, inseguro e, muitas vezes até mesmo medíocre. Claro que há honrosas exceções.

Contador de Histórias

Eu tenho um compromisso comigo de dizer as coisas que estou pensando e vendo. Às vezes passa uma hora do fato ocorrido, às vezes passam oito meses, não importa. Um dia aquilo me vem e eu escrevo, conto a historinha. Normalmente antes de escrever faço pesquisas de campo para saber como e porquê aquilo ocorreu. Em outros casos, observo o comportamento das pessoas. Acho bom todo mundo saber as coisas que eu sei. Mas tenho um defeito: não discuto muito o que eu disse. Não porque eu não tenha uma boa argumentação, mas porque, contrariado, percebendo que desejam me iludir mais, aí sim eu pego pesado. E ninguém merece que eu pegue pesado à toa, não é verdade? Às pessoas que têm me escrito perguntando o quê e quem, eu tenho respondido a verdade, a história e o endereço dos personagens, mas não publico.

Deus não joga dados. Conto as coisas e pronto. Estou dando uma chance das pessoas saberem e pesquisarem por elas mesmas. Por mim, vou tratar de assuntos mais interessantes agora. Não vou rebater as lendinhas tolas, não desejo incomodar ninguém. Sou apenas um contador de fatos. O resto é mar…

Terapias, Afrodites, Megs e províncias

A insônia matutina não me incomoda. Gosto de acordar cedo porque é justamente durante a manhã que consigo tornar meu dia mais produtivo. Acho que a noite me oprime um pouco, eu fico meio sem ação. Despertar antes do dia clarear me deixa bem disposto, sinto mais vontade de ler e escrever, por exemplo. E isso é bom na minha vida que de ordeira e rotineira não tem nada. Porque, muitas vezes, não nos damos conta que cada dia é uma vida diferente, é pontual na medida em que acordamos e vamos dormir. É isso. Quando vou dormir é exatamente como se estivesse morrendo, quando as coisas se encerram, quando saio de mim. Quando acordo é como estar nascendo adulto e um mundo de coisas, oportunidades e opções me são oferecidos. É durante o dia que temos que lidar com os outros e, muitas vezes, perceber mais uma vez que a vida imita a arte que não escrevo sobre o comportamento das pessoas, por exemplo, e sim que as pessoas se comportam da maneira que escrevo. Muito engraçado isso, né? Quer dizer: eu descrevo situações muitas vezes irreais ou utópicas e algumas pessoas passam a vivenciar daquela maneira (e o louco sou eu! rs) Essa e outras, são coisas que observo durante os dias. Idéias (realizáveis ou não) me ocorrem muito mais durante o dia e lembranças também. Lembro por exemplo que recebi um convite para participar de uma espécie de oficina, aula (ou coisa do gênero), promovido por dois ou três blogs. A proposta era você escrever determinadas coisas e aquilo entrar numa espécie de ciranda que seria revista, receberia opiniões, algo tipo aulas e alguma análise. Isso feito por pessoas sem a menor formação nem a menor capacitação profissional para tanto – e você ainda tinha que pagar um bom dinheiro pelo “curso”. Claro que eu não caí nessa arapuca e ainda avisei por e.mail a todos os meus amigos que não entrassem, que era furada, golpe, mas, ainda assim alguns entraram e quebraram a cara. Essas coisas são rapidamente esquecidas na vida e as pessoas continuam circulando por aí, impunes, como se não tivessem feito nada, como se fossem apenas “amigas” da turma. Ah, ah! Que turma, cara pálida? São resquícios, filhotes da Meg (lembram que ela morreu e agora tá aí, escrevendo tranqüilamente? Pois é, tá aí cheia de fanzocas idiotas que “esqueceram” que ela um dia disse que morreu. No meio dos blogues, parece que as pessoas têm uma memória mais curta, que não lembram do passado recente. E olhe que estou falando de três blogues chinfrins, jekinhas, desses que não valem nada, que não merecem que a gente perca dez segundos lendo umas linhas. Mas não, as pessoas estão lá. Fico só esperando para ver qual vai ser a próxima arapuca que vão inventar. Porque a picaretagem deixa um gostinho de ‘quero mais’ na boca.

Tudo isso acontece de dia porque, por suas características escuras, meio secretas e estranhas, a net precisa do dia, é invisível à noite. Precisa da interatividade, das pessoas acordadas, ela, em si, já é um sonho sonhado de olhos abertos, o monitor é uma caixa preta caleidoscópica, viciante como o ópio (cujas casas funcionam de dia). Sei que tem gente que deseja ardentemente que eu morra ou qualquer outra coisa assim, desde que meu blog desapareça e a esses eu recomendo calma porque uma hora, como tudo, evidentemente, meu blog irá desaparecer. Por outro lado, não deviam dar atenção ao que escrevo aqui, Para quê? Bobagem! Quem sabe não é tudo fantasia minha? Quem sabe nunca aconteceu da Meg dizer que morreu e nunca houve o conluio de dois blogues para dar um golpe nos desatentos? Pode muito bem ser tudo fantasia minha. Pode ser que as pessoas não mudem de comportamento e ajam como eu falo aqui, pode ser tudo um enorme e delicioso delírio. Uma coisa é certa: embora todas, no fundo tenham restrições a todas, tratam-se como amigas e, se lerem estas linhas, os MSNs vão fumegar, vão perder preciosos minutos de suas vidinhas vazias metendo o malho nesse humilde escriba. Até quem pagou e caiu no golpe das ’senhoras de respeito’ ficará com raiva de mim porque estou dizendo que caíram numa arapuca. Eu, como o personagem de Lima Barreto, pretendo dar aulas de javanês via internet. Aguardem abrirem as inscrições.

Tá legal ou querem mais?

Espermatozóide azarão

Eu queria dizer muita coisa e não falo nada. Sempre que me preparo para dizer algo, me vem à cabeça as 1001 possibilidades de não ser entendido ou ser mal compreendido. Aí eu prefiro não falar porque detesto depois ter que ficar explicando tatibitati o que eu disse. Por outro lado, quando escrevo, parto do pressuposto que estarei sendo entendido (ainda que as pessoas discordem de mim, normal). E ainda tem mais: os meus amigos discordam de mim de uma maneira bacana, bem humorada (o que me estimula a falar mais, mandar e.mails, etc.), mas tem uma turma que puta que o pariu! Ô gente chata! O que é um chato? Chato é aquele que não gosta de você, não gosta do que você escreve, mas vem te visitar sempre, várias vezes ao dia em busca de um erro, de uma expressão equivocada, de uma palavra que possa ter duplo sentido pra te dar uma porrada na cabeça. Não era mais fácil, simplismente, não vir aqui? Não, não era ou não seria o protótipo do chato… aliás chato é aquele bichinho que gruda em pelos pubianos? Deve ser. Chato coça. Chato pode trabalhar 18 horas por dia porque sempre tem tempo demais pra chatear o outro. Chato é um espermatozóide azarão que ganhou na mega sena.

Piauí

Há tempos uma amiga (grande amiga e toda especial) me disse que sim!, ainda havia vida inteligente na Terra e que eu podia comprovar isso lendo a revista Piauí. Eu registrei, mas não fiz nada, não comprei, não me dei conta, o tempo passou e eu quase esqueci.

Agora, passados uns tempos, outra enormíssima amiga me falou de uma entrevista na revista Piauí e acabei cedendo e comprando a revista. A primeira amiga citada estava coberta de razão. É uma revsta bem escrita, inteligente e com design mais que chic. Ou seja: burro, eu perdi tempo e agora recuperei. Ando atracado com a revista lendo e relendo seus artigos. Passo a mão para perceber melhor a deliciosa textura do papel. Comprarei todas, inclusive os números atrasados. E que me sirva de lição que os toques que os amigos nos dão devem ser absorvidos mais rapidamente.

Tête-a-Tête

Tête-à-Tête, a história da vida em comum de Sartre e Beuvoir é um livro que eu namoro há muito tempo e acabo, por um motivo ou outro, não comprando. Dessa vez comprei. Um livro grande e pesado. Os dois autores são meus heróis e procuro pautar (adaptando, evidentemente) minha vida sobre muita coisa da vida deles. Um casamento aberto, por exemplo, ainda não é uma coisa que eu esteja preparado (veja só como sou careta). Mas eu digo isso porque não surgiu ainda a oportunidade, não sei como seria se houvesse uma proposta dessas de alguém que eu gostasse muito. O problema é que essa monogamia é cultural, atávica e implica em outros movimentos conscientes e inconscientes para a gente se livrar dela. Simone e Sartre conseguiram isso há quase 50 anos atrás. Bom, mas eles são os heróis, eu sou o leitor. Tenho amigos queridos que já ultrapassaram essa barreira e só tenho admiração por eles. Será minha idade provecta? Será uma formação arraigada? De qualquer maneira, não interessam os nomes que damos a isso. O fato é que acontece, ta lá, na nossa (minha) cara e eu não sou o único nem minoria (embora a unanimidade seja burra, claro).É o seguinte: quando eu amo uma mulher, de certa maneira, rola um sentimento de posse. É feio falar, mas é uma realidade que não se pode fugir. Havendo esse sentimento de posse rola outra coisa que está atrelada. Os casais se querem exclusivamente um para o outro. Uma relação aberta, racionalmente, eu entendo como natural, mais ou menos óbvia. Mas na prática, infelizmente, é muito diferente. Não há dúvida de que, se alguém tem que mudar, sou eu. Enquanto isso, vou lendo as aventuras de Sartre e Beauvoir.

José Dirceu

A matéria-entrevista de José Dirceu à Revista Piauí é irrelevante. A mordomia em que ele vive, suas posições políticas e existenciais, enfim, tudo é previsível. Trata-se evidentemente de um castrista-moscovita que o Exército brasileiro jamais deveria ter libertado vivo. O resto da história a gente já sabe de cor: os intelectualóides brasileiros, naturalmente antiquados e ignorantes, formaram a opinião do povo boçal e deu no que deu: PT no poder. E PT no poder é José Dirceu no poder, é roubalheira, mensalão, golpe, tudo o que um comunista traz em si. O povo brasileiro merece exatamente o que está acontecendo, embora não leia a Revista Piauí.


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"A descoberta do Prozac criou um universo de eunucos felizes"

"É-nos impossível saber com segurança se Deus existe ou não existe. Por isso, só nos resta apostar. Se apostarmos que Deus não existe e ele existir, adeus vida eterna, Alô, danação! Se apostarmos que Deus existe e ele não existir, não faz a menor diferença, ficamos num zero a zero metafísico" Albert Camus

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""Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos."
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